Arquivo Géh - Sensória ed 1 a 25

1|2|3|4|5|6|7|8|9|10|11|12|13|14|15|16|17|18|19|20|21|22|23|24|25

 
Edição 25  
Edição 24  
Edição 23

INSTINTOS, SENSAÇÕES E EMOÇÕES

por Lívia Santana


Les Demoiselles d'Avignon (1907)
por Picasso

Eu, você e a sua vizinha, somos dotados de instintos, sensações e emoções, certo? Não, peraí, não começa a questionar, deixa-me falar, só acompanha. Bem, então, somos dotados de instintos, sensações e emoções. O que talvez nos diferencie, é a predominância que existe de um ou outro, seja nela (na sua vizinha), em você ou em mim.

E o que isso significa? Por que isso é relevante? Em que interfere na sua vida? Respondo: Interfere em mais coisa do que você imagina, meu caro.

Primeiramente, o que são instintos? E sensações? E emoções?

De acordo com o dicionário, instinto é o impulso natural, independente da reflexão. É o padrão inato de comportamento, variável de acordo com as espécies animais, que atua quando se registram determinados estímulos e que se encontra adaptado às condições de vida de cada espécie animal.

Sensação é a impressão produzida nos órgãos dos sentidos pelos objetos exteriores e transmitida ao cérebro pelos nervos; excitação; comoção moral; sensibilidade.

Emoção é perturbação, abalo moral, comoção, sentimento intenso.

A partir disso, podemos elaborar o seguinte raciocínio: os seres humanos passam por um processo engraçado chamado evolução. Não, não vai pensando em macacos e cavernas não, a idéia é um pouco diferente, embora tenha alguma co-relação. Vou partir de outro ponto.

Pensa só. Abelhas, formigas, aranhas, centopéias, cachorros, gatos, estrelas-do-mar, ornitorrincos, furões, todos os animais, mamíferos ou não, racionais ou não, têm instintos. Isso é ponto pacífico. Todos têm seus impulsos naturais em maior ou menor escala, e são estes impulsos que determinam basicamente a atividade desses animais no mundo.

Da mesma forma, se pensarmos em termos de estímulos sensoriais, podemos estabelecer que os animais também têm sensações - a maioria pelo menos tem, mas já conheci cada tipo que nem te conto! E essas sensações é que determinam em grande parte os liames da interação destes animais com o meio e com os outros animais.

Por fim, temos as emoções, que têm a ver com algo um pouco diferente. Para haver emoção não basta estar vivo e pertencer ao reino animal, como se dá com o instinto e a sensação. Emoção é algo ligado a valores morais, a inteligência, a percepção de mundo, a construções mentais. Essas, só os seres humanos têm.

Mesmo o cachorro mais amoroso e mais inteligente, ainda não ingressou no campo do sentimento, da emoção. Ele é dócil ou agressivo por instinto ou reagindo às sensações que se lhe apresentem, e não porque possua caráter, porque ame ou se magoe. Ele se mostra assim porque é assim, e não porque raciocine e decida ser assim.

Dito isso, podemos considerar que instintos, sensações e emoções sejam parte da linha de evolução a que me referi anteriormente. Instinto na fase mais primitiva, sensação numa fase intermediária e por fim, a emoção, como a fase mais elaborada, e que ainda assim possui várias gradações.

Por isso, o que principalmente diferencia você, sua vizinha e eu, é qual destes três elementos predomina em cada um de nós. Você pode agir mais por instinto, não sendo muito afeito a raciocínios muito elaborados. Eu posso decidir não pensar muito, fechar os olhos e me concentrar apenas nos estímulos que recebo e nas minhas sensações. E sua vizinha pode ter elevados valores, sentimentos delicados e emoções marcantes.

Percebe o quanto isso diferencia as pessoas e interfere no modo com que se relacionarão, seja profissional, social, afetiva ou mesmo sexualmente?

Certamente haverá quem não concorde, mas então vejamos alguns exemplos simples: Se nos referimos a alguém pejorativamente, salientando a brutalidade, o que dizemos? Que é um animal. E como age o animal? Seguindo o instinto. Minha cadela se deita ao sol todos os dias durante alguns minutos e, quando sente que é suficiente, porque a temperatura corporal subiu a ponto de ter que ficar com a boca aberta para regulá-la, ela vai para a sombra. Acha que ela pensou muito para isso? Ou, quando você tem uma namorada a quem não ama mais e não é um completo animal, você certamente irá pensar nas emoções dela, em tomar cuidado para não magoá-la ao romper o relacionamento.

Uma relação entre pessoas diferentes só da certo quando ambas funcionam na mesma sintonia. Mesmo que uma goste da Madonna e o outro do Sinatra, um goste do dia e o outro da noite, um do frio e o outro do calor, se ambos forem instintivos ou sensoriais, tem muito mais chance de funcionar, do que se fossem diferentes também neste aspecto.

Isso, porque o que acaba com os relacionamentos e até mesmo com o sexo é uma coisa chamada expectativa. Expectativas são satisfeitas quando ambos os parceiros precisam das mesmas coisas e, logo, dão ao outro aquilo que querem receber de volta. Se as necessidades de um e outro são muito díspares, não haverá correspondência nesse sentido. Como satisfazer a parceira se tudo o que ela mais quer é conversar depois do sexo e na sua concepção uma relação ideal é aquela que dura horas de maratona para depois cair exausto, extenuado pelas sensações?

Esta é uma questão extremamente relevante, que deveria ser mais observada entre as pessoas em geral, não só pelos casais. Olhar o outro, perceber quais os anseios e qual o elemento predominante nele, pode ter o condão de tornar o relacionamento fantástico. Vou falar mais disso outra hora. Por enquanto, pense um pouco a respeito.

 
Edição 22

Mulheres e seus dilemas inúteis

por Desiree

Desiree, desejada, desejante. O que faz a química dos sentidos nos transformar em peões de emoções convulsas? É a pergunta não-respondida - mas que precisa ser feita! - pela escritora-em-pseudônimo neste depoimento em forma de crônica
.


Lovers por Nagui Achamallah

Hoje aconteceu um episódio engraçado. Como a mulher oscila no humor quando há homem na jogada. Tudo pode estar ótimo, mas se aquele telefonema prometido não rolar, ferrou.... manda qualquer bom humor para o espaço.

Tempos atrás, meu ex-namorado sumiu. Disse que voltaria de viagem num sábado e depois disso não atendeu mais o telefone. Eu, que estava ótima, comecei a entrar em pleno declínio. À noite bati o carro, bebi além da conta e no domingo eu passei muito mal [e nem foi por causa da bebedeira, estava doente por estar me sentindo "mal amada"].

Claro que tudo piorou quando rumei ao shopping para tentar digerir algo, pois há quase 24 horas nada descia, tamanha era minha indigestão com o sujeito. Lá estava eu na tentativa de melhorar o humor quando ouço me chamarem:

- De!

- Olá, tudo bem? - quase com uma palidez mórbida e olheiras profundas

- Eu tou, mas você não parece nada bem....

- É, tou meio mal de estômago. - porque obviamente eu jamais assumiria que estava mal por causa de um homem

- Ah, tenho uma coisa para te dizer: toma cuidado com o teu namorado.

As pernas cambalearam, a pressão caiu e me segurei no pilar ao lado.

- Ahn?

- É, vi ele ontem numa festa com outra a tiracolo.

Como ele ousou me contar assim de supetão? Não tive tempo nem de me preparar para a notícia de que estava sendo traída. Tá, eu vou contar: nesta época estávamos em começo de namoro e ele vivia tentando boicotar. Quando eu o pedi em namoro, ele disse que aceitaria, mas desde que fosse um relacionamento aberto. Pensei, pensei, pensei e resolvi topar, mas deixando claro que as regras valiam para os dois.

Eu estava de quatro por ele e obviamente ele foi o único a tirar proveito do tal acordo, porque eu me comportava inacreditavelmente bem, pois nem reparava mais nos rapazes que, na época, resolveram me testar. É, porque é sempre assim. Você começa a namorar e todo mundo passa a te querer. Uma vez vi uma explicação [confesso, foi na Capricho] plausível: quando namoramos, estamos felizes, portanto mais atraentes. Mas isso nem vem ao caso. O caso era que eu já não estava mais preparada para o tal relacionamento aberto e queria esganá-lo.

Despedi-me do meu amigo antes que ele soltasse mais detalhes do que viu, pois eu é que não queria saber. Minha curiosidade não chega a tal ponto. Continuei passando mal e não consegui comer. Na segunda-feira eu estava praticamente de cama. E claro, ele deu as caras e me ligou como se nada tivesse acontecido. Não consegui manter a pose, tirei todo depósito de gelo dentro de mim e joguei em cima da cabeça dele. Foi uma semana sem se falar, porque eu não queria vê-lo na minha frente.

No domingo, lá estava eu dançando com amigos e tentando parecer bem quando ele me liga. Meia-hora depois aparece e eu começo o meu repertório de mentiras [tsc, tsc, tsc... mas eu precisava disso]:

- Você sabe o que é ver quem você gosta beijando outra pessoa?

Ele nem sequer se deu ao trabalho de se mostrar surpreso. Esboçou um sorriso meia-boca e perguntou:

- Mas o que é um beijo? Eu gosto é de você.

- Tá bom, no dia que você me vir beijando outro cara, talvez você saiba do que estou falando. E fiquei tão mal, que saí daqui alterada e bati o carro. - e nunca tive coragem de desmentir

Burra do jeito que sou, não demorou muito para eu voltar a me jogar nos braços dele. De qualquer forma, ele não tinha me traído, afinal em nenhum momento ele prometeu "serei fiel a você". Encurtando a história, ele começou a ficar de quatro e quando se deu conta de que eu poderia ficar com outras pessoas, me chamou para uma conversinha pé de ouvido e disse:

- Acho que relacionamentos abertos não funcionam. Vamos fechar essa história?

Aliviada, feliz e aceitei de bom grado, até porque a essas alturas eu andava pensando seriamente de pular fora do barquinho, porque não estava dando conta da minha insegurança cheia de fundamentos.

E nem era essa história que eu ia contar. Tentei apenas mostrar o quanto os homens podem nos deixar malucas [e isso nem é novidade... as pessoas enlouquecem as outras o tempo inteiro]. Minha amiga está apaixonada por um cara. O cara parece também afim dela. Hoje armaram uma cervejinha, porém a minha amiga estava sem celular e propôs que ele ligasse no meu para combinarem de se ver mais tarde. Viemos para a minha casa. Ele ficou roendo as unhas de ansiedade com a ligação dele. Pulou da cama quando o despertador do meu remédio tocou e ficou decepcionadíssima porque não era ele.

O humor foi piorando. Ela começou a praguejar. Disse que não queria mais nada. Isso e aquilo. Tudo uma grande mentira, claro! Aí um amigo ligou, outra amiga passou aqui para me pegar e quando fui dar tchau à esta minha amiga, que estava de plantão esperando a tal ligação, vociferou para cima de mim, pois ninguém a tinha convidado para o jantar, ela sempre faz jantares para as pessoas, mas parece que agora ninguém gostava dela. Ficou brava mesmo!

Eu, que ando numa fase pavio curto, apenas disse:

- Você está puta porque ele não ligou e eu não tenho nada a ver com isso, assim como meus amigos não tem nada a ver com isso. Eles não precisam te chamar para tudo que me chamam e isso não quer dizer que eles não gostem de você. Você está sendo infantil. Tchau, que eu estou atrasada e se ele ligar, eu peço para ele ligar aqui.

E fui... meia hora depois o sujeito liga e eu dou o telefone de casa. Quinze minutos depois, ela liga pedindo desculpas e que eu tinha toda razão. Claro! E aí eu fiquei rindo sozinha do quanto somos vulneráveis e, ah, bobas. Grandes bobocas que se deixam transformar em marionetes. Eu já fui uma e jurei [e sempre quebro minhas promessas, pois não sou muito boa nisso] que não serei mais.

E ainda fazendo um adendo. Estávamos no carro e ela solta essa:

- Ah, eu vou me fazer de difícil.

- Difícil do que?

- Não quero que role na primeira vez, pois não quero que ele ache que eu sou uma piranha.

Eu concordo que quando as coisas rolam devagar, elas são mais gostosas e instigantes. Se eu me apaixono por alguém [antes de ter rolado alguma coisa], eu também prefiro que as coisas aconteçam devagar, mas achar que alguém é piranha [e não tinha outra palavrinha melhor? essa a gente usava na minha época de colégio] só porque deixou tudo acontecer na primeira vez, é ser machista demais [mesmo que seja mulher].

 

Edição 21

Sexo entre adolescentes

por Tate Fish

Hoje os adolescentes estão com mais autonomia para escolher o momento de iniciar uma relação sexual. Não ocorre tanta pressão para o garoto transar e nem a tentativa de manter a virgindade para as garotas. É bem verdade que ainda existem muitos pais que desejam que suas filhas mantenham castidade até encontrar o homem "certo"...


A Tale of Young Lovers por Lucio Ranucci

Mas essa nova geração está estabelecendo seus modelos de maneira mais desenvolta, com mais naturalidade. Não há aquela rebeldia que marcou as gerações passadas que ansiavam por liberdade sexual.

Minha experiência como mãe tem sido positiva em relação a isso. Tenho um filho de 19 anos, que chegou na minha vida quando eu só tinha 20, que sempre conversa comigo (e eu com ele) sobre essas questões e isso tem me proporcionado um grande aprendizado. Percebo que a virgindade para os jovens é encarada de maneira mais positiva no sentido de conhecer o sexo com um(a) namorado(a). Essa busca de conhecer o corpo e suas reações físicas e emocionais entre os adolescentes é cada vez mais comum. As garotas já não mantêm a virgindade a fim de garantir um casamento. Se elas permanecem virgens é por opção ou estão aguardando acontecer, naturalmente, a primeira vez.

É interessante observar que apesar de toda liberdade e acesso às inúmeras informações sobre sexo, ainda é grande a incidência de doenças sexuais (principalmente AIDS) e gravidez indesejada na adolescência. Será que a família está realmente cumprindo o papel de educar afetiva e sexualmente os seus filhos e filhas?

Os pais precisam dialogar mais com esse jovem sobre sexo. Não amedrontando ou usando um discurso indireto, mas informando, discutindo, lendo, escutando, perguntando. Essa busca de conhecimento pode ser em parceria, pois afinal quem não tem dúvidas sobre sexo? Falar com naturalidade desde a infância ajuda bastante. O apelo sexual que a mídia expressa é intenso e precisamos estar atentos para não deixar que a banalização sobre a questão da relação sexual influencie tanto esse jovem, e ao mesmo tempo evitar manter os padrões tradicionais ( a moça é "direita" se casa virgem, o garoto precisa ser iniciado sexualmente com uma garota de programa, masturbação é pecado...).

O caminho mais seguro para combater preconceito, frustração e sofrimento é esclarecimento com liberdade para escolher caminhos e compreender as conseqüências da opção feita. Os adolescentes vão continuar relacionando-se sexualmente com ou sem o consentimento dos pais. Sendo assim, o melhor a fazer é tentar auxiliá-los da maneira mais coerente: mantendo-se próximo, receptivo e compreensivo, construindo uma imagem mais positiva e prazerosa sobre o sexo. As futuras gerações com certeza agradecerão.

Edição 20

MESA REDONDA (conclusão)

por Lívia Santana


Lívia Santana, 22 anos,
Paulo de Resende, 26 anos,
Rafaela Cardoso, 23 anos,
Zander Catta Preta, 33 anos,
Telma Reis, 25 anos.


Coctails at Seven por Yuri Tremler

Lívia: Vocês acham que existe tempo (duração) ideal para uma relação sexual?

Paulo: Até os dois gozarem, sendo que pode haver tantas repetições quantas eles tenham condições e vontade de alcançar. Não tem tempo certo, às vezes uma rapidinha é maravilhosa, e a noite toda também. Particularmente falando, eu tenho que confessar que não gosto de fazer nada sem tempo. Então, prefiro ter uma margem de, pelo menos, uma meia hora, mesmo que seja para uma "rapidíssima". Pra dar tempo de perguntar o nome da garota, né? (Brincadeira, nunca fiz sexo com desconhecidas... risos)

Telma: Claro que não! O sexo tem que ser sem preocupação, sem hora marcada (nada contra quem o usa como profissão... risos). Sexo tem que ser com tesão, e não tem tempo determinado pra isso. O tempo do sexo é aquele reservado para o prazer, ou seja, sem hora pra acabar.

Zander: Sim. Mas cada casal tem o seu timing. Não acredito em rapidinhas. Já neguei o sexo porque sabia que não teria como passar uma noite inteira com a pessoa. Da outra bandeja da balança, já tive experiências memoráveis de explosão de tesão que culminaram em "rapidinhas" em locais inusitados. Mas é exceção à regra. Até onde posso afirmar, quanto mais tempo dedicamos ao ato, melhor o resultado.

Rafaela: Ah, sei lá. Não acredito que no sexo exista uma fórmula e corrijam-me se estiver errada, mas acho que já falei isso aqui. Sexo é bom quando agrada aos dois. Isso é óbvio. Então só acredito que o tempo ideal seja aquele em que seja, no mínimo, suficiente para que os dois tenham seus prazeres satisfeitos.

Lívia: Concordo com todos, sim e não. Nem tanto ao céu nem tanto à terra... E, principalmente, tem que prestar atenção no outro. Se eu estou a fim de virar a noite, vou arranhar as paredes de frustração se me apresentarem uma rapidinha-ejaculação-precoce. Do mesmo jeito, se o outro está com a carga toda, pode ser que do lado de cá eu esteja rezando pra acabar logo... (risos)... Sintonia antes de tudo. Segunda pergunta, lá vai: Têm alguma posição preferida?

Paulo: Não mas, cá entre nós, eu acho que tenho que tentar todas as possíveis na ocasião. Agora, não sou como aqueles que fazem "roteiro": Primeiro isso, depois aquilo. Parece que viram muito filme pornô na adolescência. O negócio é fazer o que der na telha! No meu caso, com duas condições: só entre nós e sem inversão de papéis! Nunca participei de suruba, nem pretendo. E não me venham com alguma coisa que vá entrar em mim, porque eu nem sequer consigo imaginar algo assim!!! Cada idéia! (risos).

Lívia: Roteiro, realmente ninguém merece! E você Telma?

Telma: Duas: papai e mamãe e 69. As melhores que já descobri que me dão muito prazer!

Zander: Eu também tenho preferência, Sim! Mas isso só revelo em particular, (risos)! Da mesma forma, com cada parceira, um ritmo, um jeito, uma posição. Com uma, a "colherzinha" por trás era o encaixe perfeito. Com outra, o sexo oral era o ápice. Com outra, pendurados no lustre. Já com uma quarta, falar mal dos ex-parceiros era o gozo absoluto.

Rafaela: Opa, opa, opa! Íntima demais essa pergunta, suficiente para responder que sim, tenho várias posições preferidas. A preferida tende a variar com o parceiro.

Lívia: Gosto de quatro. E, se bem feito, das outras também. Vocês possuem algum gosto específico? Espelhos, claro, escuro, tapas, etc?

Paulo: Bom, sexo no escuro favorece a sensibilidade, em minha opinião. Agora, não vou recusar uma menina que me deixe louco só por falta de sombra. Eu não tenho nenhuma tara por espelho. Inclusive, acho um pouco cafona. Mas tenho que falar, só entre nós todos aqui presentes, que tem uma coisa que me faz pirar: SUOR! Vocês não fazem idéia do que é perceber que eu e a garota estamos molhados de suor, mesmo dentro de um quarto com ar-condicionado. Claro, sem exageros, não é pra chegar ao ponto de ficarmos melados, nojentos e fedendo (risos). Mas é algo como uma forma de entrega, dentro de um ritual. Afinal de contas, a gente está acostumado a suar pelo trabalho, por coisas que exigem esforço e nem sempre são tão prazerosas.

Telma: Uma luz bem fraquinha. Não tenho nada de vergonha - como muitas mulheres dizem ter, mas prefiro que tenha apenas uma luz bem suave. Tapas? Hum... De carinho, só se for. Odeio mordidas na hora do sexo e tapas que incomodam mais que qualquer outra coisa. Tem gente que empolga, e o parceiro pode não curtir o sexo.

Rafaela: Espelhos não me fazem a menor falta. Meia-luz é sempre a melhor opção, porque se enxerga tudo, mas deixa a sua percepção mais aguçada para os outros sentidos. Tapinha é legal. Está ficando íntimo isso aqui, hein? O tempo tá feio hoje, né? risos.

Lívia: É, Rafa, fechou o tempo. Hora da verdade. Pra mim o melhor é a penumbra. Luzes estratégicas e fracas acesas. E desde que com quem saiba fazer, uns tapinhas não doem... (risos). Ar condicionado é uma boa desde que não ruja feito fera enjaulada. Aliás, sou muito auditiva. Uns sussurros na hora são ótimos, e teve uma vez que foi memorável, a transa foi ao som de Jagged Little Pill no último volume. Como o ritmo variava, tinha a batida, os agudos, foi demais. Entramos no ritmo da música, um barato. Ou seja, música é sempre bem vinda. Espelho não faz a menor diferença. Aliás, com alguns caras que andam por aí, é até melhor dispensar o espelho. Podem esquecer a gente na cama e ficarem se adorando... (risos).

Zander: Sim. Eu gosto de dar prazer. Acho que a função do homem é dar prazer para a mulher. Já sofre tanto sangrando todo mês, carregando o moleque na barriga por nove meses, recebendo salários menores e tal. Admitir que, na hora do bem bom, onde o ser humano é mais gente, ela ainda fica em segundo plano é um contra-senso. Para isso, vale tudo. Novamente, se a parceira quer apanhar, ser amarrada, amarrar, se ver no espelho, me ver só de meias, tudo é válido. Só peço para não ficar de "general". Sou ariano e tenho baixa tolerância a ordens. (risos)

Lívia: Ritmo. Lento ou quebra-tudo?

Paulo: Ambos. E quanto mais variação, melhor. Mas tem coisas que eu não quero repetir nunca mais. Por exemplo, reduzir a velocidade pra fazer durar mais. Já levei muita bronca por causa disso. Não quero mais ser criticado por uma coisa assim. Eu fazia isso "racionalmente", até que dava um pouco certo, mas eu ficava preocupado, cortava o meu clima, e isso era percebido. Enfim, o ritmo vai depender de situação pra situação.

Telma: Odeio coisa lenta, tanto em beijo quanto no sexo. Quebra tudo! Sem discussão.

Lívia: Concordo com a Telma. Pauleira e ponto.

