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Edição 25

Taça de saudade


Precious Moments by Pino

Estou aqui
morrendo de vontade
de olhar os teus olhos
que não vejo
desejando teus lábios
que não beijo
e apenas bebo
minha taça de saudade

Ariadna Garibaldi

Quase vertigem...


Couple in love por Marina Pajic

Na cama sonolenta,
vira para o lado, nua.
Olha para o teto vazio...
Quase chora...

Arisca, sussurra que me ama,
impulso de desejo descontrolado.
Isenta de astúcia, sorri aliviada
e dorme mansa...

Deitada, quieta, você sonha doce.
Descansa do amor, respira lento...
Acolhe meu carinho com talento.

Eu, assisto meu sopro nos pelos do teu pescoço,
correntes de ar vagabundas,
que retornam perfumadas de alegria...

Paulo Camelo

Dica de Leitura -   Urbanóides por Zander Catta Preta

"Qualé Léh!" "Fala Zander! O negócio é o seguinte: o géh tem sempre uma seção chamada 'Dica de Leitura'. Queria colocar a imagem do Urbanóides com link e um textinho promocional no Amores Urbanos. Pode?" "Porra cara! Você vai querer queimar o filme do sítio assim? Vai logo botar o Urbanóides?" "Deixa de ser fresco, Zander. Na verdade só tenho você de pelassaco conhecido que escreveu crônicas semi-eróticas-pseudo-românticas." "Ainda bem que não mandei minhas poesias, né?" "Porra bicho! Quer colocar o livro lá ou não?" "Beleza. De repente eu como alguém com essa merda que eu escrevi." "É esse o pensamento, cara!" "Bom... o que eu tenho de escrever na apresentação?" "Basicamente quem é Zander, qual a sua trajetória, o que propõe nos contos, como foi feito o livro." "Ah cara... falar de mim? Que coisa mais cacete." "É de praxe." "Põe que o Zander só escreve para passar por intelectual e acha que vai comer alguém assim!" "Bwahahahah!" "Sério cara. Ri não" " Bwahahahahahahahahahahah!" "Tá bom... põe o seguinte: Zander não é escritor, nem designer, nem fotógrafo, nem ilustrador. Ele é uma farsa. Faz festas de debutantes e anima Bah Mitzvah. Aceita escambo em sexo barato ou álcool de qualidade. Ou o contrário." "Tá. Bem melhor. Agora fala do processo criativo." "Pô cara. Não é melhor o pessoal baixar o livro, que é de graça, imprimir e ler?" "Anda, porra! Garçom, mais dois aqui!" "Eu quero um pastel de camarão. Não! Dois!" "Ok. Manda." "Poxa. Não sou eu quem escreve. Sou só cavalo aqui. A história vem, chega, me dói no fígado e vai pro papel." "Fala sério, cara." "Sério. Mesmo." "Ok. Acho que o Neil Gaiman falou algo parecido, mas serve." "Beleza." "E, cara, eu falo das coisas que eu não consigo fazer. Ou que as pessoas não conseguem. Melhor. São os desencontros, sabe? Daquelas histórias que as pessoas têm vergonha de contar. Dos fracassos, das paradas que dão errado. Ou não. Daqueles não-assuntos. De acordar de manhã cedo e achar que é maior que a vida e descobrir que tá só na onda de reboque do pó de ontem." "Acho que entendo." "Então. É isso. Você escreve a parada?" "Eu não, porra. O livro é teu e é você quem vai comer gente." "Tomara!"

 

 
Edição 24

Intensa Madrugada........


Reclining Woman por Shota Voskanyan

Corpos se devoram na madrugada,
Somos matéria quase intangível...
A poesia apenas resvala-se em nós
Com sua brisa etérea.

Os sulcos sudorosos de meu corpo
Ungidos pelo âmbar ardente
Convergem num deslizar
Aurifulgente de sua gota de gozo
No cálice de meu ventre.

O magma que escorre
Em meu úbere inverso
Queima a carne,
Pulsa aos olhos,
Funde os corpos
Em nosso próprio universo.

Tento acordar para colher
O desejo que transborda,
Mas o fluxo do coito
Sustenta um equilíbrio
De fonte lauta:
Fogo que nos devora.

Um bramido de fêmea
Separa minhas coxas
Feito páginas intemeratas
De uma obra imortal.
– Noite de ébano
Guardada pelo meu sexo –

Cada verso novo
Que me atravessa;
Cada pétala sua
Que se revela e se entrega
Explode em seu cerne
Para se recompor mais forte
Naquilo que nunca será morte,
Posto que renasce infinitamente.

Não secularizamos leis
Pois, enquanto amantes,
Depuramo-nos – somos Deuses –
E o amor nos torna imunes
Às leis humanas.

