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edição 85

“Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é”

(Previous article english version: "Corporality and Art - The significance of hairstyling - Interview with Luana de Oliveira)

Patrícia Gomes

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Alexander Shaumyan - Depression - Arte Corporalidade
Depression por Alexander Shaumyan


Há alguns dias eu recebi a proposta de escrever sobre a tal da bipolaridade, e confesso, foi algo que me surpreendeu nesse momento, ainda mais por ser tão forte esse assunto, ainda mais pra mim. Mas enfim, me propus a escrevê-lo e agora estou aqui, tentando descobrir por onde começo a desfiar esse rosário.

Acho que o melhor meio é tentar deixar claro, ao menos tentar, do que se trata.

Até bem pouco tempo era conhecida como psicose maníaco-depressiva, a doença bipolar do humor é caracterizada por períodos de um quadro depressivo, geralmente de intensidade grave, que se alternam com períodos de quadros opostos à depressão, isto é, a pessoa apresenta-se eufórica, com muitas atividades, às vezes fazendo muitas compras ou efetuando gastos financeiros desnecessários e elevados, com sentimento de onipotência, quase sempre acompanhados de insônia e falando muito, mais que seu habitual. Esse quadro é conhecido como mania. Tanto o período de depressão quanto o da mania podem durar semanas, meses ou anos. Geralmente a pessoa com essa doença tem, durante a vida, alguns episódios de mania e outros de depressão. É importante ficar claro que mania, no sentido médico, é diferente de mania para o leigo, significando para estes hábitos que a pessoa sempre repete.

O mais chamativo da doença bipolar do humor são os episódios de mania que podem alternar-se, geralmente ao longo dos anos, com a depressão. Os episódios começam a manifestar-se em geral por volta dos 15 a 25 anos de idade, com muitos casos de mulheres podendo ter início entre os 45 e 50 anos.

A pessoa apresentando o quadro de mania mostra um humor anormal e persistentemente elevado, expansivo, excessivamente eufórico e alegre, às vezes com períodos de irritação e explosões de raiva, contrastando com um período de normalidade, antes de a doença manifestar-se. Além disto, há uma auto-estima grandiosa (com a pessoa sentindo-se poderosa e capaz de tudo), com necessidade reduzida de dormir (a pessoa dorme pouco e sente-se descansada), apresentando-se muito falante, às vezes dizendo coisas incompreensíveis (pela rapidez com que fala), não se fixando a um mesmo assunto ou a uma mesma tarefa a ser feita.

Existem três outras formas através das quais a doença bipolar do humor pode se manifestar, além de episódios bem definidos de mania e depressão.

Uma primeira forma seria a hipomania, em que também ocorre estado de humor elevado e expansivo, eufórico, mas de forma mais suave. Um episódio hipomaníaco, ao contrário da mania, não é suficientemente grave para causar prejuízo no trabalho ou nas relações sociais, nem para exigir a hospitalização da pessoa.

Uma segunda forma de apresentação da doença bipolar do humor seria a ocorrência de episódios mistos, quando em um mesmo dia haveria a alternância entre depressão e mania. Em poucas horas a pessoa pode chorar, ficar triste, sentindo-se sem valor e sem esperança, e no momento seguinte estar eufórica, sentindo-se capaz de tudo, ou irritada, falante e agressiva.

A terceira forma da doença bipolar do humor seria aquela conhecida como transtorno ciclotímico, ou apenas ciclotimia, em que haveria uma alteração crônica e flutuante do humor, marcada por numerosos períodos com sintomas maníacos e numerosos períodos com sintomas depressivos, que se alternariam. Tais sintomas depressivos e maníacos não seriam suficientemente graves nem ocorreriam em quantidade suficiente para se ter certeza de se tratar de depressão e de mania, respectivamente. Seria, portanto, facilmente confundida com o jeito de ser da pessoa, marcada por instabilidade do humor.

