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Edição 35

SEXO: ATÉ QUANDO?
por Tate Fish

Old Couple - arte sexualidade
Old Couple (1995) por Luis Bitencourt

Até a primeira metade do século XX, as pessoas de meia-idade eram consideradas praticamente assexuadas. Dizia-se ser uma faixa etária que já não mais se interessava por sexo. Nos dias atuais, o quadro modificou-se bastante. Homens e mulheres na faixa dos 40 aos 60 anos, e arrisco-me a dizer que também, parte dos que já passaram dos 70, mantêm uma vida sexual muito mais ativa do que a que tinham seus pais na mesma idade. Vivendo numa sociedade menos preconceituosa, e numa fase de avanços da medicina, os "coroas" estão mais preocupados em manter a saúde e mais dispostos a procurar e encontrar sexo de qualidade. Além dos avanços da medicina, eles contam como aliados a indústria de cosméticos, que cada vez mais ampliam as possibilidades de tratamentos anti-envelhecimento e uma infinidade de produtos que ajudam a manter a beleza e a forma de maneira segura e saudável.

A medicina já oferece os medicamentos contra disfunção erétil e frigidez, terapias de reposição hormonal e tratamentos psicológicos com terapeutas sexuais. Na indústria de cosméticos encontram-se cremes, ácidos, e outras substâncias que agem no rejuvenescimento da pele. Além de tudo isso, as possibilidades de lipoaspiração, plástica, esportes, dietas, ginástica, vestuário, etc., só complementam o arsenal contra a velhice e a baixa auto-estima de quem passou dos 40. Pronto. A velhice está adiada.

Contudo, não podemos esquecer que é preciso manter a jovialidade, também, e principalmente, no cérebro. A realização e a satisfação pessoal começam quando estamos de bem conosco, o que é fundamental para alicerçar todo o aparato tecnológico que "corrige" o envelhecimento externo.

A era "pós-Viagra" trouxe novos tratamentos para melhorar o desempenho sexual de homens e mulheres que passaram dos 40 anos. Estudos realizados pelo médico americano Michael Roizen, da Universidade de Chicago, afirma que é possível atrasar o relógio biológico do ser humano, adotando uma dieta e estilo de vida saudáveis. A teoria desenvolvida por Roizen, está sendo adaptada por outros especialistas com o objetivo de manter e prolongar a saúde sexual de homens e mulheres.

Além do Viagra existem outros tratamentos dirigidos às mulheres, com base no restabelecimento da normalidade hormonal e o estímulo da disposição sexual. A reposição hormonal, que podemos considerar um grande avanço, está sendo refinada agora, com as técnicas inovadoras que estimulam a produção natural desses hormônios, o que evita os efeitos colaterais da reposição artificial. Além dos hormônios femininos, estrógeno e progesterona, as terapias mais modernas para mulheres adotam a reposição do hormônio masculino, a testosterona, em pequena quantidade, pois, segundo especialistas, a junção do estrógeno com a testosterona melhora o desempenho sexual e a libido.

Para aqueles que apresentam bloqueios psicológicos, existem medicamentos que não mais inibem a libido como os de antigamente, já que boa parte das disfunções sexuais na idade adulta é causada por depressão, ansiedade ou stress. Os terapeutas sexuais já podem contar com remédios novos que não prejudicam o desejo sexual.

Resumindo:
Para os Homens:
" Reposição hormonal
" Antidepressivos
" Drogas contra impotência

Para as Mulheres:
" Reposição hormonal
" Antidepressivos
" Novos Anticoncepcionais

Cartilha da Gestante

Ligadura de trompas

" A ligadura de trompas é uma forma definitiva de evitar uma gravidez e exige uma cirurgia para a sua realização. Ela só deve ser feita se você tiver certeza de que não quer mais engravidar;
" O período da gravidez e parto não é o melhor momento para decidir sobre a ligadura de trompas, porque você estará muito envolvida pelas emoções da chegada do bebê;
" A nova lei sobre planejamento familiar permite a realização da ligadura em mulheres com mais de 25 anos ou com mais de dois filhos. Mas a ligadura não poderá ser feita logo após o parto ou a cesárea, a não ser que você tenha algum problema grave de saúde ou tenha feito várias cesarianas.

Fazer uma cesariana para realizar ligadura de trompas é contra a lei e é um risco desnecessário à sua saúde. Não caia nessa!
" Antes de decidir pela ligadura de trompas, você tem o direito de ser informada sobre todos os outros métodos para evitar uma gravidez. Pense bem antes de decidir. Ligadura é para sempre!

Se você decidir ligar as trompas, saiba que a ligadura pode ser feita GRATUITAMENTE nos hospitais públicos e conveniados ao SUS.
Não aceite nenhum tipo de cobrança para a realização da ligadura de trompas. Assim como o planejamento familiar, o pré-natal e o parto, este é um direito seu!


