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Edição 75

Pra falar a verdade...
Irene Sheri - Sweet Nohings - Arte Corporalidade
Sweet Nothings por Irene Sheri


Queria escrever poesia
falar de muita alegria
e de poder renascer

Queria falar das horas
que fizeram minha história
neste palco acontecer

Queria falar de vida
do perfume dessas flores
que guardam meu bem querer

Queria falar de amor
da estrela, da esperança
que vive a reflorescer

Queria falar de paz
e de tudo que nos traz
enorme felicidade

Mas parei
porque no fundo
a minha grande verdade
é só enxergar ___você...

Ariadna Garibaldi

Seria
Slava Posudovsky - Coupling - Arte Corporalidade
Coupling por Slava Posudovsky


Seria tão bom
se você voltasse
E pela mão

Me pegasse
e me levasse
para passear no seu jardim

Não ia mais querer
Voltar dessa viagem
Colorida

Ao mesmo tempo
Atemporal
e desconhecida

Ia pedir pra ficar ao seu lado
E matar essa saudade
Da vida... perdida...

HLJenné

 

Sacia
Dimitrj Plionkin - Cat - Arte Corporalidade
Cat por Dimitrj Plionkin


Minha sede úmida
Vem em goles longos...
Aterrissa em minha pele
Circula em meu sangue
Deita em minha língua morna
Cola meu ouvido ao seu

Vem em vida
Vem da vida
Nasce em meu peito
Um querer que me anime a viver
Num degolar de sedas
Desliza em meu gosto

Separa minha mão
Segura meu queixo
Reúne meu querer
Estenda sobre mim seu corpo
Pra que eu não pense (em nada)
...

Sole Mazzeto

 
Edição 74

Beijos de Iracema

After a Good Bottle of Good French Wine por Ivan Koulakov

 

Percorro o caminho que o
tropel de teus beijos silenciosos
deixaram em uma estrada de ilusões que
criei para meu mundo tendioso e
sem o menor impacto sobre a
vidinha escassa de outros como eu.

Lanço afagos doces, urgentes, ardidos,
odiosos aos teus olhos que
são tão baços, quanto parcos
são os teus passos desatropelados
dos amores vãos que tanto gostas de viver,
sem nem saber o porquê.

Guardo na boca as palavras de
amores vibrantes que senti e que por
pouco não disse, mas que só calei
porque as bocas se afastaram
sem ao menos quererem saber da
umidade doce dos meus lábios de Iracema...

Patrícia Gomes

 

 

Absinto


Spanish Lady por Mary Zarbano

Tenho sede
bebo tua ausência
sorvo este líquido
de gosto acentuado
mergulho neste torpor
inebriados pensamentos
eu e a fada verde
para matar esta sede
que agora sinto
simplesmente
absinto.

Géssica Hellmann

 

Para sempre


Waltz of Flowers por Irene Shery

I
A este que jamais deixará de
me ter por amante...
É...Este que foi por um tempo
fonte de doçura...
Ele a quem, penso, não conse-
gui enxergar bastante,
ele, uma obra que ainda sonho,
mas na conjectura...
II
Alguém com quem joguei tudo
e não tive sorte,
onde acredito que ambos perde-
mos a guerra...
Este que me terá para sempre,
até minha morte,
amor delicado e sutil, coisa que
nem é desta terra
III
Agora é sair da memória que
vem, evocadora,
trazendo memórias lindas pois
tenho frio agora...
Sabedora que sou de estar para
sempre em tua mão
IV
Sei ter em tua sombra o estalar
do meu grito,
mas de vez em quando vou te
ver... és bendito,
És minha vida e minha luz... És
meu verão...

Maria Antonieta. R. Mattos


Edição 73

Pela Manhã


In the Jungle por Joseph Stella

A manhã nasce morna e
Com ela desperta o broto em flor...
Dedos acariciam levemente o
Broto no jardim das delícias e
Sente o serenar umidificá-lo
Em desejos amplos.
Os mesmos dedos volitam como
Borboletas à procura do
Pólen alimento circundando e
Descobrindo pétalas novas...
Nesse vôo o dia, em
Instantes, ganha contornos de
Noite com chuva de estrelas...

Patrícia Gomes

 

Sol e Chuva



Regenschirmtango por Ivan Koulakov

Sol

Doura pele
suadoura
pele e pele
salmoura.

De conluio com mar
e areia.

Toda mulher que olhar
é sereia.

Chuva

Se chove e os pingos da chuva
vem desenhar arabescos
na vidraça

Ela os quer sobre a blusa.
sai à rua aos tropeços.

Não teme trovão,
nem corisco.

Que o tesão
s'tá no risco.

Sônia (Anja Azul)

 

Adeus


Kiss Under the Moon por Ivan Koulakov

I
Adeus, loucuras dos
jovens anos
dos beijos dados em
lua plena...
Tempo de muitas fe-
ridas, azucena,
adeus loucuras de cau-
sar-me danos...
II
Adeus, desculpas, desor-
deiros belos,
meu alarme mais terno,
ignorante fruta...
Ah...Uma estrela solitária
que se enluta,
esperança de uma vida
sem paralelos...
III
Adeus, rapazes que a vida
me corta,
sentimentos que atacam
minha aorta...
Tristissima, sou um mís-
sil lançado...
IV
Adeus, meus prazeres,
falsos delitos;
adeus sem uma queixa,
sem um grito,
adeus, meu sonho... nun-
ca abandonado.

