| Edição 55
|
Santa Escarlate: Ela Ama

Santa Escarlate por Priscila Hlodan.
Ser unipresente em formas abstratas
Ondas tempestivas que invadem os sentimentos profundos
Ímpar sensação
Doce atração
Inconseqüente ação e reação
Envolve-me por inteiro
Sem rodeios convida-me a
Bailar em ritmos frenéticos
Sem saber ao certo onde vai acabar
Sem se abalar
Sem maltratar
Machuca, grita
Uge mas fica!
Fica como segunda pele
Sem perguntar
Sem eu me perguntar
Se quero essa pele.
Já não quero,
Fui possuída.
Priscila Hlodan
Desenhos de mim

Girl Reading at a Table, 1934, pablo picasso
Palavras desenhadas
num pedaço de papel
largado sobre a mesa
sentimentos revelados
uma dor que não cessa
um amor que não vinga
e não finda e não finda...
e a vida se vai
a beleza se esvai
e o amor não termina...
Ariadna Garibaldi
Sou eu...

Hymn to a Woman 3 -(1997) por Viktor Grigorov
I
Se me escapa dos dedos a
carícia sem causa,
se me escapa dos dedos...
No vento ao passar...
A carícia que vaga sem
destino nem objeto,
a carícia perdida, quem a
irá encontrar...?
II
Eu pude amar esta noite
com piedade infinita,
pude amar ao primeiro que
dera certo chegar...
e nada chega. Está só...
minha mágoa aflita,
e a carícia perdida está
difícil de encontrar...
III
Se em teus olhos te beijam
esta noite meu anjo,
e estremece as ramas da
roseira, um doce suspirar...
Se te apertam os dedos uma
mão frágil e pequena,
que te toma e te deixa, que
está contigo sem estar...
IV
Se não vês essa mão, e nem
esta boca a te beijar,
Oh... meu anjo, que tens os
olhos fixos no céu...
Ahé apenas do ar que tens a
ilusão deste troféu,
vais saber que sou eu... daqui
de longe a te amar?..
MariaAntonietaRMattos.
|
|
| Edição 54
|
Ainda
Springflower por Pino.
Se o dia está lindo
Ainda lembro do sol refletindo
Na sua pele
Ofuscando meu olhar
Se escuto a melodia bailando
Ainda vejo o seu sorriso, ao me ver chegar.
Se chove, eu juro,
ainda sinto seu doce perfume no ar.
Cai a noite, feito um açoite
E eu, ainda assim, e sempre,
Tonto e demente,
Procuro seu rosto nas estrelas
A saudade embala minha dor
Que adormece
E no meu melhor sonho
Você ainda vem me amar...
Helio Jenné
Procure

Thoughtful mood (2000) por Anatoly
Slepkov
Procure
Em minhas rendas a boca
Em minhas meias às mãos
Em minhas (suas) paredes meu nome
Procure
Acostumar a me ter
Acostumar a gozar em mim
Acostumar a banhos lânguidos
Procure
Sussurrar de prazer
Emudecer de êxtase
Ensurdecer de alegria
Procure
Nas águas coloridas meus seios dengosos
Nas chuvas meu pescoço sedoso
Na praia meu pulso correndo até você
Procure ...
Sole Mazzeto (Poema inédito, exclusivo para o
géh)
w e l c o m e t o t h e g r o u n d
%20red.jpg)
Tin man (2002) por Joel Kass
and over the sun below the sand
a broken word, an open hand
held out to you to understand
(Ashengrace - Starsong)
. . .
she waits beside you, silently
she wants to hold you by the hand
but she is broken, oh baby broken,
completely indefinitely
so will you close your eyes
hold her by her thorns into the wilted night
or do you have a new interest
who's keeping you away tonight?
in the twilight far behind
she holds a flower in her hollowed hand
but time can't disguise a wrong identity
was it just something that she didn't see?
some moments remain painted on a pale blue sky
maybe this is one is burning, buried down
still she waits, lay a heart by your pillow
pray you'll come around
in tears in memories in ashes of defeat
ruins of denial, remains of a raging fit
she has nothing to pretend, just falling
from her solitary flight to a broken land
she will breathe through tomorrow in no one's
embrace
wish you would, just wish you could see
she's incomplete, broken
indefinitely maybe
. . .
jacqz - (songs for the broken rivers)
|
| Edição 53
|
Segredo
Dance (1997) por Polina Nechaeva
Na paz dos dias de julho
gotas de chuva ao chão
música, vinho e rosas
notas da nossa canção
sonhos de amor e poesia
frio que vem com o vento
e o doce e fugaz momento
eternizado num beijo
E entre o sonho e o desejo
na fria tarde de julho
fica selado o segredo
Ariadna Garibaldi
Sabor da lenta espera

