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Amores são como livros

Sleeping couple por Ivan Koulakov
por Francine Hellmann
Amores são como livros. Uns maiores, outros menores;
alguns profundos, outros mais superficiais. Há aqueles que lemos
quando pequenos logo que aprendemos a ler e que nos acompanham por toda
a vida; há os que lemos há muito tempo e reencontramos
inusitadamente, acompanhados de uma avalanche de lembranças.
Algumas pessoas encontram livros perfeitos, livros feitos para elas.
Em minha estante cada livro possui seu lugar definido, especial... Às
vezes me pego em frente a eles, percorrendo com os olhos seus títulos,
lembrando suas histórias, analisando o que cada um me ensinou,
me trouxe de novo. Houve os que me obriguei a ler, apenas para não
me sentir derrotada; houve os que devorei; os de páginas perfumadas;
os simples, porém profundos; há os de cabeceira; os engraçados;
os que me fizeram chorar; os retóricos; os demagógicos;
os ideológicos; houve os que li ao mesmo tempo; os que duraram
apenas uma madrugada; e houve as bíblias.
Há pessoas que nunca aprenderam a ler, não conheceram
outros mundos, outras formas de pensar, não ousaram. Conheço
algumas que afirmam não precisar, dizem viver bem, dizem que
bastam as orelhas de um livro ou outro; pode ser que elas sejam felizes
a maneira delas. Eu não conseguiria viver assim. Quero ler livros
em todos os idiomas, com páginas de todas as cores, de vários
autores, tempos, contextos; quero fotos coloridas e em preto e branco,
livros de artes, música, política e cinema; quero livros
que me façam imaginar as coisas mais inimagináveis e confrontar
meus próprios eus, muitas vezes, infinitas vezes. Quero livros,
todos os livros do mundo!
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