géh - arte sexualidade
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Edição 25

Galeria - Masami Teraoka

A carreira de Masami Teraoka é marcada por pinturas que abordam temas atuais e polêmicos na mídia, incluindo casamento gay, política, relações internacionais, censura, invasão de privacidade, discriminação religiosa, entre outros fenômenos de cultura de massa.

Partindo de temas em destaque no noticiário, cria um mundo visual reunindo linhas, formas e cores em um elevado nível de desafio estético. Seu foco é nos temas atuais articulados em um nível metafórico em vez de criar uma cópia da realidade. Suas pinturas são narrativas fantásticas dos dilemas humanos, representados em complexas combinações do Belo e do Terrível, evoluindo a partir da aquarela tradicional japonesa em direção à pintura ocidental a óleo.

Venus Security Check - arte sexualidade

Venus Serpentine Confession - 2003 - Óleo e acrílico sobre madeira com moldura dourada

A parte superior desta narrativa em forma de tríptico se passa em cabines telefônicas de Londres em torno do Serpentine - um lago no Hyde Park. Padres confessam seus pecados a uma mulher em cabines telefônicas, uma mulher foge de um padre com implantes de silicone nos seios, um padre obtém uma confissão através de tortura enquanto um bispo perde perdão a mulheres e freiras pelos casos de abuso sexual cometidos por padres, enquanto o batismo de uma criança relembra a prática dos sacramentos.

Adam Eve - arte sexualidade
Adam and Eve / Website 2000, 1997 - 2004, Óleo sobre tela

A "Inquisição Virtual" é um tema largamente abordado por Teraoka. Ele entende a sociedade ocidental, especialmente a dos Estados Unidos, como a cultura da imaginação ilimitada. A incrível revolução tecnológica, com seus aparelhos altamente avançados, a clonagem humana, a modificação cirúrgica do corpo para atender a objetivos estéticos, é veículo também para a opressão individual e a invasão de privacidade e reflete uma ética e uma moralidade cujas raízes foram objeto de sua investigação e representação em seus trabalhos.

 

Us Inquisition - The Pope of Thong - arte sexualidade

US Inquisition/The Pope of Thong, 2003, óleo sobre tela.

"Os americanos parecem à vontade com a idéia de lidar com seus corpos como se fossem automóveis", diz o autor, "se uma peça não funciona, troque-a por outra". Ao mesmo tempo, a sexualidade de seu líder maior, o presidente, exposta durante o caso Monica Lewinski, é exposta e discutida na TV e nos monitores de computadores do mundo inteiro, trazendo à tona uma moralidade e uma ética que remete à Inquisição Espanhola.

Eve Cloning Baptism - arte sexualidade

Virtual Inquisition / Eve's Cloning Baptism, 1999, Óleo sobre tela.

Ele pega emprestado do Catolicismo, portanto, símbolos para compor a narrativa desta ética, por considerá-la a religião mais "visualmente orientada do Ocidente".

Música

A HISTÓRIA DE LILY BRAUN
Edu Lobo/Chico Buarque

arte sexualidade

Como num romance
O homem dos meus sonhos
Me apareceu no dancing
Era mais um
Só que num relance
Os seus olhos me chuparam
Feito um zoom

Ele me comia
Com aqueles olhos
De comer fotografia
Eu disse cheese
E de close em close
Fui perdendo a pose
E até sorri, feliz

E voltou
Me ofereceu um drinque
Me chamou de anjo azul
Minha visão
Foi desde então ficando flou

Como no cinema
Me mandava às vezes
Uma rosa e um poema
Foco de luz
Eu, feito uma gema
Me desmilingüindo toda
Ao som do blues

Abusou do scotch
Disse que meu corpo
Era só dele aquela noite
Eu disse please
Xale no decote
Disparei com as faces
Rubras e febris

E voltou
No derradeiro show
Com dez poemas e um buquê
Eu disse adeus
Já vou com os meus
Numa turnê

Como amar esposa
Disse ele que agora
Só me amava como esposa
Não como star
Me amassou as rosas
Me queimou as fotos
Me beijou no altar

Nunca mais romance
Nunca mais cinema
Nunca mais drinque no dancing
Nunca mais cheese
Nunca uma espelunca
Uma rosa nunca
Nunca mais feliz.

