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Edição 5

O Balanço
Géssica Hellmann

Fragonard - swing - arte sexualidade
The Swing (Fragonard -1767)


O intuito desta resenha é apresentar um resumo das análises feitas por Mirjam Westen sobre o voyeurismo requintado na pintura de Fragonard "The Swing - 1767".

Segundo Westen, o tema voyeur é popular na arte rococó francesa do século XVIII. Uma jovem em um balanço é retratada na área central do quadro, cercada por roseiras e árvores imensas. Ao fundo um homem a balança, e mais a frente um outro homem o "voyeur" camuflado entre os arbustos a observa. No retrato, é enfatizado no momento em que o balanço atinge o seu ponto mais alto, permitindo ao espectador vislumbrar o que está por baixo de suas anáguas. São perceptíveis os olhos, tanto da jovem como do voyeur, ela olha para ele e ele olha para o que está oculto sobre as anáguas.

Outros elementos no quadro também simbolizam o voyeurismo, os dois cupidos posicionados acima de um golfinho, um dos quais está olhando para ela. Golfinhos, na mitologia clássica, puxavam a carruagem de Vênus, a deusa do amor.

A origem do quadro é mencionada no diário do francês Collé, onde consta o caso do pintor Doyen, que teria sido abordado por um barão para pintar a "Madame", sua amante, em um balanço movimentado por um bispo, na qual o barão deveria ser retratado de tal modo que pudesse ver as pernas da moça. Doyen, contudo recusou o encargo e o encaminhou para Fragonard, considerado na época o "querubim da pintura erótica". Fragonard aceitou o trabalho, mas limitou-se a retratar um leigo em lugar do bispo.

Westen afirma que, na arte, o motivo do voyeurismo, é comumente combinado com o namoro, o jardim do amor, o balanço e outros elementos do cenário, constituindo uma longa tradição na arte européia, e este retrato de Fragonard não é uma exceção. Inserir o balanço na natureza garante um ambiente de intimidade, onde o voyeur vê algo que os demais não podem ver. A mulher sabe que está sendo observada, sugerindo o desejo de ser vista. Fragonard, desta forma, expressou no mesmo quadro o desejo de ser vista e o desejo de ver, onde o desvelo calculado do corpo feminino aos olhos do voyeur é o tema central que confirma o caráter sexual do retrato.

"A divisão sexual específica do observar e ser observado é inerente ao equilíbrio social de poder entre homens e mulheres. Tal atribuição é baseada em concepções de sexualidade, feminilidade e masculinidade que, em minha opinião, são mutáveis e não determinadas por diferenças biológicas". (WESTEN, 104:1995)

Westen conclui com uma reflexão sobre o papel do homem, ao qual ela atribui um significado possível do personagem encontrar-se à mercê do desejo de ser vista pela personagem feminina. O personagem do voyeur mostrou-se um admirador ajoelhado suplicando para ver o que há por baixo das anáguas. Este retrato pode ser considerado, segundo a autora, uma crítica ou uma ironia sobre o voyeurismo dos olhares masculinos de soslaio.


WESTEN, Mirjam. A mulher no balanço e o voyeur requintado: Paixão e voyeurismo no rococó francês. In: De Safo a Sade: Momentos da história da sexualidade. BREMMER,Jam (org). Campinas: Papirus, 1995, p. 91-107.

Mídia e Sexo: as colunas sobre sexualidade enquanto concretização da busca da satisfação

Conforme filósofo Charles S. Peirce (1839-1914), a inteligência humana se traduz em nossa capacidade inata de aprendizagem e tendência contínua ao aperfeiçoamento. Essa tendência pode se concretizar tanto na mais individual e trivial atividade - cortar caminho para gastar menos energia - como nas mais complexas, por exemplo, a união de líderes de estado em prol da miséria no mundo. Mas nem sempre nossas idéias se atualizam nos melhores rumos, há enganos terríveis, a censura e os genocídios promovidos por causas santas ilustram bem essas falhas. No sexo não é diferente, todos queremos, de acordo com nossas capacidades e ambições, melhorar em algum aspecto (físico, psíquico, ambos), pelo menos até chegarmos em um patamar que consideramos satisfatório.

Neste artigo pretendo mostrar como as colunas tipo perguntas-e-respostas sobre sexo das revistas Claudia e Playboy (ambas da Abril), contribuem para o desenvolvimento da idéia de sexualidade e podem ser consideradas, portanto, como um dos modos de concretização da tendência ao aperfeiçoamento de que fala Peirce. Ao colocar em circulação temas relativos ao sexo, as colunas indicam um amadurecimento da sociedade no tratamento do tema em relação a tempos passados, nos quais a informação produzida era mínima e fundada em preceitos religiosos. Sobre o percurso: passarei por alguns fatos relativos a Idade Média e início da modernidade para em seguida tratar das revistas.

