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| Edição 25 | |||
| Edição 24 | |||
| Edição 23 | INSTINTOS, SENSAÇÕES E EMOÇÕES por Lívia Santana
Eu, você e a sua vizinha, somos dotados de instintos, sensações e emoções, certo? Não, peraí, não começa a questionar, deixa-me falar, só acompanha. Bem, então, somos dotados de instintos, sensações e emoções. O que talvez nos diferencie, é a predominância que existe de um ou outro, seja nela (na sua vizinha), em você ou em mim. E o que isso significa? Por que isso é relevante? Em que interfere na sua vida? Respondo: Interfere em mais coisa do que você imagina, meu caro. Primeiramente, o que são instintos? E sensações? E emoções? De acordo com o dicionário, instinto é o impulso natural, independente da reflexão. É o padrão inato de comportamento, variável de acordo com as espécies animais, que atua quando se registram determinados estímulos e que se encontra adaptado às condições de vida de cada espécie animal. Sensação é a impressão produzida nos órgãos dos sentidos pelos objetos exteriores e transmitida ao cérebro pelos nervos; excitação; comoção moral; sensibilidade. Emoção é perturbação, abalo moral, comoção, sentimento intenso. A partir disso, podemos elaborar o seguinte raciocínio: os seres humanos passam por um processo engraçado chamado evolução. Não, não vai pensando em macacos e cavernas não, a idéia é um pouco diferente, embora tenha alguma co-relação. Vou partir de outro ponto. Pensa só. Abelhas, formigas, aranhas, centopéias, cachorros, gatos, estrelas-do-mar, ornitorrincos, furões, todos os animais, mamíferos ou não, racionais ou não, têm instintos. Isso é ponto pacífico. Todos têm seus impulsos naturais em maior ou menor escala, e são estes impulsos que determinam basicamente a atividade desses animais no mundo. Da mesma forma, se pensarmos em termos de estímulos sensoriais, podemos estabelecer que os animais também têm sensações - a maioria pelo menos tem, mas já conheci cada tipo que nem te conto! E essas sensações é que determinam em grande parte os liames da interação destes animais com o meio e com os outros animais. Por fim, temos as emoções, que têm a ver com algo um pouco diferente. Para haver emoção não basta estar vivo e pertencer ao reino animal, como se dá com o instinto e a sensação. Emoção é algo ligado a valores morais, a inteligência, a percepção de mundo, a construções mentais. Essas, só os seres humanos têm. Mesmo o cachorro mais amoroso e mais inteligente, ainda não ingressou no campo do sentimento, da emoção. Ele é dócil ou agressivo por instinto ou reagindo às sensações que se lhe apresentem, e não porque possua caráter, porque ame ou se magoe. Ele se mostra assim porque é assim, e não porque raciocine e decida ser assim. Dito isso, podemos considerar que instintos, sensações e emoções sejam parte da linha de evolução a que me referi anteriormente. Instinto na fase mais primitiva, sensação numa fase intermediária e por fim, a emoção, como a fase mais elaborada, e que ainda assim possui várias gradações. Por isso, o que principalmente diferencia você, sua vizinha e eu, é qual destes três elementos predomina em cada um de nós. Você pode agir mais por instinto, não sendo muito afeito a raciocínios muito elaborados. Eu posso decidir não pensar muito, fechar os olhos e me concentrar apenas nos estímulos que recebo e nas minhas sensações. E sua vizinha pode ter elevados valores, sentimentos delicados e emoções marcantes. Percebe o quanto isso diferencia as pessoas e interfere no modo com que se relacionarão, seja profissional, social, afetiva ou mesmo sexualmente? Certamente haverá quem não concorde, mas então vejamos alguns exemplos simples: Se nos referimos a alguém pejorativamente, salientando a brutalidade, o que dizemos? Que é um animal. E como age o animal? Seguindo o instinto. Minha cadela se deita ao sol todos os dias durante alguns minutos e, quando sente que é suficiente, porque a temperatura corporal subiu a ponto de ter que ficar com a boca aberta para regulá-la, ela vai para a sombra. Acha que ela pensou muito para isso? Ou, quando você tem uma namorada a quem não ama mais e não é um completo animal, você certamente irá pensar nas emoções dela, em tomar cuidado para não magoá-la ao romper o relacionamento. Uma relação entre pessoas diferentes só da certo quando ambas funcionam na mesma sintonia. Mesmo que uma goste da Madonna e o outro do Sinatra, um goste do dia e o outro da noite, um do frio e o outro do calor, se ambos forem instintivos ou sensoriais, tem muito mais chance de funcionar, do que se fossem diferentes também neste aspecto. Isso, porque o que acaba com os relacionamentos e até mesmo com o sexo é uma coisa chamada expectativa. Expectativas são satisfeitas quando ambos os parceiros precisam das mesmas coisas e, logo, dão ao outro aquilo que querem receber de volta. Se as necessidades de um e outro são muito díspares, não haverá correspondência nesse sentido. Como satisfazer a parceira se tudo o que ela mais quer é conversar depois do sexo e na sua concepção uma relação ideal é aquela que dura horas de maratona para depois cair exausto, extenuado pelas sensações? Esta é uma questão extremamente relevante, que deveria ser mais observada entre as pessoas em geral, não só pelos casais. Olhar o outro, perceber quais os anseios e qual o elemento predominante nele, pode ter o condão de tornar o relacionamento fantástico. Vou falar mais disso outra hora. Por enquanto, pense um pouco a respeito. |
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| Edição 22 | Mulheres e seus dilemas inúteis por Desiree
Hoje aconteceu um episódio engraçado. Como a mulher oscila no humor quando há homem na jogada. Tudo pode estar ótimo, mas se aquele telefonema prometido não rolar, ferrou.... manda qualquer bom humor para o espaço. Tempos atrás, meu ex-namorado sumiu. Disse que voltaria de viagem num sábado e depois disso não atendeu mais o telefone. Eu, que estava ótima, comecei a entrar em pleno declínio. À noite bati o carro, bebi além da conta e no domingo eu passei muito mal [e nem foi por causa da bebedeira, estava doente por estar me sentindo "mal amada"]. Claro que tudo piorou quando rumei ao shopping para tentar digerir algo, pois há quase 24 horas nada descia, tamanha era minha indigestão com o sujeito. Lá estava eu na tentativa de melhorar o humor quando ouço me chamarem: - De! - Olá, tudo bem? - quase com uma palidez mórbida e olheiras profundas - Eu tou, mas você não parece nada bem.... - É, tou meio mal de estômago. - porque obviamente eu jamais assumiria que estava mal por causa de um homem - Ah, tenho uma coisa para te dizer: toma cuidado com o teu namorado. As pernas cambalearam, a pressão caiu e me segurei no pilar ao lado. - Ahn? - É, vi ele ontem numa festa com outra a tiracolo. Como ele ousou me contar assim de supetão? Não tive tempo nem de me preparar para a notícia de que estava sendo traída. Tá, eu vou contar: nesta época estávamos em começo de namoro e ele vivia tentando boicotar. Quando eu o pedi em namoro, ele disse que aceitaria, mas desde que fosse um relacionamento aberto. Pensei, pensei, pensei e resolvi topar, mas deixando claro que as regras valiam para os dois. Eu estava de quatro por ele e obviamente ele foi o único a tirar proveito do tal acordo, porque eu me comportava inacreditavelmente bem, pois nem reparava mais nos rapazes que, na época, resolveram me testar. É, porque é sempre assim. Você começa a namorar e todo mundo passa a te querer. Uma vez vi uma explicação [confesso, foi na Capricho] plausível: quando namoramos, estamos felizes, portanto mais atraentes. Mas isso nem vem ao caso. O caso era que eu já não estava mais preparada para o tal relacionamento aberto e queria esganá-lo. Despedi-me do meu amigo antes que ele soltasse mais detalhes do que viu, pois eu é que não queria saber. Minha curiosidade não chega a tal ponto. Continuei passando mal e não consegui comer. Na segunda-feira eu estava praticamente de cama. E claro, ele deu as caras e me ligou como se nada tivesse acontecido. Não