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edição 75

Corporalidade e Arte - Parte I - A Moda como Linguagem.

(English version: "Corporality and Art - Part I - Fashion as a Language)

Alexei Gonçalves e Géssica Hellmann

(Sugira um tema para esta revista)

Celeste Worl - swimming with the current of the tao - corporalidade
Tattoo por Pamela Moore Dionne

Este é o primeiro artigo de uma série sobre arte e corporalidade, em que abordaremos múlitplas formas de uso do corpo como suporte para expressão artística e individual.

Vale abrir este estudo com uma "pérola" historicamente documentada da expressão da perplexidade masculina diante de uma das mais antigas formas de arte corporal, a maquiagem, em carta publicada no jornal britânico The Spectator em 1711 ( Fonte: http://www.spnetshop.com.br/vcsabia_hmaquiagem.htm).

"Senhor, estou pensando em largar minha mulher e acredito que quando o senhor considerar o meu caso, a sua opinião será a de que minhas pretensões ao divórcio são justas. Nunca um homem foi tão apaixonado como eu pela sua fronte, pescoço e braços alvos, assim como a cor azeviche (N.E.: extremamente negros) de seus cabelos. Mas para meu espanto descobri que era tudo feito de arte: sua pele é tão opaca com esta prática, que quando acordou de manhã, mal parecia jovem o suficiente para ser mãe de quem levei para a cama na noite anterior. Tomarei a liberdade de deixá-la na primeira oportunidade, a menos que seu pai torne sua fortuna apropriada às suas verdadeiras, e não supostas, feições...".

O decepcionado senhor britânico do século XVIII usa a palavra correta para descrever o ato de maquilar-se: arte. Arte no corpo, a corporalidade como suporte para auto-expressão, formação de identidade, diferenciação, identificação com um grupo, enfim, como mensagem.

Ressaltemos de início que o processo comunicativo vai além das palavras e do clássico esquema Emissor |> Codificação |> Mensagem |> Canal |> Decodificação |> Receptor.

Uma das preocupações da pesquisa contemporânea em comunicação reside justamente nos aspectos ocultos da linguagem, aqueles que são culturalmente inscritos nos movimentos e posturas corporais, sejam eles inconscientes ou cuidadosamente planejados. Ganha cada vez mais relevância a pesquisa das chamadas paralinguagens, isto é, as linguagens não-verbais: cinética - gestos, posturas e movimentos; tonalidades e características da voz; proxemia - estudo do significado das distâncias entre os corpos durante o processo de comunicação; e o próprio uso como do corpo como mídia, isto é, meio de transmissão da mensagem: maquiagem, tatuagem, vestuário, etc. (O'Neil, 2005)

Neste série de artigos, introduziremos alguns conceitos deste último campo de pesquisa em sua relação com as formas de arte corporal.

A SEMIÓTICA DA MODA

A moda pode ser considerada como um processo de comunicação, de manifestação simbólica. As roupas podem criar identidades, externar códigos e transmitir mensagens. Varia nas diferentes culturas o significado e a simbologia das roupas. Elas serve para distinguir a classe social de quem a usa, representando o indivíduo dentro da sociedade, sendo uma forma de distinguir o grupo a qual pertence.

O vestuário participa da constituição da identidade individual, proporcionando a criação de um estilo próprio, uma representação de si mesmo na sociedade e no grupo em que convive. O indivíduo pode ser autônomo na decisão quanto a seu modo de vestir, embora não possa isentar-se de influências externas. (SOUZA, 2003).

Diariamente, o ser humano é bombardeado por códigos, mensagens - informações -sejam elas sonoras, verbais, visuais e do próprio vestuário. A moda e o vestuário criam códigos que transmitem e recebem mensagens, imperam na comunicação da sociedade atual. O vestuário deve ser entendido como um veículo ideológico, através do qual se estabelece uma identidade individual e expectativas de comportamentos sociais.

Segundo Monteiro (2003:1), "Quando o consumidor decide comprar a roupa, ele não está comprando apenas alguns pedaços de panos bem costurados. Ele está comprando sua própria alma".

"Estilo" é o que faz a pessoa se sentir única e dizer ao mundo "sou singular". A pessoa que se veste com um determinado estilo está mostrando muito mais do que uma maneira de vestir, está mostrando o seu modo de ser, viver e de agir. Estilo é muito mais do que moda ou modismos, é uma escolha pessoal e particular, uma preferência, uma expressão de desejos, fantasias e humores. A moda é passageira, é a oferta atual da indústria da moda em um determinado momento, mas o estilo é permanente.

Ao comprar uma peça de roupa, o consumidor busca a diferenciação e a mensagem que pode transmitir através dela. Ela representa um traço de individualidade, uma forma de se diferenciar das outras pessoas em função do que está usando.

Monteiro (2003) afirma que as roupas são consumidas por questões além de sua utilidade, com significados simbólicos de gosto, estilo de vida e identidade. No decorrer da história da moda, verificou-se que ela se comporta como um código em um processo de metalinguagem. A roupa é um código de linguagem mesmo quando não é usada para combinar, se usada de forma displicente, essa forma informa a displicência de quem a usa. Usar ou não uma camisa indica um estado de espírito, pois estar sem camisa indica um despojamento material, uma solidão moral; já dar a sua própria camisa significa generosidade sem limites, é partilhar sua intimidade. Já o material de que é feita uma camisa demonstra a classe social e o grupo a que se pertence.

Na opinião de Aragão (2003), a roupa é uma extensão muito íntima do corpo, exercendo a função de interface e representação do indivíduo, atiçando os todos os sentidos humanos, em especial a visão. A moda pode tornar-se sinônimo de provocação, escândalo ou surpresa no seu uso cotidiano.

Partindo do princípio que cada indivíduo é único, a criação do estilo próprio é uma escolha, um eleger de alguns itens dispensando-se outros dentro da tão variada oferta de moda. Selecionar, separar, organizar, até decidir o que combina com seus traços, é uma escolha proposital, precisa, de forma consciente e coerente. Através da escolha do estilo do vestuário, pode-se saber a que "tribo" pertence a pessoa, sua identidade social e modo como ela deseja ser tratada.

A roupa é uma forma de linguagem, faz parte da necessidade de ver e ser visto. Ela fornece uma insinuação visual para a cultura da classe social do usuário. É importante salientar que a compra de uma peça do vestuário é na verdade um ato complexo e cheio de significações.

Para Pitombo (2003), a moda, enquanto manifestação simbólica, refere-se ao significado sugerido pela indumentária, sendo que a noção do que realmente a roupa revela é muito singular em relação àquele que a veste. Ou seja, em muitas situações, a indumentária, ao invés de tornar transparente, esconde e camufla, criando muitas vezes uma falsificação do eu, não se deixando ver que se realmente é, mas o que se gostaria de ser, como no caso mencionado no início deste artigo.

Por exemplo, uma mesma mulher, pela manhã, por ser vista vestida ao estilo executivo ao caminho do trabalho; no fim da tarde, vestindo-se em estilo active wear para ir à academia e, a noite, em estilo clubber para ir à boate. As pessoas escolhem as roupas para transmitir uma mensagem; em um mesmo dia a mesma pessoa pode usar vários estilos, adequando-se ao grupo com qual vai se relacionar, ou até, à mensagem ou impacto que deseja transmitr ou provocar.

