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| edição 100 |
Na manhã de sábado, dia 02 de dezembro de 2007, ocorreu o Circuito de Basquete de Rua Natalino, promovido pela FELEJ - Fundação de Esportes Lazer e Eventos de Joinville, por Alberto Bial e por Luizão pivô do Joinville/Dânica/Univille. Um evento solidário onde mais de 60 equipes masculinas e femininas se inscreveram no circuito e movimentaram os arredores do Ginásio Ivan Rodrigues. Um evento colorido, cheio de boas energias. Segundo os promotores do circuito a inscrição de cada equipe era a doação de um brinquedo, promovendo assim esporte e solidariedade. Enquanto jogos rolavam nas quadras do Ivan Rodrigues, o público pode conferir as apresentações de Hip Hop e dança de rua: Uma bonita idéia aliar, esporte, dança e arte. Outro grande exemplo de solidariedade foi o da artista plástica Géssica Hellmann que em suas pinturas retrata o "corpo em movimento". Durante o evento o público podia apreciar a artista pintando um quadro que simula o grande momento do Basquete: "um atleta dando uma enterrada em uma tabela de basquete". O quadro será oficialmente doado para o evento no próximo dia 12, quando irá ocorrer o encerramento dos jogos de basquete de 2007 em Joinville no Ginásio Ivan Rodrigues. O quadro será leiloado e a renda revertida para uma instituição sem fins lucrativos de apoio a menores carentes.
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| edição 99 | Hidrobike - Entrevista com Miguel Nilson Pereira![]() Miguel Nilson Pereira por Alexis Kauffmann por Alexis Kauffmann
Alexis: Gostaria que você falasse sobre a hidrobike e outras atividades aquáticas alternativas, que parecem atividades terrestres adaptadas ao ambiente aquático Miguel: A hidrobike é algo novo, nas academias, mas ela já circula nos laboratórios de pesquisa há algum tempo. É preciso esclarecer: é um aparelho que se mostra interessante do ponto de vista biológico e, por isso, acabou se espalhando para as academias. Nem sempre isso acontece, às vezes aparecem alguns equipamentos que são "só para enganar". Não é o caso da hidrobike. Ela utiliza um sistema de pás nas pedaleiras, o pedal parece um grande chinelo, de um material plástico, leve mas, ao arrastar-se na água, provoca uma forte resistência. Todo exercício aquático, ou melhor, todo movimento dentro de um fluido, envolve resistência. O ar oferece uma resistência e, a água, outra. Essa resistência é proporcional à área de contato e à velocidade de deslocamento. Se você tentar balançar a mão espalmada numa certa velocidade dentro da água, você vai sentir uma resistência muito maior do que você normalmente faz no ar. Quanto mais rápido você fizer o movimento, maior será a resistência. O mecanismo da hidrobike é planejado para aproveitar esse principio hidrostático. A bicicleta é feita de aço inoxidável, não tem rodas, ela é fixada no piso da piscina através de um sistema de ventosas, tem selim e um guidão como uma bicicleta comum. O pedal parece um chinelo enorme. Tenha você um pé tamanho 35 ou 44, estará bem calçado, porque ele é regulável. O selim pode ser ajustado de acordo com o tamanho das pernas - para cima ou para baixo - e também pelo tamanho de seu tronco, pode recuar ou avançar. Se, no caso, a pessoa é alta e tem o tronco comprido mas as pernas curtas, basta recuar o selim. No caso de uma pessoa que tem o tronco pequeno e as pernas curtas, basta abaixar e avançar o selim. A altura do guidão é ajustada de acordo com a altura dos membros superiores. Dessa forma, a prática da hidrobike é possível para pessoas de qualquer tipo físico. A velocidade de pedalada é que vai individualizar o exercício, pois a sobrecarga vem do giro do pedal. Se você consegue fazer 60 giros em um minuto e eu consigo fazer 70 giros em 1 minuto, nós dois vamos ser estimulados de uma forma intensa, mas não precisamos fazê-lo de forma idêntica. Na grande maioria das aulas de solo, isso não acontece: as pessoas até trabalham com caneleiras e outros aparelhos de pesos diferentes, mas todo mundo tem que cumprir a mesma tarefa da mesma forma. As atividades aquáticas respeitam um pouco mais a individualidade biológica. Essa individualidade vem das próprias características da água, que possibilita a cada um utilize um grau diferente de resistência. Na hidrobike, as