consegui manter a pose, tirei todo depósito de gelo dentro de mim e joguei em cima da cabeça dele. Foi uma semana sem se falar, porque eu não queria vê-lo na minha frente. No domingo, lá estava eu dançando com amigos e tentando parecer bem quando ele me liga. Meia-hora depois aparece e eu começo o meu repertório de mentiras [tsc, tsc, tsc... mas eu precisava disso]: - Você sabe o que é ver quem você gosta beijando outra pessoa? Ele nem sequer se deu ao trabalho de se mostrar surpreso. Esboçou um sorriso meia-boca e perguntou: - Mas o que é um beijo? Eu gosto é de você. - Tá bom, no dia que você me vir beijando outro cara, talvez você saiba do que estou falando. E fiquei tão mal, que saí daqui alterada e bati o carro. - e nunca tive coragem de desmentir Burra do jeito que sou, não demorou muito para eu voltar a me jogar nos braços dele. De qualquer forma, ele não tinha me traído, afinal em nenhum momento ele prometeu "serei fiel a você". Encurtando a história, ele começou a ficar de quatro e quando se deu conta de que eu poderia ficar com outras pessoas, me chamou para uma conversinha pé de ouvido e disse: - Acho que relacionamentos abertos não funcionam. Vamos fechar essa história? Aliviada, feliz e aceitei de bom grado, até porque a essas alturas eu andava pensando seriamente de pular fora do barquinho, porque não estava dando conta da minha insegurança cheia de fundamentos. E nem era essa história que eu ia contar. Tentei apenas mostrar o quanto os homens podem nos deixar malucas [e isso nem é novidade... as pessoas enlouquecem as outras o tempo inteiro]. Minha amiga está apaixonada por um cara. O cara parece também afim dela. Hoje armaram uma cervejinha, porém a minha amiga estava sem celular e propôs que ele ligasse no meu para combinarem de se ver mais tarde. Viemos para a minha casa. Ele ficou roendo as unhas de ansiedade com a ligação dele. Pulou da cama quando o despertador do meu remédio tocou e ficou decepcionadíssima porque não era ele. O humor foi piorando. Ela começou a praguejar. Disse que não queria mais nada. Isso e aquilo. Tudo uma grande mentira, claro! Aí um amigo ligou, outra amiga passou aqui para me pegar e quando fui dar tchau à esta minha amiga, que estava de plantão esperando a tal ligação, vociferou para cima de mim, pois ninguém a tinha convidado para o jantar, ela sempre faz jantares para as pessoas, mas parece que agora ninguém gostava dela. Ficou brava mesmo! Eu, que ando numa fase pavio curto, apenas disse: - Você está puta porque ele não ligou e eu não tenho nada a ver com isso, assim como meus amigos não tem nada a ver com isso. Eles não precisam te chamar para tudo que me chamam e isso não quer dizer que eles não gostem de você. Você está sendo infantil. Tchau, que eu estou atrasada e se ele ligar, eu peço para ele ligar aqui. E fui... meia hora depois o sujeito liga e eu dou o telefone de casa. Quinze minutos depois, ela liga pedindo desculpas e que eu tinha toda razão. Claro! E aí eu fiquei rindo sozinha do quanto somos vulneráveis e, ah, bobas. Grandes bobocas que se deixam transformar em marionetes. Eu já fui uma e jurei [e sempre quebro minhas promessas, pois não sou muito boa nisso] que não serei mais. E ainda fazendo um adendo. Estávamos no carro e ela solta essa: - Ah, eu vou me fazer de difícil. - Difícil do que? - Não quero que role na primeira vez, pois não quero que ele ache que eu sou uma piranha. Eu concordo que quando as coisas rolam devagar, elas são mais gostosas e instigantes. Se eu me apaixono por alguém [antes de ter rolado alguma coisa], eu também prefiro que as coisas aconteçam devagar, mas achar que alguém é piranha [e não tinha outra palavrinha melhor? essa a gente usava na minha época de colégio] só porque deixou tudo acontecer na primeira vez, é ser machista demais [mesmo que seja mulher].
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| Edição 21 | Sexo entre adolescentes por Tate Fish Hoje os adolescentes estão com mais autonomia para escolher o momento de iniciar uma relação sexual. Não ocorre tanta pressão para o garoto transar e nem a tentativa de manter a virgindade para as garotas. É bem verdade que ainda existem muitos pais que desejam que suas filhas mantenham castidade até encontrar o homem "certo"...
Mas essa nova geração está estabelecendo seus modelos de maneira mais desenvolta, com mais naturalidade. Não há aquela rebeldia que marcou as gerações passadas que ansiavam por liberdade sexual. Minha experiência como mãe tem sido positiva em relação a isso. Tenho um filho de 19 anos, que chegou na minha vida quando eu só tinha 20, que sempre conversa comigo (e eu com ele) sobre essas questões e isso tem me proporcionado um grande aprendizado. Percebo que a virgindade para os jovens é encarada de maneira mais positiva no sentido de conhecer o sexo com um(a) namorado(a). Essa busca de conhecer o corpo e suas reações físicas e emocionais entre os adolescentes é cada vez mais comum. As garotas já não mantêm a virgindade a fim de garantir um casamento. Se elas permanecem virgens é por opção ou estão aguardando acontecer, naturalmente, a primeira vez. É interessante observar que apesar de toda liberdade e acesso às inúmeras informações sobre sexo, ainda é grande a incidência de doenças sexuais (principalmente AIDS) e gravidez indesejada na adolescência. Será que a família está realmente cumprindo o papel de educar afetiva e sexualmente os seus filhos e filhas? O caminho mais seguro para combater preconceito, frustração e sofrimento é esclarecimento com liberdade para escolher caminhos e compreender as conseqüências da opção feita. Os adolescentes vão continuar relacionando-se sexualmente com ou sem o consentimento dos pais. Sendo assim, o melhor a fazer é tentar auxiliá-los da maneira mais coerente: mantendo-se próximo, receptivo e compreensivo, construindo uma imagem mais positiva e prazerosa sobre o sexo. As futuras gerações com certeza agradecerão. |
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| Edição 20 | MESA REDONDA (conclusão)
Lívia: Vocês acham que existe tempo (duração) ideal para uma relação sexual? Telma: Claro que não! O sexo tem que ser sem preocupação, sem hora marcada (nada contra quem o usa como profissão... risos). Sexo tem que ser com tesão, e não tem tempo determinado pra isso. O tempo do sexo é aquele reservado para o prazer, ou seja, sem hora pra acabar. Zander: Sim. Mas cada casal tem o seu timing. Não acredito em rapidinhas. Já neguei o sexo porque sabia que não teria como passar uma noite inteira com a pessoa. Da outra bandeja da balança, já tive experiências memoráveis de explosão de tesão que culminaram em "rapidinhas" em locais inusitados. Mas é exceção à regra. Até onde posso afirmar, quanto mais tempo dedicamos ao ato, melhor o resultado. Rafaela: Ah, sei lá. Não acredito que no sexo exista uma fórmula e corrijam-me se estiver errada, mas acho que já falei isso aqui. Sexo é bom quando agrada aos dois. Isso é óbvio. Então só acredito que o tempo ideal seja aquele em que seja, no mínimo, suficiente para que os dois tenham seus prazeres satisfeitos. Lívia: Concordo com todos, sim e não. Nem tanto ao céu nem tanto à terra... E, principalmente, tem que prestar atenção no outro. Se eu estou a fim de virar a noite, vou arranhar as paredes de frustração se me apresentarem uma rapidinha-ejaculação-precoce. Do mesmo jeito, se o outro está com a carga toda, pode ser que do lado de cá eu esteja rezando pra acabar logo... (risos)... Sintonia antes de tudo. Segunda pergunta, lá vai: Têm alguma posição preferida? Lívia: Roteiro, realmente ninguém merece! E você Telma? Zander: Eu também tenho preferência, Sim! Mas isso só revelo em particular, (risos)! Da mesma forma, com cada parceira, um ritmo, um jeito, uma posição. Com uma, a "colherzinha" por trás era o encaixe perfeito. Com outra, o sexo oral era o ápice. Com outra, pendurados no lustre. Já com uma quarta, falar mal dos ex-parceiros era o gozo absoluto. Rafaela: Opa, opa, opa! Íntima demais essa pergunta, suficiente para responder que sim, tenho várias posições