SE VOCÊ ESTIVER ABORTANDO, LEMBRE-SE:

" Você tem o direito de ser atendida imediatamente e de maneira respeitosa, sem recriminações ou críticas;
" Durante o atendimento, você deve ser esclarecida sobre todos os tratamentos propostos;
" Você tem o direito de receber anestesia para tratamento do aborto;
" Você tem o direito de ser informada sobre onde buscar ajuda nos casos de complicações pós-aborto;

ATENÇÃO!

Caso a gravidez coloque a sua vida em risco ou se você foi estuprada e engravidou:
" Nos casos de estupro você tem direito a atendimento especial e pode solicitar a interrupção da gravidez, sem precisar de autorização de juiz. É recomendável que você faça o "Boletim de Ocorrência" na delegacia, logo após ter sofrido o abuso sexual;
" Nestes casos, procure a unidade ou a Secretaria de Saúde de seu município para que lhe indiquem os hospitais que realizam este tipo de atendimento;
" Nos casos de risco de vida para você, a equipe de saúde deverá informá-la de forma simples e clara sobre os riscos e, caso você concorde, poderá ser solicitada a interrupção da gravidez;
" Nestas situações você tem o direito de realizar o aborto gratuitamente, de forma segura e com um atendimento respeitoso e digno.


O PAI TAMBÉM TEM DIREITOS NOS SERVIÇOS DE SAÚDE


" A participar do pré-natal. Isto pode ser muito importante para você, para ele e para o bebê;
" A ter suas dúvidas esclarecidas sobre a gravidez, sobre o relacionamento com a mulher e sobre os cuidados com o bebê. Ele não é apenas o seu acompanhante, mas é também o pai da criança que vai nascer;
" A ser informado sobre como a gravidez está evoluindo e sobre qualquer problema que possa aparecer;
" Na época do parto, a ser reconhecido como PAI e não como "visita" nos serviços de saúde;
" A ter acesso facilitado para acompanhar você e o bebê a qualquer hora do dia;
" É importante que o pai vá com você na consulta pós-parto, para receber as informações e orientações sobre contracepção e prevenção de doenças transmitidas em relação sexual e AIDS. Paricipar é fundamental!

A participação do pai durante a gravidez, parto e pós-parto é um direito que deve ser exercido.

Fonte: Site do Ministério da Saúde - www.saude.gov.br

Dica de Leitura - Sexo e Amor na Terceira Idade
ROBERT N. BUTLER

Butler e Lewis derrubam tabus e aprovam que o sexo e a sexualidade são experiências prazerosas, gratificantes e altamente saudáveis, após os 60 anos. É a época em que o ser humano possui maior experiência e disponibilidade de tempo para poder, apesar das dificuldades naturais, usufruir de uma vida sexual positiva.

Sexo na terceira idade - dica de leitura sexualidade
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Edição 34

Entrevista com Jozé de Abreu

por Géssica Hellmann

arte sexualidade
Foto por Jozé de Abreu

Géh - Perfil pessoal: Quem é Jozé de Abreu? Há quanto tempo está no ramo da fotografia? Pode falar sobre sua trajetória?

Jozé de Abreu: Poxa, se você me disser quem sou eu, ficarei eternamente agradecido. Pergunta difícil, moça. Sou ator de muitos papéis, malabarista por necessidade, gozador por opção, cheio de dúvidas e dívidas, como todo brasileiro que já passou dos 50. Tenho mulher, filhos, uma casa e muitos livros. Sou um privilegiado!

A fotografia entrou muito cedo em minha vida. Meu avô tinha uma coleção de daguerreótipos e cartões-postais franceses do início do século passado, com belas mulheres nuas. Eu era menino ainda e ele me mostrava às escondidas. Deve ter vindo daí meu interesse pela fotografia erótica. Mas só comecei a fotografar aos 25 anos, quando comprei minha primeira câmera.

Tem uma coisa que faço questão de deixar claro: não sou fotógrafo profissional. Raramente ganho dinheiro com minhas fotos.

Géh - Erotismo nos meios de comunicação: Fala-se muito sobre uma erotização crescente da exibição do corpo feminino por parte dos meios de comunicação brasileiros. Você concorda com essa visão? Em caso positivo, a que você atribui esse fenômeno? Em caso negativo, o que você diria sobre esse assunto?