Zander: Sou um preguiçoso, por isso gosto do ritmo lento. Slow sex total. Gosto de o gozo vir devagarzinho, depois de umas três horas de suadouro lento e gradual. Obviamente toda peça tem um andamento. Às vezes mais rápido, mais lento, lento e rápido, rápido e pára. Tenho um caso ótimo. Eu estava saindo com uma menina que é sinestésica. Ela gozava com um cochicho no pé do ouvido, com um cheiro. É claro que, na hora da cama, ela gozava umas vinte vezes só de olhar a genitália desnuda. De brincadeira, eu parava com o movimento sub-reptício característico segundos antes de ela chegar ao seu "momento". Da primeira vez, estranhou; da segunda ficou puta da vida; da terceira virou-se e perguntou se eu estava de sacanagem com a cara dela. Eu disse para confiar em mim e deixar-se levar. Na sétima "quase" da menina, deixei-a desaguar sem restrições. Ela ficou num estado tal e qual que não podia bater vento que se tremia toda de tanto tesão represado que arrebentou de uma vez só. Desde então só faz isso com os parceiros.

Rafaela: Não gosto de lento demais não. Nem gosto de ejaculação precoce. Acho que a mesma transa pode tomar ritmos tão diferentes. Mas também tem aqueles dias que você está num fogo louco e quer tudo de uma forma mais bruta, em da que você está cansada e quer tudo com calma, acho que para cada parceiro e para cada dia tem uma maneira mais gostosa.

Lívia: Barulho? Gemidos, sussurros ou gritos?

Paulo: Hum... Contanto que não haja vizinhos próximos... (risos). Detesto pensar na possibilidade de ouvir batidas na parede (ou mesmo na porta) por causa de coisas assim. Mas, particularmente falando, eu tenho um pequeno problema com gritos. É que eu tinha uma namorada que sempre me deixava na dúvida: "será que ela está gostando muito ou eu a estou machucando?". Vocês podem achar que isso é um pensamento bisonho da minha parte, mas nenhum de vocês estava lá pra ouvir como ela gritava.

Telma: Gemidos e sussurros. Acho que a vizinhança não precisa ser avisada toda vez que você transa. Tudo bem que tem horas que parece que vamos fugir do "controle", mas berrar pra mim é exagero.

Lívia: Adoro sussurros e gemidos. E às vezes, dependendo do ritmo, não tem como não gritar. Já passei, inclusive, pela constrangedora batida na porta... (risada).

Zander: Gemidos sim. Sussurros me desconcentram. Peço para repetir quando não entendo o que está dizendo. Vai que a garota, ao falar "ahvocetámefazendogozar" bem baixinho, na verdade está pedindo para eu tirar o joelho de cima do fígado dela? Vai saber... Gritos são legais. Mas com moderação. Ou então vou para um show de punk rock.

Rafaela: Cara, já tive uma história tão estranha. Já até contei pro Zander. O cara gozava fino. Parecia uma criança chorando era muito bizarro para mim. Sem contar que quase fiquei surda. Depois disso dei muito mais valor a gozada bem máscula, aquele ah bem masculino. Mas adoro uma foda falada, que o cara fique me provocando ao pé da orelha, isso num relacionamento de muita intimidade é de gozar muito gostoso!

Lívia: Orgasmo X Ejaculação. Há quem confunda os dois? E vocês, o que acham?

Paulo: Ah, vou ser sincero: orgasmo eu só tenho acompanhado! Eu não sei qual a distinção que vocês fazem, mas eu vejo da seguinte forma: Se não me deixou ofegante, suado e feliz, então eu só ejaculei... (risos).

Telma: A diferença é óbvia. Mas a confusão existe sim, e acredito que principalmente por parte de mulheres que ainda não atingiram o orgasmo. A confusão pode ser a partir do que não se conhece. Mas nada que um bom sexo não resolva (risos).

Zander: Sim. Às vezes. Fico assustado se a garota brincar de chafariz na hora H. Sério! (risos)

Lívia: A maioria acha que é a mesma coisa. Mas a diferença é clara, adoro ver o parceiro perder o controle, quando além de ejacular tem aquela coisa mais intensa! E eu já ejaculei, por mais estranho que pareça, assustou a mim também.

Rafaela: Ai que pergunta difícil. Quero ver é o homem saber fazer a mulher gozar ejaculando, aí é que são elas. (risos).

Lívia: Segunda rodada. Sem sair de cima ou horas depois? Experiências.

Paulo: Eu acho que tudo é válido. Já passei 48 horas num quarto, saindo só prá ver a luz do sol e comer algo. Algumas vezes, eram intermináveis seqüências (não faço pose de garanhão, é óbvio que tinha que ter um tempo para eu me recuperar. Mas a gente nem saía da cama). Em outros momentos, a gente via um filme, ficava conversando alguma coisa. Até botava a roupa! Agora, não acho que seja regra. Às vezes, é melhor não se entregar ao impulso, deixar o dia correr um pouco, depois voltar de mansinho, repetir a dose, depende da pessoa, depende de tudo. Até porque "sexo por sexo" é uma coisa besta, na minha opinião. Eu gosto de conviver com a pessoa, conversar, fazer coisas legais. Então, não me importaria com a idéia de esperar um pouco para fazer de novo.

Telma: Bem, já tive algumas experiências interessantes. 3 vezes sem sair de cima, mas não gostei muito. Prefiro, depois da primeira, relaxar alguns minutos sossegada, e depois recomeçar. Horas depois também não, aí não dá. Tem que embalar, pegar o ritmo!

Zander: Como assim segunda rodada? Meu jogo é de um tempo só e olhe lá! Tem de fazer bem feito da primeira vez, que é isso!

Rafaela: Na boa. Eu gosto de dar uma respirada. De 5 min ou de horas. Não me importo, só me importo de parar um tiquinho que seja. Essa história de sem sair de cima nunca me comoveu. Quero ver o malandro relaxar e fazer levantar de novo. Ficar sob efeito de diamante azul não é a minha.

Lívia: E depois? Virar pro lado e desmaiar? E a (o) parceira (o)? Experiências.

Paulo: Putz, eu tenho péssimas experiências quanto a isso, seja do meu lado, seja da outra pessoa. Uma vez, fui abraçar a menina e escutei como resposta: "me deixa dormir". Que decepção! Parece que nós somos todos tarados! A gente só pode se aproximar pra querer repetir a dose! E, da minha parte, eu já tive problemas por não compreender que eu estava sem pique pra qualquer coisa. Eu durmo pouco, acordo cedo, então é difícil me manter acordado se rola alguma coisa, por exemplo, às três da matina. Por isso, estou procurando experimentar sexo ao final da tarde. No horário do chá... (risada). Está faltando só companhia! (Ops, isso não foi nenhuma cantada paras as participantes!)

Telma: Nunca passei por nenhum tipo de experiência em que o "caboquinho" vira pro lado e dorme. Acho que talvez não tenha deixado que isso ocorra, (risos). Mesmo porque, depois da transa, gosto de ficar deitada, curtindo um carinho, sem precisar falar nada com o parceiro, apenas relaxando, aproveitando o "depois", que também faz parte do sexo.

Zander: Depois, papo, cerveja, champanhe, banho, brincadeiras, o que rolar.

Lívia: Esse negócio de depois é complicado. Já tive o melhor e o pior disso. Tanto o que mal sai de cima e já está roncando, quanto o que termina, bate papo, ri, e até canta pra mim! (risos). Preciso dizer qual eu prefiro e repito?

Rafaela: Nunca aconteceu nada parecido comigo. Sempre o pós foi aquele momento gostoso de ficar abraçadinho conversando amenidades. Aliás, minto. Lembrei de uma que o cara tava tão cansado que ele gozou e em pouco tempo, mas questão de uns 15 min ele tava roncando. Fiquei cabreira: e eu? Mas a gente estava muito apaixonado, eu entendi o cansaço dele e fiquei deitadinha embaixo do braço dele até q o telefone dele tocou e acordou. Quando desligou da ligação me perguntou se tinha dormido muito. Eu disse que mais de uma hora. Ele ficou chocado, por ele parecia muito menos e não lembrava dos minutos finais acordado. Pediu desculpas e me recompensou muito bem. Respeitei porque sabia o quão cansado ele estava.

Lívia: Parceiro ideal, isso existe?

Paulo: Em poucas palavras: EXISTE, É A MENINA QUE ESTÁ COMIGO NA OCASIÃO.

Telma: Sim. Geralmente, nos adaptamos às situações e às pessoas; um beijo que deu pela primeira vez no parceiro pode não ter sido legal, mas com o tempo os 2 se "encaixam". Penso assim com relação ao sexo. O parceiro pode se TORNAR ideal, se ambos entrarem em sintonia. Esse negócio de que "do meu jeito que é bom", não vale sempre. Se tentarmos entrosar, a coisa pode sair melhor que imaginamos.

Zander: Sim. E acho que deixei a minha ir embora. Coisas da vida, né!

Lívia: Concordo Zander! E somos dois, a passar por isso. Sem comentários.

Rafaela: Aquele que te deixe o mais confortável com ele. Que queria te agradar imensamente, mas sem esquecer de si. Egoísmo na cama acaba com qualquer namoro, não se sustenta. E não acredito que se tenha apenas um na vida. Tive fatalmente dois que eram a minha alma gêmea na cama, me faziam muito bem. E apesar de terem isso em comum, eram completamente diferentes na forma de agir na cama.

Lívia: Foi bom pra você, amor?

Paulo: Vou abrir o jogo de novo: em vários momentos, fiquei constrangidíssimo! Preocupado com o que meus amigos poderiam pensar ao lerem isso. Família, nem pensar! (risos). Mas adorei a experiência, e vi que não sou tão alienado como eu pensava. E adorei encontrar pessoas tão diferentes de mim. Mas, se for rolar mais uma vez, preciso parar pra recuperar as forças! (gargalhada)

Zander: Sim.

Rafaela: Cadê o cigarrinho???

Telma: Essa é cruel. Nunca escutei essa pergunta, mas diferentemente disso, ouço comentários a respeito. Um antigo namorado sempre dizia, depois do sexo, o quanto era legal a forma que fazíamos e nos dávamos bem na cama. Sempre comentávamos coisas bacanas, mas jamais escutei isso. E do jeito que me irrito fácil, se escutar, mesmo que seja bom, o caboclo escuta um não estridente!

Lívia: Telma, eu também prefiro morrer... (risos) Quanto ao nosso papo, eu adorei, gente, muito obrigada, vejo vocês numa próxima! Beijos...

 

Edição 19

MESA REDONDA (parte IV)

por Lívia Santana


Lívia Santana, 22 anos,
Paulo de Resende, 26 anos,
Rafaela Cardoso, 23 anos,
Sandra Baldessin, 44 anos,
Telma Reis, 25 anos.


Paixão (1998) por Dayse Diaz

Lívia: Certo, pessoal, em frente. Fetiches. Algum? Mesmo os mais leves?

Sandra Regina: Eu gosto de jogos e castigos, desde que eu aplique... (risos).

Telma: Eu gosto de mandar em tudo, desde que o mocinho tente não deixar!

Paulo: Sandrinha, lembra da reciprocidade? Cadê?

Lívia: Humm... Sandrinha tem um quê de dominatrix, então (risos). E Telma também!

Sandra Regina: Mas reciprocidade em termos de fetiches acho mais complicado, Paulo, por isso mesmo é fetiche. É, eu até me identifico com o chicotinho de prata da D. Beija, Lívia! (risos)

Lívia: Eu prefiro o contrário. Acho divertida a idéia. Talvez porque no trato normal é tão diferente... Aí é que eu uso o chicote! (risada)

Rafaela: Eu também, Lívia.

Paulo: Eu não tenho fetiche. Nunca tive uma parceira que quisesse explorá-los, pra ver qual me agrada.

Telma: Boa Lívia! Gosto de impor, mas se o cara souber lidar comigo, ma ganha no ato e fica com o poder total, mas tem que saber fazer isso, se não perco a graça.

Lívia: É complicado isso, né? Existem alguns que caem no ridículo.

Sandra Regina: Legal, Lívia.

Paulo: Sempre tem.

Telma: E aí, se começo a rir. Sento na cama e conto piadas!

Sandra Regina: Eu fico pasma quando vejo caras chupando saltos de sapato, e olha que esse é leve!

Lívia: Fetiches são engraçados. Uma vez, eu mostrei o meu pé descalço prum amigo na webcam, e ele ficou doido.

Telma: Por várias vezes namorados me convenceram de fazer streap tease. Sempre avisei antes que não seria boa idéia, mas não recusei.

Rafaela: Eu sempre tenho ataque de riso de mim mesma.

Sandra Regina: Eu gosto de dar uma de Sherazade e levar o sultão no bico por mil e uma noites. Adoro fantasias.

Lívia: Boa, Sandra!

Paulo: Aqui no Rio, tem uma festa semanal chamada "Fetiche". Ela tem uma área para "performances". Com direito a amarrar e espancar (com vários instrumentos). E o casal com melhor performance ganha uma cesta de acessórios!

Lívia: Ainda não conheço. Paulo descobre mais coisas dessa festa pra mim? Cobrir essa festa ia dar uma matéria e tanto!

Sandra Regina: Eu também não sabia, mas gostaria de conhecer.

Paulo: Conheço um casal que é freqüentador assíduo.

Sandra Regina: Uau, é isso aí Lívia! Essa eu vou esperar!

Telma: Uma vez fui fazer um streap prum namorado, e na hora de tirar o sutiã, não sei o que aprontei, mas me enrosquei na alça do trem. Só sei que quando consegui me livrar do sutiã, meu namorado tava deitado na cama, com os olhos arregalados e chorando de rir.

Todo mundo ri.

Telma: Mas foi de qualquer jeito, ele sabia contornar as situações.

Sandra Regina: Cara legal.

Telma: É, falou que sutiã não devia mais entrar nos nossos streaps, (risos).

Paulo: Rir no sexo é bom, vocês não acham? Contanto que não corte o clima.

Telma: Claro.

Sandra Regina: Eu já topei com alguns homens que tinham fissura por pés.

Telma: Conheço um amigo assim.

Lívia: Rir no sexo ótimo, Paulo, eu acho. Principalmente se for brincadeira saudável, tirando sarro um com o outro.

Rafaela: Eu adoro, deixa o clima mais leve, o casal relaxa, dá um que de altos e baixos para alongar o tempo... Amo!

Sandra Regina: Eu acho que rir é fundamental.

Telma: Sem piadinhas bestas, porque tem neguinho que empolga.

Paulo: Reduz o nervosismo.

Sandra Regina: Detesto o perfil do técnico.

Lívia: E aí começa: você conhece a do papagaio que. (gargalhando)

Telma: Nossa, deplorável!

Paulo: Técnico? Tipo: "ah, agora vou tocar seu ponto G". Aqueles que descrevem o que vão fazer?

Rafaela: Tenho horror de narrador, documentarista qualquer coisa do gênero. O cara que fica mandando: faz isso, mais pra esquerda, agora aqui, depois aquele. Ah.... Tudo ótimo se o cara te ensina como gosta, mas daí a narrar a foda toda, tô fora!

Sandra Regina: Piadas eu não gosto, eu gosto do riso espontâneo.

Telma: O técnico é foda. E tem aqueles que quando você está no maior bem-bom no sexo oral e começam a "orientar" você. Cara, dá vontade de dar uma paulada! Dá vontade morder no "menino"! (risada)

Paulo: (risada)

Lívia: Se eu quisesse ajuda eu perguntava, né? A melhor forma de ajudar quando se está recebendo sexo oral, a meu ver, é gemer. Ora mais intensamente, ora mais de leve. E não fala nada não, faça o favor!

Rafaela: Sutilmente você indica ao cara qual o melhor caminho. Da mesma forma, no sexo oral dele olhando e percebendo o que o deixa mais louco. Se bem que eles não resistem e acabam contando a parte que mais gostaram, para que você repita sempre!!!

Sandra Regina: Concordo.

Telma: Concordo

Paulo: Concordo! Detesto meninas silenciosas! Fica difícil saber o que fazer.

Lívia: Eu também detesto homens mudos.

Sandra Regina: E homens silenciosos também é ruim. Isso, Lívia.

Telma: Pessoas que ficam com olhos entreabertos, sem falar nem expressar de modo algum. Parecem bonecos infláveis!

Lívia: Sabe, acho que o único motivo para se gostar de fazer sexo oral, é o poder de provocar prazer no outro. Se o cara fica mudo, inerte, não reage, que graça tem?

Paulo: Às vezes, falta sensibilidade pra demonstrar.

Telma: É mesmo. Eu faço porque gosto e porque gosto de saber que dará prazer.

Sandra Regina: O "desejo", na verdade, é meu maior fetiche.

Lívia: Saber que o outro a deseja?

Sandra Regina: Isso também, mas estou falando que tem gente tão preocupada em "ser boa de cama" que esquece de se deixar guiar pelo desejo.

Paulo: Apoiada, Telma! E apoiada, Sandra!

Lívia: Sim, tem razão.

Sandra Regina: O desejo é um guia perfeito.

Telma: E natural.

Lívia: Mas convenhamos. Há alguns que por mais que haja desejo, não sabem o que fazer. Aí ou se parte pra "orientação" como disse a Telma, ou se larga pra lá.

Paulo: Às vezes, falta alguma coisa, talvez experiência. A pessoa se assusta com o que está sentindo. Já tive uma menina assim na minha frente, é estranho.

Telma: Eu largo pra lá, junto minhas coisinhas e vou embora! É, pode ser, Paulo.

(Continua na próxima edição)

 

Edição 18

MESA REDONDA (parte III)

por Lívia Santana


Lívia Santana, 22 anos,
Paulo de Resende, 26 anos,
Rafaela Cardoso, 23 anos,
Sandra Baldessin, 44 anos,
Zander Catta Preta, 33 anos,
Telma Reis, 25 anos.


Il bacio (1893) por Toulouse Lautrec

Lívia: Gente primeiramente, essa é a Telma. Convidei-a para participar do papo conosco.

Todos dão as boas vindas.

Lívia: Vamos falar de preliminares propriamente ditas.

Paulo: Certo... Por onde começamos? "Preliminares" inclui a corte, ou você está falando de preliminares já no sexo?

Lívia: Não, chega de corte. Falamos muito de subjetividades na última conversa.

Sandra Regina: Corte? Meu deus o último que fez a corte foi D. Pedro! Brincadeirinha, Paulo, hoje estou malvada. Cuidado com o chicote... (risos)

Lívia: Bem, vamos falar sobre clima, pra começar de leve. Um ambiente perfeito?

Paulo: O clima, esse desconhecido!

Sandra Regina: Eu não acho que dependa do "ambiente perfeito", mas o clima, no sentido figurado, sim, envolve o ambiente.

Lívia diz: O clima é uma coisa parecida com o "charme", né?

Sandra Regina: Todo mundo sabe o que é, mas ninguém define.

Lívia: Isso. Já foi inclusive tema da coluna do Léh, e ele colocou muito bem: é algo subjetivo, pessoal e variável.

Paulo: Não sei Lívia, clima pra mim é algo externo que dá o estímulo que faltava.

Lívia diz: Paulo, o externo seria o ambiente, acho eu. O clima se vê pelos olhos, pelo tom de voz, pela linguagem corporal.

Sandra Regina: Clima sexual é quando tudo que você faz com o parceiro (ou provável parceiro) tem uma conotação sensual... E não resolvem ficar sensual uns momentos antes da transa. É uma vivência envolta em sensualidade.

Paulo: Acho que esse "clima" é só a inevitável conclusão de que os dois querem transar.

Sandra Regina: É claro que aqui não cabe sexo casual, que é outra coisa. Eu não tenho "tara" em ambiente.

Rafaela: Discordo Sandra, acho que cabe sexo casual sim. Sexo é sexo. E clima tem de haver para haver sexo casual também. Pô, o casual não tem todo o amor do sexo entre pessoas que se amam, portanto, tem de haver o clima, senão tá lascado, não rola sexo por nada.

Paulo: Lívia, eu entendi, associei clima à "ambiente propício".

Sandra Regina: O clima tem que ser de intimidade no sentido mais certo da palavra - imo, de dentro, já que você vai botar alguém pra dentro de você.

Lívia: Ótima colocação, Sandra! Rafaela, eu concordo, clima pinta em toda ocasião, depende dos fatores envolvidos.

Sandra Regina: O problema é que muitos homens estão com você, mas não estão "em" você.

Paulo: Epa, não fale assim dos homens! Muitas mulheres são assim também, vamos generalizar logo...

Sandra Regina: Beijinhos te acalmam? (risos). Concordo, Paulo, muitas mulheres são assim.

Lívia: São sim. Acho que não é questão de sexo, e sim de pessoa. Mas o interessante nesse papo de "clima", é que tendemos a pensar num quarto com velas, música, bebida, etc. Mas clima pinta em qualquer lugar, não? Até mesmo na rua, no elevador, no carro...

Paulo: O pior é que isso causa uma baita decepção no outro lado. Parece que fomos usados.

Sandra Regina: Eu gosto do ambiente preparado, mas isso não dá pra acontecer toda vez. Paulo, você é o segundo homem que diz algo parecido com isso, parabéns! Ponto pra você!

Lívia: Eu concordo!

Paulo: Obrigado! E acreditem, é sincero.

Sandra Regina: É preciso dizer: as mulheres também usam muito os homens e raras admitem. Mas, voltemos ao tema: eu não faço questão de velas e rendas.

Rafaela: Meu ex-namorado costumava dizer que eu não queria nada com ele, só usar o corpinho dele. (risos).

Telma: O "clima" começa pra mim sempre no olhar, mas algo que demonstre "calma" nada de desespero. Postura é o que define. E as situações podem ser várias, mas a postura é que impõe a atenção inicial.

Paulo: Mas nem sempre há "calma", né?

Telma: Mas nem sempre é preciso calma (risos). Digo calma no sentido de não olhar e lançar aquelas línguas malditas e coisas do tipo.

Paulo: Línguas malditas!... (gargalhada)

Telma: Odeio línguas.

Zander: Clima para mim é árido, semi-árido ou temperado, oras.

Lívia: (gargalhada) Certo, então olha só, deu vontade, pintou um clima, está na hora. E aí, por onde começar? O que agrada mais?

Sandra Regina: Acho que tem que ser assim: deu vontade e pronto. Mas acho que não dá pra definir por onde, fazer uma regra. Carícias são importantes pra mim. Sabe aquela canção do Chico: "desfrutar meu corpo como se meu corpo fosse a sua casa" é isso.

Paulo: Eu acho que começa por um "acordo". Os dois têm que chegar ao consenso sobre ritmo, se precisa de mais excitação ou não, se pode ser longo ou se tem que durar 5 minutos.

Sandra Regina: Essa é uma coisa sutil, você tem que aprender o parceiro.

Paulo: Sim, com certeza. Nada de debates e mesas redondas, é um jogo de olhares, é uma pressão leve ou firme no corpo do outro, coisas assim. Esse é o "acordo".

Sandra Regina: Claro, só me faltava um acordo pré-orgástico! (risos)

Lívia: Têm razão, ambos. Quanto a ritmo e variações.

Zander: E língua é importante bragaray. Tanto no beijo, quanto em preliminares. Beijo sem língua não existe.

Sandra Regina: Eu concordo.