bicicletas não têm regulagem de resistência, o que é comum nas bicicletas ergométricas. A hidrobike é um ergômetro que utiliza só a água como fonte de resistência, bastando, para isso, variar a velocidade de pedalada. O princípio matemático é que a resistência do fluido é diretamente proporcional à área de contato. Se a gente aumentar o tamanho do pedal, o exercício vai ficar ainda mais difícil; já se a gente fizer furos no pedal, o exercício fica mais fácil, porque a área de contato diminui. Já a relação da velocidade com resistência é quadrática. Se duplicarmos a velocidade, multiplicamos a resistência por 4; se triplicarmos a velocidade, a resistência é multiplicada por 9. Desse modo, é possível estimular vários sistemas biológicos ao usar força ou potência muscular. Assim, a aula de hidrobike é uma aula completa do ponto de vista de metabolismo. Mas, como ela é basicamente feita apenas com as pernas, nós incluímos alguns exercícios de membros superiores no nosso calendário. Nós temos um cronograma a cumprir. Incluímos exercícios abdominais todos os dias, toda aula tem uma série de abdominal, não tem como escapar. Porque como todos os dias você vai fazer seus exercícios com as pernas, o abdominal fortalece toda a região inferior do tronco e protege nossas coluna lombar. O fato de que a bicicleta está dentro d'água também tem todos aqueles fatores de proteção articular e cardiovascular que já mencionamos. Assim, a hidrobike também é interessante para o iniciante, para quem tem algum problema cardíaco e precisa de uma atividade física pra reverter o quadro, e também para pessoas obesas, pelo alívio de peso proporcionado pelo empuxo da água. Alexis: O que distingue uma aula de hidrobike de uma de spinning, não só em termos de resultados, como de público-alvo? Miguel: O público é bem diferente. A hidrobike é mais recente, ela não é tão divulgada assim, pois surgiu num espaço acadêmico, numa universidade. A bicicleta do spinning foi adaptada também de uma bicicleta ergométrica e também surgiu num laboratório de fisiologia. Mas ela tem um caráter mais "comercial". O professor que ensina o método a difundiu com uma forte característica de marketing, criou uma marca, um método, uma certificação. O spinning traz todos os benefícios hormonais e fisiológicos de uma atividade física normal. Todos, igualmente, conseguem fazer uma aula que utiliza força, resistência, velocidade, explosão muscular. Mas não tem o fator de proteção proporcionado pela água. O spinning não é uma aula para qualquer pessoa. Um obeso pedalando numa bicicleta do spinning vai sofrer drasticamente a ação de seu peso sobre a coluna sem nenhum alivio, um cardiopata não vai ter o benefício de reduzir sua freqüência cardíaca só por estar dentro da água. Quando a gente termina uma série da hidrobike, realmente estão todos com o coração bem acelerado. A nossa recuperação é dar um mergulho. Ao mergulhar o corpo, você leva todo o seu sistema circulatório a 1 metro de profundidade. Para quem não gosta de mergulhar, basta mergulhar a carótida, a artéria que irriga o cérebro. Se você colocar o pescoço debaixo da água de um modo que ele sofra um pouquinho de pressão, a sua freqüência cardíaca já abaixa de uma maneira bem diferente. Você pode fazer essa experiência com aqueles relógios de freqüência cardíaca: sente-se na borda da piscina, espere 5 minutos e, depois, bem devagarzinho, mergulhe e, chegando ao fundo da piscina, confira no relógio o quanto baixou a freqüência cardíaca. Mesmo que você mergulhe apenas o pescoço, a carótida funciona como um "sensor de pressão". Qualquer toque na carótida já faz baixar a pressão. Isso explica porque os policiais e seguranças aplicam a "gravata" para apartar uma briga: apertam fortemente a carótida e a pessoa chega a desmaiar. O desmaio é uma resposta fisiológica à falta de sangue no cérebro. Se você precisa de irrigação no cérebro, qual é o melhor maneira de irrigá-lo? É ficar na horizontal. Então, o organismo "apaga" o sujeito para que ele vá para a posição horizontal. Assim, "aperto" que a água nos faz sobre a carótida já é um estimulo para recuperação após a aula. Já no spinning, como em todas as atividades terrestres, você tem que esperar, esperar, esperar... Dentro da água, como suas pernas estão mergulhadas, você não se