Atualmente a moda é um reflexo do fim das identidades fixas. Como pode se perceber no exemplo, o indivíduo pode participar de vários grupos ou "tribos" através da escolha pessoal do que vai vestir e do que quer transmitir.

Mendonça (2003), afirma que a moda é a comunicação do século XXI, pois estipula os horários e os estilos dos programas a serem transmitidos pelos veículos de comunicação de massa, especialmente a televisão; dita o visual dos apresentadores e cria todo um clima de "sedução da moda", ou seja, dita a moda e seduz os consumidores. Neste ambiente de sedução, através da comunicação de massa, vendem-se sonhos e criam-se costumes que, em pouco tempo, tornam-se necessidade de todos.

Outros aspectos interessantes para análise referem-se à moda e seu contexto simbólico: o modo como as griffes vendem a moda como um sonho de consumo, a venda de um ideal imaginário, as telenovelas e as suas influências na moda popular.

Bérgamo (1998) escreve que a característica principal da disposição das peças do vestuário nas vitrines dos shoppings-centers é a composição de conjuntos. Dependendo da promoção da loja, uma saia pode vir acompanhada de um cinto ou um sapato: a imagem de uma vitrine é sempre a composição de um conjunto e nunca simplesmente de uma única peça.

As lojas dos shoppings vendem peças que podem formar conjuntos, não necessariamente da mesma marca, com a idéia principal de vender um estilo. As lojas de griffe, não colocam somente suas roupas à venda, elas tem o objetivo principal de vender um ideal, um sonho de consumo, agregando valor à marca e, conseqüentemente, às roupas que vendem.

Em resumo, vemos que a moda representa uma das muitas formas em que arte e corporalidade combinam-se para formar um "projeto corporal" (Pérez, 2006) de alteração das formas naturais do corpo para transmitir mensagens. Certamente, a arte a que se referia o noivo decepcionado da história do início do artigo incluía, também, peças de vestuário cuidadosamente planejadas para produzir no corpo da noiva o efeito desejado. Nos próximos artigos desta série abordaremos essas outras formas de arte corporal.

Referências:

ARAGÃO, Mariana. Entrevistas. Disponível em: <http://www.santamoda.com.br/revista/entevista_AnaMerydeCarli.htm>. Acesso em: 17 fev. 2003.
BERGAMO, Alexandre. O campo da moda. 1998, v.41, p.137-184. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-77011998000200005&lng=pt&nrm=iso>. ISSN 0034-7701. Acesso em: 14 maio 2003.>
MENDONÇA, Flávia Vasconcelos de. Moda é a comunicação do século XXI. Disponível em: <http://www.dominiofeminino.com.br/moda/flavia_moda.htm>. Acesso em: 10 mar. 2003.
MONTEIRO, Gilson. A metalinguagem das roupas. Disponível em:
<http://bocc.ubi.pt/pag/monteiro-gilson-roupas.html>. Acesso em: 18 fev. 2003.
PITOMBO, Renata. A moda enquanto manifestação simbólica. Disponível em: <http://www.facom.ufba.br/sentido/moda.html>. Acesso em: 07 maio 2003.
SOUZA, Maria Luiza Feitoza de. Grupo de estudos de semiótica da moda. Disponível em: <http://www.pucsp.br/pos/cos/moda/resenha.htm>.Acesso em: 28 fev. 2003.

 
edição 74

Tai Chi Chuan como Arte Marcial: Yin e Yang na corporalidade.

Alexei Gonçalves e Géssica Hellmann

A perspectiva ocidental, predominamente dualista, tende a focalizar os extremos como se fossem opostos, inimigos, encontrando dificuldade em compreender a idéia de integração de forças complementares. Por motivos históricos extensamente desenvolvidos na revista Sexualidade, o homem Ocidental procede a uma separação artificial entre corpo e mente (ou "espírito", "alma") e esse dualismo se reflete diretamente na expressão de sua corporalidade. Mesmo a posição "neutra" ou de "centro", expressa esse desequilíbrio, pois a posição "central" ao tomar os extremos como referência, torna-se apenas mais um extremo entre dois extremos!

Neste artigo, abordaremos a prática do Tai Chi Chuan no contexto da filosofia integrativa do Yin-Yang, demonstrando como é possível usar o corpo para integrar complementarmente o que fomos ensinados a entender como opostos.

Celeste Worl - swimming with the current of the tao - corporalidade
Swimming with the current of the Tao por Celeste Worl

Algumas artes marciais, embora fundamentem-se em uma forte base filosófica e, declaradamente, incluam a busca pelo "aperfeiçoamento do espírito humano" entre seus objetivos, enfatizam em sua prática apenas os aspectos técnicos, relativos à luta, ao combate propriamente dito. A prática de esmurrar e chutar sacos de areia; o incentivo a uma atitude excessivamente agressiva e competitiva mesmo durante os treinos com colegas de dojo; a crença de que tudo qualquer problema pode ser resolvido com o recurso á violência; uma arrogância disfarçada de auto-confiança; todos esses são efeitos colaterais do esvaziamento filosófico das artes marciais, reduzida a um conjunto de técnicas para machucar os outros.

Essas formas de arte marcial podem ser entendidas como expressões Yang da corporalidade sem o Yin correspondente. O praticante expõe-se a dores e lesões, desenvolve uma atitude mental nociva a si mesmo e aos que o rodeiam, compromete a própria saúde em seu sentido mais amplo.

Toda forma de arte marcial deve incluir a preservação da saúde entre seus objetivos.

Por outro lado, o Tai Chi Chuan, tal como praticado atualmente em muitas academias, praias, praças e eventos ao ar livre, como simples forma de ginástica despido de seu aspecto marcial, visando unicamente à promoção da saúde sem que o praticante entenda que aqueles movimentos também visam à auto-defesa, é um Tai Chi Chuan desequilibrado, excessivamente Yin, despido de seus aspectos Yang.

Toda forma de arte marcial deve incluir a conquista da auto-confiança pela capacidade de auto-defesa entre seus objetivos.

Talvez o leitor esteja surpreso com a referência ao Tai Chi Chuan como uma arte marcial. Isso acontece, como sugerimos no início, por uma compreensão defeituosa, extremista, dos conceitos de Yin e Yang.

"Ainda que suas manifestações sejam com freqüência bastante profundas, na sua forma mais simples o conceito de yin e yang está relacionado a dois aspectos que, embora sejam opostos, são também complementares em relação a tudo o que existe no universo, seja um simples objeto, um processo ou uma idéia", afirma Wong Kiew Kit (2003: 25-26).

Assim, todas as coisas - conceitos, objetos, idéias, experiências - podem ser Yin ou Yang conforme o contexto em que são observadas, praticadas ou vivenciadas. Tomando um exemplo das artes marciais, um soco forte pode ser considerado Yang em comparação a um soco mais fraco e Yin quando comparado a um soco ainda mais forte.

Não se tratam, portanto de conceitos absolutos, mas relativos à idéia que se quer expressar.