Jozé de Abreu: Existe, sim, mas o fenômeno não é novo nem se restringe ao Brasil. Erotismo vende e a lógica da mídia ocidental é, obviamente, capitalista. Há mais de 30 anos, as Chacretes já faziam as delícias dos marmanjos rebolando aquelas bundas imensas na TV, em pleno sábado à tarde. Acho que às vezes rola um certo exagero na TV aberta, mas os códigos de auto-regulamentação são eficientes e terminam ajustando as coisas. Na verdade, não acho que essa seja uma questão muito importante. Pior, bem pior, é a banalização do mal, da violência. Prefiro ter filhos erotizados do que ter filhos bandidos.

Géh - Fronteiras entre erotismo e pornografia: A discussão sobre os limites entre "erotismo" e "pornografia" é um tema recorrente. Um exemplo é o de uma campanha humorística na web que exibia um banner com os dizeres "Abaixo as fotos sensuais! Quero ver mulher pelada". Como diferenciar o que é o "nu artístico", a "fotografia erótica" e a "fotografia pornográfica"? Como fotógrafo, qual a sua opinião sobre o limite entre arte e pornografia?

Jozé de Abreu
: Essa é uma discussão estéril. A fronteira entre o erótico e o pornográfico é difusa, subjetiva e pessoal. Muda de acordo com a época, com a cultura. Durante a ditadura, era proibido mostrar os mamilos e os pelos pubianos. As modelos que saiam na Playboy não tinham pentelhos nem mamilos, pareciam umas "Barbies". Hoje a Playboy é lida até em sala de espera de dentista e ninguém engasga com os pentelhos.

Acho a expressão "nu artístico" muito pedante. Qual seria o oposto do nu artístico? "Artístico" aí é usado como sinônimo de bom gosto e, nós sabemos, o bom gosto é socialmente determinado. Nem toda nudez tem apelo sexual. Por exemplo, as fotos do Spencer Tunik, aquele que fotografa um monte de gente nua amontoada nas ruas, não são eróticas, nem pornográficas. São políticas.

Mas, vamos lá! Do ponto de vista de quem consome: Pornográfica é a foto que você não se sente à vontade de admirar junto com seus pais ou com seus filhos. Do ponto de vista de quem produz: a foto é pornográfica quando tem a intenção de provocar excitação sexual. Pelo menos, essa é a distinção que me ocorre no momento.

arte sexualidade
Foto por Jozé de Abreu

Géh - Pornografia e Internet: Recentemente, a Internet deu novo fôlego à indústria pornográfica, que fatura hoje pelo menos vinte vezes mais do que nas décadas de 1980 e de 1990. Agora se pode ter acesso a imagens e vídeos de sexo com um simples clique do mouse. A que você atribui esta incrível demanda?

Jozé de Abreu: De certo modo, a Internet democratizou o acesso a esse tipo de material. E as páginas com conteúdo sexual são realmente as campeãs de acesso. Acho que isso se deve a vários fatores. A maioria dos internautas é jovens, esse é o primeiro ponto. Outro aspecto importante é que a Internet permite que as pessoas acessem esse tipo de material sem se exporem, sem ter que ir à banca de revista ou à locadora de vídeo.

Géh - Masturbação: Percebe-se na mídia a crescente busca por imagens do corpo nu erotizado, atividades sexuais, com finalidade primariamente masturbatória. Na sua opinião o público masculino ainda é o maior consumidor neste mercado?

Jozé de Abreu: O público masculino ainda é maioria, mas isso vem mudando. É cada dia maior o número de mulheres que consomem material pornográfico. As estatísticas dos sites pagos mostram isso claramente. O número de assinantes do sexo feminino vem aumentando consistentemente.

Géh - Influência social da pornografia: Existem opiniões contraditórias sobre a pornografia em geral. Alguns sugerem que há uma relação entre pornografia e estupro, e outras formas de violência. Já a escritora Wendy McElroy afirma que: "Ela estimula fantasias sexuais. Ensina a pessoa a ter prazer no sexo". Para outros, a pornografia incentiva a tratar o sexo com franqueza. "A pornografia beneficia as mulheres", diz a escritora. Qual a sua visão sobre a influência social da pornografia?

Jozé de Abreu: Concordo com a Wendy. A pornografia é necessária e desejável. Ela confronta as pessoas com suas próprias fantasias, faz com que o homem ou mulher constate que não está sozinho em suas esquisitices, que existem outras pessoas que compartilham os mesmos gostos e interesses. A pornografia tem um lado educativo também. Mas é preciso ter em mente que os filmes pornográficos são ficção. Quem assiste ao Homem Aranha não sai por aí tentando saltar entre os edifícios. Do mesmo modo, quem assiste filme pornô não deve tomar o desempenho dos atores e atrizes como referência para seu próprio desempenho.

Géh - Vício Pornográfico: Nem todo mundo que vê pornografia ficará viciado. Alguns, talvez, apenas ficarão com algumas idéias distorcidas sobre mulher, sexo, casamento e crianças. Porém, outros terão algum tipo de abertura emocional que permitirá que o vício tome lugar. A pornografia pode distorcer o conceito que a pessoa tem sobre o sexo oposto?