 

Edição 24

Galeria - Achille Devéria

(Paris, 1800-1857) Pintor e litógrafo francês. Famoso por sua produção litográfica, nos quais refletia os costumes da época. Abaixo sequência de litografias da história da moralidade sobre "Louis-Philippe" (c. 1835).

arte sexualidade

Muitas religiões têm suas origens em “revelações místicas”. Uma vez institucionalizadas, porém, elas proíbem seus seguidores de alcançarem o “conhecimento”, com o objetivo de preservar sua integridade e monopólio.

arte sexualidade

O misticismo é um dos meios que podem desviar a libido da sexualidade. Não é por acaso que os místicos impõem a si mesmos a abstinência sexual, falando sobre um “êxtase místico”. Além disso, observam-se que as “crises místicas” são, por vezes, acompanhadas de ejaculações.

arte sexualidade

É interessante notar que, no caso da religião cristã, a Inquisição proibiu a ingestão de substâncias psicotrópicas (usadas freqüentemente por xamanistas para atingir outros "níveis de realidade", bem como para exploração do “inconsciente”) e a interpretação de sonhos pois, se Deus se dirige apenas à Igreja, os sonhos poderiam advir somente de Satã.

 

arte sexualidade

Não é também, portanto, por acaso que a sexualidade é uma obsessão religiosa fundamental, seja judia, cristã ou muçulmana. Nada nessas religiões é mais intolerável do que qualquer coisa que leve a sexualidade além dos limites da simples função reprodutiva (contracepção, masturbação, bi ou homossexualidade, etc).

arte sexualidade

A religião Judaico-Cristã inventou o personagem do Diabo, encarnação da dor. Entretanto, ela o fez através da transformação do Deus grego Dioniso (Baco, para o romanos), deus dos festins, do vinho, do êxtase, um deus honrado com orgias (Bacanais). A iconografia medieval do Diabo o representa sob a forma do deus Pã ou de um Sátiro (com chifres e patas de bode). Os bacanais sobreviveram clandestinamente durante séculos sob a forma de “Sabás” (Missas Negras), perseguidas pela Inquisição.

 

arte sexualidade

O personagem do Diabo sempre foi associado aos impulses da libido. Quando a Igreja Católica perde grande parte de seu poder, ao final do século XIX, os humoristas se permitem produzir sem limitações sátiras diretas sobre esse tema.

Música

Géssica Hellmann - The Dance - arte sexualidade
The Dance (Acrílico sobre Tela por Géssica Hellmann)

“O quadro acima, que serve de plano de fundo para esta edição do site, foi inspirado na letra da canção “The Dance”, lançada em 1977 pela banda Uriah Heep em seu álbum “Innocent Victim”. O canto potente de John Lawton, com o acompanhamento de uma sólida base construída pelo baixista Trevor Bolder e pelo baterista Lee Kerslake, do riff pseudo-reggae do guitarrista Mick Box e dos toques sutis do tecladista Ken Hensley, criam o clima sonoro ideal para uma pequena história “mística”, rica em simbolismos e metáforas que remetem ao “Retrato Dorian Gray” e a alguns contos de Edgar Allan Poe. Foi minha primeira obra produzida a partir de sons e poesia em vez de referências visuais... Certamente, não a última”. (Géssica Hellmann)

 

The Dance / A Dança (tradução livre de Alexei Gonçalves)
Uriah Heep

See the picture in the hall / Veja o quadro no salão
Framed in magic on the wall / Emparedado em mágica moldura.
Ain't it funny how it glows? / Não é engraçado o quanto brilha?
What's on the inside no one knows / Quem saberá o que contém?
What makes this picture so inviting / O que há neste quadro de tão convidativo
To those who stand outside it? / Para os que em seu exterior se postam?

Maybe it's the dancers / Talvez sejam os dançarinos,
Or maybe it's the dance / Ou talvez a dança
The dancer dances / Que o dançarino dança.

Thousands fill the gallery / Milhares lotam a galeria
Pay their price to see a dream / Pagam o preço de ver um sonho
They can make believe for free / Embora possam fingir gratuita
Two hours' worth of fantasy / Duas horas em valor de fantasia.
Maybe they pretend the picture's them / Talvez simulem o ser no quadro,
Or maybe they just love to sit and blend / Talvez apenas amem o sentar e mesclar-se,

Maybe it's the dancer / Talvez seja o dançarino,
Or maybe it's the dance / Ou talvez a dança
the dancer dances / Que o dançarino dança.