A Igreja, durante a época Medieval, viu na restrição do sexo à procriação um dos modos de estar em conformidade com Deus. Certamente, este foi um caminho errôneo o qual limitou (senão proibiu) a felicidade de muitos. Conforme a prof.a. Ângela Mendes de Almeida, de fins da Idade Média até os primeiros séculos da modernidade, a Igreja manteve uma forte preocupação quanto à vida íntima dos casais. Pois os clérigos julgavam o sexo lícito somente se o ato tivesse como meta a procriação; o próprio casamento só tinha razão de ser por sua função reprodutora.

Assim, qualquer ação que previsse apenas o "deleite" (sem objetivo de procriar) era considerada pecaminosa, mesmo sendo entre casados. Os "tocamentos" (entenda-se masturbação), dele ou dela, seriam admitidos apenas "se dados em sinal de amor" e nos casos em que antecedesse a cópula; do contrário, era considerado "pecado venial" e, se os toques provocassem a "polução" (ejaculação), aí sim o fiel teria realmente que se preocupar, pois seu ato seria enquadrado como pecado mortal. A fim de propiciar maiores chances de fecundação, os padres empenharam-se até em estudar e recomendar posições mais adequadas para o ato sexual. Segundo os eclesiásticos, o homem deveria ficar por cima, para que "emitisse o sêmen dentro do vaso natural da mulher". Outro ponto curioso de intervenção da Igreja sobre a vontade dos cristãos era o "débito conjugal". Estaria em débito o cônjuge que se opusesse a solicitação do parceiro para o sexo: isso valia tanto para o homem quanto para a mulher. Só não estaria pecando aquele que negasse o coito alegando uma das justificativas previstas também pela igreja, "tais como a menstruação, o parto recente ou - e isto servia para os dois cônjuges - uma doença contagiosa qualquer".

Em contraste às manifestações de repressão sexual medievais, temos hoje uma quantidade enorme de informação correndo livremente, fornecida pelos veículos de comunicação e, com isso, dispomos de liberdade de escolha quanto aos caminhos a tomar e em que acreditar. Exemplo da disponibilidade de livre informação acerca da sexualidade são as colunas de perguntas-e-respostas oferecidas em revistas masculinas e femininas, que podem ser adquiridas em qualquer banca. A dinâmica nas revistas funciona assim: os interessados mandam suas dúvidas (por carta ou e-mail) e obtêm a avaliação de um especialista nas edições seguintes. Guardadas as particularidades com que abordam o tema (Playboy mais descontraída, Claudia mais austera), essas revistas contribuem para o crescimento da idéia de sexualidade, o que, sem dúvida, se mostra benéfico, pois é só através do exame e ampliação do tema que podemos identificar o que é saudável e aprazível e o que precisa ser superado. Quanto mais se discutir, melhor.

Mas, além do óbvio trabalho de aconselhamento que desempenham, tratando incisivamente das variadas hesitações dos leitores, as colunas podem ser consideradas indício de amadurecimento da compreensão e tratamento de nossa sexualidade. Em que outro período homens e mulheres tiveram à sua disposição um veículo público com o qual pudesse dialogar livremente (sem serem repreendidos) a respeito de detalhes de sua vida íntima? Hoje, há rapazes perguntando a revista qual posição sexual dará mais prazer a sua namorada, e outros pedindo indicações de como tratar a ejaculação precoce. Mulheres querendo orientações sobre a prática de swing (troca de casais), ou alegando falta de desejo pelo marido. Ou seja, a intimidade sexual, que em tempos medievais deveria passar pelo crivo ameaçador dos eclesiásticos, porque fundados em saberes (ditos) divinos, atualmente amadureceu e encontrou na esfera pública (mídia) um certo abrigo, uma espécie de amigo a quem recorrer sem o risco de ser desqualificado. Ao exporem seus problemas e dúvidas às revistas, os leitores mostram que aprenderam que o melhor caminho para atingir a satisfação é conversar, é debater as questões que consideram relevantes. Se as revistas não são o meio mais adequado ou eficaz para sanar os males que ainda nos rondam, ao menos tornam públicos atos individuais de pessoas interessadas em se aperfeiçoar e despertam, talvez, em outras pessoas, o desejo de também refletir a respeito de sua vida afetiva e sexual.

Não podemos concluir que os problemas referentes ao sexo estão resolvidos, ou próximos disto, pois a satisfação é sempre momentânea e delicada, sujeita a revisões que podem implicar um novo movimento em busca de um patamar mais elevado de satisfação, e assim por diante (isso vale para todas as áreas do comportamento humano). Mas percebemos que o melhor caminho para concretizar nossa tendência natural ao aperfeiçoamento é darmos continuidade a produção e debate de idéias. Portanto, que a informação circule e cresça!