Jozé de Abreu: Claro que pode. Toda mídia tem essa capacidade de distorcer conceitos e percepções. Portanto, não é só a pornografia que pode levar a uma visão distorcida do outro. Os programas de auditório, por exemplo, fazem isso de forma muito mais eficiente.

Géh - A Estética do belo: Na sua opinião, como apreciador da fotografia, gostaria que abordasse a "estética do belo" na fotografia primeiramente:

- Num conceito geral sobre fotografia:

Jozé de Abreu: Os conceitos estéticos mudam com o tempo. O problema é que, hoje, essas mudanças se processam mais rapidamente. Alguns fotógrafos conseguem superar isso e fazer fotos atemporais, que são belas hoje e continuarão sendo daqui a 50, 100 anos. Acho que o segredo é não se deixar influenciar por padrões impostos, ter um olhar só seu, mas isso nem sempre é possível.


Quem fotografa para revistas, por exemplo, não tem como escapar à ditadura da estética imposta pela mídia. Fotógrafos como Helmut Newton, Robert Maplethorpe e Irina Ionesco são exceções. A Irina, por exemplo, disse certa vez o seguinte: "em fotografia, só o que é estranho me interessa".

arte sexualidade
Foto por Jozé de Abreu

- Na fotografia do corpo, fotografia sensual:

Jozé de Abreu: O corpo é sempre um desafio e é isso que me fascina: conseguir uma abordagem nova e surpreendente. Claro que a técnica conta. A luz, o equipamento, a produção cuidadosa. Mas isso não basta. Fundamental mesmo é o olhar.

 

Dia Internacional da Mulher?

Esta foi uma semana sacal em matéria de "dia internacional da mulher".

Será que esquecem que neste dia, do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas? Que estas operárias que, nas suas 16 horas, recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram trancadas na fábrica onde se deflagrara um incêndio e cerca de 130 mulheres morreram queimadas? E que, por isso então, em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher"?

Esse papo hipócrita de "parabéns pelo seu dia heim?", com aquele sorrisinho masculino idiota, tapinha nas costas... argh! Torrou meu dia!

Fala sério!!! Não entendem que este dia serve pra lembrar todos esses séculos de luta pelo nosso espaço na sociedade machista e repressora? Que não queremos ser homenageadas uma vez por ano, mas sim, queremos ser lembradas todos os dias! Ser reconhecidas pela nossa luta. Nós, mulheres vencedoras, guerreiras. Casa, comida, roupa lavada, criança limpinha e educada, sexo animal, ajuda no orçamento doméstico e tem homem que reclama!

Internet, Ipod, palm top, celular que toca mp3 e ainda temos que provar na justiça que foi estupro sim, e não seduzimos ninguém. Grande evolução! Casamento informal, produção independente, clonagem, e tantas sofrem tendo de esconder que apanham de seus companheiros para preservar a "família", e ainda ter um pai em casa pros filhos. CTPS, FGTS, salário família, licença maternidade, e ainda temos o salário 40% menor que o dos homens.

Você, mulher, o que quer hoje? RECONHECIMENTO. RESPEITO. CARINHO. AMOR. PAIXÃO. PAZ. E, por favor, um homem cavalheiro!

Homens, por favor, reconheçam a MULHER que está a seu lado. Que lhes apóia, procura um espaço digno na sociedade, é independente, trabalha fora, ajuda em casa e ainda faz tricô pros netos ou sobrinhos. Que não tem a bunda dura daquela modelo, mas faz de tudo pra ficar gostosa pra vc. Que não tem os lábios da Angelina Jolie, mas lhe dá um beijo terno todas as noites. Que chega cansada em casa depois de trabalhar o dia todo, mas ainda sim vai pra cozinha fazer seu prato favorito. E depois de lavar a louça, se perfuma para fazer seu papel de amante. Se assim não o for, reconheça-a como o ser humano maravilhoso que é, e trate-a com carinho, que, quem sabe é isso que ela precisa pra poder ter vontade de fazer tudo o que você quer que ela faça.

Filhos, tratem bem suas mães. Dêem carinho, amor, e um lindo café da manhã nos fins de semana... na cama! Respeitem os conselhos. Mãe sabe tudo!

Mulheres, desejo a vocês não um tapinha nas costas de "feliz nosso dia", mas desejo que sejam RECONHECIDAS pelo seu VALOR, que sejam AMADAS como merecem ser, que tenham sempre seu momento de LAZER pra descansar a semana de luta que viveram, que tenham muita SAÚDE pra continuar lutando, que sejam RESPEITADAS no meio profissional que disputam espaço e que continuem sendo INSUPERÁVEIS.