preferidas. A preferida tende a variar com o parceiro. Lívia: Gosto de quatro. E, se bem feito, das outras também. Vocês possuem algum gosto específico? Espelhos, claro, escuro, tapas, etc? Telma: Uma luz bem fraquinha. Não tenho nada de vergonha - como muitas mulheres dizem ter, mas prefiro que tenha apenas uma luz bem suave. Tapas? Hum... De carinho, só se for. Odeio mordidas na hora do sexo e tapas que incomodam mais que qualquer outra coisa. Tem gente que empolga, e o parceiro pode não curtir o sexo. Rafaela: Espelhos não me fazem a menor falta. Meia-luz é sempre a melhor opção, porque se enxerga tudo, mas deixa a sua percepção mais aguçada para os outros sentidos. Tapinha é legal. Está ficando íntimo isso aqui, hein? O tempo tá feio hoje, né? risos. Lívia: É, Rafa, fechou o tempo. Hora da verdade. Pra mim o melhor é a penumbra. Luzes estratégicas e fracas acesas. E desde que com quem saiba fazer, uns tapinhas não doem... (risos). Ar condicionado é uma boa desde que não ruja feito fera enjaulada. Aliás, sou muito auditiva. Uns sussurros na hora são ótimos, e teve uma vez que foi memorável, a transa foi ao som de Jagged Little Pill no último volume. Como o ritmo variava, tinha a batida, os agudos, foi demais. Entramos no ritmo da música, um barato. Ou seja, música é sempre bem vinda. Espelho não faz a menor diferença. Aliás, com alguns caras que andam por aí, é até melhor dispensar o espelho. Podem esquecer a gente na cama e ficarem se adorando... (risos). Zander: Sim. Eu gosto de dar prazer. Acho que a função do homem é dar prazer para a mulher. Já sofre tanto sangrando todo mês, carregando o moleque na barriga por nove meses, recebendo salários menores e tal. Admitir que, na hora do bem bom, onde o ser humano é mais gente, ela ainda fica em segundo plano é um contra-senso. Para isso, vale tudo. Novamente, se a parceira quer apanhar, ser amarrada, amarrar, se ver no espelho, me ver só de meias, tudo é válido. Só peço para não ficar de "general". Sou ariano e tenho baixa tolerância a ordens. (risos) Lívia: Ritmo. Lento ou quebra-tudo? Telma: Odeio coisa lenta, tanto em beijo quanto no sexo. Quebra tudo! Sem discussão. Lívia: Concordo com a Telma. Pauleira e ponto. Zander: Sou um preguiçoso, por isso gosto do ritmo lento. Slow sex total. Gosto de o gozo vir devagarzinho, depois de umas três horas de suadouro lento e gradual. Obviamente toda peça tem um andamento. Às vezes mais rápido, mais lento, lento e rápido, rápido e pára. Tenho um caso ótimo. Eu estava saindo com uma menina que é sinestésica. Ela gozava com um cochicho no pé do ouvido, com um cheiro. É claro que, na hora da cama, ela gozava umas vinte vezes só de olhar a genitália desnuda. De brincadeira, eu parava com o movimento sub-reptício característico segundos antes de ela chegar ao seu "momento". Da primeira vez, estranhou; da segunda ficou puta da vida; da terceira virou-se e perguntou se eu estava de sacanagem com a cara dela. Eu disse para confiar em mim e deixar-se levar. Na sétima "quase" da menina, deixei-a desaguar sem restrições. Ela ficou num estado tal e qual que não podia bater vento que se tremia toda de tanto tesão represado que arrebentou de uma vez só. Desde então só faz isso com os parceiros. Rafaela: Não gosto de lento demais não. Nem gosto de ejaculação precoce. Acho que a mesma transa pode tomar ritmos tão diferentes. Mas também tem aqueles dias que você está num fogo louco e quer tudo de uma forma mais bruta, em da que você está cansada e quer tudo com calma, acho que para cada parceiro e para cada dia tem uma maneira mais gostosa. Lívia: Barulho? Gemidos, sussurros ou gritos? Telma: Gemidos e sussurros. Acho que a vizinhança não precisa ser avisada toda vez que você transa. Tudo bem que tem horas que parece que vamos fugir do "controle", mas berrar pra mim é exagero. Lívia: Adoro sussurros e gemidos. E às vezes, dependendo do ritmo, não tem como não gritar. Já passei, inclusive, pela constrangedora batida na porta... (risada). Zander: Gemidos sim. Sussurros me desconcentram. Peço para repetir quando não entendo o que está dizendo. Vai que a garota, ao falar "ahvocetámefazendogozar" bem baixinho, na verdade está pedindo para eu tirar o joelho de cima do fígado dela? Vai saber... Gritos são legais. Mas com moderação. Ou então vou para um show de punk rock. Rafaela: Cara, já tive uma história tão estranha. Já até contei pro Zander. O cara gozava fino. Parecia uma criança chorando era muito bizarro para mim. Sem contar que quase fiquei surda. Depois disso dei muito mais valor a gozada bem máscula, aquele ah bem masculino. Mas adoro uma foda falada, que o cara fique me provocando ao pé da orelha, isso num relacionamento de muita intimidade é de gozar muito gostoso! Lívia: Orgasmo X Ejaculação. Há quem confunda os dois? E vocês, o que acham? Zander: Sim. Às vezes. Fico assustado se a garota brincar de chafariz na hora H. Sério! (risos) Lívia: A maioria acha que é a mesma coisa. Mas a diferença é clara, adoro ver o parceiro perder o controle, quando além de ejacular tem aquela coisa mais intensa! E eu já ejaculei, por mais estranho que pareça, assustou a mim também. Rafaela: Ai que pergunta difícil. Quero ver é o homem saber fazer a mulher gozar ejaculando, aí é que são elas. (risos). Lívia: Segunda rodada. Sem sair de cima ou horas depois? Experiências. Zander: Como assim segunda rodada? Meu jogo é de um tempo só e olhe lá! Tem de fazer bem feito da primeira vez, que é isso! Rafaela: Na boa. Eu gosto de dar uma respirada. De 5 min ou de horas. Não me importo, só me importo de parar um tiquinho que seja. Essa história de sem sair de cima nunca me comoveu. Quero ver o malandro relaxar e fazer levantar de novo. Ficar sob efeito de diamante azul não é a minha. Zander: Depois, papo, cerveja, champanhe, banho, brincadeiras, o que rolar. Rafaela: Nunca aconteceu nada parecido comigo. Sempre o pós foi aquele momento gostoso de ficar abraçadinho conversando amenidades. Aliás, minto. Lembrei de uma que o cara tava tão cansado que ele gozou e em pouco tempo, mas questão de uns 15 min ele tava roncando. Fiquei cabreira: e eu? Mas a gente estava muito apaixonado, eu entendi o cansaço dele e fiquei deitadinha embaixo do braço dele até q o telefone dele tocou e acordou. Quando desligou da ligação me perguntou se tinha dormido muito. Eu disse que mais de uma hora. Ele ficou chocado, por ele parecia muito menos e não lembrava dos minutos finais acordado. Pediu desculpas e me recompensou muito bem. Respeitei porque sabia o quão cansado ele estava. Lívia: Parceiro ideal, isso existe? Telma: Sim. Geralmente, nos adaptamos às situações e às pessoas; um beijo que deu pela primeira vez no parceiro pode não ter sido legal, mas com o tempo os 2 se "encaixam". Penso assim com relação ao sexo. O parceiro pode se TORNAR ideal, se ambos entrarem em sintonia. Esse negócio de que "do meu jeito que é bom", não vale sempre. Se tentarmos entrosar, a coisa pode sair melhor que imaginamos. Zander: Sim. E acho que deixei a minha ir embora. Coisas da vida, né! Lívia: Concordo Zander! E somos dois, a passar por isso. Sem comentários. Rafaela: Aquele que te deixe o mais confortável com ele. Que queria te agradar imensamente, mas sem esquecer de si. Egoísmo na cama acaba com qualquer namoro, não se sustenta. E não acredito que se tenha apenas um na vida. Tive fatalmente dois que eram a minha alma gêmea na cama, me faziam muito bem. E apesar de terem isso em comum, eram completamente diferentes na forma de agir na cama. Zander: Sim. Rafaela: Cadê o cigarrinho??? Telma: Essa é cruel. Nunca escutei essa pergunta, mas diferentemente disso, ouço comentários a respeito. Um antigo namorado sempre dizia, depois do sexo, o quanto era legal a forma que fazíamos e nos dávamos bem na cama. Sempre comentávamos coisas bacanas, mas jamais escutei isso. E do jeito que me irrito fácil, se escutar, mesmo que seja bom, o caboclo escuta um não estridente! Lívia: Telma, eu também prefiro morrer... (risos) Quanto ao nosso papo, eu adorei, gente, muito obrigada, vejo vocês numa próxima! Beijos...