Maria Antonieta. R. Mattos

 

 

Edição 72

Lírica

Irene Sheri - Birth of Tune - Arte Sexualidade Corporalidade
Birth of Tune por Irene Sheri

E dedilhando o teclado em melodia
sinto na música das sílabas - o poema
lá te procuro e te encontro em mil fonemas
qual lira ardente ou perfeita sinfonia

Como gestos de carinhos incontidos
vão surgindo doces sons em harmonia
qual miragem derramada no deserto
que o lirismo dos meus versos fantasia

Se eu tentasse apagar-te da memória
eu te juro amado meu não poderia
pois estás eternizado em minha história
tatuado nas estrofes da poesia

Ariadna Garibaldi

 

O que restou de ti!

Phil Daves - Knit Legwarmers - Arte Sexualidade Corporalidade
Knit Legwarmers por Phil Daves

Ouço tua voz...

Ouço-a dizendo-me palavras de carinho
Falando de fatos passados,
Vividos, queridos, lembrados.

Vejo teu rosto,
Como se a minha frente estivesses

Sinto teu cheiro,
O cheiro de amor, de sexo, de paixão.
Cheiro de carne contra carne,
De corpos incendiados pelo desejo
Que se buscam e se unem feito um só.

Ontem...
Tudo isto foi presente

Hoje...
Tudo isto é passado

Amanhã...
O que será de minha vida,
Se de ti só restaram as lembranças?

Cleide Jean


ME DÁ A MÃO

Galit Maxwell - Second View  - Arte Sexualidade Corporalidade

Second View por Galit Maxwell

I
E quando comigo estivestes,
ficou queimando
meu corpo... perfumado o
coração...

Desde então procuro ir me
acostumando...
Não passam as horas, estou
ansiosa te esperando,

para repetir de novo, muitas
vezes, a sensação...

II
Tanto tempo andei em bus-
ca de um centro;
E só agora minh'alma apren-
deu esta lição...

As brasas que por fora, estão
lá dentro,
são distintas, flamejantes...
Ah...! E como elas são!!

Fundir por toda a noite, almas
e fragrância,
e abrir bem cedo, depois, a
janela, o balcão...

Lembrar as vívidas tristezas
da minha infância,
adolescência marcada por pre-
conceito e ânsia...

E por Deus, ver-te em meus len-
çóis... então...

III
Estou feliz, amor, e nada mais
nos separa
pois sou tua... Te fiz divindade no
meu coração...

Pusestes tua boca na minha e
ficou clara
a minha nova felicidade e que se
depara,

com amor fulgurante, em nova
constelação...

IV
Só em ser eu mesma, por não
estar mais preocupada ,
me vejo toda em paz e posso vol-
tar minha atenção...

Vou poder seguir, aprendendo na
nova estrada...
Me realizando para sempre e me
sentido humana, abençoada...

Vem amor... me dá tua mão...


Maria Antonieta. R. Mattos

 

Edição 71

Batidas Com[P]assadas...

Rachel Ferguson - Blues - Arte Sexualidade Corporalidade
Blues por Rachel Ferguson

Em noites frias
e quentes
escuto passos
que me rondam
mansamente e
em ânsia aguardo
tua chegada.
Adormeço em espera
e acordo trêmula por
sentir-te ao meu lado
Mas os dias me nascem só
e percebo que os passos
nada mais são que as
batidas do meu ansioso
coração...

Patrícia Gomes

 

Vinde

Henry C. Muse - Young love - Arte Sexualidade Corporalidade
Young love por Henry C. Muse

Chega-te a mim!

Aconchega-te em meu colo,
Se dele necessitas

Meus braços te acalentarão
Minha voz sussurrará ao teu ouvido
Palavras doces enquanto te embalo
A quentura do meu corpo
Aquecerá o teu
E, quem sabe,
Toda esta dor e mágoa
Se dissiparão ao despertares.

Cleide Jean

Vôo até você

Ivan Koulakov -  Flowers of Love - Arte Sexualidade Corporalidade
Flowers of Love por Ivan Koulakov

Vôo até você
Borboleteando chego até você
Na penumbra vejo teus contornos
Numa dança antiga vou ao
Labirinto do prazer

Vejo os olhos, aguço o ser...
Aumento a minha chance até você
Deslumbro a vista
Rasgo a seda

Vôo em pensamentos
Indescritíveis
Na claridade da lua
Arremesso o laço

E te puxo para meu pedaço
Suavemente aperto o traço
Exclamo, e vou ao léu

Vislumbro o espaço
Cetins escorregam
Seda branca, preta
Ou lilás

Braços esparramados
Misturados
Mãos entrelaçadas
Rubricas perfeitas

Saem do papel
De achados e perdidos
Salto livre pro destino
Solta, leve e feliz...

Sole Mazzeto