Tonight the picture has no frame / Esta noite o quadro liberta-se:
Colours unleash and float away / Livre de molduras e, libertas, suas cores
To each and every one of you / Flutuam para cada um e todos vocês.
Tonight the spirit brings the news / Esta noite o espírito traz as novas:
You become a part of it all / Vocês são parte do todo
Thousands turn to one in the hall / Milhares em um enchem o salão:

You become the Dancer / Vocês se tornam o Dançarino
And we become the dance / E, nós, a dança,
The Dancer dances / Que o Dançarino dança!

 

Edição 23

Galeria - Jean-Auguste-Dominique Ingres

Montauban, 1780 - Paris, 1867

Pintor francês. Filho de um escultor ornamentista, educou-se inicialmente em Toulouse. Depois, formado na oficina de David, permaneceu fiel aos postulados neoclássicos do seu mestre ao longo de toda a vida. Passou muitos anos em Roma, onde assimilou aspectos formais de Rafael e do Maneirismo. Ingres, morto em 1867, sobreviveu à época de predomínio do seu estilo. A partir de 1830 opôs-se com veemência, da sua posição de acadêmico, ao triunfo do romantismo pictórico representado por Delacroix. Ingres preferia os retratos e os nus às cenas mitológicas e históricas.

Fonte: http://www.vidaslusofonas.pt/j_a_d_ingres.htm

Ingres - arte sexualidade
Le bain turc (detail) (1862) por Ingres

Ingres - arte sexualidade

The foolowing drawings belong to a sketchbook (1800-1806) por Ingres

Ingres - arte sexualidade
Femme nue allongée sur un lit por Ingres

Ingres - arte sexualidade
Couple nu faisant l'amour por Ingres
Ingres - arte sexualidade
Banhista (1806) por Ingres
Ingres - arte sexualidade
Odalisque with a slave por Ingres

Música

Mil e Uma Noites
[George Israel / Bruno Fortunato / Paula Toller]

O sexo que fazemos
é pura categoria
O sexo que fazemos
é digestão, fotografia
perna forte, braço forte
Mil e uma noites
de recordes mundiais
profissionais, transcendentais
improvisados, propositais
Mil e uma noites
contando segredos
não temos corpo perfeito,
sabemos usa-lo bem
Delícias permanentes, violência e prazer
nessa hora eu sou estranha
e desconheço você

 

Edição 22

Galeria - Pablo Picasso

PABLO RUIZ PICASSO ( 1881 - 1973 ), pintor espanhol, é considerado o "gênio do século" das artes plásticas e fundador da arte moderna, por ter construído a maior e mais rica obra de toda a história da arte. Produzindo desde os oito até os noventa e um anos de idade, Picasso foi pintor, desenhista, gravador, litografo, ceramista e escultor. Sua arte, antes de ser uma expressão da sociedade, é a arte de um homem inovador e irreverente.

Picasso teve atividade artística até o fim de sua vida, complexo e irreverente, repudiou toda e qualquer convenção. A descontinuidade de sua obra reflete o homem Picasso, o criador inesgotável, inventor de formas, pronto a abandonar a qualquer instante o que vinha fazendo para fazer algo diferente no instante seguinte.

Fonte:http://www2.uol.com.br/museus/picasso/perfil.html

A galeria desta edição enfatiza a obra "erótica" de Picasso. Com pinturas e desenhos que pouco costumam aparecer nos catálogos de obra de arte. Obras que refletem o erotismo e a sexualidade de forma explícita.

Picasso - arte sexualidade
Couple, diary (1964) por Pablo Picasso

Picasso - arte sexualidade
Feminine Figure or The Bidet (1902-1903) por Pablo Picasso

Picasso - arte sexualidade
Woman of Easy Virtue (1903) por Pablo Picasso

Picasso - arte sexualidade
Pissing Woman (1965) por Pablo Picasso

Picasso - arte sexualidade
Nymph and Satyr (1968) por por Pablo Picasso

Picasso - arte sexualidade
Drawing of Woman's Sexes (1971) por Pablo Picasso

Picasso - arte sexualidade
Sketchbook (1971) por Pablo Picasso

Picasso - arte sexualidade
Erotic engraving (1968-1972) por Pablo Picasso

Picasso - arte sexualidade
Erotic engravings (1968-1972) por Pablo Picasso

Picasso - arte sexualidade
Sketchbook (1971) por Pablo Picasso

Música

MAIS QUE PERFEITO
George Israel/Frejat/Mauro Sta. Cecília

Seu rosto olhando pra mim
não tem nenhum defeito
seu gingado vindo pra mim
já tá fazendo efeito

Preciso de você agora
um dia a mais não daria
tirei a roupa na hora
pensando no que a gente faria

Eu te amo assim do teu jeito
nosso tempo é mais que perfeito

Eu vou falar no teu ouvido
pra te tirar do sério
você morde a minha boca
você já sabe o que eu quero

Preciso de você agora
um dia a mais não daria
tirei a roupa na hora
pensando no que a gente faria

Quando você fala
me deixa encantado
quando você me olha
me deixa tarado

Eu te amo assim do teu jeito
nosso tempo é mais que perfeito.