Esta é a parte “técnica” do problema, vista por alguém que está fora, na maioria das vezes, do problema. Não é um fardo leve de se carregar, ao contrário. Falo agora por mim, como alguém que foi diagnosticada com esse transtorno. Há um sentimento de culpa quase sempre presente, pois não é algo agradável estar bem e de um segundo para outro sentir-se a pessoa mais vazia do mundo e sem nenhuma causa aparente e mesmo assim com todas possíveis. Ver os que estão ao seu lado sofrerem por não saberem lidar com o problema, ver a inutilidade das tentativas de disfarçar a situação. É horrível ter que ouvir de pessoas que não entendem que tudo depende da gente, que se não quisermos sentir essas coisas basta rezar, levantar, se sacudir. Alguma vez alguém já quis ficar doente pelo prazer de dizer que tem determinada doença? A sensação de se ser um estrangeiro em qualquer lugar é enorme, tanto que, muitas vezes, passamos a ser de nós mesmos.

Sentir-se como mais um estrangeiro num país de muitos, onde ninguém se entende é mais que comum, ainda mais quando se tenta por todos os meios falar algo e parece que jamais vai conseguir chegar a um idioma comum.

Mas há quem diga que há o lado bom, e realmente há alguns episódios em que tudo fica mais claro. Em momentos de mania, onde a insônia quase se faz crônica a produção aumenta, há sempre uma disposição maior pra efetuar pequenas tarefas, como escrever, mas é pior quando a depressão se instala e parece que fomos fatiados em dois e por mais que uma das bandas queira fazer algo a outra não se mexe.

Passar o resto da vida dependente de um remédio que ameniza e te estabiliza é como sentir que está como um pássaro que vive fora da gaiola, mas com uma corrente atada aos pés...

Segurança, confiança, felicidade são conceitos e termos que passam a ser fugazes, pois por mais que a razão (uma das bandas) prove que há e que esteja realmente ao seu lado, há sempre a outra banda revoltosa que não deixa acreditar.

Na verdade parece que somos rodeados por milhões de faces fantasmas que nos perturbam diariamente enlouquecendo-nos ainda mais com questões e conflitos para os quais nunca encontraremos respostas.

Conviver com um bipolar não é fácil, é uma tarefa enlouquecedora, admito, mas também posso dizer que é possível. Ainda mais quando há a vontade real e sincera de conhecer quem está ao seu lado, quando há amor e respeito pelas diferenças alheias.

Não sei se atingi o objetivo de escrever algo coerente sobre esse assunto que é muito doloroso, mas, aqui está um depoimento que é ao mesmo tempo um pedido de desculpas e a contestação de um fato, mas em momento algum se faz como desculpa para agir irresponsavelmente ou com o real intuito de magoar alguém.

Agradeço, de coração, a quem teve a paciência de ler esse texto tão extenso e denso!

 

 
edição 84

Dança: a terapia sem fala

(Previous article english version: "Corporality and Art - The significance of hairstyling - Interview with Luana de Oliveira)

 

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Mahaila Diluzz
foto cedida pela autora


Nas práticas da dança, à medida que nosso corpo se solta, se desprende de um padrão antigo, as nossas couraças vão aparecendo, e a estrutura dos movimentos vai imprimindo uma nova dimensão na vida de quem dança. Os desenhos geométricos inconscientes e o chamamento ancestral sem palavra alguma formam uma silenciosa e suave forma de terapia, como afirma a bailarina, coreógrafa e professora Mahaila Diluzz, no artigo que se segue.

Quando nos movimentamos, fazendo e refazendo o mesmo caminho corporal, repetido há milhares de séculos por nossas ancestrais, será que é só a forma física que dança?

Pense bem, o que somos? Um conjunto de células, órgãos, moléculas... Sensações, sentimentos, pensamentos... Então, quando nosso corpo redesenha as formas de uma geometria ancestral, temos sensações, lembranças, sentimentos...

É incrível como a Racks El Shark (dança do leste), mais conhecida como dança do ventre, consegue soltar, desmembrar, desmanchar para esculpir novamente os corpos que nos formam. Costumo dizer que a dança do leste é uma terapia que começa a partir do corpo. Sem o uso da fala, a estrutura dos movimentos vai imprimindo uma nova dimensão na vida de quem dança.

Para muitas pessoas, este processo silencioso através do corpo causa estranhamento. Percebemos as mudanças ocorrendo internamente, modificando nossa freqüência vibracional, o que provoca transformações na nossa maneira de agir, pensar e sentir o mundo. Silenciosamente, à medida que nosso corpo se solta, se desprende de um padrão antigo, as nossas couraças vão aparecendo, resistentes em nos abandonar.