Bibliografia

ALMEIDA, Ângela Mendes de. O Gosto do Pecado: casamento e sexualidade nos manuais de confessores dos séculos XVI e XVII. Rio de Janeiro: Rocco, 1993.

TALESE, Gay. A Mulher do Próximo. Rio de Janeiro: Record, 1980.

FOUCAULT, Michel. Sobre a História da Sexualidade. In: Microfísica do Poder. São Paulo: Edições Graal, 2003.

Mauricio José Melim é Bacharel em Comunicação Social

 

Edição 4

Primeiras mutações Junguianas no conceito de libido

Géssica Hellmann

dream of love - arte sexualidade
Jean-Honoré Fragonard - 1768

O propósito desta resenha é apresentar as primeiras divergências no pensamento de Jung sobre as idéias de Freud a respeito do conceito de libido, conforme expostas na terceira de suas nove conferências proferidas na Fordham University, Nova Iorque, setembro de 1912. Vale notar que as idéias expostas nessa conferência representam suas primeiras análises sobre um tema que desenvolveria extensamente ao longo de sua vida.

Para Jung a
libido era uma transferência de energia na busca de uma satisfação. Ele ao contrário de Freud, não entendia que a libido era um conceito puramente sexual.
Para Freud, o termo libido estava exclusivamente relacionado à necessidade genital. Ele afirmava que a criança possuía uma sexualidade poliformo-perversa: a libido acionava diversas perversidades na criança. Dizia ainda que a criança tinha uma libido "sexual", como a do adulto, só que em menor intensidade, conceito este como veremos a seguir, combatido fortemente por Jung.

Jung afirmava que a diferença entre a sexualidade madura e a imatura era determinada pela localização da libido, e não pela intensidade, valorizando a libido como um ponto de vista energético e não no sentido sexual. Ele considerava a libido uma transferência de
energia. Em virtude disso Jung afirmava que, quando o individuo está num estado "alterado" ou, como se diz popularmente, com "um parafuso a menos", ele estaria com excesso de libido, ou seja, este excesso teria sido retirado de outro lugar, onde passou a faltar. O mesmo poderia se afirmar quando o individuo está apático, "aparentemente" com uma inexistência de libido. Neste caso, a libido teria sido transferida para outro lugar, provavelmente para o inconsciente.

Analisando o conceito de libido como "energia" e não como puramente "sexual", Jung concluiu que os impulsos libidinosos da criança não eram correspondentes à função genital como a do adulto, o que invalidaria o conceito Freudiano sobre libido como um fenômeno sexual presente desde a primeira infância; por exemplo, a sucção no ato de mamar.

Jung concluiu que a libido poderia ter várias formas de manifestação. Na infância, ela se manifestaria principalmente através da nutrição, ou seja, a libido da fome, em que a criança, através da sucção, absorve alimento acompanhado de sinais de satisfação. Com o crescimento do indivíduo e o desenvolvimento dos órgãos, a libido buscaria novos caminhos para gerar esta satisfação do desejo. Nesse processo, grande parte da libido de nutrição se converteria em libido sexual e, por conseqüência, a busca de prazer abandonaria a zona oral e procuraria outros órgãos, principalmente outros orifícios do corpo, em seguida a pele e outros lugares.

Jung confrontou o conceito freudiano que afirmava que a criança teria uma sexualidade perversa, originando à idéia que a criança teria uma sexualidade transitória. Desta forma, concluiu que quanto mais rápida e tranqüila for a transferência, mais perfeito seria o desenvolvimento da sexualidade.

JUNG, C.G. Tentativa de apresentação da teoria psicanalítica. In: Freud e a psicanálise. Petrópolis: Vozes, 1989, p. 120-136.

Manifesto Hedonista
Se conseguíssemos imaginar o mal - ou o que nos ensinaram ser o mal - desvinculado de qualquer conotação moral, livre em sua própria magnificência e poder, apartado de todas as camadas de falsos conceitos e maliciosas definições que as metafísicas e as instituições religiosas lhe concederam, um nome - um único nome - surgiria no panteão do pensamento: Sade.

E se pudéssemos sobrepor a esse valor, um outro, e se esse outro valor possuísse, em nossas mentes, os mesmos pré-requisitos que listei acima, então um novo homem e uma nova mulher surgiriam, livres em suas potencialidades, prontos a usufruir o que a natureza lhes concede todos os dias e, ao mesmo tempo, as instituições lhes arrancam. Esse segundo valor, essa segunda força, essa segunda nota musical que, somada à anterior, compõe a sinfonia que flameja no inconsciente de todos, lutando para libertar-se, chama-se sexo.