 

 
Edição 21

Galeria - Parafilias

"O ato sexual se manifesta na Arte através dos séculos, sem que haja um propósito de libertinagem ou promiscuidade. O limite entre a arte e a pornografia é que a arte é uma forma de expressão que inclui a representação do corpo humano e, inclusive, do ato sexual. Já a pornografia, reduz o corpo e o ato sexual a um simples objeto, com a única finalidade explícita de se induzir a masturbação. A sexualidade é um tema que sempre foi e ainda é estudado por grandes artistas. Estudar a sexualidade humana permite reconhecer mitos e diminuir preconceitos. " Géssica Hellmann.

Fragonard - arte sexualidade
The Gimblette (1770) por Jean-Honoré Fragonard

The secret of life - arte sexualidade
The Secret Life of the Victorian Bourgeoisie, (séc. XIX)

Saint Croix - arte sexualidade
Ilustrations by Gorges de Saint-Croix para Nous Deux, a love initiation by the teacher of a young student (1920).

tetsu - arte sexualidade
Les Belles Manières por Tetsu (1964)

tetsu - arte sexualidade
Les Belles Manières por Tetsu (1964)

Cinema - INFIDELIDADE

O que leva alguém a trair? O que faz com que alguém decida se lançar numa aventura? Qual o ponto decisivo? Como decidir o que pesa mais? Muitas são as perguntas e muitas são as respostas possíveis a estas perguntas, depende apenas de quem se está tentando convencer: se ao parceiro que foi magoado, se a terceiros, se a si mesmo. Atire a primeira pedra quem nunca traiu, e se apresente aquele que tiver coragem de defender. Eu não tenho.

Infidelidade é uma pancada em forma de filme, que pega o expectador desprevenido pelo colarinho sem aviso nem por que. Logo de cara, vemos uma esposa linda, vivendo num subúrbio verde, calmo e bonito, com um filho encantador e um marido galã. Parece realmente ótimo, não dá pra querer mais nada, não é? O charme de Diane Lane é palpável, o menininho que faz o filho é lindo e cá entre nós, acordar e ver o Richard Gere deitado ao lado não é um mau negócio. Juntos, os três são adoráveis. E o expectador pensa: "O que pode sair errado?" O filme não se faz de rogado e mostra rapidinho.

Num belo dia que parecia normal, uma ventania com cara de furacão traz consigo um francês absolutamente maravilhoso (que homem é aquele?) e o joga no meio da história. A bela Constance - ironia maior que este nome não há - bem que tenta manter o papel de mãe e esposa exemplar, mas a perturbação provocada pelo francês é grande demais. Perto dele, ela fica tímida, indefesa, mantém os olhos baixos, se atrapalha, fica ruborizada. Tenta fugir, mas não o suficiente. Ela sempre diz "eu não posso", nunca "eu não quero", como se tirasse de si mesma a responsabilidade por escolher agir diferente, como se apenas se submetesse a uma vontade maior que a sua.

A cena em que ela sucumbe à atração e passa por cima dos próprios valores e da própria consciência é marcante. Ela arqueja de desejo e chora, ao mesmo tempo, culpada por estar fazendo aquilo e louca para fazer, nada a impediria. A cada encontro com o amante, a culpa vai se esvaindo e ela se torna mais e mais liberta e sensual. A paixão a deixa cega, é como uma ferida incandescente que só abranda quando molhada na fonte que a provocou. Ela inventa desculpas, fica insatisfeita, procura pelo amante compulsivamente. Todos os lugares são bons o suficiente para eles: o apartamento do francês, banheiros de lanchonetes, cinemas, escadarias públicas.

Mas sempre que volta para casa com os olhos brilhantes e as faces coradas, mal contendo o sorriso, encontra o adorável, delicado, carinhoso, confiável e companheiro marido-galã. E a consciência dói terrivelmente. Quer deixar de mentir, voltar a se dedicar apenas à família, mas está viciada, cativa, entregue. A sensação de liberdade ao transgredir, o prazer irrestrito e amoral, a excitação do mistério, são fortes demais. E a traição torna-se gritante, evidente, dolorosa.