Quando temos esta percepção, temos também uma escolha a fazer: continuar a nos oportunizar uma redescoberta, ou ficarmos paralisadas, sem seguir adiante. Estes são momentos que se repetirão inúmeras vezes, dentro do processo de quem dança a dança do leste.

Cada bloqueio existente no corpo emocional que encontra o seu correspondente no corpo físico, desencadeará uma crise, um caos, uma barreira a ser vencida.

Mas por que isto ocorre? Creio que uma das razões deva-se ao fato de utilizarmos na geometria dos movimentos uma linguagem ancestral ditada pelas formas, ritualisticamente, desenhadas por nosso corpo através da dança - desde a postura, que exige a abertura da caixa torácica, a expansão ou alongamento do chakra solar (altura do estômago) e o encaixe do quadril, que traz de volta para a bacia, sua primordial função de acomodar os órgãos internos. Ora, adotando-se esta postura, um corpo que antes passava a idéia de um Ser contido, agora nos parecerá uma pessoa auto-confiante, aberta para o mundo. Tomada esta postura inicial, damos início à re-apropriação de nosso corpo, aprendendo a isolar os movimentos de cada um dos membros. Isto fará com que cada estrutura física que abriga um dos chakras principais desenvolva sua função. Aprendendo a isolar os membros inferiores (movimentos de pés, pernas, joelhos, coxas, glúteos e pélvis), dos membros superiores (abdome, peito, braços, mãos, pescoço e cabeça), estaremos gerando energia, o que fará com que os chakras correspondentes respondam a este estímulo.

A geometria implícita - Mas, então, qualquer movimento ou dança podem fazer isto?


Luu, Mahaila, Raquel e Silvia - foto cedida pela autora

Este é o fundamento de diversas terapias energéticas e corporais. Porém, estamos falando da Racks El Shark. Nela, há um detalhe que faz toda a diferença: "as formas desenhadas." Aqui entra o que alguns denominam de Geometria Sagrada, presente em tudo o que tem vida no universo. Esta geometria, que é a linguagem ancestral para a compreensão da natureza, está implícita na dança do ventre. Nossa compreensão primária sobre o mundo físico está nas formas. Nossos ancestrais desenhavam formas geométricas nas paredes das cavernas, procurando reproduzir o mundo em que viviam. Não compreendiam a matemática, mas sabiam que a lua era um círculo, e assim a representavam em suas esculturas rupestres. Assim sendo, os movimentos da dança não são só técnicos, pois partem do inconsciente para o consciente.

Ritualisticamente, desenhamos círculos, movimento marcadamente feminino, de natureza Yin, introspectiva, uterina. Desenhamos retas formando triângulos sobrepostos e quadrados, movimentos Yang, fortes, e que demonstram segurança, dinamismo e poder. Ritualisticamente também, desenhamos ondulações em oito, símbolo do infinito, presente nas formas microscópicas e que lembram as elipses dos átomos de energia - movimento que trabalha a nossa dualidade, os opostos, unindo nosso lado sombra a nosso lado luz.

Quando o culto à fertilidade teve início, nos primórdios do período neolítico, provavelmente os povos desconheciam esta ciência, oculta na matemática das formas geométricas. Porém, a prática da dança, aliada ao culto à Deusa-Mãe, fez emergir a sabedoria embutida em seus ritos. E assim, atravessando o tempo, repetimos os mesmos movimentos que fazem surgir das profundezas, qual lótus em meio à lama, a luz mais plena de nossas almas femininas.

 

Mahaila Diluzz
Bailarina, coreógrafa e professora de Dança do Ventre e World Dance -Tribal
Porto Alegre/RS
http://mahailadiluzz.multiply.com/

edição 83

Especial Corpo Divino: Avancem para águas mais profundas!