Outro aspecto importante é que esses conceitos são complementares e integrados, um não existe sem o outro. Para que exista movimento é necessário que se siga um alongamento (Yin) após uma contração (Yang). Após um movimento, segue-se o relaxamento; após um esforço, segue-se um repouso. E só se pode iniciar um movimento a partir de uma posição de relaxamento, só se pode fazer um esforço a partir de uma posição de repouso. O Yin dá origem ao Yang e, em seguida, o Yang dá origem ao Yin.

Quando se atinge o Pólo Norte, todas as direções conduzem ao Sul, e vice-versa. Assim convivem o Yin e Yang: quando um deles atinge seu ápice, o outro surge necessariamente.

No Tai Chi, o Yin e o Yang complementam-se: a agressividade, no objetivo de auto-defesa; a busca da saúde, nos movimentos suaves e na prática gentil:

"Assim, em geral percebemos que os movimentos do Tai Chi são graciosos, delicados e bem diferentes dos movimentos do kung fu shaolin, por sua vez rápidos e potentes. Os alunos de Tai Chi Chuan normalmente fazem os movimentos de forma lenta, pois fica mais fácil desenvolver o fluxo interno de energia com movimentos lentos; entretanto, se os praticantes adquirem destreza na execução desses movimentos, estes podem, e devem, tornar-se mais rápidos e vigorosos, completando dessa maneira o ciclo harmonioso do yin (que é lento e delicado) e do yang (que é rápido e vigoroso)" (Kit, 2003: 27).

Mas o que é preciso para desenvolver essa energia interior? Kit, (2003) afirma que os mestres de artes marciais chinesas aconselham, antes de começar as técnicas, desenvolver a "força". A forma mais básica é através do treinamento da postura.

Praticar somente os movimentos não é suficiente. Sem o fluxo interno de energia, ele degenera simplesmente em uma "dança elegante". Corpo e mente devem estar sintonizados. Desempenhar perfeitamente as posturas do Tai Chi Chuan sem controlar a mente, canalizando a energia, faz com que obtenhamos resultados insuficientes, pois a sua prática, além de um exercício corporal e auto-defesa, tem a função de melhorar a saúde, aumentando a vitalidade e promover a longevidade.

Saúde, neste caso, é mais que simplesmente ausência de doenças clínicas. "Uma pessoa verdadeiramente saudável, deve dormir e comer bem, ser emocionalmente estável e mentalmente são, ter energia e entusiasmo para trabalhar e divertir-se e, de modo geral, ser capaz de fazer sexo com prazer".(Kit, 2003:167).

Enquanto no Ocidente existe uma "indústria dos tratamentos de doenças", que nos informa que não estamos saudáveis, logo, há algo de errado, para os chineses esse conceito se inverte: "Quando alguém está doente, pergunta-se apenas: por que esta pessoa não está bem?". A definição chinesa de saúde, segundo o autor, é compreendida em termos de "Sistemas de Energia", o Chi. "Todas as práticas médicas chinesas, incluindo fitoterapia, acumpuntura, massagem terapêutica, medicina externa, traumatologia e terapia do Chi Kung, voltam-se para o reequilibrio energético, de forma holística e dirgida à causa da origem da desarmonia energética.

Como a causa original das doenças seria o bloqueio energético do fluxo de energia, o remédio recomendado pela medicina chinesa é eliminar o bloqueio. Dentre as numerosas práticas terapêuticas, algumas citadas acima, "o chi kung é a mais direta e eficar para curar moléstias crônicas e aquelas cujas causas são de difícil defrinição, como hipertensão, reumatismo, depressão e câncer". .(Kit, 2003:171).

Mas o que tudo isso tem ver com a prática do Tai Chi Chuan? Segundo o autor, a prática correta do Tai Chi Chuan é uma série completa do Chi Kung, embora mais significativo para promover a saúde do que para curar doenças.

Mas é claro que, se o Tai Chi for praticado somente como uma dança, sem a canalização interna da energia, só trará benefícios associados a uma dança: flexibilidade, elegância e diversão.

Tudo o que dissemos neste artigo sobre o Tai Chi Chuan aplica-se a todas as artes marciais. Praticar uma arte sem se aprofundar em sua filosofia é, no mínimo, subaproveitar seu potencial. É preciso superar a divisão artificial entre mente e corpo, entre movimento e pensamento, entre corporalidade e sentimento, fugindo ao ideal puramente mercantilista das "academias" ocidentais e perceber que há algo mais do que o pagamento de uma taxa de matrícula e mensalidades no caminho da harmonia entre o mundo exterior e sua vida interior.

Bibliografia

Kit, Wong Kiew. O Livro completo do Tai Chi Chuan. São Paulo: Pensamento, 2003. 2a ed.

 

edição 73

O Corpo Teatral na peça "A Cobertura": um estudo de caso.

Alexei Gonçalves e Géssica Hellmann

Como coroamento de oito meses de aulas, ensaios, e superação individual, a turma de 2006 da oficina de teatro Zaira Zambelli apresentou nos últimos dias 13 e 14 a peça "A Cobertura" de Jorge Eduardo Magalhães. Desta comédia trágica que trata sobre a loucura da negação de duras realidades, abordaremos neste artigo o processo de construção das personagens por cada um dos alunos membros do elenco do ponto de vista de sua corporalidade. Trataremos também dos eventos e sensações corporais de cada um no dia da estréia antes, durante e depois de sua entrada no palco.

Ilustram este artigo fotos dos autores e algumas gentilmente cedidas por Ana Araújo.

Elenco Peça A Cobertura - corporalidade
Parte do Elenco - foto cedida por Ana Araújo

Francisca Xavier
Francisca Xavier

Na estréia, o grupo se reuniu cedo para um ensaio completo com luz e som. A expectativa pairava no ar. Sorrisos nervosos, choradeira e brincadeiras para descontrair. Foram quatro horas de ensaios, repassando cenas e textos repetidamente.

Faltando uma hora para a entrada do público, tivemos alguns últimos momentos para nos alimentar, hidratar, ir ao banheiro, maquiar, vestir o personagem e o dirigir elenco todo para a coxia.

O público deve imaginar: o que acontece nos bastidores de uma peça de teatro? Um pouco de tudo eu diria. Na coxia, o clima era intenso: alguns suavam frio, outros tremiam, uns com dor de barriga e outros aparentavam uma extrema tranqüilidade... Esses, chegavam até a causar estranheza nos demais.

Os três alarmes tocam e a luz se apaga. Chegava o grande momento. Começava a primeira cena. Na coxia, aguardávamos ansiosos a reação do público. Sim, a reação do público é o termômetro do sucesso da peça, tanto para quem estava no palco, quanto para os que aguardavam a deixa para entrar. Com tantas entradas e saídas de personagens em cena, era extremamente importante a cooperação e a união do grupo, um sempre auxiliando o outro para que tudo desse certo.

Francisca Xavier recebeu o duro encargo de dar corpo e voz a "Lizandra Madeira Ortiz". Uma alma em conflito afetada por duas perdas que desequilibraram sua mente: a morte da filha, Suzana Madeira Ortiz, aos dois anos de idade e a perda da riqueza e do status da família. Lizandra reage a esta situação negando os fatos e criando um mundo de fantasia em que sua filha continua viva, cursando a faculdade, em idade de se casar com um "bom partido" e criando importantes negócios imaginários para seu marido Raul. Ela é a personagem central interage com todos os outros personagens e permanece no palco durante toda a duração da peça.