A cena da banheira é emblemática. Aliás, na época em que saiu o filme, encontrei um amigo que me disse: "Puxa, convenhamos! Velas, música crioula, uísque, água quente e nada? O marido queria mais qual sinal de que tinha coisa errada?". E realmente é assim. Deitada na penumbra, com velas acesas, ela ouve música arrastada enquanto toma uísque. O marido se aproxima e quer participar, mas assim que ele entra na banheira, ela alega frio e o chama para a cama. Não pude distinguir se reage assim porque não conseguiria fazer amor com o marido na claridade, olhando nos olhos dele, ou se não consegue mesmo é ser tocada por ele, ainda que no escuro.

O marido finalmente reconhece a mudança e descobre o caso da esposa. E não entende. Não eram felizes? Não vivia para ela? Não riam juntos, tinham coisas em comum, se davam bem na cama? Então por quê? Aonde tinha falhado? O que faltava? Como pudera ela jogar tudo fora, menosprezar seus sentimentos daquela forma? A ruína do homem é comovente. Dá pena e raiva.

Há quem diga que o personagem do marido é bonzinho demais e por isso teria ensejado a traição da mulher. E que seria fraco porque deveria ter matado mulher e amante. Discordo veementemente de ambas as acusações. Ele não é bonzinho, tem caráter e sentimentos dignos, é um bom homem. E por que bons homens mereceriam ser traídos? Por que mulheres preferem os canalhas? Isso é uma besteira sem tamanho. E não é fraco, ao contrário. Precisa muito mais coragem para perdoar a traição do que para matar. Tanto que matou sem nem ver o que fazia, mas para perdoar é que precisou realmente de força e fibra moral.

O filme é doloroso porque mexe com o eterno contraste entre a rotina e a novidade, o tédio e a excitação. E sempre, invariavelmente, a estabilidade sai perdendo em prol da aventura. A diferença entre os lados é grande: de um, brincadeiras de alcova e sexo selvagem; do outro, diversão em família, compromisso e um beijo terno antes de dormir.

O grande erro cometido pela personagem é achar que um caso extraconjugal pode desempenhar o papel de um hobby e que dele poderá sair impunemente, mantendo as coisas sob controle. Mas paixão é algo que inebria, consome, se alastra. Toma conta de tudo e faz todo o resto perder o valor. Arrasa o que encontra pelo caminho feito furacão, assim como a ventania que trouxe o francês pra história.

Há algumas reflexões importantes a serem feitas a partir do filme. Por exemplo, saiba valorizar aquilo que tem. A grama do vizinho só parece mais verde porque está olhando de longe, se chegar perto verá que ela tem queimaduras de sol e insetos, assim como a sua.

Não se deixe levar pelas circunstâncias, não jogue sentimentos e relações verdadeiras pela janela por causa de ilusões e pirotecnia, pois estas sempre se desmancham no ar. Não perca a realidade de vista, não dê asas demais à imaginação. Entenda que embora a paixão possa suplantar o amor em algumas ocasiões, nunca será de fato maior. Ser fiel aos sentimentos é muito bom, mas não se deixe guiar apenas por eles. A razão existe justamente para dosar os sentimentos, para equilibrá-los. Use-a. Leviandade sempre traz dor e sofrimento, mesmo que seja a outras pessoas. Pense um pouco melhor antes de pular no abismo.

E, por fim, a reflexão suprema: que estrago não faz um globo de neve...

Lívia Santana

Música

SIMPLES CARINHO
João Donato/Abel Silva

Amar é sofrer, eu ouço dizer
Mas vou duvidar
Querendo ou não
O meu coração já quer se entregar
Não falta lembrança
Aviso, cobrança
Você vai por mim
Mas feito criança
Lá vou na esperança
Eu sou mesmo assim

Quem sabe até não é meu destino
Um amor sem espinhos
Sou mel da tua boca
Calor dos abraços e tanto beijinhos
Se o sonho acabou
Não sei meu amor, nem quero saber
Só sei que ontem a noite
Sorrindo acordada, sonhei com você

Às vezes até, na vida é melhor
Ficar bem sozinha
Pra gente sentir qual é o valor
De um simples carinho
Te sinto no ar, na brisa do mar
Eu quero te ver
Pois ontem à noite, sonhando acordada
Dormi com você.