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| Edição 5 |
Segundo Westen, o tema voyeur é popular na arte rococó francesa do século XVIII. Uma jovem em um balanço é retratada na área central do quadro, cercada por roseiras e árvores imensas. Ao fundo um homem a balança, e mais a frente um outro homem o "voyeur" camuflado entre os arbustos a observa. No retrato, é enfatizado no momento em que o balanço atinge o seu ponto mais alto, permitindo ao espectador vislumbrar o que está por baixo de suas anáguas. São perceptíveis os olhos, tanto da jovem como do voyeur, ela olha para ele e ele olha para o que está oculto sobre as anáguas. Outros elementos no quadro também simbolizam o voyeurismo, os dois cupidos posicionados acima de um golfinho, um dos quais está olhando para ela. Golfinhos, na mitologia clássica, puxavam a carruagem de Vênus, a deusa do amor. A origem do quadro é mencionada no diário do francês Collé, onde consta o caso do pintor Doyen, que teria sido abordado por um barão para pintar a "Madame", sua amante, em um balanço movimentado por um bispo, na qual o barão deveria ser retratado de tal modo que pudesse ver as pernas da moça. Doyen, contudo recusou o encargo e o encaminhou para Fragonard, considerado na época o "querubim da pintura erótica". Fragonard aceitou o trabalho, mas limitou-se a retratar um leigo em lugar do bispo. Westen afirma que, na arte, o motivo do voyeurismo, é comumente combinado com o namoro, o jardim do amor, o balanço e outros elementos do cenário, constituindo uma longa tradição na arte européia, e este retrato de Fragonard não é uma exceção. Inserir o balanço na natureza garante um ambiente de intimidade, onde o voyeur vê algo que os demais não podem ver. A mulher sabe que está sendo observada, sugerindo o desejo de ser vista. Fragonard, desta forma, expressou no mesmo quadro o desejo de ser vista e o desejo de ver, onde o desvelo calculado do corpo feminino aos olhos do voyeur é o tema central que confirma o caráter sexual do retrato. "A divisão sexual específica do observar e ser observado é inerente ao equilíbrio social de poder entre homens e mulheres. Tal atribuição é baseada em concepções de sexualidade, feminilidade e masculinidade que, em minha opinião, são mutáveis e não determinadas por diferenças biológicas". (WESTEN, 104:1995) Westen conclui com uma reflexão sobre o papel do homem, ao qual ela atribui um significado possível do personagem encontrar-se à mercê do desejo de ser vista pela personagem feminina. O personagem do voyeur mostrou-se um admirador ajoelhado suplicando para ver o que há por baixo das anáguas. Este retrato pode ser considerado, segundo a autora, uma crítica ou uma ironia sobre o voyeurismo dos olhares masculinos de soslaio.
Mídia e Sexo: as colunas sobre sexualidade enquanto concretização da busca da satisfação Conforme filósofo Charles S. Peirce (1839-1914), a inteligência humana se traduz em nossa capacidade inata de aprendizagem e tendência contínua ao aperfeiçoamento. Essa tendência pode se concretizar tanto na mais individual e trivial atividade - cortar caminho para gastar menos energia - como nas mais complexas, por exemplo, a união de líderes de estado em prol da miséria no mundo. Mas nem sempre nossas idéias se atualizam nos melhores rumos, há enganos terríveis, a censura e os genocídios promovidos por causas santas ilustram bem essas falhas. No sexo não é diferente, todos queremos, de acordo com nossas capacidades e ambições, melhorar em algum aspecto (físico, psíquico, ambos), pelo menos até chegarmos em um patamar que consideramos satisfatório. Neste artigo pretendo mostrar como as colunas tipo perguntas-e-respostas sobre sexo das revistas Claudia e Playboy (ambas da Abril), contribuem para o desenvolvimento da idéia de sexualidade e podem ser consideradas, portanto, como um dos modos de concretização da tendência ao aperfeiçoamento de que fala Peirce. Ao colocar em circulação temas relativos ao sexo, as colunas indicam um amadurecimento da sociedade no tratamento do tema em relação a tempos passados, nos quais a informação produzida era mínima e fundada em preceitos religiosos. Sobre o percurso: passarei por alguns fatos relativos a Idade Média e início da modernidade para em seguida tratar das revistas. A Igreja, durante a época Medieval, viu na restrição do sexo à procriação um dos modos de estar em conformidade com Deus. Certamente, este foi um caminho errôneo o qual limitou (senão proibiu) a felicidade de muitos. Conforme a prof.a. Ângela Mendes