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| Edição 25 |
A carreira de Masami Teraoka é marcada por pinturas
que abordam temas atuais e polêmicos na mídia, incluindo
casamento gay, política, relações internacionais,
censura, invasão de privacidade, discriminação religiosa,
entre outros fenômenos de cultura de massa. ![]() Venus Serpentine Confession - 2003 - Óleo e acrílico sobre madeira com moldura dourada A parte superior desta narrativa em forma de tríptico se passa em cabines telefônicas de Londres em torno do Serpentine - um lago no Hyde Park. Padres confessam seus pecados a uma mulher em cabines telefônicas, uma mulher foge de um padre com implantes de silicone nos seios, um padre obtém uma confissão através de tortura enquanto um bispo perde perdão a mulheres e freiras pelos casos de abuso sexual cometidos por padres, enquanto o batismo de uma criança relembra a prática dos sacramentos.
A "Inquisição Virtual" é um tema largamente abordado por Teraoka. Ele entende a sociedade ocidental, especialmente a dos Estados Unidos, como a cultura da imaginação ilimitada. A incrível revolução tecnológica, com seus aparelhos altamente avançados, a clonagem humana, a modificação cirúrgica do corpo para atender a objetivos estéticos, é veículo também para a opressão individual e a invasão de privacidade e reflete uma ética e uma moralidade cujas raízes foram objeto de sua investigação e representação em seus trabalhos.
US Inquisition/The Pope of Thong, 2003, óleo sobre tela. "Os americanos parecem à vontade com a idéia de lidar com seus corpos como se fossem automóveis", diz o autor, "se uma peça não funciona, troque-a por outra". Ao mesmo tempo, a sexualidade de seu líder maior, o presidente, exposta durante o caso Monica Lewinski, é exposta e discutida na TV e nos monitores de computadores do mundo inteiro, trazendo à tona uma moralidade e uma ética que remete à Inquisição Espanhola.
Virtual Inquisition / Eve's Cloning Baptism, 1999, Óleo sobre tela. Ele pega emprestado do Catolicismo, portanto, símbolos para compor a narrativa desta ética, por considerá-la a religião mais "visualmente orientada do Ocidente". Música A HISTÓRIA DE LILY BRAUN Como num romance Ele me comia E voltou Como no cinema Abusou do scotch E voltou Como amar esposa Nunca mais romance
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| Edição 24 |
(Paris, 1800-1857) Pintor e litógrafo francês. Famoso por sua produção litográfica, nos quais refletia os costumes da época. Abaixo sequência de litografias da história da moralidade sobre "Louis-Philippe" (c. 1835).
Muitas religiões têm suas origens em “revelações místicas”. Uma vez institucionalizadas, porém, elas proíbem seus seguidores de alcançarem o “conhecimento”, com o objetivo de preservar sua integridade e monopólio.
O misticismo é um dos meios que podem desviar a libido da sexualidade. Não é por acaso que os místicos impõem a si mesmos a abstinência sexual, falando sobre um “êxtase místico”. Além disso, observam-se que as “crises místicas” são, por vezes, acompanhadas de ejaculações.
É interessante notar que, no caso da religião cristã, a Inquisição proibiu a ingestão de substâncias psicotrópicas (usadas freqüentemente por xamanistas para atingir outros "níveis de realidade", bem como para exploração do “inconsciente”) e a interpretação de sonhos pois, se Deus se dirige apenas à Igreja, os sonhos poderiam advir somente de Satã.
Não é também, portanto, por acaso que a sexualidade é uma obsessão religiosa fundamental, seja judia, cristã ou muçulmana. Nada nessas religiões é mais intolerável do que qualquer coisa que leve a sexualidade além dos limites da simples função reprodutiva (contracepção, masturbação, bi ou homossexualidade, etc).
A religião Judaico-Cristã inventou o personagem do Diabo, encarnação da dor. Entretanto, ela o fez através da transformação do Deus grego Dioniso (Baco, para o romanos), deus dos festins, do vinho, do êxtase, um deus honrado com orgias (Bacanais). A iconografia medieval do Diabo o representa sob a forma do deus Pã ou de um Sátiro (com chifres e patas de bode). Os bacanais sobreviveram clandestinamente durante séculos sob a forma de “Sabás” (Missas Negras), perseguidas pela Inquisição.