(Previous article english version: "Corporality and Art - The significance of hairstyling - Interview with Luana de Oliveira)

 

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Faith por Jéssica Shurr



É verdade que meus valores, crenças e metas são mais importantes que meus sentimentos; mas somente quando lhe revelo como me sinto
sobre esses valores, crenças e metas, é que você será capaz de perceber minha singularidade.
É verdade que meu amor é mais importante que meus sentimentos; mas só quando divido com você os vários sentimentos evocados pelo meu amor, é que você será capaz de percebê-lo como único e irreproduzível.
O diamante é a pessoa, mas são os sentimentos que revelam e ilustram as várias facetas da beleza da pedra. Sem o engaste adequado, o diamante não pode ser visto e admirado. Sem os sentimentos, a pessoa não pode ser conhecida.
(O segredo do amor eterno. John Powell, p. 95)

 

Hoje é um dia muito bom para relatar alguns sentimentos. Durante algumas semanas atrás, o clima aqui estava muito seco. Ontem choveu muito. O que estava seco agora é úmido, as folhas ficaram mais verdes, o ar ficou mais agradável. O amanhecer foi lindo, o sol brilhava radiante e tornava a natureza e o dia mais luminoso, viçoso e alegre. A criação, com sua poderosa força regeneradora, me provocava a uma exposição do que se passa no meu interior.

Todo dia é a grande possibilidade do hoje, da graça, do káiros. Lembro também que quero nestas palavras expressar minha gratidão, minha anamnese e meus votos de uma santa e abençoada Páscoa.

Minha gratidão é decorrência de um coração que se sente muito amado. Um coração que arde de amor. Talvez como Moisés tenha se sentido ao encontrar na sarsa ardente a presença de Deus. Essa é a grande dádiva de Deus, Ele se revela, se faz presente, se deixa encontrar, quer conversar e se comunicar. O grande segredo do amor eterno é a comunicação. Deus é um amor eterno, fiel, discreto, simples e para todos. Esse é o sublime motivo de um coração que se sente grato. Mas a manifestação de Deus na minha vida também acontece na comunicação com minha família de carne e sangue, com minha família de opção, de ideais, de missão, com meus amigos e amigas, com as pastorais e comunidades que acompanho, com o meu corpo, com a natureza. E também nesta inter-relação sou mais o que sou e a possibilidade de ser melhor, sou acolhido e querido e por muito agradecido.

Deus é! Eu sou aquele que sou. E pronto. Ele sempre toma a iniciativa, por isso me sinto aqui sentado na cadeira conversando com Deus para que ele abençoe e derrame as melhores dádivas de amor sobre todas as pessoas que são constitutivas das experiências de graças que tenho sentido nesse tempo. Lembro também de você, nesse momento que se fez presente um mês atrás em Curitiba, você que é de perto e também de longe, você que enfrentou alguns muitos ou poucos quilômetros, também de você que se lembrou de fazer uma prece, uma oração, um gesto simbólico de unidade, de intercessão, de você que teve a gentileza de me presentear e assim fazer-se presença mesmo na ausência. Talvez seja simples o que eu tenha condições de fazer nesse momento, mais sei que também é nobre o que motiva todo ser humano oferecer ou receber a gratidão. Gratidão que alegra o coração de quem dá e de quem acolhe. Obrigado, querido Deus-Pai, por não me sentir sozinho nesse seguimento do teu Filho, Jesus Cristo. Obrigado você, que comigo tem a coragem da fé, da esperança e do amor. Querido amigo e amiga, lhe desejo os mesmos sentimentos de Cristo Jesus.

A anamnese é o que podemos fazer quando tornamos presente o que vivemos com intensidade, liberdade e consciência e que está nesse momento no passado e, ao mesmo tempo, me constitui agora a vida, as crenças, os ideais e a missão. Sendo assim, ao representar, quero trazer presente na minha gratidão dois momentos sagrados que vivi no dia 10 de fevereiro com a minha profissão perpétua a Deus, na Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus e não menos significativo, no dia 11 de fevereiro às 9h30min, a celebração da missa em que, disposto e disponível ao chamado de Deus, respondi meu SIM e, assim, recebi o diaconado, grau do sacramento da ordem, a serviço da Igreja.

Hoje, rezo e peço a Deus fonte e inspiração de toda coragem para o seguimento de Jesus Cristo, que me conceda, neste tempo, a humildade necessária para reconhecer em cada irmão e irmã alguém que precise da minha alegria, do meu entusiasmo e da minha doação. Ainda sei que nem sempre é possível ser paciente nas situações da vida, por isso peço paciência, prudência. A generosidade fonte da cordialidade e do despojamento, virtude própria da dinâmica do Coração de Cristo, preencha meu coração. E, a cada manhã, Senhor, sacia-me com teu amor, com o teu forte apelo de avançar para águas mais profundas, com coragem e .