Roberta Sangiuliano Pedroso

Amor


Appassionata por Shota Voskanyan

Amo nosso jeito de olhar
enroscar as pernas no seu corpo
desenhar linhas imaginárias no seu rosto

Amo te provocar
com os dedos atiçar este fogo
com a língua sentir o teu gosto

Amo a essência de te amar
provar do teu beijo
insano desejo

Esse de amar

Géssica Hellmann

Dica de Leitura O Gosto do Pecado - Ângela Mendes de Almeida

Recompondo o quadro lógico dos séculos XVI e XVII, coloca em discussão assuntos que sempre causaram polêmica. Como eram pensadas e vividas, no passado, as questões como aborto, estupro, adultério, incesto, sodomia. Angela Mendes de Almeida traz à tona a sexualidade do Brasil colonial, tomando como referência a família patriarcal – rural, escravista e poligâmica – vista em "Casa - Grande e Senzala", de Gilberto Freyre. Essa aventura histórica leva a autora a fazer uma rota inversa, descobrindo, em Portugal, uma “nova terra” na qual encontra os fundamentos da mentalidade brasileira nos séculos XVI e XVII.

 

Edição 23

Delírios Noturnos

The Love 3 por Andrey Yanev

No quarto
Permanece ainda
O aroma da última noite
Dos corpos envolvidos
Cativos
As velas aromáticas
Continuam estáticas
Como se anunciassem
Sua chegada
Cada vez que são acesas,
Como surpresa
O incenso mistura-se ao
Calor do meu desejo,
A presença inexplicável
Dos nossos sons,
Sussurros na madrugada,
Ecoa a sinfonia
De um amor que
Me envolvia,
As músicas
Completam o cenário
O protagonista
Não mais existe
Só a saudade
Insiste
As velas testemunham
Minhas queixas
E a lembrança,
Tento acertá-la
Com uma lança
Prende-la num canto
Qualquer
Enquanto meu corpo
Descansa.

Maria Júlia Pontes

 

Contraditório amor


Tela de Kathrin Longhurst

Ah! Sentimento
incoerente
me arrebata...
Ora traz vida
e ora me mata
Vã contradição
que me maltrata
assim eu amo
desesperada
e calmamente
tão responsável
e inconseqüente
despudorada
e castamente

Ah! Sentimento
incoerente
que me domina
de forma tão vil
e puramente
de modo suave
e profundamente
que me aquieta
e alucina
Assim eu amo
de modo igual
e diferente
em que se confundem
corpo, alma e mente

Ah! Sentimento
incoerente
me toma aos poucos
e de repente
já nem sei quem sou
sã consciência
me torna alegre
se estás presente
e me faz triste
quando te ausentas


Ariadna Garibaldi

Dica de Leitura Freud e a Sexualidade: o Desvio Biologizante JEAN LAPLANCHE

Resultado de um curso ministrado na Universidade de Paris, este livro aponta o que o autor chamou de "desvio biologizante" da sexualidade na obra de Freud.

 

Edição 22

Memória Íntima

Abstract Couple por Linda Smith.


tua boca
universo de versos
que desenho sobre
o nada é como um
pássaro no vôo

beleza distante
tatuada em mim

Lau Siqueira

 

Pousa teu corpo sobre o meu


Private por Lou Carbone

pousa teu corpo sobre o meu
ocupa cada espaço
instala-te inteira

sem nenhuma pressa
dedilha meu peito
ouve a canção do meu corpo
dá-me o que me cabe
toma o melhor de mim

Sérgio Ornellas

Dica de Leitura -   Freud e a Perversão por PATRICK VALAS

Este livro faz um rastreamento de tudo o que se produziu sobre perversão a partir de Freud. Através de uma exegese da obra freudiana, o autor visa revelar o percurso de Freud na elaboração dos conceitos fundamentais que vieram confirmar sua teoria da sexualidade. Colocando-se numa perspectiva histórica, Valas apresenta um trabalho que é produto de uma investigação exaustiva das teorias sobre o tema das perversões sexuais a partir do final do século XIX.

 

 
Edição 21

Corpo do Desejo

Ladanza delos amantes por Jacqueline Klein Texier

Línguas acariciam trilhas
de curvas perigosas,
porém macias, cheirosas...
A saliva sacia a sede
de terras ansiosas
e tão generosas, gulosas...
Mãos cegas procuram abrigo,
tateiam os cantos,
passeiam pelo umbigo,
encontram seus encantos
e lá provocam gemidos...
Pernas se abraçam
e braços se beijam
quando aproximam bocas
urgentes
que almejam
lamber os dentes,
sugar os desejos
emergentes.

Tate Fish

Côncavo e Convexo


Dica de Leitura Perversão em Cena ELIANE CHERMANN KOGUT

Tema difícil de tratar, a perversão sempre ocupou o centro da cena em nosso imaginário, sendo objeto de mitos, religiões, contos infantis, e atualmente também dos noticiários que tanto aguçam o interesse do ‘cidadão comum’. Essa luta entre os personagens da Ordem e da Transgressão também é um grande assunto do cinema, talvez a mais influente linguagem de nossa era. E é a do cinema, bem como a da psicanálise, que Eliane Kogut se serve para guiar os leitores num percurso quase detetivesco pelo universo da perversão, buscando aproximar-nos da experiência sensorial e subjetiva do perverso.