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| Edição 19 | MESA REDONDA (parte IV)
Lívia: Certo, pessoal, em frente. Fetiches. Algum? Mesmo os mais leves? Sandra Regina: Eu gosto de jogos e castigos, desde que eu aplique... (risos). Telma: Eu gosto de mandar em tudo, desde que o mocinho tente não deixar! Paulo: Sandrinha, lembra da reciprocidade? Cadê? Lívia: Humm... Sandrinha tem um quê de dominatrix, então (risos). E Telma também! Sandra Regina: Mas reciprocidade em termos de fetiches acho mais complicado, Paulo, por isso mesmo é fetiche. É, eu até me identifico com o chicotinho de prata da D. Beija, Lívia! (risos) Lívia: Eu prefiro o contrário. Acho divertida a idéia. Talvez porque no trato normal é tão diferente... Aí é que eu uso o chicote! (risada) Rafaela: Eu também, Lívia. Paulo: Eu não tenho fetiche. Nunca tive uma parceira que quisesse explorá-los, pra ver qual me agrada. Telma: Boa Lívia! Gosto de impor, mas se o cara souber lidar comigo, ma ganha no ato e fica com o poder total, mas tem que saber fazer isso, se não perco a graça. Lívia: É complicado isso, né? Existem alguns que caem no ridículo. Sandra Regina: Legal, Lívia. Paulo: Sempre tem. Telma: E aí, se começo a rir. Sento na cama e conto piadas! Sandra Regina: Eu fico pasma quando vejo caras chupando saltos de sapato, e olha que esse é leve! Lívia: Fetiches são engraçados. Uma vez, eu mostrei o meu pé descalço prum amigo na webcam, e ele ficou doido. Telma: Por várias vezes namorados me convenceram de fazer streap tease. Sempre avisei antes que não seria boa idéia, mas não recusei. Rafaela: Eu sempre tenho ataque de riso de mim mesma. Sandra Regina: Eu gosto de dar uma de Sherazade e levar o sultão no bico por mil e uma noites. Adoro fantasias. Lívia: Boa, Sandra! Paulo: Aqui no Rio, tem uma festa semanal chamada "Fetiche". Ela tem uma área para "performances". Com direito a amarrar e espancar (com vários instrumentos). E o casal com melhor performance ganha uma cesta de acessórios! Lívia: Ainda não conheço. Paulo descobre mais coisas dessa festa pra mim? Cobrir essa festa ia dar uma matéria e tanto! Sandra Regina: Eu também não sabia, mas gostaria de conhecer. Paulo: Conheço um casal que é freqüentador assíduo. Sandra Regina: Uau, é isso aí Lívia! Essa eu vou esperar! Telma: Uma vez fui fazer um streap prum namorado, e na hora de tirar o sutiã, não sei o que aprontei, mas me enrosquei na alça do trem. Só sei que quando consegui me livrar do sutiã, meu namorado tava deitado na cama, com os olhos arregalados e chorando de rir. Todo mundo ri. Telma: Mas foi de qualquer jeito, ele sabia contornar as situações. Sandra Regina: Cara legal. Telma: É, falou que sutiã não devia mais entrar nos nossos streaps, (risos). Paulo: Rir no sexo é bom, vocês não acham? Contanto que não corte o clima. Telma: Claro. Sandra Regina: Eu já topei com alguns homens que tinham fissura por pés. Telma:
Conheço um amigo assim. Rafaela: Eu adoro, deixa o clima mais leve, o casal relaxa, dá um que de altos e baixos para alongar o tempo... Amo! Sandra Regina: Eu acho que rir é fundamental. Telma: Sem piadinhas bestas, porque tem neguinho que empolga. Paulo: Reduz o nervosismo. Sandra Regina: Detesto o perfil do técnico. Lívia: E aí começa: você conhece a do papagaio que. (gargalhando) Telma: Nossa, deplorável! Paulo: Técnico? Tipo: "ah, agora vou tocar seu ponto G". Aqueles que descrevem o que vão fazer? Rafaela: Tenho horror de narrador, documentarista qualquer coisa do gênero. O cara que fica mandando: faz isso, mais pra esquerda, agora aqui, depois aquele. Ah.... Tudo ótimo se o cara te ensina como gosta, mas daí a narrar a foda toda, tô fora! Sandra Regina: Piadas eu não gosto, eu gosto do riso espontâneo. Telma: O técnico é foda. E tem aqueles que quando você está no maior bem-bom no sexo oral e começam a "orientar" você. Cara, dá vontade de dar uma paulada! Dá vontade morder no "menino"! (risada) Paulo: (risada) Lívia: Se eu quisesse ajuda eu perguntava, né? A melhor forma de ajudar quando se está recebendo sexo oral, a meu ver, é gemer. Ora mais intensamente, ora mais de leve. E não fala nada não, faça o favor! Rafaela: Sutilmente você indica ao cara qual o melhor caminho. Da mesma forma, no sexo oral dele olhando e percebendo o que o deixa mais louco. Se bem que eles não resistem e acabam contando a parte que mais gostaram, para que você repita sempre!!! Sandra Regina: Concordo. Telma: Concordo Paulo: Concordo! Detesto meninas silenciosas! Fica difícil saber o que fazer. Lívia: Eu também detesto homens mudos. Sandra Regina: E homens silenciosos também é ruim. Isso, Lívia. Telma: Pessoas que ficam com olhos entreabertos, sem falar nem expressar de modo algum. Parecem bonecos infláveis! Lívia: Sabe, acho que o único motivo para se gostar de fazer sexo oral, é o poder de provocar prazer no outro. Se o cara fica mudo, inerte, não reage, que graça tem? Paulo: Às vezes, falta sensibilidade pra demonstrar. Telma: É mesmo. Eu faço porque gosto e porque gosto de saber que dará prazer. Sandra Regina: O "desejo", na verdade, é meu maior fetiche. Lívia: Saber que o outro a deseja? Sandra Regina: Isso também, mas estou falando que tem gente tão preocupada em "ser boa de cama" que esquece de se deixar guiar pelo desejo. Paulo: Apoiada, Telma! E apoiada, Sandra! Lívia: Sim, tem razão. Sandra Regina: O desejo é um guia perfeito. Telma: E natural. Lívia: Mas convenhamos. Há alguns que por mais que haja desejo, não sabem o que fazer. Aí ou se parte pra "orientação" como disse a Telma, ou se larga pra lá. Paulo: Às vezes, falta alguma coisa, talvez experiência. A pessoa se assusta com o que está sentindo. Já tive uma menina assim na minha frente, é estranho. Telma:
Eu largo pra lá, junto minhas coisinhas e vou embora! É, pode ser, Paulo. (Continua na próxima edição)
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| Edição 18 | MESA REDONDA (parte III)