A primazia de Deus na caminhada vocacional é o que suscita, sustenta, e sugere a missão. Deus Trindade, transcendente e imanente, onisciente e onipresente, chama à santidade, à singularidade, a responder a pergunta: Que sou eu? No interior do coração de cada pessoa está a resposta. É uma resposta que fala ao coração, acolhe com um abraço, que pega na mão, convoca, separa e envia. Deus não muda! É Pai misericordioso (Lc, 15, 31); A quem tem Deus nada falta! É Eucaristia, o homem-Deus da caixinha (Jo 15, 4); Só Deus basta! Onde existe amor, fraterno amor, Deus ai está! É Espírito Santo, fogo que ilumina e aquece (At 2, 4), é água que renova a vida por dentro, que purifica e faz crescer a semente que dá frutos ao seu tempo.

Nesta Páscoa avancemos para as águas mais profundas do mistério da paixão, morte e ressurreição de Cristo. Um coração transfigurado é próprio da relação entre um Deus que ouve o seu povo e de um povo que anda nos caminhos do Senhor! Caminhemos juntos com Jesus rumo a Jerusalém, lugar da cruz e da vida nova.

Do Coração de Cristo na Cruz jorrou sangue e água, que regou o nascimento de pessoas com um coração novo. Uma Santa e Abençoada Páscoa!

Com Carinho,
Diácono Jairson Hellmann, scj.

Taubaté, 11 de março de 2007.

edição 82

As imagens falam mais que as palavras - Massoterapia

(Previous article english version: "Corporality and Art - The significance of hairstyling - Interview with Luana de Oliveira)

Alexei Gonçalves

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Corporalidade - Massoterapeuta Marcus César Santos concentrado em seu trabalho
"Concentração" - O massoterapeuta
Marcus César Santos em Ação


Estudo de caso I: Paciente Géssica Hellmann

"Hoje pela manhã marcamos, eu e meu marido, um estudo de caso com o Massoterapeuta Marcus Cesar Santos. Ele iniciou a seção preparando o ambiente, com incensos, e uma música relaxante instrumental.

Ao começar a massagem sentia-me "travada"; na verdade, pouco sentia o meu corpo.

Utilizando a linguagem reichiana diria que uma couraça espessa cobria meu corpo. Quando ele massageava meus pés, podia sentir cada ponto do corpo tendo sua energia reequilibrada. Sentia os rins, o fígado, o intestino. As emoções sendo postas pra fora; chorei, ri e, finalmente, consegui liberar tudo que estava preso e enraizado.

Corporalidade - Massagem na cabeça - expresão de êxtase
Massagem na cabeça
Corporalidade - Massagem nos pés
Massagem nos pés

Ainda de costas, enquanto o terapeuta massageava minha coluna podia sentir uma energia forte sendo liberada em minhas mãos. Se me pedisse uma cor para explica-la diria que era dourada.

Ao massagear minha cabeça sentia como se um cabo de energia subisse pela coluna, meu corpo todo estremecia, e minhas resistências foram derrubadas pouco a pouco. Seu toque com suaves pressões pareciam mágicos.

Um excelente profissional, com profundo conhecimento técnico. Em suas terapias utiliza técnicas de shiatsu, massagem sueca e quiroprática.

Marcus afirma que pressionar certos pontos das mãos estimula a paciência.

Como todo bom profissional de saúde, é importante a empatia entre terapeuta e paciente. Sempre atencioso. perguntava como eu estava me sentindo, a cada novo movimento. Sua voz suave é relaxante e anestesiante.

Sai de lá fisicamente e espiritualmente renovada e fortalecida.

A questão não é acreditar: Quem experimenta e sente, compreende".

Géssica Hellmann

Estudo de Caso II: Paciente Alexei Gonçalves

Corporalidade - Mãos em garra sobre as costas
Mãos em garra nas costas
Corporalidade - Beliscamentos na nuca
Beliscamento na nuca

"Padecendo de dores nas costas desde os 13 anos de idade, quando emergiu o meu problema de escoliose, a experiência com fisioterapia, massagem e outros tratamentos não são novidade para mim.