Sitter por Julius Arutyunian
aprendi tua demora
apesar da minha pressa
meus protestos de saudade
acostumei-me ao sabor da lenta espera
conheci a exata dimensão do exílio
onde nos é servida a morte
muito antes de morrermos
Sérgio Ornellas
Bela
.jpg)
Série femino de Sônia Scalabrin
Procurei você na linha do horizonte
Da fotografia fiz um filme deslumbrante
Comi um chocolate na piscina
Descasquei um abacaxi, tirei os espinhos
Saboreei um moranguinho
De calcinha branca desfilei
No jeans desbotado balbuciei seu lindo nome
Reencontrei você
Minha alma o soube ler
De sua boca curvei ao charme
Prolonguei a noite
Chamei os anjos coloridos
Fiz um dengo em sua face
Você sorriu bem de mansinho
Feito gato deitou e ronronou bem alto
Demos as mãos, entrelaçamos as almas
Sem atropelos, sem segredos
Sem mistério nos desejamos
E na boca sentimos o sabor do céu orvalhado
Criei asas, voei em seu peito
Lentamente passei um dedo em meus lábios
Enlouqueci você só um pouquinho
Me emocionei com seu agrado
Me senti
Bela, delicada, singela, meiga e linda
pra você
Sole Mazzeto
(Poema inédito, exclusivo para o géh)
|
| Edição 52
|
Invento-te

Edward Belsky
Em tua ausência
invento para ti um rosto...
Crio argumentos,
fantasio histórias
e faço filmes.
Para, assim,
preencher-me de ti...
Com sofreguidão
busco-te pela mão
e te insiro em meu espaço
terno, tranquilo e muitas
vezes, muitas mesmo,
inquieto.
Esmiuço teu corpo sonhado
e o sinto em mim...
Me agarras, acossas-me
contra um canto qualquer
e no encanto do toque
desfruta de meu corpo como se
este fosse tua fruta predileta....
Essa paixão inconsistente
que arrasta os sentidos,
assola os corpos,
embravece a alma num
fogo violento que arde
e não lhe traz paz,
pois sempre quero mais...
Mesmo quando não estás
presente, quando foges
ou muito menos inexiste,
mesmo assim invento-te;
para que possas
sempre estar comigo....
Patricia Gomes
Um instante

Equilibrar a noite na ponta dos dedos
Enquanto o sol escorrega às costas
Iluminando auroras de outros mundos
É como se tudo não passasse de um instante
E a noite se prolongasse num deserto sem fim
Apagando a luz do meu fascínio
É como se tivéssemos sangue nas mãos
Depois de um longo abraço
É como se cessassem todos os mistérios que nos
pertenceram
Sérgio Ornellas
Feitiço

Tela de Maria Amaral
Pega meu coração
Escuta o que ele diz
Vasculha
Espaça a mão
Nos bicos
Dos meus seios
Desfaleça
Em minhas coxas
Cativo
Em frêmito
Alcança minha maciez
Entra em meu crescer
Regozije-se
Vocifera
Delonga em rigidez
Encanta em mim talvez
Enfeitiça
Em olhar
Pega-me pra você
Mergulha
Renasça
Toque-me
|
|
| Edição 51
|
Sagrado Feminino