Lívia: Gente primeiramente, essa é a Telma. Convidei-a para participar do papo conosco. Todos dão as boas vindas. Lívia: Vamos falar de preliminares propriamente ditas. Paulo: Certo... Por onde começamos? "Preliminares" inclui a corte, ou você está falando de preliminares já no sexo? Lívia: Não, chega de corte. Falamos muito de subjetividades na última conversa. Sandra Regina: Corte? Meu deus o último que fez a corte foi D. Pedro! Brincadeirinha, Paulo, hoje estou malvada. Cuidado com o chicote... (risos) Lívia: Bem, vamos falar sobre clima, pra começar de leve. Um ambiente perfeito? Paulo: O clima, esse desconhecido! Lívia diz: O clima é uma coisa parecida com o "charme", né? Sandra Regina: Todo mundo sabe o que é, mas ninguém define. Lívia: Isso. Já foi inclusive tema da coluna do Léh, e ele colocou muito bem: é algo subjetivo, pessoal e variável. Paulo: Não sei Lívia, clima pra mim é algo externo que dá o estímulo que faltava. Lívia diz: Paulo, o externo seria o ambiente, acho eu. O clima se vê pelos olhos, pelo tom de voz, pela linguagem corporal. Sandra Regina: Clima sexual é quando tudo que você faz com o parceiro (ou provável parceiro) tem uma conotação sensual... E não resolvem ficar sensual uns momentos antes da transa. É uma vivência envolta em sensualidade. Paulo: Acho que esse "clima" é só a inevitável conclusão de que os dois querem transar. Sandra Regina: É claro que aqui não cabe sexo casual, que é outra coisa. Eu não tenho "tara" em ambiente. Rafaela: Discordo Sandra, acho que cabe sexo casual sim. Sexo é sexo. E clima tem de haver para haver sexo casual também. Pô, o casual não tem todo o amor do sexo entre pessoas que se amam, portanto, tem de haver o clima, senão tá lascado, não rola sexo por nada. Paulo: Lívia, eu entendi, associei clima à "ambiente propício". Sandra Regina: O clima tem que ser de intimidade no sentido mais certo da palavra - imo, de dentro, já que você vai botar alguém pra dentro de você. Lívia: Ótima colocação, Sandra! Rafaela, eu concordo, clima pinta em toda ocasião, depende dos fatores envolvidos. Sandra Regina: O problema é que muitos homens estão com você, mas não estão "em" você. Paulo: Epa, não fale assim dos homens! Muitas mulheres são assim também, vamos generalizar logo... Sandra Regina: Beijinhos te acalmam? (risos). Concordo, Paulo, muitas mulheres são assim. Lívia: São sim. Acho que não é questão de sexo, e sim de pessoa. Mas o interessante nesse papo de "clima", é que tendemos a pensar num quarto com velas, música, bebida, etc. Mas clima pinta em qualquer lugar, não? Até mesmo na rua, no elevador, no carro... Paulo: O pior é que isso causa uma baita decepção no outro lado. Parece que fomos usados. Sandra Regina: Eu gosto do ambiente preparado, mas isso não dá pra acontecer toda vez. Paulo, você é o segundo homem que diz algo parecido com isso, parabéns! Ponto pra você! Paulo: Obrigado! E acreditem, é sincero. Sandra Regina: É preciso dizer: as mulheres também usam muito os homens e raras admitem. Mas, voltemos ao tema: eu não faço questão de velas e rendas. Rafaela: Meu ex-namorado costumava dizer que eu não queria nada com ele, só usar o corpinho dele. (risos). Telma: O "clima" começa pra mim sempre no olhar, mas algo que demonstre "calma" nada de desespero. Postura é o que define. E as situações podem ser várias, mas a postura é que impõe a atenção inicial. Paulo: Mas nem sempre há "calma", né? Telma: Mas nem sempre é preciso calma (risos). Digo calma no sentido de não olhar e lançar aquelas línguas malditas e coisas do tipo. Paulo: Línguas malditas!... (gargalhada) Telma: Odeio línguas. Zander: Clima para mim é árido, semi-árido ou temperado, oras. Lívia: (gargalhada) Certo, então olha só, deu vontade, pintou um clima, está na hora. E aí, por onde começar? O que agrada mais? Sandra Regina: Acho que tem que ser assim: deu vontade e pronto. Mas acho que não dá pra definir por onde, fazer uma regra. Carícias são importantes pra mim. Sabe aquela canção do Chico: "desfrutar meu corpo como se meu corpo fosse a sua casa" é isso. Paulo: Eu acho que começa por um "acordo". Os dois têm que chegar ao consenso sobre ritmo, se precisa de mais excitação ou não, se pode ser longo ou se tem que durar 5 minutos. Sandra Regina: Essa é uma coisa sutil, você tem que aprender o parceiro. Paulo: Sim, com certeza. Nada de debates e mesas redondas, é um jogo de olhares, é uma pressão leve ou firme no corpo do outro, coisas assim. Esse é o "acordo". Sandra Regina: Claro, só me faltava um acordo pré-orgástico! (risos) Lívia: Têm razão, ambos. Quanto a ritmo e variações. Zander: E língua é importante bragaray. Tanto no beijo, quanto em preliminares. Beijo sem língua não existe. Sandra Regina: Eu concordo. Telma: Mas tem gente que pensa que língua foi feita pra comer ou algo assim. (risos) Lívia: (risada) Tem gente que pensa que muitas outras coisas foram feitas pra comer! Sandra Regina: E não foram? Acho pior quem acha que foi feito pra comer cru. Lívia: Exatamente! Sandra Regina: Dispensa o cozimento inicial, isso é péssimo! Telma: E geralmente vão com toda a gana possível! Paulo: É, tem muita gente afobada. Parece que passaram a adolescência toda vendo filme pornô. É um tal de língua, de começar a gemer antes mesmo de encostar na outra pessoa. A língua tem sua utilidade sim. O problema é quando a língua começa a ser usada indiscriminadamente, como se ela sozinha fosse tudo. E não usa mãos, e não usa olhares, e não pára um pouco, antes de saturar a outra pessoa com o estímulo. Telma: E é disso que falo! Tem gente que confunde beijo com língua, pessoas assim merecem uns tabefes! Sandra Regina: Beijo tem que ter língua. Lívia: Apoiado. Concordamos então que língua não pode faltar nas preliminares? Rafaela: Se faltar língua nas preliminares a mulher está danada. Vai perder mais de 50% da graça. Muito mais até. Telma: Sim, concordo também. Paulo: Sim, mas deve ser usada com moderação. Zander: E eu beijo de olhos abertos. Não confio em quem beija de olhos fechados! Lívia: Ah, Zander, mas isso é o maior quebra-clima! Zander: Não tenho regras para isso, Lívia. Já tive preliminares orais que dispensaram o uso de língua na outra. Lívia: Não tem regra pra preliminares, mas tem regras pra beijo? Que interessante. Telma: Tem regra pra beijo não, mas pra surpreender não se pode empolgar demais numa coisa só (a língua!). Sandra Regina: Eu não diria moderação, Paulo, diria, "sabedoria" se for bem usada ninguém reclama de quantidade. Lívia: Moderação não, eu acho que não pode ter dó de usar, mas tem que saber usar, isso é unânime. Zander: Vocês já viram o filme do Giordano Bruno, o monge que foi queimado na renascença por defender que a terra girava em torno do Sol? Lívia: Desenvolva. Zander: Ele leva a mulher ao êxtase apenas falando heresias para ela. Sandra Regina: É como a Sierva María de Todos Los Angeles, do Garcia Marques. Ela goza apenas com as rezas do Padre Cayetano. Lívia: As pessoas se excitam com diferentes estímulos. Zander: Ou seja, as preliminares foram apenas orais, sem o beijo em si. Exatamente. Lívia: A "vítima" do crime do Padre Amaro também. Ela tem "agonias" apenas ouvindo-o pregar. Sandra Regina: Isso é genial! Zander: Exato. Então, língua é bom, é do caralho, mas não é tudo. Telma: Concordo Zander. Sandra Regina: Hum, me parece que os padres de modo geral mandam bem nas preliminares. (risos). Telma: (risada) Lívia: Mas podemos dizer então que língua bem usada, tanto pra lamber quanto pra sussurrar, é impagável. Paulo: Vocês podem desenvolver mais essa questão do "excitar com palavras"? Queria ler mais antes de dar minha opinião. Lívia: Alguém aí (além de mim) se excita com palavras? (respondendo ao que o Paulo pediu) Sandra Regina: Pra lamber, sussurrar, morder e outras cositas más. Zander: Não sou muito fã de