Que todas dores sejam esquecidas no vento e no tempo, e as cicatrizes sejam apenas marcas de sua força e coragem de superar os momentos difíceis.

Que encontrem o colo de que precisarem, um amor lindo para viver, uma casa toda sua para enfeitar, um SPA por ano pra descansar, filhos saudáveis e inteligentes, amigas para rir e brincar a valer.

Tudo é possível! Porque nós podemos. SEMPRE! E só olhar pra trás e ver tudo que já conseguimos conquistar.

Andréa Paes

Dica de Leitura - História da Beleza
UMBERTO ECO

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Este livro apresenta as diversas concepções de Beleza: da natureza, das flores, dos animais, dos corpos humanos, dos astros, das relações matemáticas, da luz, das pedras preciosas, das roupas, de Deus e do Diabo. Embora apenas os textos dos filósofos, dos escritores, dos cineastas, dos místicos, dos teólogos e testemunhos dos artistas tenham chegado até nós, por meio desses documentos é possível reconstruir também a maneira como os humildes, os excluídos e os homens comuns de todos os tempos relacionam-se com a Beleza. Assim podemos sentir como, não somente em época diferentes, mas por vezes até dentro de uma mesma cultura, diversos conceitos de Beleza entraram em conflito.

 

Edição 33

E agora?

por Maria Antonieta R. Matos

 

Maria Antonieta é uma CD (Crossdresser). Engenheira e física, é professora e uma das diretoras do BCC (Brazilian Crossdresser Club). Se você quiser saber mais sobre ela acesse o site www.bccclub.com.br e, na página das associadas, encontrará uma biografia da colunista.

Nicoleta Tomas Caravia - lovers - arte sexualidade
Lovers 19 por Nicoletta Tomas Caravia.

Queridos amigos.

Tenho lido em revistas, tenho visto em jornais, na TV e na mídia em geral, uma débâcle feminina. Quando a propalada "Revolução Feminina" - cujos primórdios não vêm, necessariamente, ao caso - ganhou corpo a partir das décadas de 1960/70 para desembocar na realidade atual, nem só de acontecimentos memoráveis vivemos então. É sabido que, mercado de trabalho, é um só. A vaga deverá ser ocupada apenas por um funcionário. Até os anos 1960 não de discutia isto. A vaga era de um homem e pronto.

Mudou... e mudamos todos. Porém nem só de mercado de trabalho vive o homem e a mulher. Existem coisas imutáveis, ao que eu saiba, que a "Revolução Sexual" não alcançou ainda. Vamos exercitar um pouquinho o assunto "maternidade", que, a meu ver, ainda é exclusividade feminina... risos. Ser mãe... Por milhares de anos ser mãe era, foi, ponto pacífico. O homem “nos enchia a barriga” e lá íamos nós, numa escalada biológica que desembocava na maternidade.

Mas, e agora? Num mundo tão moderno; quando o relógio biológico começa a apitar, escolher entre ser mãe ou não, e aceitar todos os desdobramentos que vêm junto com a maternidade pode ser uma experiência angustiante para a mulher moderna. O engraçado é que quem vê a questão dos dois lados do gênero, como eu, pode ter muita certeza em grande parte do tema e, com um pouquinho de exercício intelectual, completar as lacunas faltantes com grande margem de acerto. As amigas que lerem esta crônica têm toda a liberdade de discordar se quiserem...

Viver tarefas sem-fim de amamentação não raro passa a significar, num nível mais abstrato, o mesmo que apontar uma espada para a, até então, independente e faceira mulher, que orgulhosamente encheu o peito de silicone. Como enchê-los de leite agora? Como substituir o orgulho da ostentação “fake” pela ternura do verdadeiro?

Essa mulher, filha da revolução feminista, percebe que transitar à vontade pelo mundo e disputá-lo centímetro a centímetro com homens e unha a unha com mulheres tem seu preço. No ápice da maturidade é que as filhas da revolução começam a esbarrar em dúvidas maiores, existenciais; percebem a lacuna que o rótulo do feminismo impôs: elas, orgulhosamente, ganharam espaço ao sol, conseguiram bons empregos; mas será que, caso se retirem para dar à luz, o sol continuará a brilhar?

Nesse caso, como a revolucionária pode repousar as armas, descansar e parir tranqüilamente vendo a guilhotina sobre sua cabeça? Tateando um universo repleto de oportunidades e armadilhas e observando o jogo de espelho entre passado e presente, as atuais filhas da revolução enfrentam valentemente tanto a feminilidade quanto o feminismo e assumem as conseqüências de ambos. Dedicam-se ao trabalho ao mesmo tempo em que ouvem as exigências descabidas determinadas pela mídia, que prega juventude eterna, magreza e beleza a todo custo – situação dissonante com a realidade e tão opressora quanto era, no passado, ter um pai ou marido déspota.