E se uníssemos esses dois elementos ígneos à personalidade de Sade e ao vigor que suas idéias ainda proclamam, veríamos como o que imaginamos ser liberdade nada mais é do que a concessão que os poderosos nos fazem, em sua mentirosa magnanimidade, a fim de conseguirem que sejamos servos dóceis e submissos, a fim de que trabalhemos para que eles lucrem, a fim de que, canalizando nossas energias para o progresso deles, esqueçamos de buscar o nosso próprio prazer, a nossa própria beleza, a nossa própria felicidade.

Imaginemos um mundo no qual cada ser humano buscasse, sempre em primeiro lugar, apenas o seu prazer. Imaginemos um mundo no qual a primeira lei - poderia ser a única - fosse cada um satisfazer seus próprios anseios, suas próprias necessidades. Imaginemos um mundo onde nosso objetivo fosse fruir e produzir beleza e prazer. O que aconteceria com a ordem vigente? Eu lhes digo: ela ruiria em poucos dias, talvez em poucas horas.

E sabem por quê? Porque a força que garante a ordem desse mundo mesquinho, vingativo e medíocre em que vivemos é, somente, a força de uma única palavra: a palavra não.

Quando nos dizem sim? Quando devemos ser serviçais.
Quando nos apóiam? Quando seguimos as regras.
Quando nos elogiam? Quando agimos como desmemoriados.
Quando nos aprovam? Quando obedecemos.
Quando nos apontam como exemplo? Quando negamos nossos desejos.
Quando batem em nossas costas e dos dizem "muito bem"? Quando somos frígidos, quando somos covardes, quando aceitamos agir como seres assexuados.

As religiões, os Estados e as famílias nos castram e dizemos: amém. Cordeiros é o que somos, nada mais!

Quando diremos sim a nós mesmos? Quando deixaremos que essa chama que vibra em nós na hora da conquista, do assédio, da sedução e da cópula vibre, controle e domine todos os outros momentos de nossas vidas?

O sexo é a verdade, a verdade o sexo. Muitos poucos entenderam, até agora, o que essa frase representa. Pois eu lhes digo: a verdade é tudo. Compreenderam? Ou seja, quando negamos nossas pulsões, quando acorrentamos nossa libido, quando somos tímidos, obedientes e servis, ou seja, quando somos desprezíveis, negamos nossa condição de seres humanos e chafurdamos na mentira que as religiões, os Estados e a família criaram para garantir que um imenso rebanho de idiotas sigam suas regras e sustentem um mundo onde uma pequena minoria usufrui todos os prazeres, enquanto espezinha as cabeças de toda a humanidade.

Busquemos, antes de tudo, o nosso próprio prazer.

Digamos, sempre, sim aos nossos desejos.

Escutemos o que nossos corpos pedem e saíamos às ruas para consegui-lo.

O corpo é o altar da vida. Um altar pagão, onde não deve haver morte, onde não pode existir culpa.

Derrubemos a cruz que os cristãos ergueram no Gólgota para semear a culpa nos corações de toda a humanidade. Quebremos todos os ícones, queimemos todos os códigos, todas as leis, todas as regras.

Há, a partir de hoje, uma única regra: dizer sim - um sim absoluto! - a nós mesmos, aos nossos corpos, aos nossos sonhos, à nossa sede de prazer.

Reconstruamos o mundo a partir de nossa libido e deixemos de ser servos!


Konstantin Gavros

 

Edição 3

Sexualidade



A psicologia tem sido uma importante ciência neste século buscando compreensão do ser humano e sua subjetividade.
Com a compreensão do ser humano, muitas técnicas tem sido desenvolvidas para auxiliar e facilitar a vida das pessoas. Muitas pessoas podem hoje conviver melhor com suas dificuldades e conflitos, auferindo assim o que vida tem de melhor, produzindo menos sofrimento para os relacionamentos humanos.
A Sexualidade é um dos aspectos de maior importância na vida humana. Aspecto facilitador da integração da identidade, a Sexualidade permite o relacionamento interpessoal, a vivência de prazeres e a manutenção da espécie humana sobre a Terra. Enquanto parte da identidade das pessoas, a Sexualidade é um dos pontos que merece atenção e estudo por parte da Psicologia.

Por que estudar a Sexualidade Humana?