Telma: Mas tem gente que pensa que língua foi feita pra comer ou algo assim. (risos)

Lívia: (risada) Tem gente que pensa que muitas outras coisas foram feitas pra comer!

Sandra Regina: E não foram? Acho pior quem acha que foi feito pra comer cru.

Lívia: Exatamente!

Sandra Regina: Dispensa o cozimento inicial, isso é péssimo!

Telma: E geralmente vão com toda a gana possível!

Paulo: É, tem muita gente afobada. Parece que passaram a adolescência toda vendo filme pornô. É um tal de língua, de começar a gemer antes mesmo de encostar na outra pessoa. A língua tem sua utilidade sim. O problema é quando a língua começa a ser usada indiscriminadamente, como se ela sozinha fosse tudo. E não usa mãos, e não usa olhares, e não pára um pouco, antes de saturar a outra pessoa com o estímulo.

Telma: E é disso que falo! Tem gente que confunde beijo com língua, pessoas assim merecem uns tabefes!

Sandra Regina: Beijo tem que ter língua.

Lívia: Apoiado. Concordamos então que língua não pode faltar nas preliminares?

Rafaela: Se faltar língua nas preliminares a mulher está danada. Vai perder mais de 50% da graça. Muito mais até.

Telma: Sim, concordo também.

Paulo: Sim, mas deve ser usada com moderação.

Zander: E eu beijo de olhos abertos. Não confio em quem beija de olhos fechados!

Lívia: Ah, Zander, mas isso é o maior quebra-clima!

Zander: Não tenho regras para isso, Lívia. Já tive preliminares orais que dispensaram o uso de língua na outra.

Lívia: Não tem regra pra preliminares, mas tem regras pra beijo? Que interessante.

Telma: Tem regra pra beijo não, mas pra surpreender não se pode empolgar demais numa coisa só (a língua!).

Sandra Regina: Eu não diria moderação, Paulo, diria, "sabedoria" se for bem usada ninguém reclama de quantidade.

Lívia: Moderação não, eu acho que não pode ter dó de usar, mas tem que saber usar, isso é unânime.

Zander: Vocês já viram o filme do Giordano Bruno, o monge que foi queimado na renascença por defender que a terra girava em torno do Sol?

Lívia: Desenvolva.

Zander: Ele leva a mulher ao êxtase apenas falando heresias para ela.

Sandra Regina: É como a Sierva María de Todos Los Angeles, do Garcia Marques. Ela goza apenas com as rezas do Padre Cayetano.

Lívia: As pessoas se excitam com diferentes estímulos.

Zander: Ou seja, as preliminares foram apenas orais, sem o beijo em si. Exatamente.

Lívia: A "vítima" do crime do Padre Amaro também. Ela tem "agonias" apenas ouvindo-o pregar.

Sandra Regina: Isso é genial!

Zander: Exato. Então, língua é bom, é do caralho, mas não é tudo.

Telma: Concordo Zander.

Sandra Regina: Hum, me parece que os padres de modo geral mandam bem nas preliminares. (risos).

Telma: (risada)

Lívia: Mas podemos dizer então que língua bem usada, tanto pra lamber quanto pra sussurrar, é impagável.

Paulo: Vocês podem desenvolver mais essa questão do "excitar com palavras"? Queria ler mais antes de dar minha opinião.

Lívia: Alguém aí (além de mim) se excita com palavras? (respondendo ao que o Paulo pediu)

Sandra Regina: Pra lamber, sussurrar, morder e outras cositas más.

Zander: Não sou muito fã de texto sexual na cama. Odeio o "ai me fode gostoso agora seu picudo" e afins. Agora gemidos... humm...

Sandra Regina: Claro, sexo tem tudo a ver com palavras.

Telma: Às vezes, Lívia, tem que ser um enredo que me atraia demais. (gargalhada) Zander, ah não!

Lívia: Será possível?

Sandra Regina: Essa de "picudo" salvai-nos Afrodite! (risos)

Zander: Mas, particularmente, eu AMO beijar. Posso até estar na "meia bomba" antes, mas se a menina beija bem, não há zíper que resista.

Sandra Regina: Eu também amo beijar, desfrutar os beijos.

Telma: Beijar é um dos principais lances.

Zander: Pessoalmente, é o principal, às vezes a melhor coisa numa relação. Depois do beijo, o melhor é o acordar junto.

Lívia: Então, beijo é unanimidade, como um pré-sexo, a rainha das preliminares. Pelo beijo dá pra saber se há entrosamento suficiente?

Sandra Regina: Sim, dá pra perceber pelo beijo se a coisa vai funcionar.

Paulo: Não necessariamente, Lívia. Às vezes, a pessoa só sabe beijar.

Lívia diz: Sério? Já aconteceu com você?

Paulo: É pra falar? (risos)

Sandra Regina: Comigo nunca aconteceu, se o beijo foi pífio o resto também.

Lívia: Concordo Sandra. Será que isso é inerente ao sexo? Mulheres enganam pelo beijo, mas os homens não?

Rafaela: Não acredito que seja inerente ao sexo. Acho q às vezes o cara ou a mulher tem o talento sexual e ainda não foi explorado. Portanto, pode ter muito fogo no beijo, q provavelmente tem mais prática e na hora do sexo é meio travado ainda, com alguns tabus porque ainda não teve a oportunidade de se aprimorar, de aflorar todo o talento.

Zander: Comigo sim. A garota beijava maravilhosamente. Quente, rápida. Parecia que tinha uma cobra na boca. Era um beijo de alto grau de paudurescência e de estilhaço de zíper instantâneo.

Lívia: Esse adjetivo é fantástico! (gargalhando)

Sandra Regina: Olha aí, que neologismo incrível!

Zander: Mas, quando tiramos as roupas, fiquei para pintor... high brochable.

Sandra Regina: Ela não correspondeu à promessa do beijo?

Zander: Era um não me toque aqui, não desarruma o meu cabelo, ai! Aí dói! Que me cortou todo o tesão. "Ai, odeio espelho no teto!" Coisas assim, sabe? "Como assim chupar?"

Sandra Regina: Ai, isso é horrível, pelo menos os homens (me parece) não se preocupam com isso, apesar que não experimentei nenhum metrossexual.

Zander: Isso depois da perva ter gozado umas vezes comigo ali, fazendo o trabalho lingual.

Lívia: Opa, evite referir-se ao sexo feminino aqui como perva ou sinônimos, faça o favor. Homens aqui são minoria, ou seja, alto risco de linchamento.

Sandra Regina: Perva eu não conhecia.

Paulo: Perva? O que é Perva?

Telma: Ainda bem que nunca deixei homem irado desse jeito! (risada).

Lívia: Pervertida, vagabunda, coisas do tipo, Paulo.

Sandra Regina: Ah, saquei.

Paulo: Ah, entendi...

Zander: Exato. Mas existe perversão maior que negar o sexo bem feito? Por isso era uma perva!

Lívia: Zander, não me provoque.

Sandra Regina: É, não existe, Zander.

Zander: Ops! Sim sinhá! Vô mi comporta.

Telma: Ainda mais quando promete e não faz nada!

Lívia: Bom, está certo. Alguém aí já ouviu falar em gente que tem nojo de sexo oral? Tanto homem quanto mulher?

Zander: Exato Telma. Propaganda enganosa. Ah, eu conheço. Sei de dois casos. Aliás, três contando comigo.

Sandra Regina: Eu já ouvi falar sim, de homens que não gostam de fazer.

Lívia: Eu também. Um já me disse que "não gosta do cheiro". E nem era questão de ser suja, era qualquer uma, mesmo que fosse a da Gisele Bundchen.

Telma: Conheço tipos assim. Amigos que me contam que têm nojo de sexo oral. Têm vontade de fazer, mas sentem nojo (e dizem que nunca fizeram).

Sandra Regina: Nojo é expressão dura hein?

Paulo: Conheci uma menina que dizia que não conseguia fazer sexo oral porque "o pinto é uma coisa feia, não agüenta ficar olhando pra ele".

Telma: Fecha os olhos, caramba! (gargalhada)

Sandra Regina: Ai ai ai, essa é demais Paulo!

Lívia: Mas eu também já ouvi algo parecido, Paulo.

Paulo: Conte, Lívia! Mais detalhes!

Zander: Posso contar? Primeiro caso: eu namorava uma menina, o sexo era sensacional, o beijo, tudo. Foi a primeira vez que uma mulher gozou quando eu fazia o sexo oral. Antes eu tinha um misto de nojo e de "pra que isso?" sabe? Mas quando ela gozou, travou as coxas na minha cabeça e tremeu como nunca antes.E eu, numa posição privilegiada, vendo o gozo inteiro dela, via os olhos se revirando as unhas cravando na cama. Aí perdi o nojo totalmente.

Sandra Regina: Propaganda sexual gratuita! (risos)

Zander: Nem é propaganda, gente. Não acredito em homem ou mulher bons de cama.

Sandra Regina: Legal, experiência própria.

Zander: Acredito em casais com química!

Lívia: Eu concordo Zander.

Sandra Regina: Eu tô com o Zander. Mas vocês acham que sexo oral é como catecismo: é dando que se recebe?

Lívia: DEVERIA ser. Mas volta e meia nos deparamos com uns tipos por aí que só querem o "venha a nós", e o "vosso reino" nada.

Rafaela: Isso que eu ia dizer. Tem muito daqueles que não podem deixar de receber o sexo oral deles. Mas o que acho mais impressionante é que a maioria acha que não precisa perder muito tempo com você e você doida pra gozar na boca do cara. Acha que uma chupadinha já te deixa acesa. Pô... Vai até o final, caramba! E outra que me irrita demais. Não beijar depois de receber o sexo oral. O cara tem nojo de si?

Sandra Regina: Isso é verdade.

Paulo: Tudo no sexo deveria ser "dando que se recebe".

Telma: É mesmo.

Sandra Regina: É sim, Paulo.

Lívia: E pensa só uma coisa: isso talvez seja cultural também.

Sandra Regina: É claro que é.

Lívia: É admissível um sujeito virar pra você e dizer: "não sou chegado em sexo oral", mas uma garota dizer que "não quer fazer" é o fim do mundo.

Telma: É como se existissem "etapas no sexo", que devem ser cumpridas por homens e outras.

Sandra Regina: "Mulher é suja" é quase um preceito da religião predominante.

Lívia: É como se fosse ato obrigatório.

Sandra Regina: É verdade, é tomado como obrigatório, dia desses eu estava vendo a Penélope da MTV e ela falou uma baboseira tão grande sobre isso... Exatamente dando a conotação de obrigatório.

Telma: Por isso muitos homens se surpreendem com atitudes de mulheres na cama, e depois pensam que são mulheres que não prestam, já ouvi muita opinião assim.

Lívia: Sem falar outra coisa: Homens se julgam no direito de não fazer e, quando fazem (oh, magnânimos!) não se importam com a qualidade.

Sandra Regina: Detestável. Então: mulher não tem obrigação de fazer sexo oral, deveria fazer se gosta e se quer, não porque senão fica sem o cara, ou com fama de "ruim de cama". Já ouvi alunas dizerem que fazem porque depois os caras comentam que elas "são ruins de cama", que coisa ridícula!

Paulo: Sandra, acho que ninguém tem que ter obrigação de nada... Agora, se pediu alguma coisa, tem que estar disposto a retribuir também.

Telma: É, mas pior é prometer e deixar o outro a ver navios!

Lívia: É exatamente do que eu tava falando. Mulher que não faz sexo oral (como assim, sexo oral é básico, oras! Não é?) é ruim de cama e o cara, nada, continua sendo o fodão.

Sandra Regina: Isso, eu acho importante falar sobre isso Lívia, porque as meninas se ferram com essa história. Sexo oral virou uma espécie de regra pra definir quem é boa de cama ou não e isso não pode ser admitido.

Rafaela: Eu ia tecer comentários aqui, mas nunca entrei nesse mérito, porque nunca deixei de fazer, e desconheço alguma que não goste de fazer. Eu amo. Então me soa estranho quem não gosta. Sem preconceitos, mas acho tabu besta. Não há nada mais gostoso do que ver o cara entregue.

Lívia: Exato. Já ouviram alguma discussão absurda sobre o ato em si?

Paulo: É porque é assim que ensinam no filme pornô!

Sandra Regina: Eu já.

Lívia: Tem uma música do Raimundos que fala sobre isso, chama-se BOCA DE LATA, sobre a garota passar os dentes e sei lá mais o que.

Telma: Como se isso servisse de avaliação para ambos. Conheço a tal música.

Sandra Regina: Eu não lembro da música. Então: depreciativa!

Paulo: Ela morde? Deve doer.

Lívia: Exatamente, Sandra. (risada) Não, Paulo, não morde.

Paulo: Sorte do cara... Ufa!

Sandra Regina: Eu acho que é algo natural, querer proporcionar mais prazer quando você está recebendo, o que passar disso é anátema!

Lívia: Certo, concordo.

Sandra Regina: Já temos que preliminares são importantes e o beijo é fundamental na preliminar.

Lívia: Sim, muito, Sexo sem beijo é como contato profissional.

Paulo: Sexo sem beijo é coisa da Julia Roberts... (risos)

Sandra Regina: Ah sim!

Lívia: (Eu entendi a colocação, foi o mesmo em que pensei, embora tenha pensado em coisas menos sutis... (risos) Esse rapaz é um gentleman!

Sandra Regina: Nem diga!

Paulo: Se eu sou um gentleman, não posso pegar muito pesado na presença de três damas, oras. (risos)

Sandra Regina: Obrigada pela dama que me toca, Paulo.

(Continua na próxima edição)

 

Edição 17

MESA REDONDA (parte II)

por Lívia Santana


Lívia Santana, 22 anos
Luiz Carlos Carvalho, 52 anos,
Paulo de Resende, 26 anos,
Rafaela Cardoso, 23 anos,
Sandra Baldessin, 44 anos,
Zander Catta Preta, 33 anos,
Roberta Febran, 24 anos, e o namorado Matteo, 28 anos.

Paulo: Sexo deveria ter utilidade? (Utilidade no sentido de servir para se ganhar algo além do prazer no ato).

Lívia: NÃO! Paulo, sexo já teve muito essa conotação... Trepar para ganhar alguma coisa, isso não é direito... É uma atividade em que deve haver troca, mas necessariamente troca de prazer, de carícias, e nunca "só transo com você se..." Isso é manipulação!

Sandra Regina: NÃO, sexo é atividade lúdica! É brinquedo, é a forma de nos mantermos "seres brincantes" pela vida toda.

Rafaela: A maioria que fazia isso no passado já mudou a tática. Não usam mais o sexo. Aproveitam-se do sexo e fazem filho, para aí sim, ganhar algo com isso! (risos). Concordo com você, Lívia, mas você já teve namorado egoísta? Eu já. E quando eu precisava de alguma coisa, ou era greve ou era regime de engorda! Até conseguir que ele fizesse o que eu queria e não só o que ele queria.

Paulo: Eu concordo. Mas, como é difícil ver alguém pensar e, principalmente, agir dessa forma!

Zander: Sexo É útil. É a cola social. É o que permite que possamos viver em grupo. É o que permite que a espécie se propague. O prazer que o sexo gera é o que move a cultura e tudo o mais. Mas é uma utilidade sutil, assim como comer, mijar, respirar.

Lívia: Vamos voltar um pouco. A última questão colocada foi: o que te dá prazer, certo? Respostas.

Sandra Regina: Seduzir é uma coisa que me dá prazer, através de qualquer coisa, levo isso para toda área da minha vida: seduzir leitores, por exemplo.

LC Carvalho: Ponto para a Sandra. Sedução é algo muito prazeroso e meu trabalho lida muito com isso.

Paulo: O que me dá prazer é uma coisa chamada novidade. Ela predomina, embora possa haver mais coisa em jogo. Em relação ao sexo, pode ser com uma pessoa nova, ou com a mesma pessoa, desde que não comece a parecer que é "sempre do mesmo jeito"...

Lívia: Paulo, isso que você disse é muito sério e eu estou de acordo. O que me excita, o que me dá prazer, é o desafio. Encarar o desconhecido, a novidade, e também a sedução que envolve essa novidade.

Paulo: Isso, desafio! Adoro desafios!

LC Carvalho: Gosto do desconhecido, do estranhamento, da sensação que o medo provoca.

Lívia: Roberta, o que te dá prazer?

Roberta: Sintonia, cumplicidade, isso é o que me dá prazer. Aquele lance de dar as mãos na hora e apertar.

Lívia: Essa realmente é uma outra faceta. Que se opõe à novidade, de certa forma. Quem precisa de novidades e desafios para ficar ligado, tem dificuldade em cultivar uma relação baseada em cumplicidade por muito tempo.

LC Carvalho: Cumplicidade!

Sandra Regina: Eu prefiro cumplicidade que novidade.

Zander: Endosso essa afirmação. Cumplicidade é tudo. Novidade é sede. Uma vez saciada, babau.

LC Carvalho: Sandra, eu fui casado 25 anos, portanto fiz sexo sempre com a mesma pessoa. Pergunta: onde fica a novidade? Não nos separamos por sexo, mas por rotina confusa. Tem pessoas que conheço que acham a rotina sexual em casamento muito monótona, mas tem que ser assim?

Sandra Regina: Não estou falando de novidade, mas de cumplicidade. Eu sou mais a favor da cumplicidade do que da novidade. Tudo na vida é rotina, você pode mudar o parceiro, mas há rotina no sexo também, é um condicionante cultural. Mas independente disso, tem que haver desejo e prazer.

Paulo: Mas ser cúmplice sem ser tedioso é um desafio e tanto!

Rafaela: Paulo, para mim a fórmula do tesão é admiração e cumplicidade. Uma vez que há os dois, o tesão dificilmente se esvai.

Sandra Regina: Sexo casual nunca é tão bom como sexo com alguém com quem você cultiva intimidade. Seduzir a mesma pessoa muitas vezes, inventar-se de novo pra ela.

Lívia: Concordo Paulo e concordo Sandra! Acho que chegamos à conclusão de que novidade e cumplicidade são dois extremos, coisas que movem uns e outros, mas nunca ambas as coisas juntas... Pegando o gancho, vocês acham que mudaram muito ao longo da vida, sexualmente falando? Valorizam coisas diferentes, querem coisas diferentes?

Sandra Regina: Eu mudei muito. Eu via o sexo como uma forma de me rebelar contra o status quo.

Paulo: Sim. Antes eu tinha medo de falhar!

Rafaela: Tenho um amigo que diz que "pau duro" não é obrigação, é merecimento, e está certíssimo.

Zander: Discordo. Pau duro é química. Merecendo ou não. Taí o Viagra e afins.

Paulo: E, esclarecendo: falhar, pra mim, é ter prazer sozinho num negócio que era pros dois curtirem. Depois que falhei (não estou falando de brochar, e sim de gozar sem que ela gozasse também), tudo ficou mais natural!

Rafaela: Transar sem obrigação de gozar é tão bom. Várias vezes, já gozei sem o cara gozar e vice-versa, e outras tantas gozamos os dois, juntos ou alternadamente, e é difícil dizer qual foi a mais gostosa.

Zander: Você marcou um ponto aí.

Lívia: Este é um bom tópico, Paulo, mas vamos falar mais pra frente, ainda estamos nas preliminares!

Sandra Regina: Eu mudei muito; hoje não confundo tesão com paixão nem com amor, nem acho que o amor te imuniza contra o tesão por outras pessoas, etc. Acho que amadureci.

Lívia: Sandra, falou tudo!

Sandra Regina: Obrigada, Lívia. Estou na escola... (risos)

LC Carvalho: Amadurecer é mesmo muito importante. Às vezes me impressiono com o amadurecimento de algumas jovens mulheres (papo careta esse meu... risos).

Lívia: Esta foi a minha mudança também, essencialmente. E mais, aprendi a valorizar a cumplicidade, a novidade já não me interessa tanto.

Sandra Regina: Eu dou aula na Faculdade da Terceira Idade, ouço cada história!

LC Carvalho: Terceira idade tem sabedoria e frustrações, eu acho. Todos nós, né? Mais um pouco estou ingressando na sua sala de aula.

Sandra Regina: Mas, eles estão dispostos a aprender, acho isso genial. Tenho um aluno da minha idade, ele adora o curso.

LC Carvalho: Leva-se muito tempo para ser jovem, já dizia Pablo Picasso... Ah, então me inscrevo já!

Sandra Regina: Isso, adoro esse pensamento.

LC Carvalho: O contato com a nova geração é que me ajuda a lembrar da juventude.

Zander: "Juventude, por favor envelheça! E rápido!" - Nelson Rodrigues (acho!)

Paulo: Tenho percebido que o melhor pra nós é continuar aprendendo. Mas aprender significa reconhecer que não se sabe. Confesso que tento sempre aprender muito, mas que sexo é um assunto difícil demais.

LC Carvalho: Bacana, Paulo. Sandra, você está no primeiro casamento? Desculpe a pergunta.

Sandra Regina: É o segundo, mas já dura por vinte e dois anos. A primeira vez eu casei aos 17 anos, com meu professor de história; durou por três anos. Depois me casei de novo aos 23 anos e tive meu filho aos 25.

Lívia: Vamos continuar! Falamos sobre o que nos dá prazer. E o que tira o prazer? O que nos faz perder totalmente o tesão?

Rafaela: Sabe o cara que transa com o espelho? Você está ali, mas mero objeto do prazer individual do cara. Ele se acha tão gostoso, tão fodão, tão boa foda que você vai se apaixonar por ele tanto quanto ele mesmo, oh grande Narciso. Dá vontade de levantar na hora e falar para ele fazer justiça com as próprias mãos que terá muito mais prazer. Uó!

Lívia: Boa Rafaela!

Zander: Espelho é bom para ver a parceira de um outro ângulo. Como se fosse um pornô (com história) onde a atriz principal é a parceira. Talvez por isso a galera queira se gravar trepando. Ou não, posso estar sendo naïve aí.

Paulo: Bafo de cigarro! Nunca namorei uma fumante, por isso meu sentimento anti-tabagista ainda não foi amaciado.

Lívia: Boa, Paulo, bem honesta e direta essa.

Zander: Nada contra cigarro. Nem a favor.

Sandra Regina: Várias coisas, mas vou escolher a mais chata. O cara que se acha, que fica falando o tempo todo de tudo de bom que ele é. Essa é uma coisa subjetiva. Objetiva, eu diria problemas com higiene pessoal, incluindo a bucal, porque mesmo o fumante é tolerável se for caprichoso com a higiene.

Paulo: É, convencimento é uma droga! As meninas também sofrem desse mal, infelizmente.

Lívia: O que te tira o tesão, Luca? Não o que te faz brochar, mas o que faz vc perder a vontade, mesmo que estivesse apenas na sugestão?

LC Carvalho: Ah, para haver vontade tem que haver química. Tendo isso, uma coisa que me faz broxar é quando pinta sentimento de culpa, e olha que eu nem trabalho com essa coisa judaico-cristão de culpa que eles inventaram. É uma droga.