Pessoalmente Francisca é uma mulher muito elegante, com uma voz excelente, mas ai termina a semelhança com a personagem. Segundo a própria, entrou para o teatro para vencer a timidez e a dificuldade de falar em público. Em sua performance no palco demonstrou ter atingido este objetivo, possivelmente em grau maior do que o esperava inicialmente.

No desenvolvimento do personagem de Lizandra foi notável o trabalho de voz exprimindo a arrogância com os que considerava inferiores, a ternura com o fantasma de sua filha e a sedutora doçura reservada para aqueles de quem queria obter alguma vantagem. No trabalho corporal foram notáveis os olhares, a expressão do sentimento no seu rosto e os gestos com as mãos: contidos e estudados como os de uma autêntica "bem-nascida".

Ana Araújo dá corpo e voz a "Clotilde", empregada de Lizandra. Clotilde faz o contraponto com o personagem de Lizandra, desbocada, atrevida, insolente, "escrachada". Ela denuncia a real situação de escassez na cobertura, mas participa da loucura vigente submetendo-se à arrogância de Lizandra pelo pragmático motivo de não ter para onde ir, improvisando soluções para as demandas absurdas de sua patroa.

Ana Araújo, maranhense, empresária, contribuiu com a parte luxuosa do figurino da peça (Lizandra, Fifi, Sofia) além dos "uniformes de empregada". É uma pessoa que ilumina o ambiente onde está. Iniciou o curso com o objetivo de superação íntima, como uma espécie de "terapia alternativa". Pelo que se pôde notar no palco superou as próprias expectativas, encarnando com brilhantismo os trejeitos, o rebolado, as "mãos nas cadeiras", o deboche e os momentos de submissão que se esperava de seu personagem.

Anna Beatriz Sarcedo ficou a cargo das aparições do fantasma de "Suzana Madeira Ortiz". Como o fantasma do pai de Hamlet, Suzana é o elemento instigador por trás das atitudes de sua mãe. Paira no ar o mistério: seria ela um autêntico fantasma ou uma alucinação compartilhada por sua mãe Lizandra e sua avó Dona Yolanda?

Anna Beatriz, chamada carinhosamente pelos colegas de Bia, estudante de Direito, é uma jovem reservada, mas muito carinhosa quando se tem um contato mais íntimo. Não deixou explícitos seus objetivos ao participar do curso, mas dotou sua personagem do ar frio e distante que se espera de um "autêntico fantasma", algo que não se coaduna com a sua real personalidade. Suas entradas e saídas de cena são com um caminhar leve, quase inefável.

Jajá Maravilha deu vida a "Raul", marido de Lizandra. Beberrão irresponsável tenta recuperar na jogatina os bens dilapidados da família e só consegue endividar-se cada vez mais. Sempre descomposto, cambaleante, omite-se diante da loucura de Lizandra.

Jajá Maravilha tem o objetivo de seguir a carreira de ator e leva muito a sério essa intenção, sempre dando o máximo de si durante todo o curso, os ensaios e na própria apresentação. Durante a maior parte do curso serviu como parâmetro de entusiasmo e motivação para a busca do aperfeiçoamento para os demais membros do grupo podendo ser-lhe creditada, nesse aspecto, boa parte da evolução dos alunos e a qualidade do resultado final.

O "Raul" construído por Jajá é "espaçoso": movimentos largos de corpo, braços quase estabanados, passos longos. Com sua voz potente, expressiva e versátil faz o personagem crescer na peça, atraindo a simpatia do público e despertando risadas com suas inúmeras entonações, até mesmo para o bordão que tantas vezes repete ao longo da peça: "Tô na área, se derrubar é pênalti". O Raul de Jajá é um surpreendente "boa-praça".

João Trindade atuou como "Dr. Marcelino", o síndico do prédio e amigo da família. Um homem dígno e propósitos firmes, mas com uma fraqueza: sua paixão secreta por Lizandra. Ao ser rejeitado por Lizandra em seus avanços, desencadeia a crise que conduz a história ao trágico desenlace.

Na vida real, João é funcionário da Petrobrás e encarou a dificuldade de só poder freqüentar metade das aulas do curso, pois ficava embarcado em uma das plataformas da empresa. Pretende levar seu aprendizado no teatro para o contexto da vida de quem trabalha em plataformas de petróleo.

João compõs um Dr. Marcelino empertigado, de postura e gestos firmes, atitude determinada, que só abandona pela força da paixão, ao declarar-se para Lizandra.

Áureo Goulart assume a bengala de "Dona Yolanda", mãe de Lizandra e avó de Suzana. Yolanda parece ter transmitido geneticamente sua ausência mental a Lizandra, vivendo de um passado de glórias e denunciando, com comentários senis e agressivos, mas com alto teor de comicidade, o que o demais personagens teimam em esconder sob o véu das aparências.

Áureo é persistente e disciplinado. Demonstrou essas qualidades ao assumir uma personagem difícil quase em cima da hora, substituindo uma aluna desistente. Seu desejo de seguir carreira como ator motivou-o a construir uma Dona Yolanda responsável pela maior parte das gargalhadas do público.

A Raquel Mattos coube o desafio de desenvolver "Sofia Madeira Ortiz", irmã de Lizandra. Sofia é o componente de racionalidade no roteiro da peça, é a única personagem 100% lúcida e conseqüente de seus atos. A ela cabe a tarefa de trazer à tona as revelações mais importantes da história.

Raquel declaradamente decidiu-se a freqüentar o curso para "superar a timidez". Sua persistência foi recompensada com uma Sofia convincente enquanto elemento lúcido, centrado, o que expressou no seu modo firme de caminhar e na elegância dos gestos, que emulam os de Lizandra, mostrando que tiveram a mesma educação, mas sem a afetação de sua irmã desvairada.

Christiano Silva calçou os sapatos do "Entregador de Pizza", a quem coube a função de "observador externo", o "estranho" em seu primeiro contato com o mundo insano dos Madeira Ortiz. Ele reage às situações como faria qualquer um de nós, desde à irritação inicial por não receber o pagamento pelos seus serviços até o medo desesperado quando se dá conta de que a loucura era maior do que parecia a princípio.

A melhor palavra para descrever Christiano durante o curso é "prestativo". Foi o fiel escudeiro da Clotilde nos bastidores, sabia de antemão onde estavam todos os objetos de cena que a Clotilde precisava para suas entradas. Durante os ensaios mostrou-se sempre atencioso, ajudando os colegas quando esqueciam alguma fala, contribuindo para a formação de um sentimento de grupo. Como Áureo, entrou em substituição a um aluno desistente e tirou partido de sua estatura - mais de um metro de noventa - para destacar o único "ser humano normal" presente no palco.

Amanda Laet é "Jussara", a "prima pobre" trabalhadora, que se deixa enganar pelo falso glamour dos Madeira Ortiz. Para Jussara, tudo e todos na Cobertura são "chiques", incluindo a empregada, o porteiro e o entregador de pizza.

Amanda é sorridente, animada e falante. Cursa Jornalismo e pretende seguir carreira no teatro. Sua Jussara reflete esse contagiante entusiasmo juvenil, mantendo um astral leve mesmo nos momentos mais tensos do roteiro.