de Almeida, de fins da Idade Média até os primeiros séculos da modernidade, a Igreja manteve uma forte preocupação quanto à vida íntima dos casais. Pois os clérigos julgavam o sexo lícito somente se o ato tivesse como meta a procriação; o próprio casamento só tinha razão de ser por sua função reprodutora. Assim, qualquer ação que previsse apenas o "deleite" (sem objetivo de procriar) era considerada pecaminosa, mesmo sendo entre casados. Os "tocamentos" (entenda-se masturbação), dele ou dela, seriam admitidos apenas "se dados em sinal de amor" e nos casos em que antecedesse a cópula; do contrário, era considerado "pecado venial" e, se os toques provocassem a "polução" (ejaculação), aí sim o fiel teria realmente que se preocupar, pois seu ato seria enquadrado como pecado mortal. A fim de propiciar maiores chances de fecundação, os padres empenharam-se até em estudar e recomendar posições mais adequadas para o ato sexual. Segundo os eclesiásticos, o homem deveria ficar por cima, para que "emitisse o sêmen dentro do vaso natural da mulher". Outro ponto curioso de intervenção da Igreja sobre a vontade dos cristãos era o "débito conjugal". Estaria em débito o cônjuge que se opusesse a solicitação do parceiro para o sexo: isso valia tanto para o homem quanto para a mulher. Só não estaria pecando aquele que negasse o coito alegando uma das justificativas previstas também pela igreja, "tais como a menstruação, o parto recente ou - e isto servia para os dois cônjuges - uma doença contagiosa qualquer". Em contraste às manifestações de repressão sexual medievais, temos hoje uma quantidade enorme de informação correndo livremente, fornecida pelos veículos de comunicação e, com isso, dispomos de liberdade de escolha quanto aos caminhos a tomar e em que acreditar. Exemplo da disponibilidade de livre informação acerca da sexualidade são as colunas de perguntas-e-respostas oferecidas em revistas masculinas e femininas, que podem ser adquiridas em qualquer banca. A dinâmica nas revistas funciona assim: os interessados mandam suas dúvidas (por carta ou e-mail) e obtêm a avaliação de um especialista nas edições seguintes. Guardadas as particularidades com que abordam o tema (Playboy mais descontraída, Claudia mais austera), essas revistas contribuem para o crescimento da idéia de sexualidade, o que, sem dúvida, se mostra benéfico, pois é só através do exame e ampliação do tema que podemos identificar o que é saudável e aprazível e o que precisa ser superado. Quanto mais se discutir, melhor. Mas, além do óbvio trabalho de aconselhamento que desempenham, tratando incisivamente das variadas hesitações dos leitores, as colunas podem ser consideradas indício de amadurecimento da compreensão e tratamento de nossa sexualidade. Em que outro período homens e mulheres tiveram à sua disposição um veículo público com o qual pudesse dialogar livremente (sem serem repreendidos) a respeito de detalhes de sua vida íntima? Hoje, há rapazes perguntando a revista qual posição sexual dará mais prazer a sua namorada, e outros pedindo indicações de como tratar a ejaculação precoce. Mulheres querendo orientações sobre a prática de swing (troca de casais), ou alegando falta de desejo pelo marido. Ou seja, a intimidade sexual, que em tempos medievais deveria passar pelo crivo ameaçador dos eclesiásticos, porque fundados em saberes (ditos) divinos, atualmente amadureceu e encontrou na esfera pública (mídia) um certo abrigo, uma espécie de amigo a quem recorrer sem o risco de ser desqualificado. Ao exporem seus problemas e dúvidas às revistas, os leitores mostram que aprenderam que o melhor caminho para atingir a satisfação é conversar, é debater as questões que consideram relevantes. Se as revistas não são o meio mais adequado ou eficaz para sanar os males que ainda nos rondam, ao menos tornam públicos atos individuais de pessoas interessadas em se aperfeiçoar e despertam, talvez, em outras pessoas, o desejo de também refletir a respeito de sua vida afetiva e sexual. Não podemos concluir que os problemas referentes ao sexo estão resolvidos, ou próximos disto, pois a satisfação é sempre momentânea e delicada, sujeita a revisões que podem implicar um novo movimento em busca de um patamar mais elevado de satisfação, e assim por diante (isso vale para todas as áreas do comportamento humano). Mas percebemos que o melhor caminho para concretizar nossa tendência natural ao aperfeiçoamento é darmos continuidade a produção e debate de idéias. Portanto, que a informação circule e cresça!