arrisca a chegar a extremos de esforço. Você consegue muita intensidade, consegue fazer um exercício para desenvolver muita força, muita resistência, mas o gordinho e aquele senhor que tem artrite pode ficar tranqüilo. A gente procura colocar músicas que tenham batidas marcadas, uma marcação métrica bem fácil de identificar e que mantenham um ritmo constante que dê para acompanhar pedalando. Não pode ser uma música muito lenta. As musicas variam de 120 a 150 batimentos por minuto. Estudos mostram que, a 120 batimentos por minuto, as pessoas fazem 60 rotações por minuto, o que já é uma velocidade razoável para a grande maioria das pessoas. Quando a gente quer estimular este ritmo, uma musica de 120 batimentos por minuto vai resultar em 60 rotações, sendo uma rotação a soma de uma pisada com a perna direita com um com a perna esquerda. Em congressos de Educação Física há profissionais especializados em montar este tipo de CD. A gente coloca musicas de ritmo mais intenso ou mais lento dependendo do tipo de estimulo desejado para cada aula. Esse estímulo também é planejado: se, hoje, a aula é de resistência, as séries vão provocar o sistema biológico que nos dá mais resistência, um sistema diferente daqueles que nos dão mais força. Os dois sistemas são importantes, a separação é mais uma questão biológica, em termos de estimulo e de recuperação. A gente precisa se exercitar, precisa caminhar. Nesse momento, o importante é a resistência. Mas, em outro momento, a gente precisa mais de força, levantar um objeto pesado. Não basta agüentar caminhar o dia inteiro e não conseguir levantar um balde. A gente precisa a de força e resistência, e tudo isso faz parte do planejamento das aulas. Alexis: Essas atividades de academia são visando um individuo médio, não-atleta, ou servem para as pessoas que já são atletas? Miguel: A resposta muda de acordo com o lugar. Algumas academias de natação preservam uma equipe de atletas federados, equipes de natação, de nado sincronizado. Já outras academias têm a preocupação mais voltada para o incentivo à atividade física em geral. É o que a gente faz na natação infantil: direciona a aula para a atividade que a criança mais gosta. Mas, em algumas atividades, como na musculação, que é mais personalizada, a gente atende a qualquer pessoa, com qualquer personalidade e objetivo, inclusive um jogador de futebol profissional pode utilizar nossa academia para sua preparação física. Seja uma senhora com alguma disfunção articular, seja um garoto de 14 e 15 anos, aqui na nossa academia temos profissionais habilitados para dar conta de todo tipo de público. Há algumas aulas de academia, no entanto, que são franquias. Seu alvo é o público de jovens saudáveis e não têm condição de agregar nenhum outro tipo de população. Mesmo se pessoa for jovem mas não for tão saudável assim, já não consegue acompanhar. Essas aulas são para uma faixa muito restrita da população. As atividades mais comuns na grande maioria das academias consegue atender a uma grande faixa populacional; a natação atende do bebê ao idoso; a hidroginástica e a musculação, do adolescente ao idoso. Já aquelas aulas de ginástica de algumas franquias, elas têm uma coreografia pré-fixada, uma música pré-fixada, uma aula pré-fixada, uma aula igual em todas as academias. Do ponto de vista empresarial isso é bom. Você sabe que aula vai ser dada lá na cidade de interior, em que a franquia é pequenininha, será igual às das maiores academias de São Paulo. Seja em Curitiba, Joinville ou Rio de Janeiro, a aula é exatamente idêntica, inclusive aquele "uh-rruu!!" do professor, é sempre na mesma hora, igualzinho, está no manual da franquia. Esse tipo de atividade ignora até os conhecimentos do próprio professor que, na sua formação, é habilitado para montar uma aula com intensidade, mecanismos e fatores motivacionais específicos. Nessas aulas de franquias, não há essa possibilidade. Alexis: Qual é o segmento da população para quem a hidrobike é mais vantajosa, mais indicada? Miguel: Já atendi a tri-atletas,
de Iron Man, praticando duas vezes por semana a hidrobike para melhorar
seus resultados. Também já atendi a obesos, cardiopatas,
pessoas com lesões nos ligamentos, todas essas pessoas dentro de
uma mesma aula de hidrobike, sem nenhuma espécie de discriminação.