Nesse caso, porém, a autoridade passou das mãos do homem para as garras de uma entidade maior, invisível, com a qual também não há a menor possibilidade de diálogo, porque é tirânica por natureza e está a serviço dos interesses do mercado. Estaremos menos oprimidas atualmente porque somos ditas modernas?

Se as filhas da revolução, depois de tanto oscilarem do feminismo para a feminilidade na tentativa de achar um equilíbrio, resolvem ser mães, deparam-se então com outra decisão importante: optar entre parto normal ou cesárea – ponto delicado, já que soa um tanto sádico esperar que elas, na sua maioria sedentárias, engordem apenas doze quilos durante os nove meses, tenham uma musculatura pélvica forte para no final da gestação irem quase correndo à maternidade deixando que a natureza faça sua parte e o bebê escorregue por entre suas pernas.

Assistindo a tudo isso há, em meu modo de ver e do lado feminino, uma platéia que anseia pela estampa de um sorriso plácido, de nossa senhora prestes a parir o menino Jesus, e do feminista uma equipe que exige produção a todo vapor até o último instante. Do lado humano, apenas ela com ela mesma e seu filho prestes a deixar o ventre.

O que parece faltar às filhas da revolução é solidariedade para entender as idiossincrasias próprias da feminilidade, porque, moldadas que foram à imagem e semelhança masculina, tem-se a obrigação de ser, em qualquer circunstância, “normais” — nos moldes masculinos — e o dever de serem produtivas e felizes, interpretando uma segunda natureza, que passou por um processo de aculturamento no qual vale a pena parar e pensar quais foram os ganhos reais para nós, mulheres filhas da revolução. As tentativas de pensar nas mudanças são urgentes, mas a coragem de aplicá-las parece ainda um tanto incipiente.

E agora?


Maria Antonieta R Mattos.

 

Cartilha da Gestante:

Seus Direitos no Parto
Você sabia que o parto normal é o mais seguro para a grande maioria das mulheres?

FIQUE ATENTA:

O parto é considerado uma urgência e o seu atendimento não pode ser recusado em nenhum hospital, maternidade ou casa de parto. Se a unidade de saúde não puder atendê-la naquele momento, os profissionais de saúde devem examinar você antes de encaminhá-la para outro local. Você só poderá ser transferida se houver tempo suficiente para isso e depois de terem sido confirmadas a existência de vaga e a garantia de atendimento no outro estabelecimento de saúde.

Durante a INTERNAÇÃO e NO TRABALHO DE PARTO, você também tem direitos:

" De ser escutada em suas queixas e reclamações e ter as suas dúvidas esclarecidas;
" De expressar os seus sentimentos e suas reações livremente. Não se envergonhe nem se intimide se você tiver vontade de chorar, gritar ou rir. Essas são reações normais, que podem ocorrer durante o trabalho de parto com todas as mulheres. Nenhum profissional de saúde pode recriminar você por isso;
" As roupas utilizadas durante o trabalho de parto devem ser confortáveis e estar de acordo com o seu tamanho. Devem ser de tecidos e modelos que não exponham o seu corpo, causando-lhe constrangimento;
" Caso você queira contar com a presença de acompanhante no momento do parto, como o pai da criança, parente ou pessoa amiga, solicite isto ao serviço que está atendendo você. De preferência, acerte isso antes do parto.

INFORMAÇÕES IMPORTANTES PARA O SEU BEM-ESTAR:

" Nem sempre é necessária a realização da lavagem intestinal e da raspagem de pêlos antes do parto. Converse sobre isso com quem está atendendo você;
" Muitas vezes, durante o trabalho de parto, você poderá receber alimentos líquidos (sucos, sopas, caldos). A equipe de saúde lhe dirá se você precisa ficar em jejum em situações especiais;
" O soro com medicamentos para apressar o parto só deve ser utilizado em situações especiais. Se este for o seu caso, solicite à equipe de saúde que lhe explique as razões de uso do soro.

Você tem o direito de ter um parto normal e de ser atendida por uma equipe preparada e atenciosa. Na grande maioria dos casos, o parto normal é a maneira mais segura e saudável de ter filhos e deve ser estimulado por uma assistência humanizada, gentil, segura e de boa qualidade, para você e seus acompanhantes.

PARTO SEM DOR

Cada mulher e cada parto são diferentes. A dor no parto costuma ser uma dor forte, mas muitas mulheres acham que é uma dor suportável e preferem não ter anestesia. Se você sentir necessidade, peça anestesia mesmo no caso de um parto normal, inclusive nos hospitais públicos ou conveniados ao SUS.