ALMEIDA, Ângela Mendes de. O Gosto do Pecado: casamento e sexualidade nos manuais de confessores dos séculos XVI e XVII. Rio de Janeiro: Rocco, 1993. TALESE, Gay. A Mulher do Próximo. Rio de Janeiro: Record, 1980. FOUCAULT, Michel. Sobre a História da Sexualidade. In: Microfísica do Poder. São Paulo: Edições Graal, 2003. Mauricio José Melim é Bacharel em Comunicação Social
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| Edição 4 | Primeiras
mutações Junguianas no conceito de libido
O propósito desta resenha é
apresentar as primeiras divergências no pensamento de Jung sobre
as idéias de Freud a respeito do conceito de libido, conforme expostas
na terceira de suas nove conferências proferidas na Fordham University,
Nova Iorque, setembro de 1912. Vale notar que as idéias expostas
nessa conferência representam suas primeiras análises sobre
um tema que desenvolveria extensamente ao longo de sua vida. Jung concluiu que a libido poderia ter
várias formas de manifestação. Na infância,
ela se manifestaria principalmente através da nutrição,
ou seja, a libido da fome, em que a criança, através da
sucção, absorve alimento acompanhado de sinais de satisfação.
Com o crescimento do indivíduo e o desenvolvimento dos órgãos,
a libido buscaria novos caminhos para gerar esta satisfação
do desejo. Nesse processo, grande parte da libido de nutrição
se converteria em libido sexual e, por conseqüência, a busca
de prazer abandonaria a zona oral e procuraria outros órgãos,
principalmente outros orifícios do corpo, em seguida a pele e outros
lugares. JUNG, C.G. Tentativa de apresentação da teoria psicanalítica. In: Freud e a psicanálise. Petrópolis: Vozes, 1989, p. 120-136. Manifesto Hedonista E se uníssemos esses dois elementos ígneos à personalidade de Sade e ao vigor que suas idéias ainda proclamam, veríamos como o que imaginamos ser liberdade nada mais é do que a concessão que os poderosos nos fazem, em sua mentirosa magnanimidade, a fim de conseguirem que sejamos servos dóceis e submissos, a fim de que trabalhemos para que eles lucrem, a fim de que, canalizando nossas energias para o progresso deles, esqueçamos de buscar o nosso próprio prazer, a nossa própria beleza, a nossa própria felicidade. Imaginemos um mundo no qual cada ser humano buscasse, sempre em primeiro lugar, apenas o seu prazer. Imaginemos um mundo no qual a primeira lei - poderia ser a única - fosse cada um satisfazer seus próprios anseios, suas próprias necessidades. Imaginemos um mundo onde nosso objetivo fosse fruir e produzir beleza e prazer. O que aconteceria com a ordem vigente? Eu lhes digo: ela ruiria em poucos dias, talvez em poucas horas. E sabem por quê? Porque a força que garante a ordem desse mundo mesquinho, vingativo e medíocre em que vivemos é, somente, a força de uma única palavra: a palavra não. Quando nos dizem sim? Quando devemos ser serviçais. As religiões, os Estados e as famílias nos castram e dizemos: amém. Cordeiros é o que somos, nada mais! Quando diremos sim a nós mesmos? Quando deixaremos que essa chama que vibra em nós na hora da conquista, do assédio, da sedução e da cópula vibre, controle e domine todos os outros momentos de nossas vidas? O sexo é a verdade, a verdade o sexo. Muitos poucos entenderam, até agora, o que essa frase representa. Pois eu lhes digo: a verdade é tudo. Compreenderam? Ou seja, quando negamos nossas pulsões, quando acorrentamos nossa libido, quando somos tímidos, obedientes e servis, ou seja, quando somos desprezíveis, negamos nossa condição de seres humanos e chafurdamos na mentira que as religiões, os Estados e a família criaram para garantir que um imenso rebanho de