O personagem do Diabo sempre foi associado aos impulses da libido. Quando a Igreja Católica perde grande parte de seu poder, ao final do século XIX, os humoristas se permitem produzir sem limitações sátiras diretas sobre esse tema. Música
“O quadro acima, que serve de plano de fundo para esta edição do site, foi inspirado na letra da canção “The Dance”, lançada em 1977 pela banda Uriah Heep em seu álbum “Innocent Victim”. O canto potente de John Lawton, com o acompanhamento de uma sólida base construída pelo baixista Trevor Bolder e pelo baterista Lee Kerslake, do riff pseudo-reggae do guitarrista Mick Box e dos toques sutis do tecladista Ken Hensley, criam o clima sonoro ideal para uma pequena história “mística”, rica em simbolismos e metáforas que remetem ao “Retrato Dorian Gray” e a alguns contos de Edgar Allan Poe. Foi minha primeira obra produzida a partir de sons e poesia em vez de referências visuais... Certamente, não a última”. (Géssica Hellmann)
The Dance / A Dança (tradução
livre de Alexei Gonçalves) See the picture in the hall / Veja o quadro no salão Maybe it's the dancers / Talvez sejam os dançarinos, Thousands fill the gallery / Milhares lotam a galeria Maybe it's the dancer / Talvez seja o dançarino, Tonight the picture has no frame / Esta noite o quadro
liberta-se: You become the Dancer / Vocês se tornam o Dançarino
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| Edição 23 | Galeria - Jean-Auguste-Dominique Ingres Montauban, 1780 - Paris, 1867
Música Mil e Uma Noites O sexo que fazemos
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| Edição 22 |
PABLO RUIZ PICASSO ( 1881 - 1973 ), pintor espanhol, é considerado o "gênio do século" das artes plásticas e fundador da arte moderna, por ter construído a maior e mais rica obra de toda a história da arte. Produzindo desde os oito até os noventa e um anos de idade, Picasso foi pintor, desenhista, gravador, litografo, ceramista e escultor. Sua arte, antes de ser uma expressão da sociedade, é a arte de um homem inovador e irreverente. Picasso teve atividade artística até o fim de sua vida, complexo e irreverente, repudiou toda e qualquer convenção. A descontinuidade de sua obra reflete o homem Picasso, o criador inesgotável, inventor de formas, pronto a abandonar a qualquer instante o que vinha fazendo para fazer algo diferente no instante seguinte. Fonte:http://www2.uol.com.br/museus/picasso/perfil.html A galeria desta edição enfatiza a obra "erótica" de Picasso. Com pinturas e desenhos que pouco costumam aparecer nos catálogos de obra de arte. Obras que refletem o erotismo e a sexualidade de forma explícita.
Música MAIS QUE PERFEITO Seu rosto olhando pra mim Preciso de você agora Eu te amo assim do teu jeito Eu vou falar no teu ouvido Preciso de você agora Quando você fala Eu te amo assim do teu jeito
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| Edição 21 |
"O ato sexual se manifesta na Arte através dos séculos, sem que haja um propósito de libertinagem ou promiscuidade. O limite entre a arte e a pornografia é que a arte é uma forma de expressão que inclui a representação do corpo humano e, inclusive, do ato sexual. Já a pornografia, reduz o corpo e o ato sexual a um simples objeto, com a única finalidade explícita de se induzir a masturbação. A sexualidade é um tema que sempre foi e ainda é estudado por grandes artistas. Estudar a sexualidade humana permite reconhecer mitos e diminuir preconceitos. " Géssica Hellmann.
Cinema - INFIDELIDADE O que leva alguém a trair? O que faz com que alguém decida se lançar numa aventura? Qual o ponto decisivo? Como decidir o que pesa mais? Muitas são as perguntas e muitas são as respostas possíveis a estas perguntas, depende apenas de quem se está tentando convencer: se ao parceiro que foi magoado, se a terceiros, se a si mesmo. Atire a primeira pedra quem nunca traiu, e se apresente aquele que tiver coragem de defender. Eu não tenho. Infidelidade é uma pancada em forma de filme, que pega o expectador desprevenido pelo colarinho sem aviso nem por que. Logo de cara, vemos uma esposa linda, vivendo num subúrbio verde, calmo e bonito, com um filho encantador e um marido galã. Parece realmente ótimo, não dá pra querer mais nada, não é? O charme de Diane Lane é palpável, o menininho que faz o filho é lindo e cá entre nós, acordar e ver o Richard Gere deitado ao lado não é um mau negócio. Juntos, os três são adoráveis. E o expectador pensa: "O que pode sair errado?" O filme não se faz de rogado e mostra rapidinho. Num belo dia que parecia normal, uma ventania com cara de furacão traz consigo um francês absolutamente maravilhoso (que homem é aquele?) e o joga no meio da história. A bela Constance - ironia maior que este nome não há - bem que tenta manter o papel de mãe e esposa exemplar, mas a perturbação provocada pelo francês é grande demais. Perto dele, ela fica tímida, indefesa, mantém