texto sexual na cama. Odeio o "ai me fode gostoso agora seu picudo" e afins. Agora gemidos... humm... Sandra Regina: Claro, sexo tem tudo a ver com palavras. Telma: Às vezes, Lívia, tem que ser um enredo que me atraia demais. (gargalhada) Zander, ah não! Lívia: Será possível? Sandra Regina: Essa de "picudo" salvai-nos Afrodite! (risos) Zander: Mas, particularmente, eu AMO beijar. Posso até estar na "meia bomba" antes, mas se a menina beija bem, não há zíper que resista. Sandra Regina: Eu também amo beijar, desfrutar os beijos. Telma: Beijar é um dos principais lances. Zander: Pessoalmente, é o principal, às vezes a melhor coisa numa relação. Depois do beijo, o melhor é o acordar junto. Lívia: Então, beijo é unanimidade, como um pré-sexo, a rainha das preliminares. Pelo beijo dá pra saber se há entrosamento suficiente? Sandra Regina: Sim, dá pra perceber pelo beijo se a coisa vai funcionar. Paulo: Não necessariamente, Lívia. Às vezes, a pessoa só sabe beijar. Lívia diz: Sério? Já aconteceu com você? Paulo: É pra falar? (risos) Sandra Regina: Comigo nunca aconteceu, se o beijo foi pífio o resto também. Lívia: Concordo Sandra. Será que isso é inerente ao sexo? Mulheres enganam pelo beijo, mas os homens não? Rafaela: Não acredito que seja inerente ao sexo. Acho q às vezes o cara ou a mulher tem o talento sexual e ainda não foi explorado. Portanto, pode ter muito fogo no beijo, q provavelmente tem mais prática e na hora do sexo é meio travado ainda, com alguns tabus porque ainda não teve a oportunidade de se aprimorar, de aflorar todo o talento. Zander: Comigo sim. A garota beijava maravilhosamente. Quente, rápida. Parecia que tinha uma cobra na boca. Era um beijo de alto grau de paudurescência e de estilhaço de zíper instantâneo. Lívia: Esse adjetivo é fantástico! (gargalhando) Sandra Regina: Olha aí, que neologismo incrível! Zander: Mas, quando tiramos as roupas, fiquei para pintor... high brochable. Sandra Regina: Ela não correspondeu à promessa do beijo? Zander: Era um não me toque aqui, não desarruma o meu cabelo, ai! Aí dói! Que me cortou todo o tesão. "Ai, odeio espelho no teto!" Coisas assim, sabe? "Como assim chupar?" Sandra Regina: Ai, isso é horrível, pelo menos os homens (me parece) não se preocupam com isso, apesar que não experimentei nenhum metrossexual. Zander: Isso depois da perva ter gozado umas vezes comigo ali, fazendo o trabalho lingual. Lívia: Opa, evite referir-se ao sexo feminino aqui como perva ou sinônimos, faça o favor. Homens aqui são minoria, ou seja, alto risco de linchamento. Sandra Regina: Perva eu não conhecia. Paulo: Perva? O que é Perva? Telma: Ainda bem que nunca deixei homem irado desse jeito! (risada). Lívia: Pervertida, vagabunda, coisas do tipo, Paulo. Sandra Regina: Ah, saquei. Paulo: Ah, entendi... Zander: Exato. Mas existe perversão maior que negar o sexo bem feito? Por isso era uma perva! Lívia: Zander, não me provoque. Sandra Regina: É, não existe, Zander. Zander: Ops! Sim sinhá! Vô mi comporta. Telma: Ainda mais quando promete e não faz nada! Lívia: Bom, está certo. Alguém aí já ouviu falar em gente que tem nojo de sexo oral? Tanto homem quanto mulher? Zander: Exato Telma. Propaganda enganosa. Ah, eu conheço. Sei de dois casos. Aliás, três contando comigo. Sandra Regina: Eu já ouvi falar sim, de homens que não gostam de fazer. Lívia: Eu também. Um já me disse que "não gosta do cheiro". E nem era questão de ser suja, era qualquer uma, mesmo que fosse a da Gisele Bundchen. Telma: Conheço tipos assim. Amigos que me contam que têm nojo de sexo oral. Têm vontade de fazer, mas sentem nojo (e dizem que nunca fizeram). Sandra Regina: Nojo é expressão dura hein? Paulo: Conheci uma menina que dizia que não conseguia fazer sexo oral porque "o pinto é uma coisa feia, não agüenta ficar olhando pra ele". Telma: Fecha os olhos, caramba! (gargalhada) Sandra Regina: Ai ai ai, essa é demais Paulo! Lívia: Mas eu também já ouvi algo parecido, Paulo. Paulo: Conte, Lívia! Mais detalhes! Zander: Posso contar? Primeiro caso: eu namorava uma menina, o sexo era sensacional, o beijo, tudo. Foi a primeira vez que uma mulher gozou quando eu fazia o sexo oral. Antes eu tinha um misto de nojo e de "pra que isso?" sabe? Mas quando ela gozou, travou as coxas na minha cabeça e tremeu como nunca antes.E eu, numa posição privilegiada, vendo o gozo inteiro dela, via os olhos se revirando as unhas cravando na cama. Aí perdi o nojo totalmente. Sandra Regina: Propaganda sexual gratuita! (risos) Zander: Nem é propaganda, gente. Não acredito em homem ou mulher bons de cama. Sandra Regina: Legal, experiência própria. Zander: Acredito em casais com química! Lívia: Eu concordo Zander. Sandra Regina: Eu tô com o Zander. Mas vocês acham que sexo oral é como catecismo: é dando que se recebe? Lívia: DEVERIA ser. Mas volta e meia nos deparamos com uns tipos por aí que só querem o "venha a nós", e o "vosso reino" nada. Rafaela: Isso que eu ia dizer. Tem muito daqueles que não podem deixar de receber o sexo oral deles. Mas o que acho mais impressionante é que a maioria acha que não precisa perder muito tempo com você e você doida pra gozar na boca do cara. Acha que uma chupadinha já te deixa acesa. Pô... Vai até o final, caramba! E outra que me irrita demais. Não beijar depois de receber o sexo oral. O cara tem nojo de si? Sandra Regina: Isso é verdade. Paulo: Tudo no sexo deveria ser "dando que se recebe". Telma: É mesmo. Sandra Regina: É sim, Paulo. Lívia: E pensa só uma coisa: isso talvez seja cultural também. Sandra Regina: É claro que é. Lívia: É admissível um sujeito virar pra você e dizer: "não sou chegado em sexo oral", mas uma garota dizer que "não quer fazer" é o fim do mundo. Telma: É como se existissem "etapas no sexo", que devem ser cumpridas por homens e outras. Sandra Regina: "Mulher é suja" é quase um preceito da religião predominante. Lívia: É como se fosse ato obrigatório. Sandra Regina: É verdade, é tomado como obrigatório, dia desses eu estava vendo a Penélope da MTV e ela falou uma baboseira tão grande sobre isso... Exatamente dando a conotação de obrigatório. Telma: Por isso muitos homens se surpreendem com atitudes de mulheres na cama, e depois pensam que são mulheres que não prestam, já ouvi muita opinião assim. Lívia: Sem falar outra coisa: Homens se julgam no direito de não fazer e, quando fazem (oh, magnânimos!) não se importam com a qualidade. Sandra Regina: Detestável. Então: mulher não tem obrigação de fazer sexo oral, deveria fazer se gosta e se quer, não porque senão fica sem o cara, ou com fama de "ruim de cama". Já ouvi alunas dizerem que fazem porque depois os caras comentam que elas "são ruins de cama", que coisa ridícula! Paulo: Sandra, acho que ninguém tem que ter obrigação de nada... Agora, se pediu alguma coisa, tem que estar disposto a retribuir também. Telma: É, mas pior é prometer e deixar