idiotas sigam suas regras e sustentem um mundo onde uma pequena minoria usufrui todos os prazeres, enquanto espezinha as cabeças de toda a humanidade. Busquemos, antes de tudo, o nosso próprio prazer. Digamos, sempre, sim aos nossos desejos. Escutemos o que nossos corpos pedem e saíamos às ruas para consegui-lo. O corpo é o altar da vida. Um altar pagão, onde não deve haver morte, onde não pode existir culpa. Derrubemos a cruz que os cristãos ergueram no Gólgota para semear a culpa nos corações de toda a humanidade. Quebremos todos os ícones, queimemos todos os códigos, todas as leis, todas as regras. Há, a partir de hoje, uma única regra: dizer sim - um sim absoluto! - a nós mesmos, aos nossos corpos, aos nossos sonhos, à nossa sede de prazer. Reconstruamos o mundo a partir de nossa libido e deixemos de ser servos!
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| Edição 3 | Sexualidade Podemos elencar vários aspectos para validar o estudo da Sexualidade Humana pela Psicologia: 1- Obter conhecimentos 2- Desenvolver o Auto-Conceito Sexual Positivo
3- Clarificar valores e ética sexual 4- Melhorar a comunicação 5- Para maximizar o prazer sexual 6- Para reconhecer elementos destrutivos nos relacionamentos
a dois 7- Evitação de Doenças Sexualmente
Transmissíveis 8- Compreender e lidar com problemas da resposta
sexual 9 - Permitir reconhecer e compreender os resultados de pesquisas sobre sexo, exercendo um ponto de vista crítico sobre o que se divulga pela mídia Darmos atenção à Sexualidade através do estudo de seus vários aspectos pode nos modificar em relação a várias circunstâncias ligadas às atividades sexuais, além melhorar nossa vida sexual e as das pessoas com as quais nos relacionamos quotidianamente. Se é assim, por que não dar mais atenção à Sexualidade, ficando atentos às informações que recebemos sobre sexo e buscando ler mais a respeito, para ter a chance de uma vida sexual melhor e nos sentirmos melhores enquanto pessoas? Psic. Oswaldo M. Rodrigues Jr. / CRP 06/20610-7
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| Edição 2 | Fantasias
Sexuais As fantasias sexuais deixam o sexo ainda mais quente e apimentado. Quase todas as pessoas têm fantasias; usam a imaginação para incrementar o sexo, abusam das fantasias num mundo onde não existem regras, onde tudo é possível e absolutamente nada é proibido. Nas fantasias somos livres para realizar nossos desejos mais ocultos e ardentes e onde quem tem o controle absoluto somos nós. Fantasiar é uma prática extremamente saudável e eficaz na hora de melhorar a vida amorosa. Estudos comprovam que as pessoas que fantasiam durante o sexo têm uma vida amorosa muito mais prazerosa do que aquelas que não fantasiam. Ter fantasias sobre sua parceira atual está dentro das fantasias masculinas mais comuns; seguido de fazer sexo com outra mulher que não sua parceira; dar ou receber sexo oral; sexo com duas ou mais mulheres; assistir aos outros fazendo sexo e /ou se observado; assistir a ela se masturbar para você (ou observá-la escondido); sexo anal; amarrar ou ser amarrado; simular um estupro e fazer sexo com outro homem. Dentre as fantasias sexuais femininas, as mais comuns são fantasias com seu parceiro atual; fazer sexo com outro homem que não seu parceiro; sexo com outra mulher; algo novo que a mulher gostaria de experimentar como lugares públicos; receber sexo oral; fantasias envolvendo romantismo; ser forçada a fazer sexo; ser considerada irresistível por um homem; trabalhar como uma prostituta e fazer sexo com um estranho. Mergulhado nesse poço de imaginação,
a pessoa deve fazer a distinção entre a fantasia e a realidade.