Lívia: O que me brocha é obrigação. Aquela coisa de estar casado ou mesmo morando junto, e ter que dar uma antes de dormir, ou antes de sair de manhã.

Zander: O que me broxa é o pau. Sério agora, tem coisas que me tiram totalmente o tesão. Querer dirigir o ato em si é uma: "Me chupa assim! Anda! Me come desse jeito, vai! Agora! Pula o cercado! Quero um duplo carpado! Vai que você consegue!" Outra é não topar usar roupas de couro, chicotes e laçarotes de cetim. Mas isso é uma outra história.

LC Carvalho: Obrigação é um saco! Paulo, você já fez ou se sentiu obrigado?

Sandra Regina: Eu nunca transei obrigada, já transei pra ser boa samaritana, isso sim! Sabe, voluntariado sexual?

Paulo: Sexo? Se eu já fiz sexo sendo obrigado? Ainda não tive o prazer da experiência.

LC Carvalho: Caraca, isso é que é boa samaritana! Ah, Sandra... Isso é muito engraçado!

Roberta: Eu nunca transei obrigada porque quebrei o clima quando ele tentou "forçar" através de chantagem sentimental.

LC Carvalho: Cara, já evitei uma "curra", é muito estranho mesmo isso.

Sandra Regina: Nunca me aconteceu, felizmente.

Lívia: Alguém já transou rezando pra acabar logo?

Roberta: Já!

Paulo: Não, já rezei pra durar mais 3 horas! Sou um menino religioso.

Sandra Regina: Ajoelhou tem que rezar?

LC Carvalho: 3 horas ou mais um pouquinho!

Zander: Já rezei para ganhar na mega-sena e aumentar o meu sex appeal por conseqüência.

Sandra Regina: Eu também já fiz orações como o Paulo, acho que tem que escolher muito bem antes de ir para baixo dos lençóis! (risos)

Lívia: Nem era isso que eu estava pensando Sandra. Sabe aquela coisa: estamos aqui os dois sozinhos, sem fazer nada, nada impede, por que não? Vem cá minha nega.

Matteo: Eu já transei rezando tanto pra acabar que acabou mesmo...

Paulo: Putz, eu também quero ter essa experiência! "Vem cá minha nega"... Uau!

Sandra Regina: Lívia, eu não acho chato isso, porque não? Eu não to fazendo nada, você também...

LC Carvalho: Ângela Rorô dizia, "chega na minha, gatinha"...

Lívia: Ah, Sandra, essa coisa de chegar pegando, como se fosse propriedade é um horror.

Sandra Regina: Ah, entendi.

Zander: Uai, mas não é assim desde sempre? O homem é dono da mulher, aí tem o dote e... ah! Estamos falando de padrões modernos... é verdade... esse lance de propriedade é uma merda mesmo. Viva a reforma agrária feminina! Gisele Bundchen para todos!

Matteo: Meu irmão costumava perguntar pras garotas se elas queriam "dar um cutuco forte".

Paulo: Olha, eu parto do pressuposto de que, pra haver sexo, há predisposição de ambos os lados... Nesse sentido, "vem cá minha nega", ou "vambora?", tudo isso deve ser bem legal! Dominar e ser objeto também fazem parte do sexo.

Sandra Regina: É por isso que a coisa da cumplicidade faz diferença.

Roberta: Eu adoro que me chame de nega, que me puxe pelo cabelo e me jogue na parede, me chame de lagartixa.

Lívia: O problema não é a expressão, é a conotação. Bem, em frente. Alguém já passou por uma fase junkie aí? Daquelas em que aconteciam coisas que era melhor esquecer que aconteceram? Alguém já se sentiu sujo?

Zander: Ontem. Quer dizer, nunca!

LC Carvalho: Defina!

Sandra Regina: Não, nunca tive esse sentimento, não fui criada com religião por perto, acho que tem a ver.

Lívia:Sabe quando a coisa sai do controle, acontecem coisas das quais não se orgulha com quem não se queria muito, se acorda sem saber onde ou quem está dormindo do lado?

Matteo: Lívia isso não é sujeira, é vida real.

Sandra Regina: Ah sim, concordo com o Matteo.

Matteo: Eu já acordei com alguém do meu lado que eu nem conhecia.

Zander: Ontem, quer dizer... estou ficando repetitivo. Pior é acordar do lado de alguém que você conhece mas NUNCA queria acordar com.

Lívia: Não acho não, Matteo. Vida real no sentido de: sim, isso acontece... Mas a sujeira é no sentir depois.

Sandra Regina: Acho que tem algumas regrinhas básicas: não beber além da conta num primeiro encontro, por exemplo.

Matteo: E tomar banho né, Sandra? Eu já vomitei em cima da garota.

Paulo: Sandra, eu discordo. Acho que a regra deveria ser "não beber MAIS do que o outro está bebendo"... Pelo menos, assim, você continua no controle!

LC Carvalho: Deve ser uma coisa comum para quem vive num mundo de novas drogas e "boa noite Cinderela".

Sandra Regina: Bem, o Luca tem razão. Isso, você aperfeiçoou, Paulo.

Matteo: Concordo com o Paulo.

LC Carvalho: Conheci uns caras que endoidam as meninas para conseguirem, cabeças fracas.

Paulo: Vocês conhecem "tesão de vaca"? Tesão de vaca é um produto afrodisíaco lendário, que é vendido no mercado negro dos Sex Shops... Tira as meninas do sério. É o que esses "garotões" usam pra dopar as garotas. O problema é que tem efeitos colaterais: náusea, dores de cabeça, desorientação etc. Nojento.

LC Carvalho: Nojento. Sinto pena dos "animais".

Sandra Regina: Nojento mesmo.

Lívia: A começar pelo nome.

Sandra Regina: Bem, respondendo: nunca fiz nada que me fizesse sentir suja. Só acordei com homens de quem eu sabia pelo menos o nome.

Lívia: Eu também nunca acordei com quem não soubesse o nome, Sandra, mas já tive maus momentos.

Roberta: Eu nunca tive essa experiência.

Lívia: Então todo mundo aí sempre teve controle total sobre tudo o que aconteceu e nunca se arrependeu de nada?

Sandra Regina: Minha resposta é sim.

Paulo: Não é bem assim. Lívia, já que você insiste, eu conto. Muito jovem, aprendi a importância de CORTAR AS UNHAS, mesmo que não haja a possibilidade de fazer sexo, porque se rolar... Eu, uma vez, arranhei, por dentro, uma moça. Foi terrível. Eu e ela, pelados ali, e eu ouvindo sermão. Que lástima!

Rafaela: Opa aconteceu comigo também, passei mais de uma semana com prisão de ventre, se é que vocês me entendem. Terrível. Doía demais.

Lívia: (gargalhando) Já me aconteceu! E desculpe rir, mas a descrição foi hilária!

Sandra Regina: É deve ser constrangedor. Mas eu não daria sermão, não foi proposital. Aonde já se viu, sermão do pastor alemão?

Paulo: Pô, Sandra, vou pedir para as minhas próximas namoradas conversarem com você pra entenderem que não precisam dar sermão se acontecer...

Lívia: Vou facilitar. Vou contar uma bem ruim. Quando eu era adolescente, era apaixonada por um cara e ele não me dava a menor bola. O irmão dele me disse pra esquecê-lo, porque ele não me merecia e que eu o namorasse. Como éramos "amigos", eu gostava dele, acabei aceitando. Não durou nada, porque se o cara era legal como amigo, era um horror de namorado. Então terminei com ele. Logo depois o irmão, por quem eu era apaixonada, veio me procurar, todo sedutor e acabei caindo na dele, fomos pra cama. Por fim o cara me disse que não tinha sido do mesmo jeito que o irmão contou. Vestiu a roupa e foi embora e eu tomei vinte mil banhos que não fizeram efeito, continuei me sentindo suja por pelo menos uns seis meses.

Sandra Regina: Nossa, terrível!

LC Carvalho: Lívia, eu posso comentar algo?

Lívia: Claro, Luca fique à vontade.

Sandra Regina: Você poderia ter se vingado do safado! Dizer, por exemplo, que o irmão dele dava conta do recado com muito mais elegância e que você estava fazendo uma pesquisa, pra ver se irmãos têm a mesmo desempenho! (risos).

Lívia: Fiquei meio prostrada, mas me recuperei. Dias depois o carinha voltou, achando que ia "fazer o serviço" de novo. Eu disse a ele que fazer sexo não era só tirar o pau pra fora e fazer uns movimentos, e que ele devia nascer de novo pra ver se aprendia, porque ele tinha sido tão ruim que eu nem contava como relação sexual.

Sandra Regina: Teve o que merecia!

Paulo: Ponto pro time dos críticos! Viva!

Zander: Bom, deixa eu contar o meu causo. Eu tinha recebido as horas extras da viração de carnaval da bloch. E justo no mês que eu recebi um aumento de salário. Ou seja, três salários num mês na mão de um degenerado de vinte e poucos anos que tinha comido muito pouca gente na vida. Daí fui prum bar onde a galera se encontrava. Era o tal do Empório, em Ipanema. Tava lá uma menina que eu sempre tive olho cumprido em cima dela, mas nunca de ela me dar bola. Ela louca, totalmente high on drugs e eu totalmente high on tequilas. Pouco me lembro só de duas cenas que não me orgulho nem um pouco. Uma era eu pedindo uma champanhe no motel e usando-a como chuveiro para os dois. Uma grana descendo pelo ralo. Outra é a menina me oferecendo para sexo anal e eu completamente sem condições fisiológicas para tal. Sim meninas e meninos, álcool é estimulante até o ponto da amnésia. Daí para frente só sobra a libido, a língua e os dedos. Acordamos no dia seguinte e ela mal se lembrava de ter entrado comigo no motel. Nunca mais falou comigo. Tem um outro caso também que envolve uma ovelha, mel, formigas e um tamanduá bandeira. Mas acho que esse vai ser censurado pela Géh.

Lívia: Zander, você é impagável! Depois me conta tudo em off, ta?? (risada). E Luca, você não fez seu comentário.

LC Carvalho: Conheci o Jorginho Guinle quando fiz minha primeira exposição na FUNARTE. Ele foi o primeiro visitante a assinar o Líviaro de presenças. Não fomos amigos, apenas alguns contatos em exposições. Quando o MAC Niterói fez uma exposição em homenagem ao Jorginho, ele havia falecido e na abertura eu aprendi uma ição com o pai dele, Jorge Guinle. Ele subiu a rampa do MAC tendo ao lado o amante do filho, não lembro o nome do rapaz. Achei muito grande a atitude do Pai reconhecer a relação do seu filho homossexual. Não sei, hoje eu entendo o que o pai sentiu. E olha que ele é, era, uma figura pública de destaque, sendo uma família tradicional e tal. Acho que o importante é não se envergonhar de quem se é e assumir o que se faz.

Rafaela: E viva a diferença!

(Continua na próxima edição)

 

Edição 16

MESA REDONDA

por Lívia Santana

Este será um bate bola sobre sexo, como as mesas redondas de futebol. Mais especificamente "Comportamento". Práticas positivas, negativas, ridículas, expectativas, frustrações, sucessos, fracassos, machismos...

O objetivo é fazer um artigo em que as pessoas possam ler e pensar: "Nossa, mas eu sempre pensei que fazendo isso eu arrasava!" ou então: "Eu também acho!". Fora com mal entendidos e tabus. Um papo franco, de verdade, com gente de verdade.

Lívia Santana, 22 anos
Luiz Carlos Carvalho, 52 anos,
Paulo de Resende, 26 anos,
Rafaela Cardoso, 23 anos,
Sandra Baldessin, 44 anos,
Zander Catta Preta, 33 anos,
Roberta Febran, 24 anos, e o namorado Matteo, 28 anos.

Lívia: Bem pessoal, sejam bem vindos, vamos começar em termos gerais: Sexo é importante?

LC Carvalho: SEXO É BOM! Concordo com a Marina Lima.

Lívia: Um aparte, Luca: sexo pode ser bom ou ruim, quero saber se é importante.

Paulo: Eu acho importante demais. Tão importante que uso com moderação...

Roberta: Sexo faz parte de tudo, se você prestar atenção nos seus pensamentos vai ver que qualquer coisa que lhe vier à cabeça pode ser relacionada ao sexo.

Rafaela: Ultimamente eu tenho me sentido uma personagem de Sex & the City, porque sempre que me reúno com minhas amigas o assunto em pauta é SEXO. Pode-se falar em tudo, mas o que sempre vem à tona: SEXO. E sim, é muito importante. Faz falta para o bom humor, a suavidade e o brilho da pele, entre outras coisas.

Sandra Regina: É mais do que importante: é fundamental

LC Carvalho: Fundamental. Ok, Paulo.

Lívia: Ótimo... Concordo, e dou ênfase à observação do Paulo.

Sandra Regina: Hum, também concordo com a observação do Paulo.

Zander: Fundamental, não sei, afinal de contas se sobrevive sem sexo. É importante, de certo: fato. A sociedade é montada em função da oferta de sexo. Mas acho que existe uma sobrevalorização do sexo, da mesma forma que existia na corte à amada ou ao trato ao sexo frágil.

Lívia: O que se procura numa relação sexual?

LC Carvalho: A gente não está indo muito rápido pra relação sexual? Cadê as preliminares?

Roberta: É, cadê as preliminares?

Lívia: Calma, estou perguntando em termos gerais, não sobre ações... Ainda estamos nas preliminares, quero saber de sentimentos, de sensações...

LC Carvalho: Ora, primeiro encontro e já assim... Vou acender o meu charuto...

Roberta: LC acaba de perder qualquer chance que poderia ter um dia de fazer sexo comigo... (risada)

Paulo: Bom, voltando à pergunta... Posso falar de uma visão muito pessoal. Veja bem, pra mim o sexo é CONSEQÜÊNCIA de uma paixão, ou de um caso de amor... É uma forma de entrega posterior à certeza de que valerá a pena.

Roberta: Discordo Paulo. Sexo é sexo, amor é amor.

Lívia: Então sexo mecânico para você está excluído, certo, Paulo?

Sandra Regina: Eu não penso como o Paulo. Nem com a Roberta.

Paulo: Sim, no sentido de "fazer por fazer".

Zander: Existe sexo sexo, e existe relação sem sexo. Existe até amor sem sexo (não quero minha avó pensando em mim com fins sexuais, pelo amor de Deus!). Não gosto de regras no e para o sexo. Não mesmo.

Sandra Regina: A pergunta é: o que eu procuro numa relação sexual?

Lívia: Sim. O que você busca quando faz sexo?

Rafaela: O melhor sexo é aquele em que há uma troca ideal de energias. Pode parecer papo de bicho-grilo, mas não tem nada melhor do que a harmonia na cama. Melhora o relacionamento, traz intimidade instantaneamente. Quando o sexo é ruim, ou apenas não tem aquela química perfeita, ou o encaixe ideal, o relacionamento cai na mesmice muito mais facilmente.

LC Carvalho: Bem, eu sou como um pássaro em muda... Até o ano passado eu tinha uma visão sobre coisas relacionadas ao sexo... Mas, separado recentemente e de cara limpa (sem bebida) ando meio zen... Acho que estou dizendo que o "carnal" da relação muda um pouco.

Sandra Regina: Eu procuro satisfazer a minha necessidade de prazer, e tudo que se relaciona a ela.

Roberta: Puxa isso é relativo... Não tenho sempre os mesmos objetivos em todas as relações... Têm dias em que eu quero apenas jogar meu namorado na cama e o fazer gozar, e está ótimo. Têm outros em que o objetivo é mais o meu prazer do que o dele e ainda outros em que gozar nem importa, só quero ficar com ele. Simples assim, depende do meu humor atual, de como foi o dia, etc.

Lívia: Claro, eu concordo... O que se busca numa relação sexual não pode ser padronizado, certo? Depende da situação, do parceiro, do dia do mês (risada).

Paulo: Veja bem, isso que a Roberta falou quer dizer que sexo não é o ponto principal (afinal de contas, ele depende do dia, do humor etc.) Eu acho isso o máximo porque, se for entendido pelos dois, corta a ansiedade... A coisa rola de uma forma muito melhor.

LC Carvalho: Sem ansiedade, mas às vezes rola atração fatal... Já rolou com vocês? Tesão incontrolável?

Lívia: Sexo pelo sexo, a meu ver, perde a graça muito rapidamente se não puder proporcionar mais, ir além... Assim como filme pornô sem história...

Zander: A analogia de sexo pornô é perfeita.

Rafaela: Concordo. O melhor do relacionamento é poder ter a variação com segurança, com a certeza de que amanhã você pode vir igual ou diferente q será melhor ainda q hoje, ou seja, se você chegar toda fogosa amanhã, querendo dar assim que ele abrir a porta, ou se quiser só ficar cheia de carinhos ele vai estar pronto para o que for, porque a vida a dois é muito mais que sexo. Além do mais, filme pornô pra mim é filme de comédia, justamente por ser tão mecânico.

Roberta: Por sinal ele (o namorado) está aqui querendo participar.

LC Carvalho: Por mim é bem vindo.

Lívia: Claro, participe!

Roberta: Digam olá pro Matteo, pessoas...

LC Carvalho: Olá.

Lívia: Oi, Matteo. (Viu Luca, pára de cantar a namorada do cara... risos).

Paulo: Oi, Matteo.

Sandra Regina: Gostaria de fazer um aparte. Posso Lívia?

Lívia: Pode mandar Sandra.

Sandra Regina: É o seguinte: o nosso cérebro trabalha com a idéia do prazer, já ouviram falar no sistema punição e recompensa? É bem assim que funciona a sexualidade.

Lívia: Punição e recompensa? Neste caso? Elabora mais, Sandra?

Sandra Regina: Sim, mas não como a palavra sugere. É um sistema, fazemos sexo por conta do prazer, só isso; então a pergunta é: O que te dá prazer? O aconchego, a afetividade? O sexo ligado à psique ou ao órgão?

Lívia: Concordo, o cerne da questão é esse.

Paulo: Eu diria que está ligado a ambos... Arriscaria, inclusive, dizer que mais à psiquê.

Sandra Regina: Com certeza, Paulo, desde que passamos a olhar no rosto do parceiro, o sexo virou coisa da psique.

Lívia: Sim, sexo na cabeça, Sandra... Até porque, excitação é algo predominantemente psicológico. Está certo, homens podem dizer que ficam excitados com a visão de uma mulher nua... Mas tenho pra mim que nenhuma imagem, som, cheiro, gosto ou toque pode despertar excitação sexual se eu não estiver na sintonia.

Roberta: Bem, eu tenho 1001 maneiras de ver o sexo, até mesmo por causa da minha religião... Pagã, druída, strega. Digo religião para entenderem, mas é uma filosofia de vida na verdade.

LC Carvalho: Bem, sou de uma geração dita de "sexo, drogas e rock 'n roll"...

Lívia: O que quer dizer com isso, Luca?

Sandra Regina: Eu sou da geração do Luca.

Zander: Eu sou da geração sexo no saco plástico. Camisinha, Playboys, VHS, putas online e sexo na TV.

LC Carvalho: Antes sexo era "proibido"... Portanto a relação de sexo para nós é bem "Hair", amor livre e descobertas do corpo, do outro... Havia mais "Paz e Amor" no lance...

Rafaela: Já eu, sou quase isso, sou de uma geração de Educação Sentimental. E o sexo é uma das melhores formas de se educar e de ser educada. (risos)

Lívia: Uma coisa sensorial, apenas? (risada) Boa, Rafaela!

Sandra Regina: Discordo um pouco de você Luca, não foi assim para as mulheres...

LC Carvalho: Ao dizer isso, a minha intenção foi te ouvir, Sandra...

Sandra Regina: Elas continuaram sendo discriminadas porque gostavam de sexo e praticavam o tal "amor livre" seja lá o que for isso...

LC Carvalho: Creio que nós homens mudamos muito, concorda Paulo?

Paulo: Luca, eu vejo de uma forma dicotômica... Parece que, com a idéia de liberação, os opostos radicais se sobressaem muito... Predomina a idéia de que está tudo liberado, e isso leva a comportamentos que eu abomino, como puxar uma mulher pelo cabelo na boate e tascar um beijo, depois arrastar para o carro... Do outro lado, estão os "manés", que não vêem as coisas dessa forma.

Sandra Regina: O Paulo está certo, esse comportamento é troglodita, como toda mudança, tem o lado bom e o ruim.

Matteo: Olha só, eu acho que o sexo ao contrário do que dizem por aí não está ligado aos instintos, mas sim à cabeça mesmo. Claro que qualquer adolescente vai sentir as transformações no corpo, etc., mas um moleque que é criado em ambiente evangélico, por exemplo, jamais vai explorar tudo que o sexo pode oferecer.

LC Carvalho: Sim, patriarcado e machismo, mesmo com aprovação das "mulheres"...

Sandra Regina: A maioria das minhas amigas casou grávida e se divorciaram depois de passar anos agüentando um cara dizer pra elas que casou só porque ela estava de barriga, e coisas assim... Inventaram o anticoncepcional, mas o acesso para as solteiras não era tão fácil como hoje.

LC Carvalho: Eu vivi 25 anos com a mãe de minha filha... Não casei porque ela estivesse grávida, mas porque nos encontramos em muitas coisas. Acho que a vida é isso, a arte do encontro.

Sandra Regina: É a sua história Luca, mas a maioria das histórias não é bem assim. A maioria dos homens achava que a responsabilidade por evitar a gravidez era da mulher.

Zander: Eu não afirmaria isso assim de prima. Eu acho que a tendência era e ainda é essa aí. Mas eu conheço dezenas de casos tanto de um lado como de outro dessa história.

Roberta: Até hoje acham.

LC Carvalho: Sandra mudou muito entre você e a nova geração?

Sandra Regina: Totalmente, eu converso com meus alunos e fico abismada, literalmente.

LC Carvalho: Como assim? Sandra eu convivo com jovens de vinte e poucos anos, ouço muito a nova geração, e por incrível, eles me ouvem... Ontem estive com um grupo pi (dai saem os projetos pi.neo pi.rata) formado basicamente por jovens...

Sandra Regina: É o seguinte Luca: a nossa geração fazia sexo por "amor", o amor justificava tudo (supostamente); lembra-se da prova de amor? A gente dava porque estava com tesão, mas ninguém admitia isso: não, tinha que ser algo superior, o AMOR... E isso era péssimo, porque confundia as pessoas.

Rafaela: Mas será que não existem várias formas de amar? Uma coisa é você comer ou dar uma vez só e nunca mais encontrar na vida. Outra é você manter uma relação mesmo q só sexual com uma pessoa. Para mim aí já há amor. Um tipo q não o estereotipado para casar, ter filhos e viver para sempre. Digo, estereotipado como único universalmente. Acho até, que naquela única transa pode ter havido amor, é aquela velha história rubeniana que é preciso alma até para chupar um chicabon!

Lívia: Concordo, Rafaela!

LC Carvalho: Ah, tesão é bom pra tudo na vida... Fazer arte sem tesão é mecânica...

Paulo: (risada) Eu imagino a confusão!