Bem, não eram, até hoje. Ao nos oferecer como "modelos" para registrar o trabalho de Marcus César Santos - para preservar a identidade de outras pessoas do IPrA - já havia me esquecido que cada experiência de massagem é única.

Há algo mais do que simples técnica na massoterapia. Envolve anos de experiência e muita sensibilidade para criar um agradável ambiente com música, perfumes, uma conversa em alto astral em voz tranqüila do massoterapeuta.

O toque de Marcus César é mais do que tecnicamente correto. A sensação de leveza em suas mãos faz com quase não se sinta a pressão. Pela vermelhidão da minha pele nas fotos, o leitor pode notar quanta experiência é necessária provocar uma sensação de leveza com estímulos tão intensos.

Corporalidade - Pressão com os dedos nas costas
Pressão com os dedos nas Costas
Corporalidade - Manobras nos ombros
Manobras nos ombros
Corporalidade - Massagem na cabeça
Massagem na cabeça
Corporalidade - Pressão na orelha com a ponta dos dedos
Pressão na orelha
Corporalidade - Massagem nas mãos
Massagem nas mãos

Corporalidade - Massagem na cabeça
Massagem na cabeça


Marcus César sempre perguntando: "Sente dor? Está se sentindo bem?". Cheguei a um ponto em que não conseguia mais responder, a mente transportada a uma "dimensão paralela" onde tudo é alegria, paz e bem-estar.

Ele reparou em um ponto de minhas costas, disse que estava "encouraçado". Perguntou-me o que era, eu disse, sem medo, que era "medo represado".

(O primeiro passo para superar o medo é admiti-lo).

A expressão facial nas fotos diz mais do que mil palavras. Entramos tensos, sem sequer notar o quanto de tensão carregávamos no corpo, e saímos "dois degraus acima". Sabemos que nossos corpos podem nos proporcionar ainda mais bem-estar, mas só adquirimos esse saber ao passar pela experiência de uma sessão de massoterapia aplicada por um profissional de primeira linha".

Alexei Gonçalves

 

Corporalidade - Massagem nos tornozelos
Manobra nos tornozelos
Corporalidade - Massagem no tórax
Massagem no tórax
Corporalidade - Massagem nas pernas
Massagem nas pernas
Corporalidade - Tração no pescoço
Tração no pescoço


Marcus além de atender no IPrA também faz terapia a domicílio na cidade do Rio de Janeiro. Para entrar em contato com este profissional: Cel.(21) 9802-9776 ou por e-mail:marcusbeta@yahoo.com.br

Corporalidade - Marcus, Géssica e Alexei.
Marcus, Géssica e Alexei

 

edição 81

Benefícios da Massoterapia para HIV Positivos e Combate à AIDS - Entrevista com o Massoterapeuta Marcus César Santos (Parte 1)

(Previous article english version: "Corporality and Art - The significance of hairstyling - Interview with Luana de Oliveira)

Alexei Gonçalves

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Marcus César Santos - Massoterapeuta - Voluntário do IPrA - Instituto de Prevenção à AIDS
Marcus César Santos
Foto: Alexei Gonçalves

Em mais uma gratificante visita ao IPrA - Instituto de Prevenção à AIDS - conversamos com o profissional de massoterapia Marcus César Santos (21 - 9802-9776). Nesta primeira entrevista, tratamos mais sobre os benefícios genéricos da massagem, a urgência de manter vivas e eficazes as campanhas de prevenção e tratamento da AIDS, uma doença para a qual ainda não há cura ou vacina, apenas um tratamento caríssimo e com efeitos colaterais dolorosos.

(Observação: com o objetivo de preservar a privacidade das pessoas citadas, omitimos qualquer informação que pudesse, ainda que indiretamente, identificar os pacientes mencionados, inclusive idade, sexo, profissão, entre outras. Assim, quando mencionamos "um paciente", "ele", "dele", esclarecemos que tanto podemos estar nos referindo a um homem quanto a uma mulher, a uma criança quanto a um idoso, etc).