Podemos elencar vários aspectos para validar o estudo da Sexualidade Humana pela Psicologia:

1- Obter conhecimentos
- Entender a sexualidade humana permite compreender nosso próprio funcionamento pessoal;
- Permite expandir a percepção dos limites aos quais cada um está confinado por nossas próprias experiências de vida;
- Permite reconhecer os mitos sexuais e diminuir os preconceitos;

2- Desenvolver o Auto-Conceito Sexual Positivo
- O modo pelo qual percebemos a nós mesmos enquanto seres sexuais (auto-identidade sexual) liga-se ao modo pelo qual nos vemos como um todo (identidade total);
- Pessoas que têm uma visão pobre e negativa de si mesmos do ponto de vista sexual tendem a perceber-se negativamente enquanto um todo;
- Um Auto-Conceito Sexual negativo facilita a ocorrência de problemas sexuais (profecias auto-realizáveis);

3- Clarificar valores e ética sexual
- A satisfação sexual nos relacionamentos depende de cada um conhecer seus limites no que se refere aos valores sobre sexo.
- Responder o que se torna mais adequado sexualmente nos relacionamentos depende de clareza quanto ao que consideramos correto (por exemplo: monogamia é preferível? A masturbação é saudável? Quando se deve fazer sexo?...)
- Conhecer os próprios valores sexuais e a origem destes valores, de modo que os princípios que comandam nosso comportamento sejam mais conscientes (ética);

4- Melhorar a comunicação
- Fala-se mais livremente sobre sexo nesta última década, mas muitas pessoas não conseguem conversar sobre aspectos íntimos com quem reparte a vida sexual;
- A comunicação sobre sexo depende de desenvolvimento de vocabulário mais adequado e compreensível pelas pessoas envolvidas;
- Conhecendo vocabulário mais amplo sobre Sexualidade, as pessoas podem conversar mais confortavelmente sobre sexo e de forma mais compreensível para as outras pessoas;
- Estudar a Sexualidade permite que as pessoas possam se expressar mais facilmente sobre a própria sexualidade e, concomitantemente, transformar-nos em pessoas que podem escutar sem julgamentos prévios aos outros que tentam comunicar-se conosco;

5- Para maximizar o prazer sexual
- Sexo é uma importante fonte de prazer para o ser humano. Ao estudarmos a sexualidade humana podemos compreender vários caminhos que podem conduzir à melhoria da obtenção de prazer no sexo;
- Auxilia a compreender nossas próprias respostas sexuais, bem como nossas necessidades e as de nossas parcerias;
- Facilitar a superação de nossas inibições sexuais que tão costumeiramente bloqueiam nosso prazer sexual;
- Ao diminuir nossas ansiedades associadas a mitos sexuais e aos conceitos de normalidade quanto às atividades sexuais, podemos desenvolver uma variedade maior de atividades sexuais e assim aumentar nossas possibilidade de obter prazer com o sexo;

6- Para reconhecer elementos destrutivos nos relacionamentos a dois
- Estudar a Sexualidade e a Expressão Sexual é estudar as emoções humanas e, com isso, pode-se reconhecer os sentimentos e emoções destrutivas dos relacionamentos conjugais: Decepção, Ciúmes, Incesto; Abuso Sexual; Frustrações Sexuais;
- Conhecer o funcionamento sexual implica em poder decidir a possibilidade de ter filhos, em que quantidade e em que momento;
- O conhecimento das funções reprodutoras associadas à sexualidade permite o controle racional e humano da reprodução;

7- Evitação de Doenças Sexualmente Transmissíveis
- Com a diminuição da ansiedade associada ao sexo, providências racionais e tranqüilas podem ser tomadas, permitindo que não haja contágio de doenças sexuais;

8- Compreender e lidar com problemas da resposta sexual
- A maioria de nós deve experienciar, alguma vez na vida, algum tipo de dificuldade sexual. Estudar a sexualidade permite conhecer as possibilidades e reconhecer meios de superar as dificuldades transitórias;
- Permite compreender as causas de problemas sexuais e, assim, assimilar mais adequada e facilmente os caminhos para o melhor tratamento;

9 - Permitir reconhecer e compreender os resultados de pesquisas sobre sexo, exercendo um ponto de vista crítico sobre o que se divulga pela mídia

Darmos atenção à Sexualidade através do estudo de seus vários aspectos pode nos modificar em relação a várias circunstâncias ligadas às atividades sexuais, além melhorar nossa vida sexual e as das pessoas com as quais nos relacionamos quotidianamente.

Se é assim, por que não dar mais atenção à Sexualidade, ficando atentos às informações que recebemos sobre sexo e buscando ler mais a respeito, para ter a chance de uma vida sexual melhor e nos sentirmos melhores enquanto pessoas?

Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr. / CRP 06/20610-7
Diretor e Psicoterapeuta Sexual - Instituto Paulista de Sexualidade
Publicado originalmente no
CEPCoS



Remédio russo contra a impotência

O meu amigo L. esteve recentemente na Rússia e, passando por S. Petersburgo, foi visitar o primeiro Museu Erótico do país, inaugurado em 2004. O museu fica abrigado numa clínica de urologia, dirigida pelo Dr. Igor Kniazkin, urologista e sexólogo, especializado no tratamento da impotência masculina. Consta que o médico possui mais de 12.000 objetos eróticos, mas, nem todos ficam regularmente expostos na clínica: os de maior valor são protegidos por seguros milionários e estão guardados em local apropriado.
Muitos dos objetos são doados por clientes agradecidos, que conhecem as preferências de colecionador do sexólogo.
Dentre os objetos que fazem parte da exposição permanente, está uma coleção de falos de cerâmica e de imagens eróticas, algumas datadas do século XVIII. O catálogo que está à disposição dos visitantes explica que, segundo o ponto de vista do Dr. Kniazkin, o museu, além de ter se transformado num importante ponto turístico, também contribui para ajudar os pacientes a superarem seus problemas sexuais.
Agora, insólito mesmo, é o objeto mais caro do museu, e sua grande atração: o pênis (conservado em solução com álcool) do legendário monge Rasputin, controversa personagem histórica, curandeiro e conselheiro dos últimos czares russos: Nicolau e Alexandra. Rasputin, famoso por sua performance como amante (há quem diga que nem mesmo a czarina escapou) foi morto por ocasião da Revolução Russa. À frente da vitrine onde está exposto, lê-se: " Pênis de Rasputin; assassinado em São Petersburgo na madrugada de 16 para 17 de dezembro de 1916. 28,5cm."
Diz uma lenda urbana russa que só olhar para ele já combate a impotência e torna o observador mais sexy, possibilidade que o Dr. Kniazkin confirma. Diante dos fatos, sugeri ao meu amigo L. sociedade numa agência de turismo com proposta exclusiva: organização de romarias para S. Petersburgo. Embora o remédio seja russo, o negócio parece da china.

Sandra R. S. Baldessin

 

Edição 2 Fantasias Sexuais

As fantasias sexuais deixam o sexo ainda mais quente e apimentado. Quase todas as pessoas têm fantasias; usam a imaginação para incrementar o sexo, abusam das fantasias num mundo onde não existem regras, onde tudo é possível e absolutamente nada é proibido. Nas fantasias somos livres para realizar nossos desejos mais ocultos e ardentes e onde quem tem o controle absoluto somos nós.

Fantasiar é uma prática extremamente saudável e eficaz na hora de melhorar a vida amorosa. Estudos comprovam que as pessoas que fantasiam durante o sexo têm uma vida amorosa muito mais prazerosa do que aquelas que não fantasiam.

Ter fantasias sobre sua parceira atual está dentro das fantasias masculinas mais comuns; seguido de fazer sexo com outra mulher que não sua parceira; dar ou receber sexo oral; sexo com duas ou mais mulheres; assistir aos outros fazendo sexo e /ou se observado; assistir a ela se masturbar para você (ou observá-la escondido); sexo anal; amarrar ou ser amarrado; simular um estupro e fazer sexo com outro homem.

Dentre as fantasias sexuais femininas, as mais comuns são fantasias com seu parceiro atual; fazer sexo com outro homem que não seu parceiro; sexo com outra mulher; algo novo que a mulher gostaria de experimentar como lugares públicos; receber sexo oral; fantasias envolvendo romantismo; ser forçada a fazer sexo; ser considerada irresistível por um homem; trabalhar como uma prostituta e fazer sexo com um estranho.

Mergulhado nesse poço de imaginação, a pessoa deve fazer a distinção entre a fantasia e a realidade. Algumas vezes as fantasias envolvem coisas que não experimentaríamos na vida real. O lado bom da coisa é que quanto mais fantasias sexuais a pessoa tiver, maior será o seu desejo sexual e conseqüentemente melhor o desempenho sexual e afetivo. Dentro delas, a imaginação pode correr livre, leve e solta sem acarretar os problemas e as complicações da vida real.