Lívia: Ótimo, mas sabe do que mais, Sandra? Eu vejo muito isso ainda... Porque as mulheres e os homens que pensavam assim e estacionaram, criaram os filhos, hoje jovens e adolescentes, pensando assim.

Sandra Regina: É Lívia, tem sim, as mais certinhas hoje ainda usam essa justificativa, embora hoje haja mais liberdade pra se fazer sexo sem jurar amor eterno. Naquela época nós mentíamos para nós mesmas e obrigávamos os homens a mentir também.

(Continua na próxima edição...)

 

Edição 15

Gravidez: O corpo muda, e o sexo como fica?

por Lívia Santana


Love will come study II por Jennifer Bend

Entrevista

Lívia: Você está com quantos meses?
Carla Catarina: Estou com onze semanas.

Lívia
: Quase três, então?
Carla Catarina diz: Sexta feira completo 12 semanas.

Lívia
: Humm... Feliz?
Carla Catarina: MUITO.

Lívia
: Muda muita coisa, Carla?
Carla Catarina: Muda sim, a cabeça muda completamente. O que a gente acha que é amor muda completamente de sentido... Você vê que tudo na sua vida agora esta direcionado a um milagre que esta dentro de você... E por mais que tenha imaginado, nunca foi da maneira que estou sentindo

Lívia
: E a vida, a rotina, o seu corpo, mudaram?
Carla Catarina: Mudou porque tenho que me preservar agora, não posso trabalhar ou ficar passeando muito. Tenho que ficar de repouso ate completar os três meses e isso às vezes cansa. O corpo ainda não mudou quase nada. Só os peitos que aumentaram muito, mas a barriga nem aparece ainda.

Lívia
: Você teve complicações, por isso o repouso?
Carla Catarina: Não, nenhuma. Muito pelo contrário. Assim eu tenho total segurança, indicação médica que estou seguindo a risca.

Lívia
: Entendi... E me diz uma coisa, alguma mudança na libido?
Carla Catarina: Olha, sempre fomos super-ativos! Apesar de estarmos juntos há cinco anos, quase não ficamos um só dia sem um "rala e rola" (risada)... Agora parece que até piorou, nós temos vontade o tempo todo! Mas agora só podemos de ladinho! (risada)

Lívia: De "ladinho"?
Carla Catarina: É, foi recomendação do médico. E imagina se ele não adorou? (risada)

Lívia: (risada) Muita ação e pouco esforço?
Carla Catarina: Isso mesmo. Particularmente, eu gosto de uma coisa bem intensa. E agora que não dá, ele está adorando uma folga. Como a gente nunca tinha feito assim, está sendo ótimo.

Lívia: O relacionamento de vocês pelo visto já era legal antes da gravidez, né? E agora, mudou alguma coisa?
Carla Catarina: Mudou um pouco porque antes éramos apenas nós dois... Agora ele parece se sentir um pouco inseguro. Vive perguntando se eu o amo como ao nosso filho, etc. Puxa, são formas diferentes de amar! Ele sempre foi muito atencioso, mas agora fico pensando mais no baby e ele acaba percebendo isso... E cobra sutilmente a atenção que agora é dividida.

Lívia: Acha que ele já se sente pai? Ou ainda está tentando entender o lugar dele na situação?
Carla Catarina: As duas coisas. Ele já se sente pai, porque fala como um, o que nunca o tinha visto fazer. Mas também, se sente meio perdido, achando que ficará de fora de alguma coisa.

Lívia: Isso a preocupa? Acha que terá problemas para ajudá-lo na transição?
Carla Catarina: Não penso muito nisso. Acho que não é um problema de verdade e não serei eu a encarar assim, ou ficar tentando colocar uma coisa na cabeça dele que não existe. Não me preocupa.

Lívia: Já sabe o sexo?
Carla Catarina: Ainda não. Talvez daqui a umas duas semanas ou mais dê para saber.

Lívia: E você tem alguma preferência?
Carla Catarina: Eu tinha antes... Menino! E ele preferia menina. Mas acho que agora isso não tem mais importância, nem penso mais nisso.

Lívia: Está tomando algum cuidado extra? Vitaminas, hidratação com a pele, dieta, etc?
Carla Catarina: (risada) Não. Para a pele, a dermatologista me deu quinhentas mil coisas para passar, entre óleos, cremes e pomadas. Vitaminas só começo a tomar depois do quarto mês. E dieta... (risada) Como igual a uma doida.

Lívia: Engordou muito já?
Carla Catarina: Tudo o qu
e eu peço o maridão compra para mim, então você pode imaginar, né? Engordei dois quilos já! O que eu estou comendo de doces árabes, nem te conto.

Lívia: (risada) Está fazendo exercícios?
Carla Catarina: Não posso ainda. Mas também não sei se vou fazer. Sou preguiçosa.

Lívia: O médico recomendou algum exercício ideal?
Carla Catarina: Ainda não, por causa de umas dores no estomago que tenho sentido. Mas o risco acaba depois do terceiro mês e com certeza vai me mandar fazer.

Lívia: Você disse que aumentou a libido. E o prazer, Carla? Sente alguma alteração na sensibilidade?
Carla Catarina: Ah, alteração sim! Eu chego ao orgasmo com muito mais facilidade, muito mais rápido! Qualquer toque é um estímulo muito intenso, já fico toda acesa, doida de vontade! (risada) Aliás, eu costumo brincar que agora eu só quero sexo e comida, não necessariamente nessa ordem! (risada)

Lívia: (risada) Uma mulher franca!
Carla Catarina: É verdade. Eu não tenho problema com falar em sexo, minha vida sexual com o meu marido é maravilhosa e não quero que acabe nunca. Eu achava que iria acabar lá pelo segundo ano de casamento no máximo, mas não. Está sempre boa, mesmo agora depois da gravidez!

Lívia: Que ótimo! Fico contente por você!
Carla Catarina: Sabe, eu acho que sexo é muito importante mesmo, torna o relacionamento pleno. Eu amo o meu marido e acho que não estaria tão feliz e realizada se fosse com qualquer outro. Temos uma relação de confiança e carinho, sem restrições, sem vergonha um do outro. Podemos falar o que pensamos, sobre qualquer coisa, não temos que dissimular os sentimentos.

Lívia: Você se sente amada e satisfeita e isso influencia na gravidez...
Carla Catarina: Certamente influencia. Sinto que é a hora certa de construir a minha família. Tudo aconteceu no devido tempo, mesmo que, no passado, eu tenha achado que este tempo nunca chegaria. O homem perfeito existe, não importa o que pensemos. É aquele que amamos e com quem podemos ser nós mesmas.

Lívia: Maturidade vem com o tempo, né?
Carla Catarina: Isso! E é preciso paciência para chegar lá.


Carla Catarina é paulista, tem 30 anos, formada em Administração e Psicologia, atualmente reside em Dubai, nos Emirados Árabes.

 

Edição 14

Roteiro de Viagem - Observações do Mundo BDSM (continuação)

por Lívia Santana

Entrevista com "SR ÁSGARЮ".

1. Desde quando conhece o BDSM?
Desde 2003

2. Pratica ou já praticou em algum momento?
Já pratiquei. Atualmente estou sem escrava, portanto não estou praticando... E confesso que começo a sofrer de abstinência... rs

3. O BDSM é necessariamente um comportamento marginal?
Marginal? Não, pelo menos pra mim não. No meu caso, foi a descoberta do meu verdadeiro eu.

4. O que o seduz no BDSM?
Todo o contexto me seduz mas, com certeza olhar nos olhos de uma submissa, ver e, principalmente, sentir o prazer dela em estar se entregando a você, é algo que só vivenciando para poder explicar.

5. Há algo no BDSM que não o agrada?
Não diria que exista algo que não me agrade... Diria que existem práticas que não me atraem... como por exemplo agulhas e ponygirl (mulher vestida como um cavalo, com rédeas, freios, cela, etc)

6. Acha possível haver BDSM virtual?

Desde que exista o BDSM real, é natural que se façam joguinhos virtuais, mas uma relação APENAS virtual, com certeza, pra mim, não existe. Imagine uma sessão de spanking virtual!! Seria, no mínimo hilário.

7. O BDSM é um Universo fechado ou é amistoso com simpatizantes e novos adeptos?

Totalmente amistoso e aberto a simpatizantes. O que acontece é que vivemos numa sociedade cheia de preconceitos e falso moralismo, onde pessoas que não conhecem exatamente o que é o BDSM, o deturpam e repudiam, condenando aqueles que o praticam.

8. Qual o maior conflito no relacionamento SM, a seu ver?
Conflito? Eu colocaria que existam limites a serem superados. Talvez possam existir conflitos entre o ser baunilha e o ser SM. Por exemplo, uma mulher baunilha que se descobre submissa e tem um DONO. No início, pode acontecer de a mulher entrar em conflito com a submissa, no que diz respeito à liberdade, independência, etc... Mas como eu disse, eu vejo isso como um limite do submisso. Isso significa que esse limite pode ser superado.

9. Os praticantes do BDSM têm necessariamente algum tipo de parafilia?
Bom, depende muito do que cada "participante" gosta, seja ele Dominador ou submisso, mas creio que um bom exemplo de parafilia sejam os masoquistas radicais, que só conseguem ter prazer e atingir o orgasmo sentindo dor.

10. Verifica-se no BDSM os mesmos problemas dos relacionamentos baunilha? (ciúmes, brigas, traições, etc.)
Sim, mas não com tanta intensidade como numa relação baunilha. Ciúme é natural, principalmente por parte do submisso, ainda mais se for uma mulher (risos), mas não descarto o ciúme no DOM. Uma relação SM é diferente de uma relação baunilha no quesito fidelidade. Eu pelo menos não soube de casos onde o submisso tivesse traído o seu TOP, assim como acontecem em relações baunilhas... Esse mundo é amplo, mas ao mesmo tempo extremamente pequeno, onde as pessoas se conhecem, mesmo que sejam apenas por codinomes. Então, se algo assim acontece no meio, é rapidamente difundido para que outros não "sofram" com isso. É muito comum vermos em listas, ou até mesmo em salas de bate papo, pessoas avisando sobre um determinado Dominador ou submisso, então, por conta disso, penso que as intrigas sejam bem menores...

SR ÁSGARЮ www.srasgard.com.br

Meninos e meninas, alguém aí já ouviu falar do Dominna?

O Dominna é um bar temático da grande São Paulo, considerado o templo do BDSM no Brasil, quiçá da América Latina. É freqüentado por pessoas que têm algo em comum: o gosto pelo BDSM. Não é uma casa onde há exibições ou se precise ir vestido a caráter, para quem passa na porta, é um barzinho como outro qualquer, no qual qualquer pessoa pode entrar sem sustos.

O bar mudou de endereço recentemente, para atender melhor ao público. No endereço antigo, a chamada "Casa Amarela", havia na parte inferior o que é chamado de "Dungeon" ou masmorra, aonde se realizam as sessões de BDSM. A Dungeon é uma sala toda preparada, repleta de aparelhos "SM", para que os sócios do bar (ou clube como chamam os frequentadores) pudessem usá-lo com seus escravos.

"Quando entrei, fiquei vidrado, estupefato, pois nunca tinha visto tanto material de SM reunido num único lugar. Depois fiquei sabendo que a Dungeon do Dominna é a mais completa (ou uma das) da América Latina". (SENHOR ÁSGARD)

Na Dungeon do Clube Dominna encontra-se:

*uma variedade enorme de chicotes e chibatas, dos mais diversos tipos, cumprimentos e modelos;

*uma cage (ou gaiola) para prender e exibir a peça (peça = escrava/escravo). Vale lembrar que "peça" dentro do contexto BDSM não é usado no sentido pejorativo da palavra e sim um termo que identifica a escrava/o;

*um tronco (sim, um tronco, ver glossário publicado na seção Sensória da Edição nº 12) com correntes e algemas para ser usando numa sessão de spanking;

*um "X". (pintado na parede, ou feito de madeira, tendo algemas nas quatro pontas, com a inscrição "Mea Culpa" na parte de cima, usado para prender a escrava/o durante uma sessão de spanking);

*uma cama (ou maca) para imobilização com cordas da escrava/o para ser usado numa sessão de velas e/ou agulhas;

*um cavalete para ser usado em sessões de inversão (homem no lugar de mulher e vice e versa);

*uma estrutura de madeira, com correntes, algemas e roldanas, usadas para fazer suspensão. Normalmente usada depois de "aplicar" uma sessão de bondage ou shibari na escrava/o.

*vários banquinhos com pregos ou tachinhas, para ser usado como castigo e tortura às/aos escravas/os."

O Clube Dominna acolhe desde os praticantes mais radicais do BDSM aos mais sutis. Tem espaço para os adeptos de velas e palmadas, e também para os que preferem as práticas mais drásticas como o trampling (ver edição 12, Sensória).

Quer saber mais sobre ele? Acesse www.clubedominna.com.

 
 
Imagens Fonte:www.clubedominna.com  


Veja mais artigos relacionados ao mundo BDSM em:
Observações do Mundo BDSM

Dicionário de práticas, instrumentos e curiosidades

 

Edição 13

Roteiro de Viagem - Observações do Mundo BDSM

por Lívia Santana

Meus queridos leitores sejam bem vindos. O nosso destino de hoje é o Universo BDSM, serei a sua humilde guia - portanto tenham paciência! Vamos começar do princípio...


Stanton - The Return of the Gwendoline (1976)

O que é o BDSM?

B de BONDAGE, D de DISCIPLINA, S de SADISMO e M de MASOQUISMO. Você lê essas duas últimas palavras e pensa "Opa, isso é coisa de pervertido!!"? Pois saiba que não é não. As práticas sadomasoquistas não são o principal no BDSM e sim as relações de dominação e submissão através das quais muitos descobrem a verdadeira sexualidade e conhecem o prazer. O mais importante é obedecer ao SSC: Seguro, Sadio e Consensual. Todas as práticas devem ser combinadas e os limites de cada um devem ser preservados a todo custo. No BDSM existem classes determinadas de praticantes: os DOMINADORES e os submissos (não repare, escreve-se assim mesmo, um em maiúsculas e o outro em minúsculas) e são as relações entre eles que tornam este Universo tão ímpar. Sim, existem aqueles que só alcançam o prazer sentindo ou infligindo dores, mas a maioria está ali pela entrega, pela profundidade do vínculo criado numa relação de dominação.

Qual o papel de uns e outros na história?

Os Dominadores (as mulheres são chamadas Dommes) são aqueles que estão no controle da situação. Devem ser responsáveis e conscientes de que existe uma pessoa sob o seu comando e sob a sua proteção. O Dominador dá ordens, faz exigências, aplica castigos e dá amor em grandes doses. Os submissos ou submissas são aqueles que se entregam, se colocam à disposição do Dominador. Eles vinculam a obtenção do prazer à satisfação que proporcionam aos seus senhores, o que os estimula é a idéia de sentir-se dominados. Um submisso tem por meta agradar ao Dominador, o qual só possui razão de ser se tiver o escravo a quem dominar. Então é uma questão mais ou menos de "quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?", ou seja, um só existe por causa do outro e vice e versa.

Mas esse negócio de dependência não é doentio?

Bem, aí está uma questão interessante, e é possível respondê-la observando que no meio BDSM existe diferenciação entre "submissão" e "dependência". Para que haja a submissão é preciso um fator imprescindível: a concordância, o consenso entre as partes. Portanto, aqueles que se entregam, o fazem cientes das implicações e principalmente, de que haverá o respeito aos seus limites. Não é uma relação de opressão, e sim de mutualismo, apenas organizada de forma a uma das partes ditar o ritmo.

Nos relacionamentos convencionais vemos sempre exemplos de dependência, quando mesmo infelizes as pessoas não se decidem a ir embora ou dizer chega. No BDSM isso não acontece, porque somente há entrega quando ambas as partes estão felizes e sintonizadas. A submissão é uma forma de amor deliberada, geralmente verificada em pessoas do sexo masculino e feminino que têm a personalidade bem delineada, bastante determinação e independência, tanto emocional quanto financeira. Submeter-se é uma escolha e não uma criação doentia do comodismo.

Para haver dominação é preciso haver tortura física?

Absolutamente não. Os relatos obtidos de praticantes do BDSM são quase unânimes em declarar que a maior dominação é puramente psicológica. Não é porque o Dominador chicoteia o submisso que ele irá se submeter, pois a submissão parte de dentro para fora. Não se pode dominar o corpo sem dominar o coração, a alma. É preciso que o submisso queira se entregar, que o Dominador o atraia e subjugue apenas pelo carisma. Veja o relato de uma praticante do BDSM sobre o assunto:

"Todo o encanto na submissão, para mim, é o psicológico. O magnetismo do Dono é o grande fator pelo qual ele se destaca entre todas as outras pessoas, e se torna especial, amado, adorado, obedecido. Meu dono é um homem maravilhoso e passa-me a força e o poder que tem apenas pelos olhos. Não precisa de nada além disso. Consegue me fazer passar das lágrimas à euforia apenas com palavras, até mesmo escritas. Reconheço nele aquele que me domina e tem direito de fazê-lo. E nunca nenhuma outra pessoa me disse o que fazer e jamais me curvei a ninguém. Ele é para mim uma revolução íntima, eis que pelo encanto dele, dominei meu gênio e fico feliz em cumprir-lhe as ordens, o que não significa que não continue batendo de frente com o resto do mundo. Ele sabe que me tem, e não precisa me amarrar aos pés dele, me impedindo de fazer nada, para garantir a minha obediência e fidelidade. Amo-o e submeto-me". (P.A. submissa)

Um relacionamento BDSM deve ser o único ou pode ser algo complementar?

É muito freqüente que adeptos do BDSM só o descubram depois de já ter algum relacionamento "baunilha" (toda relação não-SM leva essa terminologia, "baunilha") estabelecido, seja um namoro, um casamento, etc. Via de regra, o parceiro sequer imagina que isso exista e muito menos tem a fantasia de partilhar esse tipo de relação com quer que seja. E então, nesse caso, o que fazer? Separar-se e procurar outro companheiro, que tenha os mesmos anseios? Ou é possível cultivar ambos os relacionamentos, como formas de amor complementares? Essa é uma discussão realmente clássica dentro do BDSM, pois esbarra não só em questões puramente sexuais ou amorosas. Há ética em se recomendar um relacionamento BDSM à margem de um outro, "baunilha"? Percebe-se na prática, que seria esse o ideal para algumas pessoas. Veja opiniões de alguns praticantes:

"É como eu costumo dizer: ter Mestre/namorado não é ter os 'dois em um', mas sim 'metade de cada um'. Porque ninguém pode ser duas pessoas ao mesmo tempo ou saber quando a sub ou a mulher quer/precisa. Já imaginou a escrava acordar louca por uma sessão e seu Dono estar 'baunilha', querendo comer pipoca no cinema e andar de pedalinho na Lagoa? Que frustração entediante, hein? E ao contrário? A mulher acordar super romântica, precisando de um dengo baunilha daqueles de fotonovela e dar de cara com o Mestre em furor sádico? Não é melhor ela ter realmente OS DOIS? E saber a qual procurar quando souber o que precisa? Além disso, baunilha e BDSM são em muitas coisas incompatíveis, e a experiência do Mestre/namorado sempre acaba por destacar um dos dois sem nunca chegar a plenitude de nenhum dos dois... Em suma, é sempre ter tudo pela metade. Em Tempo: Ser Mestre e Dono não é só ser dominador e/ou sádico. Ser Dono engloba muitas das qualidades do namorado, como a amizade, cumplicidade e companheirismo, em níveis que a mulher nem mesmo consegue no baunilha. Porque para o Dono não é preciso vergonha, falso moralismo o 'manter a moral e aparência', propiciando uma cumplicidade, sinceridade e confiança que muitas vezes não se pode arriscar no baunilha".(J. Dominador)

"Ou existe entrega total ou não existe. Não dá pra ficar meio aqui com um e meio aqui com outro. Mas o assunto é complexo. E, principalmente, temos que respeitar todos os pensamentos e forma de vida. Entendo que se uma pessoa é feliz no seu casamento, e procura outra pessoa pra realizar seus fetiches, me questiono, que tipo de relacionamento feliz é esse em que se precisa de uma terceira pessoa pra ser verdadeiro e abrir realmente sua alma e seus desejos mais íntimos? E, pior, que tipo de relacionamento feliz é esse que se precisa de uma terceira pessoa para realizar-se? Será que isso não seria uma separação da pessoa como se ela fosse uma máquina? Com esta pessoa, tenho carinho, com esta tenho filhos, com esta tenho sexo. Ah, não estou julgando ninguém não, por favor, não me entendam mal, mas acho que existe ainda muito preconceito em acreditar que uma única pessoa não pode ser o pacote completo. E digo isso, pq ainda existem pessoas que vêem mulher (homem) para casar e mulher (homem) para transar. Isso é pré-histórico. Que cada um seja feliz a sua maneira, mas para mim não serve".(M. submissa)

"Nem toda relação pode ser legítima. Se eu até ontem ignorava a existência do BDSM, a maioria das pessoas também demorou um bom tempo. E o que fazer se você se descobre submissa ou Dominador quando a vida já está comprometida? Casamento, filhos, compromissos, etc? Sua parceira ou parceiro não admite a prática. O que fazer? Abster-se? Separar-se? Levar uma relação paralela? Como julgar o que é certo ou errado? Claro, o desejável seria mesmo conseguir conciliar a relação SM e a legitimidade, mas nem sempre é possível. Então se conhece alguém, se envolve, mas a relação nasceu paralela e assim vai permanecer. Você nunca poderá dar exclusividade e pronto. No meu caso, meu Dono é casado. Amo-o menos por isso? Não. Eu o conheci assim, nos envolvemos com consciência de causa. Mas é possível que, vivendo em mundos diferentes, separados por centenas de quilômetros, eu possa ser apenas dele, anulando todas as minhas necessidades? Acho muito difícil. E até ele mesmo, poderá ter outras submissas? Eu creio que sim. Nada do que nós temos depende dos outros. É único e especial. Quando estamos juntos, nada do que fica lá fora interessa. Podemos nos pertencer, mesmo que haja outros compromissos em nossas vidas. Amo-o e desejo ser dele. Não quero que ele renuncie a nada por minha causa, que faça sacrifício algum por mim. Apenas que me deixe amá-lo. E mesmo que ser submissa implique em curvar-se à vontade e aos caprichos do Senhor, não creio que ele me exija algo que não seja justo. Confio no julgamento dele" (P.A. submissa)

Há rituais no BDSM?

O que torna o BDSM único é a liturgia. Os participantes têm seus papéis a representar e seus determinados comportamentos a seguir. Tons de voz, posicionamento corporal, palavras-código, iluminação, instrumentos, acessórios, nomes fictícios, etc, tudo colabora para a composição do clima. Seria então o BDSM um teatro, um faz-de-conta?