Algumas vezes as fantasias envolvem coisas que não experimentaríamos
na vida real. O lado bom da coisa é que quanto mais fantasias sexuais
a pessoa tiver, maior será o seu desejo sexual e conseqüentemente
melhor o desempenho sexual e afetivo. Dentro delas, a imaginação
pode correr livre, leve e solta sem acarretar os problemas e as complicações
da vida real. Mocinhas e Pistoleiras
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| Edição 1 | Vida
dentro do armário Sexualidade homoerótica ainda é reprimida, apesar de tudo. Uma espiada pelas frestas da porta do armário revela dramas e alegrias humanas de gente como todo mundo... Com preferências, desejos e prazeres - e também dores, conflitos e angústias. Gente que ama, sente e vive o seu prazer como mandam os seus corpos e mentes. Foi mais difícil no começo, admitir pra mim mesmo que não era igual aos outros. Por algum tempo, me enganei com raciocínios como "é uma fase" ou "se nunca transei com mulheres, não tenho como saber", etc. No entanto, algumas experiências decepcionantes com o sexo oposto me fizeram cair na real. O que facilitou muito a minha vida foi a Internet, onde pude conversar com outros adolescentes que passavam pela mesma situação, mantendo o anonimato. Foi também graças à Internet que consegui minha primeira experiência homossexual com um rapaz de outra cidade. Não foi muito boa, mas precisava confirmar. Esse negócio de "confirmar" orientação sexual é uma bobagem, percebi, porque muito antes de ter qualquer tipo de contato físico com homens ou mulheres, já sabia do que gostava só de olhar (homens são visuais). No meu caso, foi mais difícil admitir pra mim mesmo do que para os outros. Uma vez vencidos os meus próprios preconceitos, os dos outros ficaram fáceis. Mas isso porque eu dei sorte, e venho de uma família de pessoas esclarecidas. Meus amigos também aceitaram bem, alguns se afastaram, mas a maioria permanece fiel. Sei que muitos homossexuais vêm de famílias preconceituosas ou trabalham em ambientes homofóbicos. Nesses casos, o armário é uma prisão segura. Não entendo esse negócio de ter que sair do armário. Vida sexual é um assunto privado, não deveria ser da conta dos outros. Imagine se todo mundo que gosta de apanhar durante o sexo recebesse um rótulo e fosse identificado por ele? "Olha lá, um masoquista!". Mas o pior é fingir ser o que não é. Por exemplo, o cara pode se casar e ter três filhos, lá pelos 40, vem a crise masculina da meia-idade, ele se pergunta: "O que estou fazendo da minha vida?". Em seguida, começa a freqüentar "saunas masculinas", escondido da esposa. Quanto mais o cara espera, mais difícil fica pra sair. Há muito mais coisas em jogo: emprego, família, reputação. Tenho um amigo de São Paulo que tem 3 filhos. A mulher dele, quando casou, sabia que ele preferia homem, mas eles se casaram assim mesmo. Os filhos sabem da preferência do pai e, pra eles, é normal. No armário, eu era mais revoltado. Quando se é parte de uma minoria oprimida qualquer, surge um sentimento de cumplicidade com outras minorias na mesma situação. Logo, quando se abandona o preconceito em relação ao próprio desejo, abandonam-se também outros preconceitos, como os de racismo, religiosos, políticos e assim por diante. JWK, 25 anos, catarinense. Sexualidade EspecialJuliana Oliveira 28 anos, comunicóloga com habilitação em Publicidade pela UFF / RJ, atualmente faz mestrado em administração no COPPEAD / UFRJ, é tetraplégica, apresentadora do "Programa Especial" na TVE -RJ. 1- Como ocorreu a lesão? Quantos anos você
tinha na ocasião?
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