A aula permite a participação de qualquer pessoa a partir
de 1,50m de altura. Não há restrições, podemos
atender garoto de 12 anos, senhoras de 60 anos, rapagões de 25
anos. Apesar de não haver restrições, noto que a
procura é maior na população entre 20 a 30 anos. |
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| edição 98 | Hidroginástica para a Terceira Idade ("Melhor Idade"), Atividade Física e Stress - Entrevista com Miguel Nilson Pereira (parte II)![]() Miguel Nilson Pereira por Alexis Kauffmann por Alexis Kauffmann
Alexis: Você mencionou que uma pessoa pode chegar aos 60 anos com um condicionamento melhor porque foi mais ativa ao longo da vida. E a situação inversa? Pode acontecer de uma pessoa que seja mais sedentária que chegue aos 50 anos com um corpo de 60? Miguel: Eu não colocaria nesses termos: "50 anos num corpo de 60". Mas, de fato, as pessoas que levam um estilo de vida mais boêmio e não estão nem aí para o corpo, fumam, não cuidam da alimentação... Há uma pessoa aqui na academia que pratica natação por obrigação, "para não morrer", mas, ao mesmo tempo, leva a vida às avessas, isso de fato acontece. Mas nosso lado biológico é tão interessante que, na grande maioria dos casos, há possibilidade de recuperação, de reversão. Há como fazer o processo degenerativo estancar e até retroceder. Claro que cada um escolhe o que faz com a vida. Há quem durma e alimente-se bem, há pessoas extremamente regradas. Mas muitas não seguem esses hábitos saudáveis. Hoje em dia, não há mais como negar que a atividade física é o grande segredo da manutenção da saúde. Um corpo que descansa bem e se alimenta bem, mas que não se exercita até uma certa intensidade, não é perfeito. Se a pessoa não se exercita até uma certa intensidade, seu organismo tem sempre a decadência precipitada. É relativamente comum que esse tipo de pessoa chegue aos 50 anos leve um susto. Aquele senhor lá de 40 ou 50 anos que gostava de seu churrasquinho - mais da gordura do que da carne - daquela cervejinha, daquele futebol de final de semana que é meia corrida até a metade do campo e uma parada para tomar uma cerveja... Bom, lá vem o enfarte do miocárdio, ponte de safena... É quando o médico vem e dá aquele susto: "se você não mudar de vida você vai morrer", aquele tradicional "susto do cardiologista". Infelizmente, o professor de educação física fala, fala, mas não consegue assustar. Mas quando o "doutor de branco" chega e diz "você vai morrer", as pessoas ficam com medo. È nesse momento que muitos mudam e vêm procurar uma academia, para fazer aquilo que não fizeram ao longo da vida: passam a se alimentar decentemente, a descansar, procurar mecanismos para alívio do estresse... Veja, há uma forte importância do fator hormonal. Na verdade, você precisa descarregar certa dose de hormônios para sentir prazer. Se você não pratica atividade física que te dê esse prazer, você acaba descontando o estresse em si mesmo. Isso traz um grande prejuízo, independente da idade. Cada idade tem o seu problema específico: o adolescente que briga com o pai, o adulto que tem o trabalho estressante, a senhora que ficou viúva, o casamento do filho que não vai bem... Cada um arruma sua história. Se essas pessoas não praticam atividades físicas, grandes produtoras de serotonina, o hormônio do bom-humor, e fica só se estressando, ela acaba estimulando todo o ciclo contrário, o dos hormônios catabólicos, que diminuem a nossa imunidade e abrem nosso corpo para infecções, formando um ciclo biológico negativo. A atividade física, seja a hidroginástica ou qualquer outra modalidade, traz benefícios que vão muito além dos musculares e articulares. Os benefícios hormonais, por assim dizer, estão presentes em todas as atividades físicas, por isso todo mundo deveria se exercitar. No caso da população da melhor idade, a hidroginástica traz benefícios especiais, além dos hormonais e articulares: a proteção do sistema cardiovascular. O fluxo sanguíneo de retorno para o coração, ou seja, de sangue venoso, é facilitado pelo pressão da água. Explicando melhor: quando respiramos o ar atmosférico, carregamos nosso pulmão com oxigênio. No nosso pulmão há uma troca gasosa: o oxigênio entra para o sangue, esse sangue com oxigênio vai para o coração e é bombeado para todo o sistema através da aorta e irriga todos os nossos