Nada disso. Sim, o BDSM tem muito de fantasia, de alegoria, mas trabalha com emoções reais e nada tem de mentiroso. Aliás, ao contrário, como a relação é de entrega irrestrita, a autenticidade é ainda maior. Durante uma sessão de BDSM é muito comum usar velas para a iluminação do ambiente, óleos aromáticos para massagens, coleiras de sessão com argolas para se prender a guia, algemas, cordas de seda e lenços para imobilizar o submisso, vendas para os olhos, chicotes, chibatas e outros acessórios para o spanking. Além disso, há Dominadores que exigem que seu submisso não o encare, mantenha sempre os olhos baixos, que o chame sempre de "Mestre" ou "Senhor", que fale apenas quando permitido, que fique prostrado aos pés do Dono, que goze apenas quando autorizado. Dominadores dão ordens sobre a vestimenta e o comportamento dos submissos, os quais devem pedir autorização para tudo o que forem fazer, seja no plano real ou no virtual. Não há limites para as possibilidades, depende apenas da imaginação do Dominador, que é quem dita o ritmo e o rumo da sessão. Sobre isso, veja o que diz um defensor da liturgia:

"O entendimento da liturgia vai de cada um, não podemos esquecer que cada Dominador é Senhor de seu mundo e, havendo consensualidade, em seu mundo pode tudo. Em meu mundo a liturgia é fundamental por trazer não somente o falar, mas o se comportar e procedimentos padronizados para ações padronizadas e, ao contrário do que se pode pensar, o submisso - e Dominador - não viram um robô a mercê de ações pré-definidas, pelo contrário, justamente por saber ate onde se pode ir é que tem-se total liberdade para explorar o universo daquela ação. A ritualista que está na liturgia emociona, encanta e possibilita uma melhor e mais profunda imersão num mundo fora de outros mundos, por isso e não somente por isso, creio, penso, aceito e entendo a liturgia como algo fundamental àqueles que desejam, apreciam e buscam uma maior imersão neste novo pensar". (S.G. Dominador).

E quanto a questões como ciúmes ou fidelidade?

Essa é uma questão delicada, pois no BDSM, o Dominador tem a prerrogativa de ter quantos escravos lhe aprouver, o que acarreta alguns conflitos. Pela regra da consensualidade, os submissos devem ter conhecimento prévio da possibilidade de haver um outro escravizado ao mesmo Senhor. Havendo discordância quanto a isso, deve ser feito um acordo expresso, pelo qual o Dominador se compromete a não se relacionar com outro submisso durante aquele relacionamento.

No entanto, quando isso não acontece, surgem os problemas. Os Dominadores têm essa prerrogativa, isso é fato. Mas os submissos não têm que aceitar tudo o que os Dominadores quiserem, não é uma relação despótica. Claro, devem levar em conta que, se houve a entrega, parte-se do pressuposto de que existe a confiança no bom senso e nos critérios do Dominador, o que seria motivo para aceitar caso Ele quisesse "encoleirar" um outro submisso durante a relação.

Mas os ciúmes não são exclusivos de "baunilhas" ou submissos, sendo inerentes aos seres humanos. Havendo descontentamento do submisso em relação ao comportamento do Dominador, há duas hipóteses: ou falar ao Dominador claramente - antes de qualquer coisa, são amantes muito íntimos - ou desistir da relação e entregar a coleira. Há Dominadores que têm até cinco escravos e as opiniões sobre isso são variadas:

"É uma prerrogativa do Dominador ter quantas submissas Ele quiser. O que acho que acontece é exatamente uma insegurança muito grande da parte da sub, que tem medo de perder seu lugar por causa da outra. Mas não pensa que é como um pai, que tem mais de um filho e ama a todos. Á única coisa que acho é que ele tem de dar a elas a mesma atenção. Bem da forma que o islamismo trata as muitas esposas de um crente. Ele pode, se tiver condições de dar o mesmo para todas". (J. submissa)

"Acho normal um Dom querer outra submissa, afinal é um direito dele. Não teria nenhum problema se tivesse um Dom e ele quisesse ter outra submissa" (M. submissa).

"Aceitar esta coisa de harém, ter que conviver com as chamadas irmãs de coleira, esta situação eu jamais vou concordar. Acho que a fidelidade é uma coisa que deve ser muito viva num relacionamento e se este for realmente o desejo dele como já foi um dia, a minha condição é 'Estou fora'. E vendo por um outro ângulo existe um fator mais preocupante ainda, quer dizer: Vou viver um relacionamento onde o dono pode ter quantas escravas quiser, ter relação sexual com todas elas e eu vou ficar exposta a qualquer tipo de doença? Gente amo o Meu Dono, mas ainda amo muito mais a minha vida" (B. submissa).

"Se Meu Senhor quer ter outra escrava a única coisa que tenho a fazer é aceitar. Ciúmes, eu tenho, não nego... Mas, o prazer do Meu Dono e a minha submissão são infinitamente mais importantes do que meus ciúmes. Portanto, deito os ciúmes goela abaixo e me inspiro nos versos de Florbela Espanca" (A. submissa).

"Penso que só é possível me entregar a quem eu admire e em quem confie irrestritamente. Para isso, preciso conhecê-lo muito bem e saber do que Ele gosta, o que deseja, do que é capaz. Tendo feito isso, estabelece-se um laço de cumplicidade doce e inequívoca, baseado no qual tudo é possível, pois sei que Ele sempre prezará a nossa relação e sempre zelará por ela. Posso então fechar os olhos e estar segura que não é apenas a felicidade Dele que conta, porque Ele pensa em mim também. E nada do que Ele fizer pode ser ruim para nós, porque foi uma decisão baseada em bom senso, sensatez, integridade, amor, respeito e inteligência. Então, que seja feita a vontade Dele, pois me submeto a ela com prazer. Além disso, outra submissa pode ser uma amiga querida, não preciso sentir ciúmes dela, desde que a postura dela seja a mesma da minha" (P.A. submissa).

As pessoas sempre sabem se são Dominadoras ou submissas?

Não. No BDSM existem duas terminologias para essas pessoas: os switcher e os turistas. Os primeiros são aqueles que se sentem bem em ambas posições, tanto Dominador quanto submisso, podendo ser ora Um, ora outro, conforme o contexto do relacionamento. Podem inclusive ser Donos de um submisso e serem submissos a um outro Dominador ao mesmo tempo. Os turistas são aqueles que apenas passeiam pelo BDSM, sem assumirem postura nenhuma, são apenas simpatizantes.

Como dá para ver, o BDSM é um assunto muito extenso e complexo, que desenvolverei com maiores detalhes nas próximas edições.

Lívia Santana.

 

Edição 12

DICIONÁRIO DE PRÁTICAS, INSTRUMENTOS E CURIOSIDADES

por Lívia Santana

Ufa, lá vou eu de novo encarnar a intrépida repórter-colunista... Estou preparando um "Especial" especialíssimo pra semana que vem, e você nem faz idéia das pessoas com quem tenho falado! Vai ser um arraso, e mais que isso não conto, que é surpresa absoluta. Mas, pra ninguém dizer que eu sou malvada (pisc), vou dar uma dica: o dicionário de termos e curiosidades abaixo revela bastante sobre a linha da próxima matéria. Então trate de ler tudo, para sentir o gostinho do que vem por aí e não ficar "voando" na semana que vem!


Toni Ungerer - The Fornicon (1969)

Falando sobre sexo e "adjacências", já escutou alguma expressão que não sabia o que significava? Tenho certeza que sim. E fez o que? Ficou olhando sem entender nada? Calçou a cara e perguntou o que era, torcendo pra resposta não ser muito cabeluda? Sorriu amarelo e lascou um "Claro que já fiz, muitas vezes!" e depois não entendeu o ar assombrado dos interlocutores? Pois é, acho que todos já passamos por algo assim, não? Então resolvi elaborar um dicionário esclarecendo o que significam alguns dos termos usados por aqueles que extrapolaram e muito o famigerado "papai e mamãe".


A
Algolagnia - Trata-se de transformar a dor em prazer sexual. Um sinônimo para sadomasoquismo.

Aproveita essa quando quiser falar bonito.

Anallingus - Palavra de origem latina para exprimir o sexo oral anal. É o mesmo que "rimming" para os americanos.

Latim é mais chique ainda...Veja "coitus interruptus", por exemplo. Nem parece uma coisa tão chata quanto interromper o ato sexual antes da ejaculação para evitar a gravidez, certo?

Asfixia - Já falamos dessa prática na edição 10, lembra-se? É a prática de restrição de ar ou do fluxo sangüíneo amplificando a sensação do orgasmo. Muito perigosa, podendo ocasionar a morte.

Cuidado, não faça isso em casa sem supervisão!

B
Bondage (Imobilização) - O Bondage é uma arte. Envolve na maior parte das vezes cordas e amarrações elaboradas, com o intuito de imobilizar o parceiro, deixando-o à mercê do outro. Remete às práticas de escravização. Também abrange imobilização com lenços, algemas de couro ou metal, tornozeleiras, "spread bars" (barras de alargamento que servem para manter pernas e braços abertos visando à imobilização do parceiro). Estar fisicamente imobilizado, quando feito de forma consensual, permite que os adeptos possam expressar sua sexualidade livremente, o que talvez, de outro modo, não seriam capazes em virtude de questões morais ou de educação. Bondage pode ser também visto como a transferência da responsabilidade para quem coordena a ação.

Body Modification - Qualquer atividade de modificação ou ornamentação do corpo como ritual erótico, decorativo ou de fetiche. Comumente incluem tatuagem, piercing, branding e cortes superficiais.

Haja tesão para encarar uma agulha ou uma faca, né não?

Butt Plug - Objeto em forma de pênis, mas com um estreitamento na base, próprio para ser inserido no ânus. Normalmente de látex ou borracha. Alguns podem vibrar ou expelir líquidos. Podem ser usados para "treinamento anal", que significa a preparação do ânus para "ser usado" sexualmente, durante uma ou duas semanas, através de exercícios de alargamento, nos quais usa-se o "butt plug". Tem gente que anda com esse instrumento pela rua, sob a roupa, com naturalidade.

Você consegue?

C
Cage - (Do inglês: gaiola) Podem ser de metal ou madeira, mas devem ser grandes o suficiente para acomodar uma pessoa.

Certifique-se de que o parceiro não é claustrofóbico - como a intrépida colunista que vos fala - antes de colocá-lo dentro duma coisa dessas, ou o final da aventura pode ser cômico, se não trágico.

Cane - Uma vara de bambu ou rattan, que geralmente tem entre 30 e 60 centímetros de comprimento. Muito utilizada pelos ingleses durante sua permanência na Índia, como instrumento de disciplina.

Ai, ai, ai...

Cat o' Nine Tail - (Do inglês: gato de nove caudas) Termo originalmente usado para se referir a um chicote usado pela marinha britânica em punições à bordo de seus navios de guerra. Atualmente usado para referir-se a chicotes com muitas pontas.

Como se não bastasse uma só ponta, né?

CBT - Cock and Ball Torture - (Do inglês: Tortura de Bola e Pau) Prática para maltratar os homens. Consiste em se aplicar jogos de tortura na região genital masculina. Basicamente se usam "clamps", cintos de castidade para pênis, pesos, etc.

Se um homem topa deixá-la fazer isso, ele deve amá-la muito!!

Chibata - Peça composta de um cabo e uma haste semiflexível, normalmente utilizada para montaria. Consegue-se bastante precisão no spanking.

Não castigue a montaria, cuidado com a Sociedade Protetora dos Animais!

Chicote - Composto de um cabo, uma única longa tira de couro, podendo ter na ponta um pedaço triangular de couro. É o instrumento usado pelos domadores de feras nos circos.

Aqui também, não é porque não se monta em feras que elas podem ser maltratadas!

Cinto de Castidade - Aparelho fechado por cadeado ou outro dispositivo que outrora as mulheres usavam, principalmente na idade média, com a finalidade de impedir as relações sexuais. Os cintos usados atualmente são de couro ou um metal não oxidante e visam a impedir o contato sexual. Para as mulheres ele bloqueia a entrada, para os homens existe um aparelho que envolve o pênis e torna a ereção extremamente dolorosa.

Esse artigo pode ser muito útil...

Chuva Dourada - Também chamada "Golden Shower", consiste numa técnica de humilhação, em que um parceiro urina no corpo do outro. Há relatos de excitação genuína de pessoas que gostam do contato e da sensação da urina do outro sobre a pele.

Bem, vai me desculpar o comentário tendencioso, mas... Eca.

Chuva Marrom - Ato de defecar no parceiro. Deve-se notar que as fezes contem inúmeras bactérias e germes nocivos á saúde.

Aliás, mau gosto é brincadeira, né? Eca elevado ao cubo.

Clamp - São prendedores usados em mamilos, lábios vaginais, escroto, e qualquer outro lugar que doa. Acessório comum em cenas de sadomasoquismo. Pode ter molas para aumentar ou diminuir a pressão, pode ter ganchos para se pendurar pesos ou correntes. Normalmente fabricados de plástico ou metal.

E você pensava que já tinha visto de tudo, não?

Coleira - Uma coleira é posta ou dada em um relacionamento como um profundo símbolo de entrega. O encoleirado é considerado como propriedade daquele que lhe dá a coleira. Geralmente é um artefato de couro, contendo as iniciais daquele que "possui" o encoleirado. Pode ser usado também como equipamento em uma imobilização.

Essa é uma coisa razoavelmente comum. Quem nunca conheceu alguém que pertencesse a outro, mesmo sem o símbolo ostensivo?

Consensual - Atividades ou comportamentos acordados e de conhecimento de todos os que estão envolvidos. A consensualidade verdadeira exige que todos os participantes envolvidos tenham um mínimo de conhecimento do que vai ser feito e como vai ser feito, e tenham conhecimento dos possíveis riscos. Não basta dizer, por exemplo, "vou te amarrar". Tem de existir de ambas as partes o conhecimento de como fazê-lo, controlando os possíveis riscos e controlando todos os aspectos envolvidos. Sejam técnicos, teóricos, práticos ou psicológicos.

Ah, fossem todas as relações humanas baseadas em consensualidade!!

Contrato - Um acordo escrito e formal entre as partes definindo direitos e obrigações de cada um. Estes contratos não têm qualquer valor jurídico, mas algumas vezes são utilizados para definir relacionamentos.

Não deve dar muito certo, levando em conta o número de inadimplentes que há por aí!!

Crossdressing - Ato de se vestir um homem de mulher ou mulher de homem. Mais comum entre homens do que entre mulheres, talvez por causas sociológicas. Em alguns grupos o homem assume verdadeiramente o papel de mulher, inclusive servindo sexualmente.

O que prova que não há limites para a imaginação...

D
Dogwoman - (Do inglês: "dogwoman" - mulher cachorro) Ato de submissão em que o parceiro comporta-se como cachorro ou cadela. Deve comer em uma terrina, dormir aos pés da cama do dono, assumir posições previamente treinadas, etc. A prática de dogwoman requer adestramento como um cachorro/cadela.

E muito controle para não dar risada durante o treinamento!

E
Eletroestimulação - A eletroestimulação não é a aplicação de choques elétricos e sim a possibilidade de dar ao parceiro estímulo externo completamente diferente, atuando profundamente no corpo. Esta prática requer conhecimentos de anatomia e eletricidade para se alcançar todo o potencial existente. Pode-se, segundo depoimentos de aficcionados, conseguir a estimulação involuntária de nervos e músculos no corpo, gerando desde uma simples sensação de "formigamento" até seguidos orgasmos. Existem aparelhos específicos para esta prática que limitam a corrente utilizada e advertem claramente em seu manual de instruções que toda e qualquer atividade com eletroestimulação deve ser feita da cintura para baixo. Esta prática é proibida aos portadores de marca-passo, cardiopatas e pessoas que sofrem de epilepsia. Também é desaconselhada para pessoas que têm "piercings" no corpo.

Sem comentários...

Enema - Ato de se inserir no ânus determinada quantidade de líquido, visando a humilhação, quebra de resistência psicológica ou preparo para o sexo anal. Também existe a palavra pouco utilizada "clister", em português, ou "klistier", em alemão, para designar enemas.

Se é pra deixar limpinho, por que não?

Escarificação - A escarificação é o ato de provocar pequenas cicatrizes na pele com instrumentos cortantes, lixas, ou materiais abrasivos. Os cortes são superficiais e podem ter formas geométricas, letras, etc. Como há sangramento, o risco de transmissão de doenças é grande. É mais comum a auto-escarificação e existem sites na Internet dedicados a esta modalidade, que está ganhando espaço entre culturas alternativas. Socialmente encontrada em tribos africanas, algumas culturas da Polinésia e Oceania, são símbolos ritualísticos de passagem ou, na África, denotam o status marital de uma mulher.

Sem comentários II, a missão.

Espéculo Vaginal - Instrumento médico usado para se examinar a vagina, dilatando-a mecanicamente. Usado em práticas de exposição e jogos médicos. São feitos de plástico e descartáveis. Requer uma certa técnica a introdução de um espéculo na vagina.

Imagina o estrago que não pode fazer um espéculo na mão de quem não tenha essa técnica???

F
Fist Fucking - Do inglês: Fist: punho + Fucking (meter, na gíria). Consiste na introdução da mão (punho) na vagina ou ânus. Tem mais adeptos dentro da comunidade gay, mas não está associada á práticas homossexuais. Inicialmente, introduz-se vagarosamente os dedos, até conseguir um relaxamento muscular do parceiro(a). Deve existir uma grande cumplicidade entre as partes para esta atividade. Fisting requer tempo, atenção, cuidado e carinho. Com a lubrificação adequada, fisting não é necessariamente uma experiência dolorosa. De qualquer maneira, é consenso que a prática do fisting não é utilizada para causar dor e sim prazer no(a) parceiro(a) como uma forma intensa de penetração. Praticantes de Fist Fucking dizem que esta é uma atividade sensorialmente profunda, tanto para quem está recebendo como para quem está conduzindo. O fisting tem inúmeros componentes psicológicos: Pode remeter à uma sensação de violação, humilhação ou abandono. O punho é um símbolo de poder, literalmente. A introdução do punho dentro do corpo de um ser humano tem um enorme impacto tanto emocional quanto sexual, pois diferente de objetos artificiais (vibradores, butt plugs, etc.) a destreza e o movimento da mão provoca uma sensação única. Lembramos que a introdução de qualquer coisa no ânus/reto é uma atividade de alto risco, que pode resultar em hemorragia.

Perdoem-me pela linguagem, mas puta que pariu!

G
Gag, Gag Ball - Instrumentos que são inseridos na boca para evitar que o parceiro possa falar. Pode ter a forma de bola, freio; podem ser rígidas ou moles. Não se deve usar as Gag balls que possuem balão de inflar, pois podem induzir a um sufocamento. Deve-se também, ao se usar gag balls, convencionar uma "safe word" que possa ser entendida pelo dominador(a), como, por exemplo: batidas com as mãos ou pés, movimento de cabeça, ou algo similar, visando preservar a segurança da situação.

Mais uma vez, certifique-se que o parceiro não é claustrofóbico, porque só de escrever isso eu estou passando mal!!

K
Kaviar - Gíria na língua alemã para designar fezes entre os apreciadores de coprofagia.

Sem comentários III, a vingança.

M
Masoquismo - O gosto erótico pela dor, humilhação em ser dominado(a). Algumas vezes o termo é usado para designar a pessoa que gosta de dor mais intensa, ou que tem prazer em atividades que causem maior nível de dor.

Um tapinha não dói, mas devagar com o andor que o santo é de barro!

Mumificação - Prática de se imobilizar o parceiro, enrolando o corpo deste com ataduras, plástico, filme de PVC transparente ou congênere, impossibilitando qualquer movimento. Cuidado especial deve ser tomado para se evitar asfixia. Algumas vezes a prática de mumificação induz o parceiro a um estado eroticamente alterado de consciência, provocando um mergulho no interior de si mesmo.

Tá, agora conta outra!! Ai, minha claustrofobia!!

P
Palmatória - Pedaço de madeira ou borracha, pesada, às vezes furada, similar a uma raquete de pingue-pongue, mas ligeiramente afilada, utilizada para spanking.

Os professores modernos sentem uma saudade delas!!

Pelourinho - Coluna de pedra ou madeira com argolas na parte superior para fixação de cordas ou algemas. Existem alguns modelos com argolas para fixação de tornozeleiras. Inicialmente usado para castigar ou imobilizar escravos.

Esse eu até achei interessante...

Ponyboy ou Ponygirl - Da mesma forma que o "dogwoman", é a prática em que o parceiro é treinado para agir e se comportar como um cavalo ou égua. Existem roupas e acessórios para ponyboys e ponygirls.

Fala sério...

R
Rimming - É o sexo oral no ânus. Ato de lamber ou beijar o ânus.

Prefira o latim, anallingus, ao inglês, é muito mais chique...rs

S
Shibari - (Do Japonês: "Shibari" - amarrar) Termo genérico utilizado atualmente para designar o bondage japonês. É uma técnica de bondage extremamente estética, originária no Japão feudal, com profundas raízes na cultura Japonesa. Cada clã medieval japonês possuía sua própria técnica que era zelosamente guardada. Inicialmente era utilizada como forma de imobilização, castigo e punição aos prisioneiros. O Shibari era aplicado pela polícia local e pelos samurais com dois objetivos principais: imobilizar a vítima e coloca-la em uma postura de submissão e humilhação. Teve uma revalorização erótica á partir de 1960. No Japão é formalmente conhecida como "Kinbaku-bi" e existem teatros especializados onde se pode, mediante pagamento de ingresso, assistir a um espetáculo de shibari. Os mestres de Shibari japonês são muito respeitados. A mulher japonesa que é submetida ao shibari recebe o nome de "Dorei" - (Ver:- Dorei)

Quem disse que sexo e cultura não podem andar juntos??

Spanking - Nome utilizado para o ato de bater, notadamente na região das nádegas. Não se pode confundir o spanking com o ato da violência física. São situações diametralmente opostas. O spanking visa o prazer mútuo e é uma forma de se potencializar o desejo. Necessário fazer uma ressalva aqui, que em algumas culturas orientais, o ato de bater para estimular sensualmente é amplamente aceito e difundido, basta consultar o Kama Sutra No Brasil, o spanking engloba o ato de bater com as mãos, chicote, vara, chinelo ou palmatória. Nos Estados unidos e Europa, há uma distinção entre o Spanking, Whipping e "Canning". "Whipping" é qualquer atividade que envolva chicotes e Canning, que envolva varas. (bambu, rattan, etc.). Pratica-se o spanking de várias formas. Com a mão, aplicando-se palmadas, onde não é a força que importa, mas sim o ritmo e a constância; e com chicotes dos mais variados tipos, chibatas, chinelos, etc. Mas não com varas. Canning não é spanking. A prática de se bater com uma vara é extremamente perigosa e pode provocar sérias lesões internas. Raramente utilizada como forma de castigo severo. É consenso que o rosto e pescoço são áreas proibidas para spanking em virtude da quantidade de tecidos e órgãos que podem ser facilmente lesados. A maior parte das pessoas que gostam de punições corporais incluem o spanking em suas atividades. Uma cena de spanking começa com um "jogo" real ou imaginário de punição por alguma falta ou ato cometido. É usado para aumentar a sensação de vulnerabilidade física do parceiro. Muitos fatores são importantes nessa prática, como a autoridade daquele que bate, coerção erótica, humilhação e representação da figura paterna, que podem despertar mecanismos de prazer no parceiro que se submete.