Jorge Eduardo Magalhães, autor da peça e assistente de direção, estreou como ator no papel do "Oficial de Justiça". O Oficial de Justiça surge na história como aquele que "cai na arapuca" dos Madeira Ortiz. Pensando tratar-se de pessoas normais, sucumbe ao encanto sedutor de Lizandra e abre o caminho para a tragédia. Na rápida aparição desse personagem-chave, Jorge convence na dissolução progressiva de sua sisudez pelo charme de Lizandra. Para Jorge, a experiência como ator auxiliou-o muito em seu objetivo de se estabelecer como roteirista e escritor, pois pôde "sentir na pele" o que realmente significa dar vida no palco a um personagem de sua imaginação.

Géssica Hellmann, a Géh, participou do curso com o objetivo de divertir-se, fazer amigos e ganhar desembaraço. Sente que conquistou todas essas metas com sua "Fifi Sales Amaral", socialite falida, "amiga íntima" de Lizandra que, como a protagonista, vive de aparências e glórias passadas. Fifi surge na história como que para sugerir que o mal que acomete Lizandra não é exclusividade dos "Madeira Ortiz", mas uma espécie de epidemia social.

Para desenvolver sua Fifi, Géssica contou com a ajuda, conselhos e incentivo tanto de seus colegas de turma quanto de amigos atores como Sole Mazzetto e Marco Cardozo. "Liberte a perua que existe dentro de você", foi o conselho mais ouvido. O resultado foi uma Fifi cômica, quase "desmunhecante", num interessante contraste com o jeito contido e estudado de Lizandra.

 

 

Ana Araújo
Ana Araújo

Anna Beatriz Sarcedo
Jajá Maravilha
Jajá Maravilha

João Trindade
Áureo Goulart
Áureo Goulart
Raquel Mattos
Raquel Mattos
Géssica Hellmann - Géh
Géssica "Géh" Hellmann

Folhas soltas no script

O grupo repassa o texto

Áureo e Ana ensaiam

 

edição 72

Massagem: filosofia, ciência e crenças num cardápio multicolorido

Alexei Gonçalves

Preocupações, dores, tensão e estresse: essas palavras, tão comuns no vocabulário do homem urbano contemporâneo, estimulam a oferta de terapias que se propõem a aliviá-los. Quando não encontramos solução nos consultórios médicos, abre-se para nós um vasto leque de terapias corporais alternativas, cada uma com promessas, alcance e limitações, variando desde o simples alívio de sintomas até à função de auxiliar em tratamentos clínicos convencionais. Podemos citar como exemplos a acupuntura, a fitoterapia, a massagem, o t’ai c’hi ch’uan, a yoga e a meditação.

Relax - Carol Maybin - arte sexualidade corporalidade
Relax por Carol Maybin

Mas cada um desses nomes é apenas a ponta do iceberg. Neste artigo, abordaremos apenas a “massagem”, um nome comum a práticas tão diversas que o primeiro problema com que nos deparamos foi com a dificuldade de defini-la.

Segundo Cesana et al (2004), a palavra “massagem” seria derivada do grego "massein", significando “amassar”, tendo chegado até o português através do verbo francês ”masser”.

Mas massagear é o mesmo que “amassar”? O Aurélio define massagem como “compressão metódica do corpo, ou de parte dele, para melhorar a circulação ou para que se obtenham outras vantagens terapêuticas”. Essa definição dicionarizada, porém, não abrange todas as práticas costumeiramente chamadas de “massagem”. Uma sessão de massagem pode envolver, além de técnicas de “amassamento”, técnicas de deslizamento, fricção, pressão e batimentos.

Mais detalhadamente, encontramos em “Medicina de Reabilitação” (1992) as seguintes ações associadas à massagem: “alisamentos”, “rolamentos”, “amassamentos”, “torceduras”, “beliscamentos”, “cuteladas”, “pancadas”, “socos”, “palmadas”, “vibração”, “agitação” e “fricção profunda”.

A massagem parece constituir uma sistematização de um gesto instintivo, observado até mesmo em animais: o ato de esfregar ou pressionar um local dolorido para obter alívio. Embora se encontrem registros do uso terapêutico da massagem já na Grécia Antiga, e ainda anteriormente, nas medicinas tradicionais da Índia e na China, é só no século XIX que a massagem recebe uma abordagem científica, com os trabalhos de Peter Henry Ling, a quem se atribui a paternidade da massoterapia moderna.

Atribuem-se benefícios e objetivos à massagem tão diversos quanto suas variações. Segundo Cesana (2004), estudos científicos indicam que a massagem “pode contribuir para a melhoria da flexibilidade, da circulação sangüínea, da qualidade de movimentos, além de aliviar dores e de proporcionar o relaxamento muscular”, além de gerar “benefícios ao indivíduo tanto no aspecto físico quanto no mental e emocional... [pois,] quando fazemos massagem (aplicando ou recebendo), há um relacionamento com a outra pessoa por meio da pele, do tato e do toque, despertando, dessa maneira, vários tipos de sensações por todo o corpo”. Por esses motivos, a massagem seria aplicável em trabalhos de consciência corporal, autoconhecimento e auto-organização. Incluem-se ainda entre os benefícios atribuídos à massagem melhorias na circulação sanguínea e linfática, além de aumento na capacidade respiratória.

Segundo Carolina Cunha da Silva (2006), a massagem, teria “propriedades” diferentes conforme duas variáveis: pressão e velocidade:

Lenta e superficial – relaxante e analgésica.

Lenta e profunda – desintoxicante.

Rápida e profunda – nutritiva, tonificante.

Rápida e superficial – excitante do sistema nervoso.

Mas há limitações e contra-indicações. Segundo o site Portal da Massagem (2006), não se deve massagear áreas inflamadas ou com lesões visíveis, cartilagens de conjunção das crianças; calos ósseos ou articulações com lesões; o ventre das grávidas a partir do 3º mês ou um paciente com o estômago ou bexiga cheia.

A massagem também é “medicamente contra-indicada sobre malignidades, ferimentos abertos, tromboflebite e tecidos infectados. Uma técnica de massagem inapropriada pode causar dano se aplicada em tecido mole calcificado, pele que sofreu alterações tróficas, enxertos de pele, tecido agudamente inflamado, ou durante uma terapia anticoagulante. Tem sido relatada lesão nervosa quando a acupressura é aplicada vigorosamente demais, resultando em compressão nervosa periférica devida à formação de hematoma” (Medicina de Reabilitação, 1992).

A massagem pode deixar de ser benéfica e até prejudicar pacientes quando as técnicas de massagem não são as mais indicadas para a situação em tratamento por falta de um diagnóstico correto, o terapeuta não consegue detectar o verdadeiro problema tenta conseguir com a massagem algo que não sabe, ou ainda quando o terapeuta diz-se massagista mas, de fato, não sabe o que é massagem (Portal da Massagem, 2006).

Este último fato traz à tona a questão da qualificação profissional. Segundo Cesana (2004), em sua amostra pesquisada, apenas 1 entre 20 fisioterapeutas e 6 entre 24 terapeutas ocupacionais receberam orientações acadêmicas sobre massagem. Entre os profissionais de Educação Física, a situação seria ainda pior, pois a massagem deixou de ser disciplina obrigatória na formação curricular e são poucas as universidades que a oferecem sequer como disciplina optativa.