Nude II (1992) por Iurii Kononenko
Ai, que chega a me rasgar por dentro
Um enjôo crônico
Intermitente,
Que brota
Do fundo do meu estômago
Só de ouvi-la contando
Dos casos de atrocidades
Que cometeram
E cometem por aí
Comigo, com vc, com elas
Mulheres
Com o sagrado feminino
A Grande Mãe rejeitada
Mas nós, as loucas,
As bruxas, as libertinas,
As mal-compreendidas,
As justas, as histéricas,
Delicada e agilmente
Damos passos precisamente calculados,
Um a um,
Cravando com fúria os pés na terra,
Provocando terremotos
E cravando os dentes no coração
Dessa gente que não entende
E nem sequer sente
Lá no fundo do peito
A razão de suas existências
Paula Della Via
Poema da Culpa

Sem título por Edward Belsky
I
Então eu o amei demais , e era de outra, que também o queria...
Mas, depois de ter beijado seus cabelos louros como trigo,
nada mais importa de culpa, não me importa também o castigo...
Perdoa-o, Senhor, não o castigue, ele era outro que sofria...
II
Um pecado querê-lo Senhor, um amargo mas tentador gosto...
Ele foi como um lindo ribeirão onde extasiada, me satisfazia...
Se existe culpa em ter esta sede, então tal culpa, eu é
que teria;
pois meus lábios estão doces, sinto ainda sua pele em meu
rosto
III
Perdoa-o Senhor, tu que lhe deste a nobreza, lhe destes valor...
Destes a ele uma alma transparente, como uma concha vazia,
E eu o enchi de amor, dei-lhe felicidade, pecado, luz e alegria,
então, Senhor, aqui estou à espera do castigo, por ter este
amor...
IV
Mas..Como não amá-lo, senhor? O fizestes Adônis, uma
simpatia...
Um homem perturbador a ser muito amado...Fragrante rocío.
Dono de beleza de alma que me encanta, é água em meu estio...
Senhor, como não amá-lo...? Apaixonada, o quero por companhia.
V
Tentarei, Senhor, rechaçá-lo. Sabendo de antemão
que inutilmente.
Ele que era de outra, senhor... De outra que juro... Não o merecia...
E por esta razão foi senhor de minhas horas, dono da calmaria,
inutilmente porque seria como ao sulco, tentar rechaçar a semente.
VI
Era de outra, Senhor, mas existem coisas que obedecem a alquimia...
E ele me deu seu amor. Mudei de pó para flor...felicidade de viver.
Me senti um jardim inteiro, como um rio em um poderoso querer,
E para mim não havia nada proibido...que quebrasse esta magia
VII
Uma embriaguez estranha nos dominou e venceu... Pouco a pouco:
Senhor, eu não tenho culpa... E nem ele a quem destes tal harmonia.
E, Senhor, me destes estes olhos, como um presente feito de ironia,
Para olhá-lo, desejá-lo e querê-lo, em sentimento
de amor todo louco
VIII
Se nossa culpa for tua, se é culpa o desespero de se entregar um
dia,
então está errado para o rio... Ele não deveria correr
rumo ao mar.
E Senhor, ele é tão homem, tão divino, que eu não
poderia deixar
de amá-lo com loucura... Ele que é minha vida, minha razão
e poesia.
IX
Por isto perdoa-me, Senhor, vou amá-lo enquanto no mundo estiver.
Sei que és poderoso, Senhor, fizestes a água, a flor e és
todo sabedoria...
de joelhos te peço, olhes para meu sofrer por este homem, esta
tirania
e abençoe-nos, Senhor, O amarias como eu, se te fizesses... mulher!
MariaAntonietaRMattos.
Sussurar

Confidences (2001) por Maria Amaral
É tão bom um sussurro no ouvido
Relaxa, dá prazer
Aumenta a produção do “sentir” nas células
Dá brilho aos olhos
...
Um sussurro nas costas
Arrepia a espinha
Aumenta a libido
Dá brilho a pele
...
Um sussurro no pescoço
Aumenta o paladar
Alicerça o desejo
Dá esperança
...
Um sussurro
Da boca (sua)
Aumenta minha pulsação
E viro
...
Sussurrando seu nome
Bem juntinho
Bem pertinho
Bem “sussuradinho”
...
Ai, ai, ai
Sole Mazzeto |
|