Eu não disse que um tapinha não dói?

Sucção - Sucção da pele ou de órgãos genitais, realizado com o auxílio de bomba de vácuo manual ou eletro-mecânica. Pequenos copos de vidro ou plástico, conectados por tubos plásticos e aplicados aos seios, genitais femininos ou masculinos. Pela diferença de pressão, provoca-se o "inchaço" da região onde é aplicado. Se utilizado com muita pressão, deixa marcas circulares roxas. A medicina chinesa utiliza uma técnica similar.

E eu que pensava que sucção, no que diz respeito a sexo, se fazia com a boca!!

Suspensão - Técnica de imobilização onde o peso do parceiro é totalmente ou parcialmente suspenso por algemas e tornozeleiras especiais. Não se faz suspensão só com cordas ou algemas ou tornozeleiras comuns. Esta prática requer cuidados especiais com o equipamento, fixação, tempo de permanência em suspensão e posição.

Ah, claro, vamos manter tudo no terreno seguro!

T
Tickling - Pratica aparentemente inocente, mas utilizada milenarmente pelos chineses como tortura menor. O tickling é o ato de se aplicar cócegas e beliscões em alguém, perturbando-o psicologicamente e, depois de um tempo, estimulando-o sexualmente. Via de regra o tickling é feito com o parceiro imobilizado para evitar fugas ou movimentos involuntários bruscos. Usam-se as mãos, penas, pequenos "rastelos", ou qualquer coisa que provoque cócegas. Se aplicado por muito tempo pode ocasionar incontinência urinária, o popular "urinar nas calças de tanto rir". Excluindo-se o nervosismo inicial, uma sessão de tickling libera uma quantidade considerável de endorfinas no cérebro. É comum o parceiro sentir uma mistura de sensações de bem estar e esgotamento físico depois de uma sessão de tickling. Entretanto, uma sessão prolongada de cócegas pode ser extremamente perigosa.

E viva as gargalhadas!!

Tortura Genital - O princípio básico da tortura genital é provocar sensações profundas e intensas diretamente nas zonas erógenas do corpo. A intensidade e as atividades variam de pessoa para pessoa e de prática para prática, devendo existir um grande cuidado dos praticantes para que não se ultrapasse o ponto onde a dor deixa de estar associada ao prazer. A área genital e os mamilos estão sujeitos a danos irreversíveis mesmo sob "castigos" moderados e os praticantes são muito cautelosos neste tipo de atividade. Pode-se usar gelo, velas (parafina), prendedores, pesos e uma infinidade de equipamentos para se praticar a tortura genital.

Sejam bonzinhos, carrascos, os danos podem ser irreversíveis...


Trampling - É o ato de ser pisado pelo parceiro descalço ou com sapatos. Mais comumente observado no fetiche por pés. O risco do trampling é a pressão exercida por saltos altos muito finos, concentrando o peso do corpo numa área muito pequena. Novamente, cabeça, pescoço, plexo solar, e região genital são proibidos segundo relatos dos praticantes. Admite-se o trampling na região genital, desde que feito sem sapatos, e dentro da tríade do S.S.C., o conceito de segurança é duplamente observado. Um trampling na região genital masculina pode causar sérias lesões e, até mesmo, a perda das gônadas. Trampling no pescoço invariavelmente conduz a morte.

Peraí...SALTOS????

V
Velas - Cera - Prática em que a parafina de uma vela é gotejada no corpo do parceiro. Deve-se evitar derramar parafina muito de perto, bem como não se utilizar velas coloridas, porque o corante da parafina aumenta o ponto de liquefação da mesma. Velas coloridas, aromatizadas e similares, podem ocasionar queimaduras sérias.

Essa é mais interessante...nada como essas coisinhas leves...


Leu tudo? Entendeu? Ficou de cabelo em pé como eu? Gostou? Então se prepare para a próxima parte, na edição 13.

 

Edição 11

POMPOARISMO

por Lívia Santana

Quem já não desejou surpreender o parceiro com alguma coisa inusitada, ou mesmo encontrar algo que pudesse tornar a prática sexual mais prazerosa? Bem, eu sei que eu já. Por isso achei interessante procurar práticas que possam enriquecer as experiências dos leitores do GéH (e por que não as minhas?), com uma série de matérias sobre o assunto. Pronto, já vi tudo, virei intrépida repórter de vez, daquelas que entram nas maiores furadas e pagam todos os micos. Mas tudo bem, é uma maneira garantida de me divertir: rindo de mim mesma.

Sugar, revirginar, ordenhar, chupitar, massagear, morder, guilhotinar, algemar. Quantos verbos sugestivos, não? Trata-se do vocabulário do pompoarismo. O pompoar surgiu na Índia há milênios (cerca de 3.000 anos) e foi transmitida de mãe para filha através dos tempos. É praticada em vários países e na Tailândia as mães ensinam suas filhas desde muito cedo.

Um parêntese: Não é à toa que eu acho a cultura ocidental de uma pobreza incrível. Imagine a diferença que há entre uma cultura em que as mães, até pouco tempo, ensinavam as filhas que sexo é sujo, que a mulher não deve sentir prazer, que deve ser feito apenas para procriar e de preferência por um buraco no lençol (!) e uma outra em que se ensina às filhas o autoconhecimento do corpo e das possibilidades dele.Tem comparação?

Já no inicio do nosso século, gueixas japonesas e prostitutas tailandesas, usavam a técnica para proporcionar maior prazer aos seus amantes. Treinavam suas vaginas com as contas de seus colares, que evoluíram para os atuais Ben-Wa.

A palavra pompoar ou pompoir traduz o controle que a mulher pode exercer sobre os seus músculos pubococcígeos treinando-os para obedecer ao seu comando. Dessa forma, elas proporcionam várias sensações ao pênis do parceiro, melhorando a performance de ambos, podendo inclusive retardar a ejaculação masculina. Com o treinamento muscular, as mulheres podem dar às suas vaginas poderes de fazer inveja a Super-Heroínas. Um poder desses é de fazer inveja à Mulher Gato e à Mulher Maravilha!...

A prática tem transformado algumas mulheres em "Senhoras do Sexo", recuperando sua auto-estima e prazer, principalmente em relações desgastadas pelo tempo. Essas novas heroínas do sexo, que buscam os segredos das capacidades musculares da sua própria vagina, sentem que além de aumentarem o seu prazer sexual, dão aos parceiros um prazer até então nunca experimentado.

Quem já não viu algum dos famosos vídeos que circulam pela internet, em que garotas tailandesas fazem malabarismos como atirar dardos, bolas, bananas, fumar e até abrir garrafas? Pois bem, imagine então o que uma vagina com os músculos treinados é capaz de fazer numa relação sexual. Aliás, não imagine agora não, senão não vai chegar até o fim do artigo!

Qualquer mulher saudável pode apreender essa técnica em poucas horas de um dia, havendo apenas a necessidade de treinamento solitário para fortalecer e agilizar o pubococcígeo, (conhecido como músculo do amor), que é o feixe de músculos dentro do qual está o canal vaginal.

O pompoarismo traz incontáveis benefícios, inclusive à área da saúde, pois ajuda na prevenção de problemas com a musculatura da pélvis, evitando cirurgias de períneo e corretiva de incontinência urinária e flacidez. Pode diminuir a cólica menstrual e, em alguns casos, eliminá-la totalmente. Evita a queda do útero e da bexiga, auxilia no parto normal - pois a mulher controla a musculatura e consegue expelir mais facilmente o bebê.

Além destes, há outros benefícios intangíveis, tais como o aumento da segurança e a elevação da auto-estima, que não raramente produzem mudanças significativas na mulher, como a maneira de andar, falar, se vestir ou olhar. Faz com que se sinta mais bonita e sensual. Encontre os seus pontos de prazer e desperte para a própria sexualidade, porque adquire conhecimento de seus órgãos genitais e controle do próprio corpo.

Hum...está decidido, vou começar já.

Imagine um orgasmo e todas as sensações deliciosas provocadas por ele. Agora imagine que essas sensações possam ser prolongadas indefinidamente através de movimentos específicos dos músculos pélvicos femininos. Não seria o paraíso? E o que está esperando?

Embora os sexólogos afirmem que apenas 15% do total de mulheres orgásticas relatam esse tipo de êxtase prolongado, são unânimes em assegurar que qualquer uma pode ter um orgasmo múltiplo, pois o mecanismo que irá desencadeá-lo está lá, basta apenas que a mulher saiba ativá-lo. "Do ponto de vista físico, todas são capazes de experimentar esse prazer em algum momento da vida".

Enquanto o orgasmo normal dura de quatro a oito segundos, o múltiplo pode totalizar vinte segundos, apresentando, em média, oito ou mais pulsações na região pélvica durante esse período. Segundos depois de uma mulher ter alcançado o clímax, a contração do útero e a dos músculos que sustentam a vagina e todas as demais sensações envolvidas durante o orgasmo (como o aumento da pressão arterial, a taquicardia, a vermelhidão da pele etc.) são repetidas uma ou mais vezes em seguida, sem que se retorne ao estágio inicial de excitação nem seja necessário um descanso antes de obter um novo orgasmo. Porém, isso só acontece se a estimulação for contínua.

Para se chegar a um orgasmo, seja ele único ou múltiplo, corpo e mente passam por um ciclo formado por quatro fases distintas. Se estiver na presença de um homem, acariciada por alguém, ou se recorde de repente de situações tremendamente excitantes e sensuais, tudo isso funciona como um gatilho que desperta a excitação feminina, fazendo com que o tecido do clitóris se torne erétil e os lábios vaginais internos e externos cresçam de volume, em razão de um maior afluxo sanguíneo.

Assim acontece na primeira fase, fundamental para que ocorra a vasodilatação que faz com que as paredes da vagina liberem fluidos lubrificantes. A umidade é um sinal específico de que a mulher está respondendo de forma física e psicológica positiva aos estímulos eróticos. É nessa primeira etapa que os mamilos ficam eretos, as auréolas se dilatam e acontece o alargamento da terça parte interior da vagina, para abrir espaço ao pênis.

Na segunda fase, a excitação se mantém elevada, chega com nitidez ao córtex cerebral e a irrigação sanguínea permanece forte. Essa etapa também é conhecida como platô, e, quanto mais prolongado for esse momento, maior será a probabilidade de se experimentar um orgasmo poderoso no momento do clímax, ou seja, a terceira fase do ciclo.

A quarta fase é o início do declínio da excitação sexual até ao descanso final. Na mulher multiorgástica, essa queda não é completa, caso continue a receber estimulação. Costuma descer até a fase do platô, para então retomar o impulso que leva a um segundo orgasmo, e assim sucessivamente até que a mulher fique cansada ou satisfeita. Para exemplificar em números, tendo 1 como a fase inicial da excitação, e 10 para a resolução final, digamos que após as primeiras contrações orgásticas, a mulher retorne para o grau 6 ou 7, atingindo novamente o 10, e assim por diante, permitindo que o nível de excitação se mova para cima e para baixo, sem entrar no período refratário.

Segundo os especialistas, as mulheres que apresentam maior probabilidade de obter orgasmos múltiplos estão entre 35 e 45 anos, embora isso nada tenha a ver com o aspecto cronológico, mas sim com o cultural e o sexual. "Em geral, aos 40 anos, já alcançaram seu pico de potência sexual, têm mais intimidade com o corpo e não sentem vergonha da própria sexualidade".

Espero que essa parte de pico de potência sexual ser alcançado apenas aos 40 não seja unânime!

Os exercícios de pompoar são recomendados por inúmeros ginecologistas por fortalecerem os músculos circunvaginais. A disciplina é fundamental e os resultados surgem num curto prazo de tempo - após três a quatro meses de exercícios já se tem amplo domínio de toda a musculatura vaginal. Com um mês de exercícios, já se sente diferença na rigidez da musculatura da vagina, consistindo a primeira etapa em descobrir os músculos a serem trabalhados.

Dicas para iniciar no pompoar:

1. Antes de iniciar os exercícios, procure um ginecologista de sua confiança e verifique se tudo está perfeito.
2. É muito importante que conheça toda sua vagina. Sinta cada detalhe, observe a reação de cada toque, pois este autoconhecimento é imprescindível para o bom desempenho do treinamento.
3. Quando estiver tomando banho introduza o dedo médio ou o indicador na vagina e contraia com força. Talvez no inicio não consiga sentir, mas depois de alguns dias de repetição sentirá uma enorme diferença.

Exercícios Básicos

Quando urinar, interrompa o fluxo e depois o solte totalmente. Faça isto somente para aprender a identificar essa musculatura e o seu primeiro anel. O ideal é praticar estes movimentos diariamente, pela manhã e à noite. Procure fazer pelo menos três séries de 15 repetições para cada um deles. É natural sentir dificuldade nas primeiras tentativas. Não desanime, os resultados positivos aparecerão logo nas primeiras semanas.

1º Exercício: Sente-se numa cadeira e apóie as mãos nas coxas. Deixe os pés paralelos e distantes 20 centímetros um do outro. Contraia os músculos da vagina como se apertasse algo dentro dela. Conte até três e relaxe. Nos dias seguintes, aumente a contagem gradativamente até chegar a dez. Variação: Contraia e relaxe os músculos rapidamente.
2º Exercício: Recoste-se na cama e deixe as pernas separadas e semiflexionadas. Insira um dos dedos na vagina e tente apertá-lo o máximo que puder. Caso não sinta nenhuma pressão, insira dois dedos. Volte a se exercitar com um dedo quando a musculatura estiver mais treinada.Variação: Tente sugar o dedo com a vagina. Conte até três antes de relaxar.
3º Exercício: Deite-se num colchonete e deixe relaxados os braços ao longo do corpo. Flexione as pernas. Essa é a posição inicial. Eleve o quadril e o dorso e fique apoiada apenas sobre os ombros e pés. Ao elevar o quadril, contraia os glúteos. Variação: Na posição inicial, contraia o ânus em três tempos, sem relaxar: primeiro levemente, em seguida mais forte e depois com toda a intensidade que conseguir. Fique assim e agora contraia também a vagina, como se segurasse alguma coisa com ela. Conte até três e solte os músculos devagar: primeiro os da vagina, depois os do ânus.

Movimentos

Revirginar: Contrair com força o músculo da entrada da vagina, impedindo ou dificultando a entrada do pênis. Recupera, para ambos, a sensação da virgindade, com a "dificuldade" da penetração.
Ordenhar: Contrair os músculos circunvaginais em seqüência, da entrada da vagina em direção ao útero.
Chupitar: Imitação dos movimentos que os bebês fazem com a boca quando estão mamando.
Sugar: O sexo oral vulgar, só que feito pela vagina.
Massagear: Movimentos alternados dos músculos, variando a intensidade de cada um.
Morder: Tem como objetivo retardar a ejaculação do homem. A mulher contrai com força o músculo vaginal bem abaixo da glande do homem.
Guilhotina: Uma "mordida" com força.
Algemar: Contrair a vagina, praticamente impedindo a saída do pênis.
Expulsar: O contrário de "algemar", ou seja, expelir o pênis ou outro objeto qualquer.

São indicadas para treinar os movimentos de sucção, expulsão e fortalecimento dos músculos circunvaginais. Os exercícios ministrados em meus cursos ou livro, ajudará você a identificar os três feixes de músculos do canal vaginal. Cuidados necessários: Estas bolinhas devem ter peso e distância correta entre elas, ser auto-vibratórias, e de material atóxico. Obtenha orientação antes de adquirir seu acessório.
Os exercícios feitos com o vibrador são indicados para aumentar a intensidade das contrações e aumentar o domínio sobre a musculatura vaginal . Com o vibrador você poderá também medir a sua evolução e desempenho no domínio dos anéis vaginais. Da mesma forma que o Ben-Wa, existem diversos vibradores, de espessuras e materiais diferentes. Alguns são recomendados para a prática do Pompoar. Obtenha orientação antes de adquirir seu acessório. 
Pesitos cônicos para exercícios de pompoarismo, produzidos em resina especial acrílica, não tóxica.
Conjunto com 4 bolinhas de 3,5 cm de diâmetro, em PS atóxico, com bolinhas de aço no seu interior que produzem movimentos auto-vibratórios.
Uma obra que tem como objetivo realizar os sonhos de mulheres e homens, pois a técnica do pompoar, além de ser muito saudável, proporciona imenso prazer a ambos. Neste livro, você encontrará tudo sobre essa formidável técnica milenar oriental. Siga à risca suas “dicas” e veja os resultados, que certamente serão os mais prazerosos possíveis. Experimente! -Stella Alves é uma das maiores autoridades em pompoarismo e ministra cursos por todo o país. 112 páginas. 21 x 14 cm. Editora Madras.

 

Edição 10

Haikais

Unhas

Rabisco o teu dorso:
garras felinas
suntuosa arma

Beleza feminina:
arte marcante
ávidas e compridas

By Géh

As garras femininas

Géssica Hellmann


As mãos são instrumentos sensuais. Devem sempre estar bem hidratadas. Massagem e hidratação são dois procedimentos que não podem ficar de fora. Unhas, além de serem consideradas o melhor cartão de visitas, bem cuidadas e afiadas podem ser utilizadas para despertar a felina dentro de cada mulher.

Garras sim. Sejam elas quadradas ou ovaladas, curtas ou compridas. Podem levar um homem à loucura, principalmente os que têm fetiche por unhas femininas. Utilize essa arma como um atrativo.É de se concordar que unhas bem feitas fazem toda a diferença nas mãos de uma mulher.

A moda atual são as unhas artísticas. A unha artística ou decorada é uma técnica de pintura que combina criatividade com arte, conferindo um toque de modernidade e beleza às unhas femininas. A partir de duas tonalidades de esmaltes já se consegue excelentes resultados. O tempo gasto para esta arte depende da agilidade da manicure.

Para as que preferem unhas postiças: gel ou fibra, acrílico e de porcelana. As primeiras são de plásticos, e apresentam o inconveniente de ter um tamanho e uma forma determinada, o que não garante que sempre se adaptem com perfeição sobre uma unha original. Gel: aplica-se camadas de gel que seca com a luz negra, e dá-se o acabamento. Fibra: aplica-se camadas de tecido, e dá-se o acabamento. As de acrílico e porcelana são as mais aconselháveis, porque permitem perfeitamente a adaptação sobre a unha, parecendo absolutamente naturais. Para aqueles que não desejam pintar as unhas sempre, existem as de acrílico com cor, que não descascam. É preciso fazer a manutenção a cada 15 dias. Estas unhas tem duração de até 6 meses.

Curiosidades:

Unhas do que são constituídas?
Constituídas de uma proteína dura, a queratina, as unhas têm como função proteger as extremidades dos dedos. Essa mesma proteína pode ser encontrada na pele e nos cabelos. Também está presente nos cascos de cavalo, nos esporões de pássaros, penas, chifres de boi e nas garras dos ursos, por exemplo.

Cuidados com alimentação para fortalecer as unhas:
Uma alimentação saudável é fundamental para se ter unhas fortes e bonitas. Uma dieta rica em proteínas e cálcio - carne, peixe, ovos, leite e derivados - é muito importante. A vitamina A também é um grande aliado nesta batalha.

Cuidados com as unhas:
- Hidratar as mãos diariamente, sem esquecer do filtro solar com fator de proteção 15. A carência de vitaminas e o estresse contribuem, e muito, para o seu enfraquecimento.
- Unhas sempre limpas e secas. Assim, você evita o aparecimento de fungos e bactérias.
- Evite cortar as cutículas. Elas protegem as unhas contra infecções e micoses. Deve-se retirar as pequenas peles em volta.
- Use material individual para corte e limpeza das unhas. Materiais infectados podem transmitir doenças como hepatite C.
- Se houver restos de esmalte, retirá-los com um bom removedor de esmalte, porque assim evita-se que as unhas se ressequem.
- No caso das unhas serem muito compridas, deve-se cortá-las com uma tesoura curva, se queremos somente retocá-las, e utilizar uma lixa.
- Antes de aplicar o esmalte escolhido, passar uma camada de base transparente fortalecedora e depois duas camadas de esmalte.


Fonte: http://www1.uol.com.br/cyberdiet/colunas/030606_bel_unhabonita.htm
Fonte: http://www.copacabanarunners.net/unhas.html

 

Edição 9

Os cremes e seus prazeres

Parte I - Entrevista


Alexei: Gostaria de conversar sobre cremes para a pele. Para o rosto, para o corpo, para as mãos. Você usa?

M
.: Uso sim... Cremes e óleos

Alexei: Ótimo. Primeira pergunta: quantos são, quais são e para que são destinados (quer dizer, qual é a finalidade escrita na embalagem)? Não precisa dizer as marcas, só as funções.

M.: Hmm... Eu uso creme hidratante (vasenol...rs) para o corpo todo... Aliado a óleo de amêndoas e de uva (alternadamente)... Hidratação, basicamente... Óleo de amêndoa nutre a pele, deixa mais macia... Mas quando a gente é nova demais, nunca se preocupa muito com essas coisas, só quando já passou da hora...rs

Alexei: Ok. Você acha que eles cumprem a função a que se destinam? Você os usa pela função ou pela sensação (tátil, olfativa) que eles produzem?

M.: Eu os uso pela sensação táctil... Minha pele é seca, se não passar nada, fica parecendo um braço de cadeira... Mas cumprem sim, sua função. Desde que usados com certa disciplina, têm ótimos efeitos.

Alexei: Certo, a função é importante, mas o motivo primário é a sensação, se entendi bem. Bom, terceira pergunta: pode descrever o que você sente quando está usando esses produtos?

M. :Uma sensação de ufanismo...rs... É como se eu me proporcionasse um carinho, cuidado... É uma cena, não sei se você entende... É comum inclusive ter a sensação de quem tem alguém observando, como se eu me exibisse... É um ritual.

Alexei: Pode desenvolver um pouquinho? Acho que sei do que você está falando, mas gostaria de esclarecer melhor a sua sensação individual.

M.: É como se eu fizesse pra agradar a alguém... Pra tornar a pele sedosa ao toque para alguém... Acho que é um pouco da gueixa... rs... É algo que me agrada, que eu faço porque sei que é necessário, mas persiste a sensação de que faço para me cuidar para alguém, pra aumentar o prazer do outro quando me tocar, quando "requisitar os meus préstimos"... Engraçado, analisando assim, é uma submissão sem dono... O "dono" varia de acordo com o momento, é claro...rs... No fim das contas, é um complemento de fantasias. Nossa, que viagem!

Alexei: Belíssima viagem! Última pergunta: você prefere aplicá-los você mesma ou que outra pessoa os aplique em você? Qual é a diferença em cada caso?