Também não contribui muito para o esclarecimento do público a imensa quantidade de técnicas e nomes exóticos que misturam crenças religiosas, filosofia e conhecimento pseudocientífico com práticas e técnicas realmente eficazes.

Para efeito meramente ilustrativo, apresentamos, a seguir, uma amostra do “fundamento” científico, filosófico e/ou religioso de apenas algumas das técnicas mais populares de massagem (Portal da Massagem, 2006).

Massagem Anma - Massagem tradicional japonesa que teria mais de 5.000 anos, originária do período do Imperador Amarelo chinês, Hwang Ti. Embora seja atribuída uma origem tão antiga, ela também é chamada de "Massagem Energética Japonesa", "Massagem Sentada", "Massagem Expresso" ou "Quick Massage", pois é muito utilizada em sessões de cerca de 15 minutos, com o paciente vestido e na posição sentada. Sua prática envolve movimentos de pressão e alongamento executados com os polegares, dedos, braços, cotovelos, joelhos e pés em pontos de acupressura, sem utilização de qualquer tipo de óleo, podendo ser aplicada em qualquer ocasião e lugar, inclusive locais públicos.

Massagem Ayurvédica – Técnica tradicional da Índia, empregada como terapia complementar associada à Medicina Ayurvédica, palavra que significaria "Conhecimento da Vida Humana" em sânscrito. É uma técnica de massagem profunda que alia movimentações vigorosas em toda a massa muscular conjuntamente com manobras de tração e alongamento, além da estimulação de pontos e órgãos, empregando-se óleos naturais aquecidos. É realizada com o paciente deitado no chão, sobre um tatame.

Massagem Biodinâmica - Criada na década de 1950 pela psicóloga e fisioterapeuta norueguesa Gerda Boyesen, para alívio de stress sem a utilização de drogas ou sessões de psicoterapia, como parte de sua terapia alternativa chamada “psicologia biodinâmica”. A técnica da Massagem Biodinâmica seria aplicada aos ossos, aos músculos, à pele e à “aura energética”, através de movimentos circulares sobre o corpo do paciente para relaxá-lo. Nas sessões de Massagem Biodinâmica, o terapeuta emprega um estetoscópio longo sobre o abdomen do paciente para perceber sua "linguagem corporal", expressa através de "sons psico-peristálticos".

Massagem Californiana – Também conhecida como Massagem Esalen, tem sua origem no Instituto Esalen (EUA), no início da década de 1960. Exige-se que os terapeutas sejam oficialmente credenciados pelo Instituto. É uma técnica híbrida da Massagem Sueca e uma técnica de trabalho corporal alemã, sem pretensão à cura de doenças. Privilegia o descanso e o desenvolvimento da sensibilidade corporal. Caracteriza-se pela utilização de óleo em todo o corpo e por movimentos amplos compondo uma seqüência de manobras suaves e lentas. Durante uma sessão de massagem Esalen, a atenção pessoal é mais enfatizada do que a técnica propriamente dita.

Massagem Chavutti Thirummal - Massagem orginária da região de Kerala, sul da Índia. Entre todas as técnicas de massagem é a que apresenta níveis de pressão mais profundos, pois o terapeuta desliza os seus pés sobre o corpo do paciente, devidamente untado com óleos. Para manter o equilíbrio, o terapeuta apóia-se em cordas presas ao teto.

Massagem Desportiva – conjunto de técnicas específicas orientadas para aumentar o rendimento de atletas.

Massagem de Drenagem Linfática - técnica de massagem desenvolvida pelo casal Emil e Estrid Vodder na década de 1930. Caracteriza-se por movimentos circulares e em espiral, suaves e precisos, sobre os centros dos gânglios linfáticos.

Massagem de Recuperação – conjunto de técnicas de massagem localizada para recuperação gradual de uma região lesionada do corpo, com objetivos terapêuticos e sob prescrição médica.

Massagem de Reflexoterapia – Parte da Reflexologia, baseia-se no conceito de que todas as estruturas do corpo se encontram interligadas. Assim, exercendo pressão sobre uma zona específica do pé, um paciente poderia curar de um mal-estar em outra parte do corpo. A Reflexoterapia é praticada através de pressões rítmicas em pontos específicos dos pés, de acordo com um "mapa" em que se associam pontos específicos do pé a órgãos do corpo humano.

Reiki Dinâmico - Uma combinação de reiki e massagem. A prática de Reiki Dinâmico combina o toque das mãos com movimentos ondulatórios na membrana fascial, que envolve todos os órgãos do corpo.

Massagem Rolfing – Criada pela bioquímica americana Ida Rolf (1896-1979). Fundamenta-se na idéia de que muitas doenças seriam provocadas por problemas posturais, que poderiam ser atacados com um complexo sistema de manipulação chamado "reintegração estrutural". A prática do Rolfing envolve massagens no tecido conjuntivo e nos músculos, com objetivo de realinhar a estrutura física na vertical, com toques profundos e precisos que incluem os dedos e os cotovelos.

Massagem Sacro-Craniana - Criação do médico John Upledger, esta técnica procura, através de toques extremamente suaves, detectar e corrigir alterações no funcionamento do sistema sacro-craniano (cabeça e medula).

Massagem Shantala – Massagem indiana sistematizada e trazida para o Ocidente pelo obstetra francês Frederick Leboyer, após observar, em Calcutá, uma mulher chamada Shantala massageando o seu bebê. É, portanto, uma massagem especial para bebês, num ambiente calmo, silencioso ou com uma música ambiente, com óleos vegetais ligeiramente aquecidos, para evitar atritos na pele sensível.

Massagem Sueca – Desenvolvida pelo atleta sueco Per Henrik Ling no século XIX, aliando conhecimentos de ginástica à prática da massagem chinesa. Consiste em pressionar diferentes pontos do corpo no sentido do fluxo sanguíneo, empregando-se óleos de massagem ou talco para reduzir a fricção.

Shiatsu – Forma de massagem originária do Japão fundamentada na Medicina Tradicional Chinesa, combinando a massagem com a pressão nos pontos de acupuntura chineses. Deu origem a várias escolas e técnicas diferencias ao longo do século XX.

Deep Tissue Massage - Técnica de massagem que se dirige a partes profundas do tecido muscular. Seu objetivo é o tratamento de doenças crônicas decorrentes de lesões não tratadas na fase aguda, empregando movimentos lentos, pressão direta e fricção, para liberar toxinas. A sessão tem duração curta, para evitar traumatismos.

Técnica de Alexander – criação do ator australiano Frederick Matthias Alexander, busca a reeducação postural e respiratória com o objetivo de atingir um alinhamento mais adequado da cabeça, pescoço e coluna.

Massagem Watsu – Variação do Shiatsu praticado numa piscina de água morna, criado pelo americano Harold Dull em 1980. A palavra Watsu é um barbarismo que combina a palavra inglesa "Water" (água) com Shiatsu.