DICAS PARA ALIVIAR A DOR:
" Estar na companhia de quem você gosta e confia;
" Banhos de água morna: podem ser de chuveiro, com a água caindo em cima da barriga e das costas;
" Caminhar durante o trabalho de parto pode facilitar a descida do bebê. Faça isto se for confortável para você.

QUANDO O BEBÊ ESTÁ NASCENDO:

" Às vezes o médico faz um corte na vagina, a chamada episiotomia, que pretende evitar o rompimento da pele, mas nem sempre ela é necessária.

SE VOCÊ PRECISA DE CESÁREA:
" Em alguns casos, a cesárea pode ser necessária para proteger você e o bebê, mas você tem o direito de ser informada dos motivos para fazer esta cirurgia;
" Se o seu primeiro parto foi cesariana, é possível que você possa ter agora um parto normal. Lembre-se: o parto normal, geralmente, é mais seguro para a mãe e para o bebê.

A cesárea é mais arriscada que o parto normal. Para a mulher, existe um risco maior de infecção e problemas com a anestesia. O bebê pode ter problemas respiratórios ou nascer antes do tempo certo. Por isso, ela só deve ser realizada quando for para o bem da sua saúde ou do bebê.

DEPOIS DO PARTO você tem direito a:
" Ter a criança ao seu lado, em alojamento conjunto, e amamentar. Vocês só precisam ficar separados se algum dos dois tiver algum problema;
" Receber orientações sobre a amamentação e suas vantagens, para você e para a criança;
" No momento da alta você deve sair com orientações sobre quando e onde deverá fazer a consulta de pós-parto e do controle do bebê.

INFORMAÇÕES E ACONSELHAMENTO

" Durante as consultas de pré-natal a equipe de saúde deve dar orientações sobre gravidez, parto, pós-parto e cuidados com o bebê. Você também poderá obter informações sobre sexualidade, nutrição e cuidados com a saúde no período da gestação e preparação para amamentação;
" Cada vez que a equipe indicar para você um exame, tratamento ou cirurgia, ou quando lhe derem algum remédio, você tem o direito de ser informada sobre os motivos dessa conduta, com palavras simples, para que você possa entender o que foi explicado;
" Quando você tiver algum problema de saúde que possa ser tratado de mais de uma maneira, você tem o direito de ser informada sobre as diferentes opções de tratamento;
" Aproveite as consultas de pré-natal para esclarecer todas as suas dúvidas sobre gravidez, parto e pós-parto. Informe-se também sobre doenças sexualmente transmissíveis, AIDS e métodos para evitar gravidez. Lembre-se: quanto mais você souber sobre seu corpo, sua sexualidade, sobre formas de preservar sua saúde, melhor para você;
" Em algumas cidades, além das maternidades tradicionais existem outros locais de atendimento ao parto. Procure conhecer os recursos disponíveis na sua comunidade para fazer a melhor escolha para você e seu bebê. Isto também é ser feliz!

O que fazer caso você não seja bem atendida em qualquer momento da sua gravidez ou parto:
Você pode procurar a gerência do serviço de saúde que atendeu você e informar sobre a sua insatisfação. Você tem o direito de ser atendida com respeito e dignidade. Todo cidadão deve contribuir para a melhoria do atendimento à saúde em nosso país.

Fonte: Site do Ministério da Saúde - www.saude.gov.br

Dica de Leitura - Do Direito à Paternidade e Maternidade dos Homossexuais
VERA LUCIA DA SILVA SAPKO

O presente trabalho aborda o direito à paternidade e à maternidade de homossexuais, examinando a possibilidade de seu reconhecimento no Direito brasileiro de hoje, bem como a viabilidade de seu exercício através do instituto da adoção e da utilização das técnicas de reprodução artificial humana. Através da análise dos princípios constitucionais do pluralismo, da igualdade, da não-discriminação e do respeito à dignidade da pessoa humana, conclui pela possibilidade de reconhecimento do direito de homossexuais serem pais e mães, podendo este direito tornar-se efetivo pelos meios oferecidos pelo Estado Democrático de Direito. Ademais, não vislumbra qualquer impedimento ao exercício, em tese, do direito de homossexuais de adotarem ou de utilizarem as técnicas de procriação artificial, visualizando, nas uniões entre pessoas do mesmo sexo, entidades familiares e entendendo possível a superação dos preconceitos que envolvem a homossexualidade, demonstrando a inexistência de violação ao princípio da proteção integral à criança no seu convívio, criação e educação por homoafetivos.

Direito à paternidade e maternidade dos homossexuais - dica de leitura sexualidade
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Edição 32

Entrevista - ABIA

Por Alexei Gonçalves e Vivian Amorim.