M.: Ambas as situações têm seu prazer... Geralmente, quando eu passo, é só uma fantasia leve, só imaginação... E quando o "parceiro" me passa, necessariamente acontecem outras coisas... Acho que prefiro passar eu mesma, apreciando apenas o ato em si.

Parte II - Conclusão Poética

Cremosidade

Gotejo geladas carícias arrepios num corpo que estremece e chia.
Deslizo mãos quentes sobre a pele
Derretida.

Hidrato, esfolio, filtro os solares raios,
Emoliente, lubrificante, adstringente,
Que diferença faz!

Para minhas mãos,
O que diz o rótulo
É menos do que um pretexto para um bolinar
Sem atrito.

Alexei Gonçalves

 

Edição 8

Sexo Tântrico

Por Simone Dias.



A tradição tântrica vê o sexo como uma porta para a ampliação da consciência. A energia despertada no ato pode potencializar o prazer e nutrir outras áreas da vida, desde que o homem retenha a ejaculação e a mulher aprenda a retardar o gozo. Aqui, dois casais e uma mulher contam suas vivências, especialistas comentam a prática e um sexólogo confirma que ela pode proporcionar orgasmos múltiplos.

O sexo tântrico promete ao homem potência ilimitada e ereções
prolongadas. A mulher é vista como uma deusa e deve ser reverenciada.
Para ambos, a filosofia do tantra ensina que o corpo é um templo, o
sexo é sagrado e que não existem fronteiras entre corpo e espírito. A
relação tântrica começa com um ritual de preparação do ambiente e
longas preliminares. O orgasmo não é a meta. O tantra combate a
ansiedade eliminando os objetivos do ato sexual e convida os amantes a
se abandonarem ao encontro, a se entregar e se manter completamente
presentes, com os sentidos e a atenção despertos.

Para chegar ao paraíso é necessário que o homem não ejacule e que a
mulher aprenda a retardar o orgasmo. Nem todos conseguem, pois isso
exige concentração e autocontrole, que podem ser obtidos através de
preparação física e espiritual. Os praticantes são orientados a seguir
uma alimentação equilibrada, não beber e não fumar – a saúde do corpo
está vinculada ao desenvolvimento do espírito. Os adeptos reaprendem a
respirar, alinhar a postura e a aumentar a capacidade de concentração.
Homens e mulheres fazem exercícios para enrijecer e controlar a
musculatura pubiana, diretamente ligada ao prazer do ato sexual.
Segundo a psicóloga e professora de ioga Márua Roseni Pacce, "não dá
para propor a retenção da ejaculação para um leigo. Nem é possível
atingir um grau elevado de prazer sem ter um sistema nervoso preparado
para isso. A energia orgástica tem alta voltagem, mas só é obtida
plenamente com práticas respiratórias associadas aos exercícios", diz
a especialista.

Ela explica que o sexo tântrico se propõe a "acender" a energia vital
guardada dentro de cada um. Ao subir pelo corpo, essa energia, chamada
pelos hindus de "kundalini", acorda os chacras – sete centros vitais
situados ao longo da espinha – despertando tanto o prazer quanto a
consciência.

O principal é não ter pressa – o sexo tântrico pode levar horas. Quem
conhece descreve pequenos choques elétricos pelo corpo e uma onda
contínua de prazer. Dedicar tempo ao ato é importante para o
desenvolvimento da intimidade e também para o homem se manter no
"ponto limite". Ele não ejacula, mas segura a ereção e consegue
atingir um estado de prazer chamado de "orgasmo cósmico".

DEUSES EM ÊXTASE

A palavra "tantra" tem diferentes significados, tais como "processo
contínuo" ou "tecido como uma teia". A tradição tem várias linhagens e
surgiu com os drávidas, que viveram onde é hoje o norte da Índia, há
cerca de 6 mil anos. Esse povo se organizava em uma sociedade
matriarcal, em que as mulheres tinham total liberdade. Toda mulher era
considerada uma deusa, mestra na arte do amor, capaz de desenvolver e
estimular a percepção dos cinco sentidos. Por isso é comum nas
posições de sexo tântrico a mulher ficar por cima, comandando o ritmo.
"O sexo tântrico foi reduzido a uma técnica erótica, mas é uma espécie
de meditação a dois", explica Márua.

Ela esclarece ainda que o tantra nada tem a ver com o famoso "kama
sutra", também indiano. O tantra é uma tradição bem mais antiga e é
matriarcal, enquanto o "kama sutra" é patriarcal, não aborda o
controle ejaculatório, considera a mulher inferior ao homem e é uma
espécie de manual de etiqueta sexual, com uma série de posições
excitantes.

No sexo tântrico, o homem e a mulher percebem um ao outro como
divindades. Segundo a filosofia hindu, durante o ato o casal de
amantes evoca o par primordial de deuses – Shiva, polaridade masculina
que representa a consciência; e Shakti, que representa a energia
feminina, a natureza e a criação. O encontro desses dois princípios,
opostos e complementares, é o caminho do êxtase.

RITUAL DO AMOR

O rito tântrico prevê uma preparação dos parceiros e a criação de um
ambiente protegido, com elementos que estimulem os sentidos e o
aconchego. Veja algumas sugestões:

1. Limpe o ambiente

2. Decore com cores quentes, que estimulam os chacras*, como amarelo,
vermelho e laranja

3. Experimente luz de velas

4. Não fume, não beba, nem use drogas

5. Vista-se com tecidos naturais, agradáveis ao toque

6. Antes de receber o parceiro, ande pelo ambiente fazendo uma pequena
meditação ou acenda um incenso de boa qualidade

7. Use almofadas, que propiciam mais conforto

8. Tenha à mão óleos aromáticos para uma massagem a dois

9. Prefira posições que a mulher fique por cima ou à frente do homem e
que os parceiros possam se olhar nos olhos

10. Abuse do toque carinhoso e das brincadeiras que estimulem os cinco sentidos

O QUE DIZ O SEXÓLOGO

O psiquiatra e sexólogo Ronaldo Pamplona da Costa lembra que
ejaculação não é orgasmo. "Gozo e orgasmo são a mesma coisa, mas
ejaculação é a Emissão de esperma. O gozo pode, ou não, levar à
ejaculação. Existem Homens que gozam sem ejacular, mas existe muita
confusão a respeito disso, pois a maioria dos orgasmos é marcada pela
ejaculação", alerta.

"Atualmente não é só no sexo tântrico que se segura a ejaculação por
um período prolongado. Vejo, no consultório, que pelo fato de querer
dar mais tempo de prazer às mulheres alguns homens conseguem segurar a ejaculação por um longo período e com isso ter orgasmos múltiplos –
eles gozam algumas vezes antes da ejaculação, que só acontece no
final", explica.

O único desconforto que pode acontecer na retenção da ejaculação,
segundo o médico, é o homem ter dores nos testículos. "Mas o mal-estar
pode ser amenizado com jatos de água morna." Fisiologicamente, o
sexólogo diz que desconhece vantagens extras do sexo tântrico —como o
rejuvenescimento e maior disposição física apontados por praticantes.
Mas pondera: "Conhecer e aceitar a sua sexualidade rejuvenesce o
espírito."


Consultoria: Núcleo de Yoga Ganesh.
Revista Marie Clare

 

Edição 7

Música Sensual

Você lê o título e pensa... Em quê? Provavelmente em baladas românticas, talvez um suave piano de Chopin.

"Coloque ao fundo uma música suave", dizem os manuais de sedução.

Mas que música? E por que "suave"? Aliás, o que é "suave"?


Imagem by Alexei Gonçalves

Aconteceu comigo de ligar bem alto um Led Zeppelin e começar a pular e girar como uma versão de rota marionete, jogando cabelos imaginários - estava careca à época - para um lado e outro, à moda Robert Plant, tocando air guitar (mexer os dedos no ar como se estivesse tocando guitarra) com um cigarro apagado no canto da boca como um Jimi Page depois da gripe asiática, pontuando as viradas de Bonzo Bonham com sacudidelas corporais semelhantes a um ataque epilético, e de tudo isso ela ria, me chamava "seu bobo!", e me beijava entrando na brincadeira.

Ela me disse depois que "você parecia tão FELIZ que eu tive que dar um beijo".

Outro caso estranho: no meio de um CD de rock'n'roll, lá vem um violãozinho ao estilo João Gilberto. Começa a letra: "Ca-gar é bom quando a gentchi tá em paaaaaaz...". Língua de Trapo, grupo humorístico paulista da década de 80, com o Tom Zé imitando o sotaque carioca do Jô Gil. Ela riu. E acabamos nos beijando.

De alguma maneira inexplicável, boa parte das mulheres parece ter um impulso incontrolável de beijar um homem que as faça rir.

Mas não vá se vestir de palhaço. Não é um riso de deboche que vai unir vocês dois.

É esse o ponto de retornar à música, à sensualidade musical.

Feche os olhos - você já olhou o bastante para desenhar um mapa - e ouça. Ouça melodia do riso, as notas que o compõem. Ouça as vibrações da garganta, os espasmos, as contrações abdominais. Você busca um riso que venha do fundo do ser, que faça cócegas no umbigo e suba por dentro do corpo até explodir em vocalizações harmônicas.

Ouça. Ouça como a voz da mulher é rica em melodia, o quanto pode variar do sussurro à estridência, ouça o quanto a voz masculina é monótona em comparação.

As mulheres brincam com os sons, pintam com notas musicais o arco-íris de seus complexos sentimentos.

O que você procura? A voz em deleite, enriquecida com os semitons do prazer, os graves da cumplicidade, os agudos da surpresa desejante.

Pare de passar "cantadas" e deixe que ela cante. A Natureza fez da voz feminina a fonte dos desejos de onde brota toda a Música, a suprema Arte das Musas, Musa que toda mulher é.

Alexei Gonçalves

 

Ninguém me canta como você
(Itamar Assumpção e Alice Ruiz)

ninguém me canta
como você
ninguém me encanta
como você
nem me vê
do jeito
que só você
de que adianta
ter olhos
e não saber ver
ter voz
mas não ter o que dizer
digam o que disserem
façam o que quiserem
ninguém diz
ninguém vê
ninguém faz
como você
ninguém me canta
ninguém me encanta
como você

 
Edição 6

Artes da existência – O corpo instrumento


Ver, ouvir, tocar, cheirar, degustar. Estes verbos estão intimamente ligados ao ato de percepção; para 'percepcionar' (concedam-me a licença do neologismo) o ambiente e tudo aquilo que nos cerca, nós dependemos dos órgãos dos sentidos, que são formados por células sensoriais muito especializadas, compostas por receptores que ficam na pele, nas mucosas, nos genitais, na retina, no labirinto, etc.

Existe um grupo de receptores que formam o sistema somato-sensorial (envolvendo o corpo e os sentidos) e que exercem grande influência na excitação sexual, juntamente, claro, com os receptores sexuais.

Cada um desses receptores - do tato, térmicos, químicos (ligados ao paladar e ao olfato), etc - possui um limiar de excitação que, dependendo da região do corpo onde se localiza, pode ser mais baixo ou mais alto. O limiar mais baixo determina as áreas mais sensíveis, como os lábios, língua, genitais, ponta do nariz; um limiar mais alto aparece nas costas, por exemplo. É interessante lembrar que, no filme "9 1/2 semanas de amor", há uma seqüência onde a personagem é alimentada de olhos vendados, configurando-se como um exemplo clássico de excitação dos receptores do paladar, alienando-se o sentido da visão, que, em algumas situações, interfere negativamente, pois estamos condicionados a nos deixar guiar por ele, em detrimento dos demais.

Cada uma dessas áreas sensíveis tem uma representação no cérebro, local onde realmente ocorre a excitação, ou onde o estímulo é interpretado, por assim dizer. A Fisiologia criou uma figura que representa graficamente estas regiões - o homúnculo sensorial - quanto maior a sensibilidade maior a área representada; assim, a face, as mãos, os pés e os genitais estão mais representados do que outras regiões.

Sabendo estas coisas, podemos colocar o conhecimento sensorial para trabalhar a nosso favor, não apenas objetivando desfrutar melhor a própria sexualidade, mas melhorar sensivelmente nossa qualidade de vida, produzindo maior estesia, maior capacidade de percepcionar a nós mesmos, o parceiro, a vida.

Vale lembrar, ainda, que percepção provém do latim percipere, que nomeia o ato de se apoderar de alguma coisa, capturar algo. Assim, através da nossa base sensorial, temos a possibilidade de capturar informações, de nos apoderarmos delas e usá-las para nosso aperfeiçoamento, como seres sensuais e sensitivos que somos.

Penso que está mais do que na hora de "fazer as pazes" com o nosso saber corporal/sensorial, resgatando esse corpo que já se prestou a gerar riqueza, transformado em máquina; a vender quaisquer produtos, transformado em signo.

Precisamos revalorizar o corpo como interface de contato, como a nossa "forma de ter um mundo" (segundo Freud). O corpo é instrumento que se deixa tocar e, nesse ato, gera melodia. Há canções aprisionadas em nossos corpos, esperando ser liberadas pelo toque.

Sandra R. S. Baldessin

 

Edição 5 Artes da existência – em busca de uma vivência sensual

“Artes da existência” é a denominação que a antiga civilização greco-romana dava ao conjunto de conhecimentos sobre a sexualidade humana e que foram brilhantemente analisadas pelo filósofo francês Michel Foucault em sua obra "História da Sexualidade II".
É interessante observar que esses conhecimentos eram permeados por conceitos estéticos; o termo ‘estético’, aqui, não aparece limitado pela definição mais comum, que assumiu no mundo contemporâneo, mas no seu sentido mais profundo – apreensão estética, estesia (aisthesis, do grego) - ou seja, a capacidade que um sujeito possui de apreender certa realidade exterior de modo sensitivo e sensual, através do uso pleno dos seus sentidos.

A estesia antagoniza a anestesia; assim, estar estésico é abrir-se às sensações, deixar-se provocar. Quando pensamos a sexualidade dessa forma podemos entendê-la, realmente, como Arte. E, enquanto arte, o sexo tem o poder de reencantar a realidade apreendida, produzindo uma espécie de êxtase que perturba, no sentido que modifica, os significados do cotidiano.

Seguindo esse raciocínio acerca da estesia e suas relações com a sexualidade, tenho observado que, de modo geral, a maioria das pessoas não procura uma vivência sensorial, relegando a sensualidade exclusivamente à vida sexual, e pior, ao momento do êxtase. Somos seres potencialmente sensuais, isto é, seres que têm à disposição o enorme potencial de um sistema sensitivo muito sofisticado e quase inexplorado. Se não desfrutarmos amplamente desta sensorialidade, nas mínimas coisas cotidianas, não atingiremos o ideal do sexo enquanto Arte, permanecendo aquém dessa possibilidade.

São muitos os fatores que nos impedem de desfrutar uma vivência mais sensual; o mais poderoso, claro, é o condicionante cultural que pretende as sensações ligadas ao corpo e aos sentidos como de somenos importância. Este condicionante domina todas as áreas da vida, roubando o caráter sensorial das nossas várias experiências: a educação já não é sensível, o jogo já não é lúdico e nossa convivência social é cada vez mais asséptica. Seguindo essa trilha, há o risco de que o sexo também perca seu caráter sensual, pois sensualidade nada mais é do que a capacidade de viver em estesia.

Em nossos próximos artigos, falaremos um pouco acerca do sistema somato-sensorial (corpo e sentidos integrados) e como podemos explorar melhor os receptores do tato, da audição, do paladar, do olfato, e aprender a cultivar a visão erótica.

Para finalizar, os versos sensoriais de Pablo Neruda: “Eu era a sede e a fome, e tu foste a fruta.”

Sandra R. S. Baldessin

Edição 4

A dança é uma das artes mais antigas criadas pelo homem. Dançar faz bem pra alma e para o corpo. Libera e renova as energias. Deixe a música rolar, vibre, sinta, dance e aproveite.

dancem meninas, dancem...

Não sei ainda, parece um enigma. Aqueles movimentos "despropositais", um olhar que parece vago, mas no fundo observa atenta suas presas, que geralmente é uma só.
Se a música é construída por ondas, é no corpo dela que essa onda vibra. No joelho que balança, na mão no cabelo, naqueles passinhos leves, no rebolado que hipnotiza, que destrói casamentos e que gera frases do tipo "quem tava olhando? eu? Você está enganada!"... depois é o suor que começa a aflorar, dando brilho a pele, peso aos cabelos, fazendo a mão escorregar com mais deleite... muitas vezes encosta sem querer na gente, fazendo de conta que somos apenas um adorno decorativo do lugar...
Quando é uma provocação direta, ai pronto, a sedução atinge seu ápice, imobiliza qualquer reação... nos inexperientes esta imobilidade é um desastre, já nos calejados, é a certeza de que estar parado naquele momento é uma inevitável reação à tamanha lascívia, e que sabendo conduzir essa etapa, o desfecho será triunfante... essa mesma imobilidade é que faz surgir o ciúme de tudo que existe ao redor... mas isso é bobagem, é impossível os olhares não mirarem em algo tão irresistível...
Eu? Perco o prumo. Sonho longe. Imagino os possíveis desdobramentos daqueles "ingênuos" movimentos ou até onde vai aquela mobilidade toda...

Por isso eu peço, dancem meninas, dancem...

Paulo Camelo

 

Edição 3 Um sabor inigualável na ponta da língua
by géh

Já perceberam a sensualidade no ato de saborear um sorvete?

Imagine uma casquinha de sorvete. Sinta a textura da casquinha, o contraste com a textura macia e gelada da massa do sorvete. A casquinha dura por fora, o sorvete derretendo por dentro. A destreza e os movimentos da língua e ele deslizando dentro da boca.

O sorvete além de saboroso é extremamente refrescante em um clima tropical como o nosso. Dê preferência aos de fruta, tem um valor menos calórico que os de creme e chocolate.

Algo melhor que casquinha de sorvete, é comprar um pote inteiro do seu sorvete preferido e levar pra casa do seu namorado. Gostou da idéia?

Experimente beijar seu namorado quando saborear um sorvete até sentir sua língua "bem gelada". Em seguida, comece a beijá-lo lentamente, isto fará com que a temperatura interna da boca mude rapidamente, aumentando o prazer para ambos. Para que a sensação seja ainda mais saborosa, experimente se um dos dois tomar uma bebida quente, por exemplo um café ou chá.

O sorvete em contato com a pele pode também ser uma experiência deliciosa, mas não exagere e vire um pote de sorvete inteiro sobre ele, porque pode ter o efeito inverso, cortando o tesão do momento. O mesmo se aplica a ele, caso decida que suas partes íntimas virem uma montanha de "neve".

Aposto que ele vai adorar a idéia! Use sua imaginação e aproveite os momentos prazerosos que um sorvete pode proporcionar... Faça do seu próximo sorvete uma experiência S E N S Ó R I A !

 

Edição 2

MASSAGEM SENSUAL
by géh

Preliminares

Criar um ambiente sedutor é essencial. Velas aromáticas, as de cravo ou madeira do oriente principalmente criam um ar exótico. Também pode usar incensos, aromatizadores, mas não exagere na mistura de perfumes.

Uma dica para sair do "trivial", é preparar este ambiente na sala. Afaste a mesinha de centro, coloque almofadas em cima do tapete, uma música suave, pouca luz, mas lembre-se de deixar seu kit de óleos para massagem em lugar próximo, de fácil acesso.

Um banho relaxante, a escolha do que vestir... Se não sabe o que vestir, não use nada. Existe algo melhor para excitar seu parceiro que a visão do seu corpo nu?

Para facilitar a massagem e proporcionar mais prazer a quem está recebendo, use óleos aromáticos. Há séculos, os óleos extraídos das plantas são usados como medicamentos, perfumes e cosméticos. Um óleo que indico é o de Ylang Ylang. Este óleo é extraído da flor de uma exótica árvore chamada Cananga odorata, originária da Ásia tropical, mais precisamente da Malásia, Indonésia e Madagascar. Esta fragrância é um poderoso afrodisíaco. Na Indonésia, por exemplo, é costume cobrir a cama dos recém-casados com flores do Ylang Ylang, para inspirar uma ótima noite de lua-de-mel.

A Massagem

Antes de aplicar em suas mãos o óleo, deixe o frasco próximo a uma das velas, para aquecê-lo levemente. Aplique um pouco na palma de uma das mãos e friccione com a outra. Aplique um pouco também na área onde você irá massagear.

Com seu parceiro deitado de bruços, inicie a massagem com movimentos circulares pelos pés, calcanhar, pressione a planta dos pés, tornozelos e panturrilhas para ativar a circulação. Percorra uma linha imaginária com as pontas dos dedos do tornozelo as nádegas. Com movimentos circulares massageie as nádegas. Diminua a pressão até que se tone uma leve carícia.

Nas costas, inicie com movimentos firmes, trabalhando os músculos entre as omoplatas e a base do pescoço e a nuca. Termine com leves carícias com as pontas dos dedos percorrendo a linha da coluna até as nádegas. Com seu parceiro ainda de bruços, esfregue seu corpo sobre o dele.

Braços e peito, aplique movimentos suaves dos ombros aos mamilos, sentindo a textura da pele em contato com os dedos. Faça o mesmo dos mamilos até a virilha. Não se apresse nas carícias. Você pode fazer o mesmo caminho, acariciando seu parceiro com o bico dos seios, cabelos e língua. Para tornar ainda mais prazerosa a massagem, dê leves mordidas. Estimule também as regiões erógenas como parte interna dos braços, pulso, nuca, mamilos, virilha. Use a imaginação!

Após a massagem retire o excesso de óleo com lenço de papel. E lembre-se: receber a massagem é maravilhoso, mas retribuir é essencial.

 

Edição 1

Perfumes
A paixão pode ser facilmente acendida ou amortecida pelos aromas do seu corpo. Hálito, pele, cabelos, sexo: cada detalhe deve ser preparado para o estímulo total do olfato.

Sabores
Você pode usar os lábios e a língua para beijar, lamber, esfregar ou mordiscar qualquer área do corpo do parceiro. Intensifique a experiência com saborosos batons e brilhos, roupas íntimas comestíveis, aperitivos e sobremesas estimulantes, champagne, mel, caldas de sorvetes, chantilly e o que mais sua imaginação mandar.

Carícias
A pele é amplamente dotada de terminais nervosos sensíveis, que reagem ao mais leve toque e as menores mudanças de temperatura ou pressão. Cremes hidratantes, óleos de massagem, espumas para banho e os tecidos de suas roupas são carícias potenciais em seu corpo e no de seu parceiro.

Olhares
Iluminação branda, o brilho suave bruxuleante da luz de vela, a decoração do ambiente, flores frescas e fragrantes, além do visual do seu próprio corpo antecipam um clima romântico para o inevitável ato de amor.

Gemidos
Nenhum ambiente erótico é completo sem uma música adequada para esquentar o clima - melodia que pode vir de sua voz, de simples palavras sussuradas ao pé do ouvido, do esfregar de tecidos de suas roupas e até mesmo de sua pele nua.