os olhos baixos, se atrapalha, fica ruborizada. Tenta fugir, mas não o suficiente. Ela sempre diz "eu não posso", nunca "eu não quero", como se tirasse de si mesma a responsabilidade por escolher agir diferente, como se apenas se submetesse a uma vontade maior que a sua. A cena em que ela sucumbe à atração e passa por cima dos próprios valores e da própria consciência é marcante. Ela arqueja de desejo e chora, ao mesmo tempo, culpada por estar fazendo aquilo e louca para fazer, nada a impediria. A cada encontro com o amante, a culpa vai se esvaindo e ela se torna mais e mais liberta e sensual. A paixão a deixa cega, é como uma ferida incandescente que só abranda quando molhada na fonte que a provocou. Ela inventa desculpas, fica insatisfeita, procura pelo amante compulsivamente. Todos os lugares são bons o suficiente para eles: o apartamento do francês, banheiros de lanchonetes, cinemas, escadarias públicas. Mas sempre que volta para casa com os olhos brilhantes e as faces coradas, mal contendo o sorriso, encontra o adorável, delicado, carinhoso, confiável e companheiro marido-galã. E a consciência dói terrivelmente. Quer deixar de mentir, voltar a se dedicar apenas à família, mas está viciada, cativa, entregue. A sensação de liberdade ao transgredir, o prazer irrestrito e amoral, a excitação do mistério, são fortes demais. E a traição torna-se gritante, evidente, dolorosa. A cena da banheira é emblemática. Aliás, na época em que saiu o filme, encontrei um amigo que me disse: "Puxa, convenhamos! Velas, música crioula, uísque, água quente e nada? O marido queria mais qual sinal de que tinha coisa errada?". E realmente é assim. Deitada na penumbra, com velas acesas, ela ouve música arrastada enquanto toma uísque. O marido se aproxima e quer participar, mas assim que ele entra na banheira, ela alega frio e o chama para a cama. Não pude distinguir se reage assim porque não conseguiria fazer amor com o marido na claridade, olhando nos olhos dele, ou se não consegue mesmo é ser tocada por ele, ainda que no escuro. O marido finalmente reconhece a mudança e descobre o caso da esposa. E não entende. Não eram felizes? Não vivia para ela? Não riam juntos, tinham coisas em comum, se davam bem na cama? Então por quê? Aonde tinha falhado? O que faltava? Como pudera ela jogar tudo fora, menosprezar seus sentimentos daquela forma? A ruína do homem é comovente. Dá pena e raiva. Há quem diga que o personagem do marido é bonzinho demais e por isso teria ensejado a traição da mulher. E que seria fraco porque deveria ter matado mulher e amante. Discordo veementemente de ambas as acusações. Ele não é bonzinho, tem caráter e sentimentos dignos, é um bom homem. E por que bons homens mereceriam ser traídos? Por que mulheres preferem os canalhas? Isso é uma besteira sem tamanho. E não é fraco, ao contrário. Precisa muito mais coragem para perdoar a traição do que para matar. Tanto que matou sem nem ver o que fazia, mas para perdoar é que precisou realmente de força e fibra moral. O filme é doloroso porque mexe com o eterno contraste entre a rotina e a novidade, o tédio e a excitação. E sempre, invariavelmente, a estabilidade sai perdendo em prol da aventura. A diferença entre os lados é grande: de um, brincadeiras de alcova e sexo selvagem; do outro, diversão em família, compromisso e um beijo terno antes de dormir. O grande erro cometido pela personagem é achar que um caso extraconjugal pode desempenhar o papel de um hobby e que dele poderá sair impunemente, mantendo as coisas sob controle. Mas paixão é algo que inebria, consome, se alastra. Toma conta de tudo e faz todo o resto perder o valor. Arrasa o que encontra pelo caminho feito furacão, assim como a ventania que trouxe o francês pra história. Há algumas reflexões importantes a serem feitas a partir do filme. Por exemplo, saiba valorizar aquilo que tem. A grama do vizinho só parece mais verde porque está olhando de longe, se chegar perto verá que ela tem queimaduras de sol e insetos, assim como a sua. Não se deixe levar pelas circunstâncias, não jogue sentimentos e relações verdadeiras pela janela por causa de ilusões e pirotecnia, pois estas sempre se desmancham no ar. Não perca a realidade de vista, não dê asas demais à imaginação. Entenda que embora a paixão possa suplantar o amor em algumas ocasiões, nunca será de fato maior. Ser fiel aos sentimentos é muito bom, mas não se deixe guiar apenas por eles. A razão existe justamente para dosar os sentimentos, para equilibrá-los. Use-a. Leviandade sempre traz dor e sofrimento, mesmo que seja a outras pessoas. Pense um pouco melhor antes de pular no abismo. E, por fim, a reflexão suprema: que estrago não faz um globo de neve... Lívia Santana Música SIMPLES CARINHO Amar é sofrer, eu ouço dizer Quem sabe até não é meu destino Às vezes até, na vida é melhor
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