tecidos, seja tecido muscular, seja nossas vísceras. Lá nesses tecidos, ocorre a respiração celular e ocorre mais uma troca gasosa: a molécula de oxigênio entra e a molécula de gás carbônico sai. Esse sangue deve retornar ao coração para ser bombeado novamente para o pulmão e fazer novamente a troca gasosa por oxigênio. Esse sangue que retorna dos tecidos para o coração, principalmente do tecido muscular das pernas, vem em grande parte por meio de "bombeamento muscular": o músculo, ao se contrair, ajuda o sangue a fluir, a encher mais facilmente o coração com o sangue carregado de gás carbônico. Quando estamos dentro d'água a um metro de profundidade, nossos tecidos sentem uma pressão que é o dobro da pressão atmosférica. Essa pressão é um fator mecânico, pressiona mais o nossos tecidos e força o sangue a voltar mais facilmente para o coração. Conseqüentemente, e o coração acaba bombeando menos vezes, porque se enche mais facilmente. Assim, o exercício se torna mais seguro, porque as pessoas podem fazer o exercício mais intensamente sem atingir grandes freqüências cardíacas. A combinação de freqüência cardíaca alta com pressão arterial alta não é um fator interessante, então há um interesse nas pessoas da melhor idade em fazer um exercício que preserve seu sistema cardiovascular. A hidroginástica se encaixa muito bem nesse critério. Do ponto de vista cardiovascular, articular e hormonal, a hidroginástica é completa. Os exercícios, da forma como a gente os conduz, se formos analisar a aula como um todo nos seus 45 minutos, é de característica aeróbica. A maior parte da energia despendida por cada aluno é proveniente do metabolismo do oxigênio, a respiração. É através do oxigênio que a gente produz a nossa "moeda de energia", o ATP, que está lá na nossa célula muscular. Em alguns momentos da aula, a gente provoca outro sistema que nos dá mais resistência e, dessa forma, a gente consegue fazer uma aula completa, movimentando braços, pernas, membros superiores, inferiores, toda a musculatura do tronco, peitoral, dorsal, dos ombros. É importante desenvolver força nos músculos de elevação dos braços até uma certa idade pois, na terceira idade, começa a ficar difícil até pegar o prato que está na prateleira mais alta. Então o que as pessoas fazem normalmente? Colocam tudo embaixo, na altura das mãos. O resultado é que o idoso nunca mais faz aquele alongamento normal do ato de esticar a mão para pegar um objeto que está no alto. Assim, o corpo do idoso vai perdendo todo o seu ajuste. Na verdade, todos nós somos ativos, precisamos nos mexer para conseguir as coisas. À medida que a gente vai se mexendo menos, nosso corpo vai piorando. O idoso já precisa de mais estimulo para conseguir manter o corpo funcionando bem mas, no intuito de "ajudar", as pessoas vão retirando os estímulos. É isso que a gente tenta devolver na aula de hidroginástica: movimentos grandes, movimentos pequenos, movimentos de todos os sentidos, sempre levando em conta que a água é um fator de proteção, de equilíbrio. A pessoa não vai cair e se machucar. As quedas podem ser um problema sério para os idosos. O medo de cair e sofrer fraturas está sempre presente. O tecido ósseo enfraquece na terceira idade. Isso também tem uma explicação fisiológica: o tecido ósseo enfraquece por falta de estímulo no próprio tecido ósseo. Os ossos são tecidos vivos, que dependem do estímulo muscular. Cada tração muscular exercida sobre o osso ajuda-o a se calcificar. Então, quanto menos ativa for a pessoa, maior a tendência para a osteoporose. A osteoporose não é causada apenas por deficiência na ingestão de cálcio, ou pelo fato de que as mulheres amamentam, ou porque durante a gestação a demanda de cálcio fica aumentada. Se a pessoa tiver uma boa ingestão de cálcio e praticar exercício físico, provavelmente não terá osteoporose. Mas a pessoa que não pratica exercícios não consegue restaurar o cálcio dos seus ossos. Porque quem não faz força, não provoca o seus músculos, nem os seus ossos. Entenda assim: o músculo "puxa" o osso, o osso "se sente puxado" e "pede" mais cálcio, se calcifica. Se o osso não for estimulado, o cálcio vai embora, é eliminado na urina pelos rins. Nesse caso, pode comprar comprimidos de cálcio à vontade, que ele será em grande parte eliminado pela urina, sem trazer o benefício esperado.