Como se pode perceber após ler essa lista, a massagem se destina a ser uma prática corporal agradável e contribuir para a saúde. O problema é escolher em que acreditar em meio a tantas opções e explicações exóticas. Para variar, um bate-papo com um médico bem-informado pode fazer a diferença entre uma experiência física e psicologicamente gratificante ou um belo motivo de arrependimento.

Fontes:

CESANA, Juliana, et al. Massagem e Educação Física: perspectivas curriculares. Revista Mackenzie de Educação Física e Esporte – 2004, 3(3):89-97 Disponível em http://www.mackenzie.br/editoramackenzie/revistas/edfisica/edfis3n3/art7_edfis3n3.pdf Acesso em 8/12/2006.

Medicina de Reabilitação – Princípio e Prática – Vol I, 1992 – disponível em http://www.cdof.com.br/massagem1.htm - acesso em 08/12/2006

Portal da Massagem. http://www.portaldamassagem.com/ . Acesso em 8/12/2006.

SILVA, Carolina Cunha da. O que é mesmo massagem? Disponível em http://www.coladaweb.com/edfisica/massagem.htm , acesso em 08/12/2006.

 

edição 71

Terapias Corporais

Géssica Hellmann

O estudo da corporalidade está cada vez mais presente em atividades da área clínica, especialmente junto a equipes multidisciplinares, exigindo elementos básicos necessários para o desenvolvimento da consciência corporal. Neste artigo, procedo a uma introdução às terapias corporais: Cinesioterapia, Calatonia, Shiatsu e Watsu.

Michael Glaster - Touch - arte corporalidade
Touch por Michael Glaster

Cinesioterapia

Segundo Cruz e Guimarães (2006), aproximadamente entre 4000 a.C e 395 d.C "o movimento humano era utilizado no tratamento de disfunções já estabelecidas, já instaladas e faziam parte das funções dos sacerdotes". Ocorreu uma interrupção nos estudos da área da saúde corporal na Idade Média, pois na época o corpo tinha menos importância que o culto ao espírito. Já no final da Idade Média e no início do Renascimento, a beleza física começa a ser revalorizada. "Ao final do Renascimento, Don Francisco e Ondeano Amorós (1779-1849) dividiram a ginástica em quatro pontos, sendo o terceiro ponto a cinesioterapia, que tinha a finalidade de manutenção de uma saúde forte, tratamento de enfermidades, reeducação de convalescentes e correção de deformidades".

As autoras afirmam que os primeiros estudos sobre a utilização dos exercícios terapêuticos datam da Grécia e Roma antigas, porém, foi a partir da I Guerra Mundial que houve um aumento acentuado da utilização deste recurso para a reabilitação de pacientes, devido ao grande número de incapacitados durante e após os combates, favorecendo o crescimento da fisioterapia e da cinesioterapia.

"Auguste Georgii (1847),ao utilizar o termo cinesioterapia, propunha esta definição:"O tratamento das doenças através do movimento"; a cinesioterapia ativa é, assim, a parte da fisioterapia que utiliza o movimento provocado pela atividade muscular do paciente com uma finalidade precisamente terapêutica. Entretanto essa noção de movimento é muito restritiva, portanto se incluem inteiramente no quadro da cinesioterapia ativa solicitações musculares de estabilizações que não induzem nenhum deslocamento das alavancas ósseas." (Rosa Filho, 2006).

O autor afirma que mais recentemente, Boris Dolto propôs outra definição: "A cinesioterapia não é um tratamento através do movimento, mas o tratamento do movimento". A noção de movimento deve ser entendida em um sentido amplo, porque a atividade postural de equilíbrio está inteiramente inclusa no processo terapêutico podendo mesmo ser a iniciadora. É o que encontramos nos métodos fisioterapêuticos conhecidos como base proprioceptiva ou ainda de reprogramação neuromotora. O recrutamento da atividade muscular não é somente voluntário mas também automático ou reflexo."

A cinesioterapia baseia-se nos conhecimentos de anatomia, fisiologia e biomecânica, a fim de proporcionar ao paciente um melhor e mais eficaz trabalho de prevenção, cura e reabilitação. A sua indicação é bastante criteriosa, necessita de avaliação para traçar objetivos e estratégias, além de reavaliações freqüentes, visando à atualização junto à progressão do paciente e em conseqüência da necessidade de correções ao programa inicial até atingir o potencial de recuperação esperado. (Cruz e Guimarães, 2006)

Calatonia

Calatonia é um método terapêutico criado pelo médico húngaro Pethö Sándor trabalhando no Hospital da Cruz Vermelha, durante a Segunda Guerra Mundial.

Segundo Farah (2006), dadas as precárias condições geradas pela guerra, os recursos médicos existentes eram de pouca ajuda no atendimento dos pacientes. Embora a especialidade de Sándor fosse a Ginecologia/Obstetrícia, ele foi designado para o cuidado de pessoas portadoras dos mais variados traumatismos, conforme ele mesmo relatou, ao falar sobre o surgimento de seu método:

"Idealizou-se este método durante a Segunda Guerra Mundial, com base nas observações feitas em casos de readaptação de feridos e congelados, no período posterior à grande retirada da Rússia. Num hospital da Cruz Vermelha foram atendidas as mais diferentes queixas na fase pós-operatória, desde membros-fantasmas e abalamento nervoso, até depressões e reações compulsivas".

Sándor observou o seguinte:

"Além da medicação costumeira e dos cuidados de rotina, o contato bipessoal, juntamente com a manipulação suave nas extremidades e na nuca, com certas modificações leves quanto à posição das partes manipuladas, produzia descontração muscular, comutações vasomotoras e recondicionamento do ânimo dos operados, numa escala pouco esperada."

Machado (2006) afirma que "No processo da Calatonia, observa-se ainda a vinculação corporal do terapeuta ao paciente durante todo o período de aplicação dos toques, período este em que um amplo envolvimento bi-pessoal se estabelece, produzindo um conjunto peculiar de ressonâncias psico-físicas".

A Calatonia, enquanto método de relaxamento visa, evidentemente, promover efeitos de soltura e/ou distensão muscular, ou seja a "regulação" do tônus. Mas sua atuação vai além do nível apenas muscular, promovendo também "reorganizações psico-fisiológicas" em vários níveis.

O procedimento básico da Calatonia consiste em uma série de "toques", que o terapeuta realiza em vários pontos do corpo. Uma característica importante da pele, segundo Farah (2006), que diz respeito à sua própria origem e formação durante nosso desenvolvimento ainda no útero materno: "As células que lhe dão origem provêm da mesma camada embrionária da qual se forma nosso sistema nervoso central, ou seja, a ectoderme". O toque na pele reage diretamente no funcionamento do sistema nervoso.

A autora conclui que "se aceitarmos que a principal meta da psicoterapia é criar condições para que a pessoa amplie a consciência que tem de si própria, a ponto de poder expressar tão plenamente quanto possível suas potencialidades individuais com equilíbrio e criatividade; se aceitarmos ainda que cada pessoa é um todo indivisível e que seu corpo e seu psiquismo são apenas diferentes formas de expressão desta mesma unidade sincrônica, então podemos entender a função da Calatonia, como um importante recurso na facilitação do nosso acesso ao mundo interno do ser humano".