Gisela Wang
Psicóloga

Mocinhas e Pistoleiras
Mocinhas e pistoleiras são dois dos muitos estereótipos impostos à figura feminina pela teledramaturgia brasileira, representada pelas novel(h)as. Não vamos nem falar nas décadas passadas, onde as “mocinhas” normalmente surgiam como seres dóceis e fúteis, à espera de um suposto príncipe encantado. Ah, e virgens, claro.
Com a passagem dos anos, às “mocinhas” foi concedido um mínimo de liberdade sexual, mas, vale lembrar que elas só davam por amor, embaladas pelo hit romântico do momento, tipo o inesquecível Rock’n roll lullaby.
Essa visão maniqueísta que divide as personagens da dramaturgia na galera do bem e galera do mal persiste, como se fosse possível definir e catalogar gente. As pistoleiras, normalmente, engrossam as fileiras da turma do mal. Todas deixaram de ser virgens na encarnação passada, são infiéis, usam o sexo como instrumento de manipulação, mentirosas sempre, ocasionalmente assassinas, enfim, são apresentadas como mulheres inescrupulosas. A arqui-vilã Nazaré, personagem da atriz Renata Sorrah em “Senhora ‘do destino”, último sucesso global, consolidou essa imagem.
O que me deixa p. da vida é observar que o autor, Agnaldo Silva, com Nazaré acabou reforçando a idéia de que mulher que gosta de sexo é pistoleira. A ofensa mais utilizada contra Nazaré pelas outras personagens da trama, o termo “piranha”, tem uma conotação claramente sexual. A prostituta Nazaré deixava milhares de donas de casa indignadas quando se olhava no espelho, fazia biquinho e dizia pra si mesma: loira gostosa.
Se nesse país a prostituição fosse sindicalizada era caso de processar o autor: onde já se viu botar tamanha pecha na profissão?
A Nazaré era estéril e o autor fez questão que essa esterilidade abrangesse todas as outras áreas de sua vida; é preciso lembrar que segundo dogmas prevalentes em nossa sociedade o sexo guarda um vínculo estreito com a reprodução: a heroína Maria do Carmo tinha cinco filhos (missão cumprida) e a outra mocinha da estória, interpretada por Carolina Dieckman, se divertiu com o namorado durante uns capítulos e logo apareceu grávida, lembram-se? Nazaré era estéril, portanto não tinha licença social para vivenciar sua sexualidade. A maternidade justifica o orgasmo?
Conforme os próprios autores gostam de afirmar, as novelas refletem os cenários sociais. Isso mostra que a mulher que decide vivenciar plenamente sua sexualidade ainda é vista com desconfiança, como uma ameaça ao status quo e, porque não dizer, como uma “piranha”. Não é de admirar, então, que o relatório da sexóloga Carmita Abdo, relate que 53% das mulheres entrevistadas em sua pesquisa afirmem que nunca atingiram o orgasmo. É muito difícil romper o condicionamento cultural, principalmente quando a discriminação ainda predomina, aliada à idolatria da maternidade, que, afinal, sustenta um poderoso dogma religioso, mas isso é tema pra um outro artigo...


Sandra R. S. Baldessin

 

 
Edição 1 Vida dentro do armário

Sexualidade homoerótica ainda é reprimida, apesar de tudo. Uma espiada pelas frestas da porta do armário revela dramas e alegrias humanas de gente como todo mundo... Com preferências, desejos e prazeres - e também dores, conflitos e angústias. Gente que ama, sente e vive o seu prazer como mandam os seus corpos e mentes.

Foi mais difícil no começo, admitir pra mim mesmo que não era igual aos outros. Por algum tempo, me enganei com raciocínios como "é uma fase" ou "se nunca transei com mulheres, não tenho como saber", etc. No entanto, algumas experiências decepcionantes com o sexo oposto me fizeram cair na real. O que facilitou muito a minha vida foi a Internet, onde pude conversar com outros adolescentes que passavam pela mesma situação, mantendo o anonimato.

Foi também graças à Internet que consegui minha primeira experiência homossexual com um rapaz de outra cidade. Não foi muito boa, mas precisava confirmar. Esse negócio de "confirmar" orientação sexual é uma bobagem, percebi, porque muito antes de ter qualquer tipo de contato físico com homens ou mulheres, já sabia do que gostava só de olhar (homens são visuais).

No meu caso, foi mais difícil admitir pra mim mesmo do que para os outros. Uma vez vencidos os meus próprios preconceitos, os dos outros ficaram fáceis. Mas isso porque eu dei sorte, e venho de uma família de pessoas esclarecidas. Meus amigos também aceitaram bem, alguns se afastaram, mas a maioria permanece fiel.

Sei que muitos homossexuais vêm de famílias preconceituosas ou trabalham em ambientes homofóbicos. Nesses casos, o armário é uma prisão segura. Não entendo esse negócio de ter que sair do armário. Vida sexual é um assunto privado, não deveria ser da conta dos outros. Imagine se todo mundo que gosta de apanhar durante o sexo recebesse um rótulo e fosse identificado por ele? "Olha lá, um masoquista!".

Mas o pior é fingir ser o que não é. Por exemplo, o cara pode se casar e ter três filhos, lá pelos 40, vem a crise masculina da meia-idade, ele se pergunta: "O que estou fazendo da minha vida?". Em seguida, começa a freqüentar "saunas masculinas", escondido da esposa. Quanto mais o cara espera, mais difícil fica pra sair. Há muito mais coisas em jogo: emprego, família, reputação. Tenho um amigo de São Paulo que tem 3 filhos. A mulher dele, quando casou, sabia que ele preferia homem, mas eles se casaram assim mesmo. Os filhos sabem da preferência do pai e, pra eles, é normal.