A mesma coisa acontece numa situação estressante no teu trabalho. O seu organismo vai liberar este mesmo hormônio, que vai dizer para você "descansar". Mas, de fato, você não está fisicamente cansado, é a situação estressante que está aumentado o nível dos hormônios catabólicos. Então, você precisa fazer alguma coisa que force seu corpo a produzir o "antídoto" para esses hormônios, a serotonina e os hormônios do bom-humor, algo que o seu repouso físico não está sendo capaz de fazer. Nesses casos, você precisa de um estimulo biológico a mais, você precisa estimular sua máquina a se "livrar do veneno" que vai te derrubar. Por isso o exercício físico se torna uma válvula de escape, que restaura o equilíbrio hormonal. As nossas atividades diárias são, na verdade, um conjunto de falta de atividades: a comida na prateleira, ao alcance das mãos e já está pronta para comer, nem precisa colocar na panela. Na televisão, você nem precisa levantar para mudar o canal ou controlar o volume, basta apertar botões no controle remoto. Até para fazer compras no supermercado você só precisa se levantar para sentar à frente do computador. No conjunto, temos cada vez menos estímulos
biológicos e cada vez mais estímulos intelectuais.
Assim, nosso corpo acaba disparando só os mecanismos hormonais
ruins, e a gente tem que procurar a atividade física
para reequilibrar o organismo. |
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| edição 97 | Hidroginástica para a Terceira Idade ("Melhor Idade"), Atividade Física e Stress - Entrevista com Miguel Nilson Pereira![]() Miguel Nilson Pereira por Alexis Kauffmann por Alexis Kauffmann
Alexis: A partir de que idade se define a "melhor idade"? Miguel: Nos países da Europa e nos Estados Unidos a considera-se como de "terceira idade" as pessoas a partir de 65 anos. No Brasil, adotamos o limite de 60 anos, considerando os dados do IBGE em relação à expectativa de vida do brasileiro. Embora ela esteja aumentando, nossa expéctativa de vida ainda é mais curta do que a de outros países. Alexis: Em termos fisiológicos, o que muda a partir dessa idade? Miguel: O processo de envelhecimento nada mais é do que a perda de parte das funções de alguns tecidos. As funções fisiológicas de todas as suas vísceras e todos os seus órgãos vão perdendo a função ao longo da vida. Na faixa acima de 60 anos, em algumas situações, o coração já perdeu 20% de sua capacidade, a elasticidade das artérias também já diminuiu, as descargas hormonais já não são tão fortes, enfim, a "máquina" realmente já está se desgastando. Pessoas que, ao longo de sua vida, tiveram atividade física intensa ou, pelo menos, regrada, têm essas perdas reduzidas. Desse modo, um coração que, de outra forma, teria perdido 20% de sua capacidade, pode ter uma perdido de apenas, digamos, 10%. Mas, como nem todos os brasileiros são pessoas ativas - na verdade, são pouquíssimas as pessoas que se mantêm ativas ao longo da vida - a grande maioria dos indivíduos nessa faixa etária começa a ter necessidade de estimular sua máquina, seu organismo, seu corpo. Na verdade, todos nós, independente da idade, deveríamos nos preocupar com a manutenção do organismo, do esqueleto, dos músculos, dos sistemas hormonais, dos sistemas circulatórios, respiratório, digestivo... Bem, mas a atividade física para a melhor idade é diferenciada porque as necessidades dessas pessoas são um pouquinho diferentes. É muito interessante, nessa faixa etária, além do trabalho fisiológico, um trabalho motivacional. Quando separamos a turma da melhor idade, não é porque eles não consigam fazer outra atividade, mas porque eles têm afinidades, assuntos em comum. Uma pessoa da terceira idade, muitas vezes, não se interessam pelas conversas dos mais jovens. O que a gente acaba valorizando mais no espaço da hidroginástica da melhor idade é o grupo. Os benefícios da hidroginástica são os mesmos para todas as pessoas, jovens ou idosos. As necessidades