o outro a ver navios! Lívia: É exatamente do que eu tava falando. Mulher que não faz sexo oral (como assim, sexo oral é básico, oras! Não é?) é ruim de cama e o cara, nada, continua sendo o fodão. Sandra Regina: Isso, eu acho importante falar sobre isso Lívia, porque as meninas se ferram com essa história. Sexo oral virou uma espécie de regra pra definir quem é boa de cama ou não e isso não pode ser admitido. Rafaela: Eu ia tecer comentários aqui, mas nunca entrei nesse mérito, porque nunca deixei de fazer, e desconheço alguma que não goste de fazer. Eu amo. Então me soa estranho quem não gosta. Sem preconceitos, mas acho tabu besta. Não há nada mais gostoso do que ver o cara entregue. Lívia: Exato. Já ouviram alguma discussão absurda sobre o ato em si? Paulo: É porque é assim que ensinam no filme pornô! Sandra Regina: Eu já. Lívia: Tem uma música do Raimundos que fala sobre isso, chama-se BOCA DE LATA, sobre a garota passar os dentes e sei lá mais o que. Telma: Como se isso servisse de avaliação para ambos. Conheço a tal música. Sandra Regina: Eu não lembro da música. Então: depreciativa! Paulo: Ela morde? Deve doer. Lívia: Exatamente, Sandra. (risada) Não, Paulo, não morde. Paulo: Sorte do cara... Ufa! Sandra Regina: Eu acho que é algo natural, querer proporcionar mais prazer quando você está recebendo, o que passar disso é anátema! Lívia: Certo, concordo. Sandra Regina: Já temos que preliminares são importantes e o beijo é fundamental na preliminar. Lívia: Sim, muito, Sexo sem beijo é como contato profissional. Paulo: Sexo sem beijo é coisa da Julia Roberts... (risos) Sandra Regina: Ah sim! Lívia: (Eu entendi a colocação, foi o mesmo em que pensei, embora tenha pensado em coisas menos sutis... (risos) Esse rapaz é um gentleman! Sandra Regina: Nem diga! Paulo: Se eu sou um gentleman, não posso pegar muito pesado na presença de três damas, oras. (risos) Sandra Regina: Obrigada pela dama que me toca, Paulo. (Continua na próxima edição)
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| Edição 17 | MESA REDONDA (parte II)
Paulo: Sexo deveria ter utilidade? (Utilidade no sentido de servir para se ganhar algo além do prazer no ato). Lívia: NÃO! Paulo, sexo já teve muito essa conotação... Trepar para ganhar alguma coisa, isso não é direito... É uma atividade em que deve haver troca, mas necessariamente troca de prazer, de carícias, e nunca "só transo com você se..." Isso é manipulação! Sandra Regina: NÃO, sexo é atividade lúdica! É brinquedo, é a forma de nos mantermos "seres brincantes" pela vida toda. Rafaela: A maioria que fazia isso no passado já mudou a tática. Não usam mais o sexo. Aproveitam-se do sexo e fazem filho, para aí sim, ganhar algo com isso! (risos). Concordo com você, Lívia, mas você já teve namorado egoísta? Eu já. E quando eu precisava de alguma coisa, ou era greve ou era regime de engorda! Até conseguir que ele fizesse o que eu queria e não só o que ele queria. Paulo: Eu concordo. Mas, como é difícil ver alguém pensar e, principalmente, agir dessa forma! Zander: Sexo É útil. É a cola social. É o que permite que possamos viver em grupo. É o que permite que a espécie se propague. O prazer que o sexo gera é o que move a cultura e tudo o mais. Mas é uma utilidade sutil, assim como comer, mijar, respirar. Lívia: Vamos voltar um pouco. A última questão colocada foi: o que te dá prazer, certo? Respostas. Sandra Regina: Seduzir é uma coisa que me dá prazer, através de qualquer coisa, levo isso para toda área da minha vida: seduzir leitores, por exemplo. LC Carvalho: Ponto para a Sandra. Sedução é algo muito prazeroso e meu trabalho lida muito com isso. Paulo: O que me dá prazer é uma coisa chamada novidade. Ela predomina, embora possa haver mais coisa em jogo. Em relação ao sexo, pode ser com uma pessoa nova, ou com a mesma pessoa, desde que não comece a parecer que é "sempre do mesmo jeito"... Lívia: Paulo, isso que você disse é muito sério e eu estou de acordo. O que me excita, o que me dá prazer, é o desafio. Encarar o desconhecido, a novidade, e também a sedução que envolve essa novidade. Paulo: Isso, desafio! Adoro desafios! LC Carvalho: Gosto do desconhecido, do estranhamento, da sensação que o medo provoca. Lívia: Roberta, o que te dá prazer? Roberta: Sintonia, cumplicidade, isso é o que me dá prazer. Aquele lance de dar as mãos na hora e apertar. Lívia: Essa realmente é uma outra faceta. Que se opõe à novidade, de certa forma. Quem precisa de novidades e desafios para ficar ligado, tem dificuldade em cultivar uma relação baseada em cumplicidade por muito tempo. LC Carvalho: Cumplicidade! Sandra Regina: Eu prefiro cumplicidade que novidade. Zander: Endosso essa afirmação. Cumplicidade é tudo. Novidade é sede. Uma vez saciada, babau. LC Carvalho: Sandra, eu fui casado 25 anos, portanto fiz sexo sempre com a mesma pessoa. Pergunta: onde fica a novidade? Não nos separamos por sexo, mas por rotina confusa. Tem pessoas que conheço que acham a rotina sexual em casamento muito monótona, mas tem que ser assim? Sandra Regina: Não estou falando de novidade, mas de cumplicidade. Eu sou mais a favor da cumplicidade do que da novidade. Tudo na vida é rotina, você pode mudar o parceiro, mas há rotina no sexo também, é um condicionante cultural. Mas independente disso, tem que haver desejo e prazer. Paulo: Mas ser cúmplice sem ser tedioso é um desafio e tanto! Rafaela: Paulo, para mim a fórmula do tesão é admiração e cumplicidade. Uma vez que há os dois, o tesão dificilmente se esvai. Sandra Regina: Sexo casual nunca é tão bom como sexo com alguém com quem você cultiva intimidade. Seduzir a mesma pessoa muitas vezes, inventar-se de novo pra ela. Lívia: Concordo Paulo e concordo Sandra! Acho que chegamos à conclusão de que novidade e cumplicidade são dois extremos, coisas que movem uns e outros, mas nunca ambas as coisas juntas... Pegando o gancho, vocês acham que mudaram muito ao longo da vida, sexualmente falando? Valorizam coisas diferentes, querem coisas diferentes? Sandra Regina: Eu mudei muito. Eu via o sexo como uma forma de me rebelar contra o status quo. Paulo: Sim. Antes eu tinha medo de falhar! Rafaela: Tenho um amigo que diz que "pau duro" não é obrigação, é merecimento, e está certíssimo. Zander: Discordo. Pau duro é química. Merecendo ou não. Taí o Viagra e afins. Paulo: E, esclarecendo: falhar, pra mim, é ter prazer sozinho num negócio que era pros dois curtirem. Depois que falhei (não estou falando de brochar, e sim de gozar sem que ela gozasse também), tudo ficou mais natural! Rafaela: Transar sem obrigação de gozar é tão bom. Várias vezes, já gozei sem o cara gozar e vice-versa, e outras tantas gozamos os dois, juntos ou alternadamente, e é difícil dizer qual foi a mais gostosa. Zander: Você marcou um ponto aí. Lívia: Este é um bom tópico, Paulo, mas vamos falar mais pra frente, ainda estamos nas