"Eu sou formado em massoterapia no SENAC, no tempo em que ainda era chamada de "massagem". Durante muito tempo trabalhei em clínicas, mas hoje atuo como autônomo. Atendo pessoas com diversos tipos de problemas, desde esportistas, atendimento de reabilitação por indicação clínica e, aqui no IPrA, atendo o público em geral, tanto soropositivos quanto não-soropositivos.

Em termos gerais, a massagem traz benefícios para qualquer pessoa. Com a massagem, um esportista, por exemplo, após a atividade física, pode conseguir um relaxamento geral e melhorar a mobilidade.

Quanto ao meu trabalho no IPrA: o soropositivo apresenta diversos problemas nos membros inferiores, como varizes e edemas, causados por efeitos colaterais dos medicamentos, que tornam mais lenta a circulação de retorno. Então, eu tenho que trabalhar profundamente essa região, para melhorar a circulação. Preciso ressaltar que esse problema tem diminuído bastante com os avanços nos medicamentos empregados no tratamento da AIDS, mas ainda trato muitos casos desse tipo, especialmente com paciente que precisam usar medicamentos mais antigos.

É difícil falar sobre a técnica de massagem profunda empregada, como amassamentos, percussões, porque é preciso conhecer as particularidades de cada paciente. Em alguns casos, você não pode manipular muito o paciente. Você tem que conhecer as limitações de cada um. Muitas vezes, antes de começar o tratamento, preciso conversar com o fisioterapeuta para saber que técnica posso administrar.

Por exemplo, eu tenho um paciente com deformidade na região plantar. Todo o trabalho que faço com ele é relativo à mobilidade. Antes de aplicar a massoterapia, fiz questão de conversar com o médico e com o fisioterapeuta desse paciente. Eles não só me autorizaram como me incentivaram a trabalhar o máximo que eu pudesse, porque ele se sente bem no dia seguinte à aplicação da massagem. Esse paciente sentia muitas dores, devido à medicação. Ainda sente um pouco, mas quando começou a se exercitar e aplicar a massagem, as dores diminuíram muito.

Um dos principais objetivos do IPrA é reestruturar o indivíduo em todos os aspectos para que ele se reintegre à sociedade, possa voltar a ter atividades normais, trabalhar... E esse paciente pôde voltar a trabalhar, porque ele passou a enfrentar melhor os efeitos colaterais dos medicamentos.

É preciso lembrar que a AIDS mata e continua matando. Apesar de que a AIDS "não dá mais IBOPE", por causa da eficiência do "coquetel anti-AIDS", é preciso enfatizar muito mais a prevenção do que o tratamento. O soropositivo tem que procurar tratamento, tem que ser muito responsável consigo mesmo. Eu diria que a receita inclui, além da medicação, muita confiança em si mesmo e no médico responsável, é preciso ter um diálogo aberto.

Alguns medicamentos empregados no tratamento da AIDS podem provocar problemas musculares porque causam uma má redistribuição da gordura corporal. Esse é um dos motivos por que médicos e fisioterapeutas recomendam exercícios físicos, fisioterapia e massoterapia.

De fato, precisa haver um diálogo, um intercâmbio entre os diversos profissionais que tratam do paciente. Porque há a recomendação do exercício físico, mas é preciso evitar que o paciente caia em depressão e se "recolha para dentro", se esconda numa concha. Nesse momento, entra a psicoterapia, para ajudar a pessoa a se erguer. O trabalho tem que ser multidisciplinar, envolve o médico, o fisioterapeuta, o educador físico, o psicólogo, o nutricionista... Nessa equipe terapêutica, o massoterapeuta auxilia na recuperação de problemas articulares e musculares, causados tanto pela infecção como pelo tratamento em si.

A massagem também traz uma sensação de bem-estar geral. Melhora a circulação em geral e a circulação de retorno. Você se sente relaxado, "energizado", mais bem-disposto. O que os pacientes relatam, após uma sessão de massagem, é que estão se "sentindo bem".

Antes de entrar com a massoterapia, é preciso agir primeiro sobre a carga viral. Se a carga viral do paciente estiver estabilizada, o trabalho é relativamente fácil. No caso do paciente que mencionei antes, eu pude agir sobre o seu problema plantar porque ele estava com a carga viral reduzida e, por isso, suas articulações puderam ser recuperadas nível da normalidade.