são diferentes mas os benefícios são os mesmos. Já do ponto-de-vista do grupo, aí sim, encontramos um valor diferenciado. Por exemplo, na ultima sexta-feira, nós promovemos um encontro com as senhoras da hidroginástica, sem nenhuma atividade física, apenas um encontro social para tomar um café e jogar conversa fora. Nesse encontro, uma senhora que sofreu uma queda e, por causa disso, não estava freqüentando as aulas, estava lá com a gente no encontro. Acaba-se criando um circulo de amizade que fortalece demais esse grupo da terceira idade, que é mais um fator motivante para vir as aulas. Dependendo da situação individual, algumas pessoas dessa faixa etária não têm muita motivação para sair de casa se for para realizar alguma atividade por obrigação. Então, a hidroginástica aqui se tornou algo muito prazeroso. Nós criamos alguns hábitos para que não se perca o foco fisiológico da aula, especialmente a aferição da pressão arterial no início das aulas. Porque o exercício não é uma brincadeira, por isso nossa preocupação, pois pode haver uma elevação da pressão arterial, algo comum durante o exercício. Assim, se detectarmos que alguém esta hipertenso, ou encaminhamos a aula de um modo diferente ou, dependendo do caso, posso até impedir esta pessoa de fazer a aula, encaminhá-la ao cardiologista para rever a medicação, e assim por diante. Alexis: A hidroginástica, em geral, independente da faixa de idade, favorece a socialização. Miguel: Sem dúvida, por ser uma atividade em grupo. Na verdade, há um respeito à individualidade, porque cada um vai fazer o exercício da forma que seu condicionamento físico permitir mas, enfim, estão todos em grupo se exercitando sob a mesma proposta: a utilização da água como fator de resistência. Esse fator a diferencia muito do trabalho tradicional de alongamento ou com pesos. Também é importante o fato de que a hidroginástica é excelente do ponto de vista articular pois, com o avanço da idade, há um desgaste articular natural, principalmente das pessoas que fizeram muitos esforços repetitivos. Há senhoras aqui que desenvolveram artrose nos pulsos por bordar em excesso. Elas têm uma mão mais fraca, que não consegue segurar um halter. Nesse tipo de caso, a água é um fator estimulante para a mobilidade das articulações, para que as articulações trabalhem com menor impacto. A própria temperatura da água pode ajudar a mobilizar essa mão mais fraca. Outro exemplo: quem tem um probleminha de joelho, não poderia fazer um exercício que o sobrecarregasse. O fato de que a pessoa está dentro da água reduz o seu peso "corporal" devido ao empuxo: a água nos empurra de baixo para cima. Para nossas articulações, é como se nosso corpo pesasse menos. Se a água estiver na altura do peito, o nosso tornozelo sente apenas 30% do nosso peso corporal. Então, a água proporciona um alivio para as nossas articulações, o que é um trabalho muito interessante para pessoas mais idosas, com maior desgaste articular. (continuação) |
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| edição 96 | Dança de Rua (Street Dance) - Ensaio ao ar livro do Grupo Escola Altamente Dance
Conversar com Júlio Bottoni sobre dança de rua (street dance) e, em seguida, observar o ensaio ao ar livre do seu grupo-escola é constatar o casamento de teoria e prática. É uma reunião de jovens, amigos e talentos, em que é visível o casamento de amizade e descontração com seriedade e concentração. Os destaques estão lá, surgem naturalmente no grupo, mas sem nunca perder o sentido de união. Percebemos que essa característica é própria da personalidade do líder, que encara seu trabalho com seriedade e humor, concentração e leveza, atitude firme e ar encorajador, expressão individual com forte sentimento coletivo. Exatamente como um espetáculo de dança deve ser.
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| Confira outras edições nos Arquivos Géh - Arte, sexualidade e corporalidade! | ||||||||||||||