preliminares! Sandra Regina: Eu mudei muito; hoje não confundo tesão com paixão nem com amor, nem acho que o amor te imuniza contra o tesão por outras pessoas, etc. Acho que amadureci. Lívia: Sandra, falou tudo! Sandra Regina: Obrigada, Lívia. Estou na escola... (risos) LC Carvalho: Amadurecer é mesmo muito importante. Às vezes me impressiono com o amadurecimento de algumas jovens mulheres (papo careta esse meu... risos). Lívia: Esta foi a minha mudança também, essencialmente. E mais, aprendi a valorizar a cumplicidade, a novidade já não me interessa tanto. Sandra Regina: Eu dou aula na Faculdade da Terceira Idade, ouço cada história! LC Carvalho: Terceira idade tem sabedoria e frustrações, eu acho. Todos nós, né? Mais um pouco estou ingressando na sua sala de aula. Sandra Regina: Mas, eles estão dispostos a aprender, acho isso genial. Tenho um aluno da minha idade, ele adora o curso. LC Carvalho: Leva-se muito tempo para ser jovem, já dizia Pablo Picasso... Ah, então me inscrevo já! Sandra Regina: Isso, adoro esse pensamento. LC Carvalho: O contato com a nova geração é que me ajuda a lembrar da juventude. Zander: "Juventude, por favor envelheça! E rápido!" - Nelson Rodrigues (acho!) Paulo: Tenho percebido que o melhor pra nós é continuar aprendendo. Mas aprender significa reconhecer que não se sabe. Confesso que tento sempre aprender muito, mas que sexo é um assunto difícil demais. LC Carvalho: Bacana, Paulo. Sandra, você está no primeiro casamento? Desculpe a pergunta. Sandra Regina: É o segundo, mas já dura por vinte e dois anos. A primeira vez eu casei aos 17 anos, com meu professor de história; durou por três anos. Depois me casei de novo aos 23 anos e tive meu filho aos 25. Lívia: Vamos continuar! Falamos sobre o que nos dá prazer. E o que tira o prazer? O que nos faz perder totalmente o tesão? Rafaela: Sabe o cara que transa com o espelho? Você está ali, mas mero objeto do prazer individual do cara. Ele se acha tão gostoso, tão fodão, tão boa foda que você vai se apaixonar por ele tanto quanto ele mesmo, oh grande Narciso. Dá vontade de levantar na hora e falar para ele fazer justiça com as próprias mãos que terá muito mais prazer. Uó! Lívia: Boa Rafaela! Zander: Espelho é bom para ver a parceira de um outro ângulo. Como se fosse um pornô (com história) onde a atriz principal é a parceira. Talvez por isso a galera queira se gravar trepando. Ou não, posso estar sendo naïve aí. Paulo: Bafo de cigarro! Nunca namorei uma fumante, por isso meu sentimento anti-tabagista ainda não foi amaciado. Lívia: Boa, Paulo, bem honesta e direta essa. Zander: Nada contra cigarro. Nem a favor. Sandra Regina: Várias coisas, mas vou escolher a mais chata. O cara que se acha, que fica falando o tempo todo de tudo de bom que ele é. Essa é uma coisa subjetiva. Objetiva, eu diria problemas com higiene pessoal, incluindo a bucal, porque mesmo o fumante é tolerável se for caprichoso com a higiene. Paulo: É, convencimento é uma droga! As meninas também sofrem desse mal, infelizmente. Lívia: O que te tira o tesão, Luca? Não o que te faz brochar, mas o que faz vc perder a vontade, mesmo que estivesse apenas na sugestão? LC Carvalho: Ah, para haver vontade tem que haver química. Tendo isso, uma coisa que me faz broxar é quando pinta sentimento de culpa, e olha que eu nem trabalho com essa coisa judaico-cristão de culpa que eles inventaram. É uma droga. Lívia: O que me brocha é obrigação. Aquela coisa de estar casado ou mesmo morando junto, e ter que dar uma antes de dormir, ou antes de sair de manhã. Zander: O que me broxa é o pau. Sério agora, tem coisas que me tiram totalmente o tesão. Querer dirigir o ato em si é uma: "Me chupa assim! Anda! Me come desse jeito, vai! Agora! Pula o cercado! Quero um duplo carpado! Vai que você consegue!" Outra é não topar usar roupas de couro, chicotes e laçarotes de cetim. Mas isso é uma outra história. LC Carvalho: Obrigação é um saco! Paulo, você já fez ou se sentiu obrigado? Sandra Regina: Eu nunca transei obrigada, já transei pra ser boa samaritana, isso sim! Sabe, voluntariado sexual? Paulo: Sexo? Se eu já fiz sexo sendo obrigado? Ainda não tive o prazer da experiência. LC Carvalho: Caraca, isso é que é boa samaritana! Ah, Sandra... Isso é muito engraçado! Roberta: Eu nunca transei obrigada porque quebrei o clima quando ele tentou "forçar" através de chantagem sentimental. LC Carvalho: Cara, já evitei uma "curra", é muito estranho mesmo isso. Sandra Regina: Nunca me aconteceu, felizmente. Lívia: Alguém já transou rezando pra acabar logo? Roberta: Já! Paulo: Não, já rezei pra durar mais 3 horas! Sou um menino religioso. Sandra Regina: Ajoelhou tem que rezar? LC Carvalho: 3 horas ou mais um pouquinho! Zander: Já rezei para ganhar na mega-sena e aumentar o meu sex appeal por conseqüência. Sandra Regina: Eu também já fiz orações como o Paulo, acho que tem que escolher muito bem antes de ir para baixo dos lençóis! (risos) Lívia: Nem era isso que eu estava pensando Sandra. Sabe aquela coisa: estamos aqui os dois sozinhos, sem fazer nada, nada impede, por que não? Vem cá minha nega. Matteo: Eu já transei rezando tanto pra acabar que acabou mesmo... Paulo: Putz, eu também quero ter essa experiência! "Vem cá minha nega"... Uau! Sandra Regina: Lívia, eu não acho chato isso, porque não? Eu não to fazendo nada, você também... LC Carvalho: Ângela Rorô dizia, "chega na minha, gatinha"... Lívia: Ah, Sandra, essa coisa de chegar pegando, como se fosse propriedade é um horror. Sandra Regina: Ah, entendi. Zander: Uai, mas não é assim desde sempre? O homem é dono da mulher, aí tem o dote e... ah! Estamos falando de padrões modernos... é verdade... esse lance de propriedade é uma merda mesmo. Viva a reforma agrária feminina! Gisele Bundchen para todos! Matteo: Meu irmão costumava perguntar pras garotas se elas queriam "dar um cutuco forte". Paulo: Olha, eu parto do pressuposto de que, pra haver sexo, há predisposição de ambos os lados... Nesse sentido, "vem cá minha nega", ou "vambora?", tudo isso deve ser bem legal! Dominar e ser objeto também fazem parte do sexo. Sandra Regina: É por isso que a coisa da cumplicidade faz diferença. Roberta: Eu adoro que me chame de nega, que me puxe pelo cabelo e me jogue na parede, me chame de lagartixa. Lívia: O problema não é a expressão, é a conotação. Bem, em frente. Alguém já passou por uma fase junkie aí? Daquelas em que aconteciam coisas que era melhor esquecer que aconteceram? Alguém já se sentiu sujo? Zander: Ontem. Quer dizer, nunca! LC Carvalho: Defina! Sandra Regina: Não, nunca tive esse sentimento, não fui criada com religião por perto, acho que tem a ver. Lívia:Sabe quando a coisa sai do controle, acontecem coisas das quais não se orgulha com quem não se queria muito, se acorda sem saber onde ou quem está dormindo do lado? Matteo: Lívia isso não é sujeira, é vida real. | ||