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Edição 15

Ao cair da noite...


Tela por Daeni De Pino

Cai a noite com seu manto violeta
e as estrelas vem vestir o firmamento
penso em ti e me debruço na janela
como se ela te levasse o meu pensar

Sinto o vento a balouçar os meus cabelos
e a tocar a minha pele em frio abraço
se eu pudesse estaria em teus braços
aquecida e protegida em doce laço...

Olho o céu e busco a lua e não a vejo
tento ouvir o som de estrelas a cantar
mas só ouço a tua voz dizer meu nome
como fora doce canção de ninar

Teu amor de tão distante não alcanço
não me canso de sonhar e poetar
e fazendo mil poesias,
vou cumprindo os meus dias
Té que um dia eu te possa alcançar

Ariadna Garibaldi

 

AROMA


Lírio Azul por Elena Rodriguez

Ignorar
O cheiro do lírio
Branco
Num canto do jardim
Escondido
O aroma recendido,
Impossível.
Relembrar
A chuva repentina
Caída
Sob medida
Sob nossos
Corpos
Estendidos
Inertes, exaustos
Êxtase total.
Procurar por alguém
Que te deseje
Mais do que eu
Inútil.
O aroma do lírio branco
Só eu inalei
E guardei
Ficará no meu olfato
Impregnado
Por tempo indefinido
Encontrar alguém
Que o seu desejo
Grite
Como gritou
O meu
Entregue-se,
É o Amor.

Maria Júlia Pontes

 

 
Edição 14

Amor


Tarsila do Amaral: Antropofagia (1929)

no quarto
escuro o mundo era tua
boca ardendo teu

desejo roendo minhas
pernas

meu mundo subia pelas
paredes esboroava se no
teu

corpo ardia feito sol na
carne

na tarde ensol
larada a noite permaneceu a
cesa no meu
rosto

Adair Carvalhais Júnior

 

Avesso e seu Avesso


Tarsila do Amaral : "Urutu" (1928)

Invado sua alma
Sua vontade aríete em meus portões
Calada.
Sua baioneta perfura minha voz, emudeço
Eu não me calo
E eu grito mudo
Eu te endoideço,
São em tua loucura
Tropeço no
Tombo nu
Meu avesso,
Endireito
Que diz não
Sem resistir
E eu digo sim
Cedo
E você pede
Imploro
Afaste-se de mim
Mas não me abandone
Rola dos meus olhos
Reflexos de minha impotência
Uma lágrima carmim
Tinta do meu sangue
Sinto seu anseio
Pela ordem do seu seio
Por um esteio
Firme
Que está guardado
Fechado, lacrado, chave perdida,
Num lago verde
Imenso, infinito, sem fundo
Dos olhos que te chamam
A me afogar
E reclamam
O Divino Direito à coroa de meu Desejo

Sua retina
Embaciada
Que me ilumina
Com o reflexo de sua luz
Que me fascina
Qual escudo de Perseu, qual lago de Narciso
Os medos te roubaram
Prestidígitos
De mim
A face que refletem

Tento vencê-los
Com olhar-magia e língua-espada
Por você
Pela tua imagem
E por mim
Reflexa em meus olhos

Por minutos penso que sim
Na sala de espelhos
Irei detê-los
Peito aberto, sibilábios
Eles avançam
Temores intemeratos de si mesmos
Punhais me lançam
Sem mirar-te os olhos, ou resvalar teu coração
Eu me defendo
Sibila
Eu não me rendo,
Magia
Eu só te entendo
E me arrependo

E chega a hora
Ao som do sinete
De ir embora
Ao reino de sombra e luz
E sua alma invado
Portão arrebentado
Novamente...
Dança, macabramante, em minha mente

Maria Júlia Pontes e Alexei Gonçalves

 

Edição 13

Onã


Félicien Rops - La Dame aux bulles (1878)

Na parede um quadro
uma janela aberta
para a imaginação
uma tela... ela... tesão.

Tinta, tanta cor
trama tantra yoga
joga o jogo chão
e a luz me afoga.

Segue a cantilena
à pele morena
quando a mão afaga
e o falo fala.

Fred Matos

Sentidos

Faço
versos de amor
fortes,
porém sensíveis
cálidos,
porém inocentes
puros,
porém sensuais

e se, por amar demais,
me excedo em palavras,
prefiro pecar por ação
que pecar pela omissão
dos meus próprios sentidos,
pois não há sentimentos vãos
se por eles eu tiver vivido

Ariadna Garibaldi

 

Edição 12

Segredos


A espera - Pastel (08/2001)
por Géssica Hellmann

Vem amor, que nossa hora é chegada
O silêncio já se faz, é madrugada,
Em meus braços vem fazer tua morada!

Em meus seios, pousa os lábios, te anseio
Em meu leito, de amores me entontece,
Me arrebata, me abraça, me enlouquece!

Mil delícias de carícias quero dar-te
Atender a cada um dos teus apelos
Vem sem medos desvendar os meus segredos!

Ariadna Garibaldi

 

Fogo

Senti um perfume
Que há muito tempo
Estava ali
A me rondar.

Senti um sussurro
Percorrendo meu corpo
De arrepiar.

Senti o calor
De mãos famintas
A me procurar.

Senti um ardor
Percorrer minhas costas
Fogo transformado
Em lascívia
A me queimar.

Você era o fogo
Que eu estava
A esperar.

Maria Júlia Pontes

 

 
Edição 11

Porque hoje é sábado


Vestido Vernelho- Pastel (09/2005)
por Géssica Hellmann


Era vermelho o vestido na vitrine,
vestido caro, de grife esnobe,
e na vitrine meu olhar capturado
no brilho dos seus na tricoline.

Não fosse isso, eu teria me lembrado
que já estourei meu limite de crédito
e que sobra mês no fim do ordenado.

Mas não importa. É sábado.
Você vai estar linda na festa
e, se calhar,
hoje não me faz de besta.

Fred Matos
Em: “Anomalias”
2002

Fantasia ao teu prazer

Hoje eu te quero amante
e em teus braços errantes
me embriagar de amores
teus beijos por meus açoites
tal conto das mil e uma noites
Fantasiar teu prazer

Quero te bem dizer
e em murmúrios sem fim
falar loucuras de amor
te enlouquecer de paixão
te extasiar de tesão
Até que digas meu nome

...E saciada a fome
quero em teu peito dormir

Ariadna Garibaldi

Dica de Literatura Três Ensaios sobre a Teoria da Sexualidade SIGMUND FREUD



É a mais polêmica contribuição de Freud a respeito da sexualidade. Ele estabelece aqui originais estudos sobre os temas das aberrações sexuais, sexualidade infantil e adolescência. Seu principal guia é o conceito de Pulsão Sexual, que começa a ser descrito justamente nesse texto.