Shiatsu

Luz (2006) diz que Shiatsu é uma forma de intervenção da racionalidade médica chinesa desenvolvida no Japão. Este país já possuía uma antiga tradição de massagem, originária da China, chamada anma ou amma (do chinês an mo, pressionar e esfregar), desenvolvida a partir do período Edo (1603-1867). Inicialmente praticada por cegos, o anma não tem como centro de sua atenção clínica as categorias de canais ou de cavidades (jing e xue, comumente traduzidos como meridianos e pontos) e possivelmente por isso foi lentamente perdendo prestígio na comparação com os diagnósticos sofisticados de outras formas da racionalidade médica chinesa - como o tratamento com remédios ou acupuntura - chegando ao final do século XIX rotulado como massagem estritamente relaxante e para o prazer, únicos objetivos para os quais era licenciada (recentemente os aspectos terapêuticos do anma têm sido recuperados pelo trabalho do prof. Mochizuki Shogo, radicado nos EUA, que editou alguns livros sobre sua tradição familiar de anma com grande sucesso).

A massagem Shiatsu proporciona uma prática de re-educação física e mental através da sensibilização de todos os pontos energéticos do nosso corpo, na busca de uma saúde plena e satisfatória. A fim de obter o re-equilíbrio foram desenvolvidas diferentes técnicas para eliminar energia em excesso, desbloquear energia estagnada, distribuir energia harmoniosamente e absorver maior quantidade e qualidade de energia.

"O shiatsu é uma modalidade terapêutica da racionalidade médica chinesa e, como as demais, tem sua intervenção orientada para a reconfiguração da ordem vital. Através da pressão no corpo do paciente, o shiatsuterapeuta a um só tempo adquire informações e envia comandos de reconfiguração dessa ordem, valendo-se da rede de canais e das cavidades para tanto. Essa atividade de toque atua em dois planos principais. O primeiro, das configurações do qi e do Sangue, especialmente no tocante à sua circulação. O segundo é o plano do shen ou espírito". (Luz, 2006)

O autor afirma que "Em relação ao toque, as manobras objetivam incrementar (otimizando o estado geral da circulação), regular (desfazendo bloqueios e restaurando o sentido normal do fluxo do qi em caso de contrafluxo) e ainda dragar os canais e remover estagnação provocadas pelo frio, umidade etc, de origem externa bem como interna. Pode-se ainda usar o toque para invocar as propriedades terapêuticas características de cada uma das cavidades".

"Na medicina chinesa o tato é o sentido atribuído ao elemento fogo e, portanto, ao Coração. Como o Coração é o coordenador maior de toda a atividade psíquica e afetiva do ser, de sua capacidade de intermediar o interno (subjetivo) e o externo (objetivo) e, portanto, de sua própria sanidade mental, esta assertiva da Tradição é da maior importância para o massagista. O toque é a via de excelência para a comunicação entre os Corações do praticante e o do paciente e é através dele que é possível dizer, muito claramente, que se está cuidando de um paciente, e não examinando ou diagnosticando um portador de alguma patologia. Para que essa comunicação aconteça, contudo, é fundamental que o toque seja firmemente inspirado pela sensibilidade, ou seja, que não se trate de um toque mecânico, fundamentado em alguma diagnose prévia e aplicado a despeito dos sinais que o corpo do paciente dê." (Luz, 2006).

Watsu

Boccuzzi, Esteves e Ramalho (2006) "Watsu (water shiatsu) não é uma simples técnica de massagem na água. Essa terapia física e psicológica melhora a flexibilidade e mobilidade dos tecidos através de massagem, alongamentos e mobilização rítmica desenvolvida em água aquecida à 35 graus, possibilitando a diminuição do tônus muscular, conseqüentemente um relaxamento físico e psicológico. A água aquecida e a sustentação continua proporcionada por ela são ideais para soltar a musculatura. Tira-se a sobrecarga da estrutura óssea e há o relaxamento dos músculos. A circulação não é mais restrita pela contração e pode, então, conduzir os metabólitos deixados nos músculos, reduzindo assim a dor e a fadiga. Os estados sem peso causam uma redução da necessidade de oxigênio, ajudando a acalmar a respiração".

Segundo Watsu (2006), o Watsu foi desenvolvido por um americano chamado Harold Dull, em meados de 1980, a partir de um estudo sobre várias terapias em águas quentes, feito no Japão.

O autor afirma que a diferença do Shiatsu para a Watsu é que a primeira fundamenta-se na pressão dos dedos e cotovelos em pontos de tensão do corpo, dando prioridade ao toque do terapeuta, já no Watsu, os movimentos e torções são livres já que todo trabalho terapêutico ocorre dentro da água aquecida. O Watsu associa movimentos rotacionais harmoniosos, alongamentos, trações nas articulações e pressões em pontos de tensão muscular. Tendo a sustentação da água e os movimentos rítmicos e contínuos que fluem de uma posição para outra, o praticante experimenta uma fantástica sensação de bem estar. Durante a sessão são realizados em torno de 45 movimentos diferentes, respeitando o tempo de cada movimento de acordo com a necessidade do praticante e a do terapeuta. A passagem de um movimento ao outro ocorre de forma tranqüila sem que o praticante necessite se apoiar ou sair do estado de relaxamento o que mais uma vez permite ao praticante um estado meditativo.

Como podemos observar a cinesioterapia trabalha o movimento corporal, a calotonia e o shiatsu trabalham através do estimulo do toque e de certa forma podemos dizer que a técnica recente de watsu trabalha no ambiente aquático o toque e o movimento como forma de terapia.

Como toda atividade corporal é preciso procurar profissionais capacitados, buscar informações sobre cada especialidade e preferencialmente a que melhor se aplica a sua condição. Buscar o prazer, o bem estar físico e emocional através da corporalidade é importante para manter a harmonia consigo mesmo e com o ambiente em que vive.

Bibliografia

Boccuzzi, Paulo Cardozo de Mello. Esteves Júnior, Ivaldo. Ramalho, Tatiane Thaís. Watsu na Fibromialgia. Disponível em: < http://www.watsubrasil.com/29.htm>. Acessado em: 01/12/2006.

Cruz, Mônica Cardoso da. Guimarães, Layana de Souza. Exercícios terapêuticos: A cinesioterapia como importante recurso da fisioterapia. Lato & Sensu, Belém, v. 4, n. 1, p. 3-5, out, 2003.

Farah, Rosa Maria. A calatonia: A "pele" e o "contato", suave e atento como parte integrante da Psicoterapia. Disponível em: < http://www.rubedo.psc.br/artigosb/calatoni.htm>. Acessado em: 01/12/2006.

Luz, Daniel. Shiatsu e a formação de recursos humanos. Disponível em : < http://taijiquan.pro.br/acupuntura/shiatsu-formacao/>. Acessado em:01/12/2006.

Machado, Paulo. A Calatonia Como Relacionamento. Disponível em: < http://www.calatonia.net/calatonia.htm>. Acessado em: 01/12/2006.

Rosa Filho , Blair José. Cinesioterapia ativa (noções básicas). Disponível em: <http://www.wgate.com.br/fisioweb/cinesioterapia.asp>. Acessado em: 01/12/2006.

Watsu®, terapia corporal aquática. Disponível em: < http://www.cdof.com.br/watsu1.htm>. Acessado em: 01/12/2006.

 
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