No armário, eu era mais revoltado. Quando se é parte de uma minoria oprimida qualquer, surge um sentimento de cumplicidade com outras minorias na mesma situação. Logo, quando se abandona o preconceito em relação ao próprio desejo, abandonam-se também outros preconceitos, como os de racismo, religiosos, políticos e assim por diante.

JWK, 25 anos, catarinense.

Sexualidade Especial
Juliana Oliveira 28 anos, comunicóloga com habilitação em Publicidade pela UFF / RJ, atualmente faz mestrado em administração no COPPEAD / UFRJ, é tetraplégica, apresentadora do "
Programa Especial" na TVE -RJ.

1- Como ocorreu a lesão? Quantos anos você tinha na ocasião?
Foi um acidente de carro, uma roda de um caminhão que vinha na pista contrária se soltou e veio de encontro ao nosso carro, batendo na minha cabeça. O impacto quebrou meu pescoço. Na ocasião, eu tinha 22 anos.
2 - Qual foi sua reação, quando soube do diagnóstico médico?

Cara, eu não me dei conta, agia como se "estar tetra" fosse estar gripada. Só comecei a perceber quando me carregaram para o primeiro banho na cadeira, quando vi meu corpo.
3 - Como foi o período de aceitação, o que te deu forças para enfrentar a nova realidade?
O que me deu forças para enfrentar a nova realidade, foi a minha família, amigos, amor, o sol. Alguns amigos se afastaram, acho que tem gente que não sabe lidar com diferenças.
4 - Quais as mudanças em relação à sexualidade?
Costumo dizer que o sexo com os cadeirantes é muito mais parecido do que diferente do "tradicional".As pessoas imaginam que é complexo, muito diferente, ou até mesmo que somos assexuados. Claro que cada caso é um caso. Falo de mim e do que sei dos meus amigos. Fazer sexo é sempre bom. Sinto o mesmo desejo de antes e as sensações são até mais intensas. A principal diferença é um trabalho maior do parceiro, que vai me ajudar com as posições...
5 - Como foi sua primeira relação sexual após o acidente?
Foi com um namorado com quem já estava antes do acidente. A relação em si foi ruim. Porque não tínhamos noção das diferenças e ficamos com uma referência antiga.


6 - Você disse que as sensações são até mais intensas, como foi descobrir novos estímulos de sedução?
Maravilhoso! Inicialmente eu achava que todos os olhares eram de pena, até perceber que homens me olhavam com desejo...
7 - Sentir que você pode explorar a sua sexualidade independente da lesão, sentir que você tem o poder de seduzir foi uma forma de libertação?
Com certeza, percebi que a cadeira não me faz menos mulher. Ao contrário, me faz uma mulher forte. Tive que aprender a seduzir na cadeira, ajudar os homens a se aproximarem, porque a cadeira sempre é um objeto incomum. 8 - Você disse que a primeira relação sexual após o acidente não foi boa, porque vocês se baseavam em uma referência antiga. E agora como é a relação sexual, quais as novas possibilidades descobertas de sentir prazer?
Tudo pode gerar prazer, até a intensidade de um olhar. Agora preciso estar mais "atenta" na hora do sexo, porque a sensibilidade tradicional fica reduzida, isso aumenta a sensação interna.
9 - Na sua opinião, a desinformação dificulta a expressão da sexualidade do deficiente?
Acho que sim, preconceito = desinformação. Acho muito importante desmistificar esses tabus. O
programa que apresento na TVE tem o objetivo de incluir as pessoas com deficiências através de comunicação, é um programa informativo e agradável, além de ser um trabalho extremamente gratificante.
10- Quem você era antes e depois do acidente, o que mudou?
Hoje tento ser menos preconceituosa e acho que consigo ser mais tolerante com as diferenças. Sou mais tranqüila e calma com a vida, tenho muito mais idéias, criatividade. Fico feliz com pequenos detalhes, por exemplo, fico feliz quando faz sol.
11 - Quais as dicas que você gostaria de dar para pessoas que passaram pelo mesmo trauma, e a seus familiares, principalmente para desmistificar a sexualidade?
Fazer terapia é muito bom, sobretudo a reichiana, que trabalha o corpo, mas principalmente olhar seu corpo, se gostar, se achar bonito, descobrir suas belezas e sair!
12 - Para retomar a autoconfiança é importante à reintegração social, sair com amigos, namorar, ter uma vida social ativa?
É sim, tem que se expor, mostrar para os amigos que você continua podendo sair, namorar, beber, dançar, mostrar que continua viva, mais que isso, que continua ativa. Poder amar e ser amada, pois o amor é tudo na vida.

 
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