Recentemente, estive em uma reunião de grupo de apoio e conheci um paciente que está soropositivo há 26 anos. Ele ficou doente no período mais difícil da AIDS, em que não havia medicamento e os médicos sequer sabiam o que estavam tratando. Por isso, eu repito que é vital ter muita confiança no seu médico e em você mesmo. Esse paciente encontrou no médico um apoio muito importante, pois ele só se descobriu soropositivo após contrair vários resfriados e pneumonias em seqüência. O médico soube elevar o moral desse paciente, disse "você já veio até aqui, já passou por tudo isso, vamos continuar tratando o que for aparecendo. Enquanto isso, não deixe de caminhar e se alimentar bem". Ele seguiu nesse espírito, com o apoio do médico, até que surgiram o AZT e, em seguida, o DDI, os primeiros medicamentos antivirais específicos para o HIV.

Em seguida, sofreu o baque da aposentadoria compulsória. O médico foi taxativo: "você foi aposentado, mas não pode parar de trabalhar, mantenha a mente ocupada". O tratamento para AIDS não é "um remédio", mas um somatório de atitudes, inclusive com relação aos medicamentos. Se observo que um paciente não está se dando bem com um medicamento, digo para que ele converse com o médico sobre o assunto porque, em muitos casos é possível trocar ou suspender temporariamente a medicação problemática. Em alguns casos, obviamente, o médico prefere manter a medicação, porque o benefício está sendo maior do que o efeito colateral, mas o médico precisa explicar isso de forma que o paciente entenda o que está acontecendo.

Um belo dia, a gente lê numa reportagem que "a AIDS não é mais um bicho-papão, não está mais matando pessoas". De onde vem essa percepção? Do fato de que os pacientes estão mais conscientes, estão procurando tratamento e levando muito a sério. Mas o número de pessoas infectadas não pára de crescer. As campanhas de prevenção por parte do governo perderam muita força, estão ineficazes, não estão chegando às pessoas.

A campanha do último carnaval, por exemplo, foi fraquíssima. O foco foi nos preservativos, mas não sei dizer se dava os motivos certos para que, na prática, as pessoas fizessem uso deles. Eu gosto de carnaval, gosto de festas, mas as pessoas têm que estar conscientes e responsáveis pelos seus atos. Acho que as campanhas têm que ser mais fortes, têm que continuar presentes na televisão de forma maciça e com bastante impacto, como já foram no passado.

Sempre surge alguém que retruca, que pergunta porque as campanhas têm que ser fortes, se não podem ser "mais suaves". Não pode, porque o problema da AIDS é forte e causa grave impacto na vida real. Não podemos fingir que não é grave. As crianças precisam saber o que é um preservativo, o que é AIDS, já na escola. E os adultos precisam saber responder quando elas perguntarem. Eu não sou a favor de início precoce da vida sexual, muito pelo contrário, acho que é preciso ter maturidade para saber com quem e por quê. Mas esconder a informação das crianças não vai protegê-las da AIDS.

A AIDS está se interiorizando, saindo das metrópoles, dos grandes centros urbanos, e se espalhando cada vez mais para as periferias, para os bolsões de pobreza e cidades menores. Aqui no Estado do Rio, por exemplo, moveu-se do centro para a Baixada Fluminense, depois para Petrópolis. O mesmo movimento se observa em São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul...

Há uma série de fatores por trás disso. Campanhas governamentais fraquíssimas se unem a estruturas familiares patriarcais preconceituosas, que lidam com o problema fingindo que ele não existe, acham que ainda é "coisa de homossexual". Essa mentalidade antiquada, ignorante, vem do início da epidemia, quando os homossexuais foram taxados como "grupo de risco", porque eram mais vulneráveis. Falta enfatizar que o vírus não tem orientação sexual.

A grande pergunta que paira no ar é: será que o governo vai continuar sendo capaz de distribuir medicamentos por mais cinco, dez, quinze anos se a epidemia continuar se alastrando? Sim, é mais barato distribuir o medicamento do que ocupar um leito de hospital. Mas, e se o número de pessoas infectadas atingir dezenas de milhões, como em alguns países africanos, que vivem uma situação de extermínio em massa pela AIDS?

 
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