Estudar e falar sobre sexualidade também envolve discutir saúde sexual e doenças sexualmente transmissíveis. Dentro desse espírito, contactamos a ABIA - Associação Interdisciplinar de AIDS, que define seu objetivo como: "Mobilizar a sociedade brasileira para enfrentar o HIV/AIDS no Brasil, formando uma rede de solidariedade. Foi essa a idéia que levou o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, e um grupo de profissionais de diversos setores da vida política e do movimento social nacional a criarem, em 1986, a Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS - ABIA".

Fomos muito gentilmente recebidos pelo Assessor de Comunicação da ABIA, Cláudio Oliveira, que nos concedeu uma esclarecedora - e, em alguns momentos estarrecedora - entrevista sobre a epidemia, os trabalhos de prevenção, tratamento, preconceitos, redução de danos, direitos do paciente, entre muitos outros temas que nossos visitantes não podem deixar para depois do carnaval.

Cláudio Oliveira - Assessor de Imprensa ABIA - Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS
Cláudio Oliveira por Alexei Gonçalves

Alexei: Gostaria de iniciar a conversa com um esclarecimento sobre o nome "DST - Doenças Sexualmente Transmissíveis". Antigamente, empregava-se o termo "doenças venéreas", em cuja raiz está a deusa grega do amor, Vênus, satanizada pela Igreja Católica, o que criou uma "pecha" de devassos e pecadores, sobre os portadores desse tipo de doença. Como profissional de comunicação, você considera que a mudança de nome de "doença venérea" para "DST" contribuiu para reduzir os preconceitos?

Cláudio: Acho que a mudança valeu a pena sim, especialmente em relação à AIDS. Porque, no início da epidemia, ouvimos falar que a AIDS era o "câncer gay". Era comum que as pessoas chamassem os doentes de "aidéticos". Podemos fazer uma analogia com a "lepra" e a "tuberculose" e o hábito de chamar os doentes de "leprosos", "tuberculosos". As vítimas dessas doenças não gostavam de ser chamadas por esses nomes. Por causa disso, as ONGS e, posteriormente, o Ministério da Saúde, se esforçaram para que a mídia parasse de usar o termo "aidético" e adotasse palavras como "soropositivo" ou "pessoa portadora do vírus da AIDS". Essa mudança diminuiu o estigma. Pode parecer uma coisa pequena, mas tem um efeito real sobre a redução do preconceito, como aconteceu com a lepra quando passou a ser chamada de "hanseníase". É lógico que o trabalho de redução do preconceito não se reduz à mudança de nome, mas é um passo importante.

Alexei: O trabalho da ABIA é focalizado na AIDS, mas é importante situá-la em relação a outras DST's. Dentro de um contexto mais geral de saúde sexual, epidemiológico, como a AIDS se posiciona em termos de gravidade em relação às outras doenças?

Cláudio: No momento, não tenho disponíveis os números exatos, mas posso dizer que a AIDS atinge muito menos pessoas do que as outras DST's, como uretrite, gonorréia, entre outras. Mas é fato que, nos anos 1980, estudos indicavam que entre 40 a 50% da população adulta já havia contraído alguma DST. Se esse percentual da população fosse atingido pelo HIV, nos estaríamos vivendo uma situação de genocídio, que teria sido mais grave nos anos 1980, quando não havia medicamentos para a AIDS.

Outra diferença interessante é que várias DST's não se manifestam em mulheres, mas adoecem os homens, enquanto outras, como o HPV por exemplo, afetam as mulheres mas não afetam os homens infectados. Isso cria um problema porque, muitas vezes, o homem descobre que tem a doença, submete-se ao tratamento mas não informa à mulher, e vice-versa.

Alexei: Você mencionou os tratamentos para a AIDS. A ampla divulgação da evolução dos medicamentos antivirais e do acesso a tratamento se, por um lado, é um passo positivo para a contenção da doença, por outro lado não está incentivando o descuido, a volta dos "comportamentos de risco"? Note, por favor, que não estou usando o conceito superado de "grupo de risco", já que todas as pessoas são potencialmente vulneráveis à infecção.

Cláudio: É verdade, o termo "peste gay", além de pejorativo, não se aplica à realidade. A proporção de heterossexuais e homossexuais infectados é equivalente, 50% para cada um. Sobre as mulheres, para que você tenha uma idéia, no início da década de 1990, havia 10 homens infectados para cada mulher. Hoje, a proporção é de dois homens infectados para cada mulher.

Alexei: Certo, então já há um equilíbrio na proporção de infecção entre as populações. Sobre a volta dos comportamentos de risco, portanto, o que você pode dizer a respeito?

Cláudio: É importante ressaltar que não há "cura" para a AIDS. Um grande problema é que muitas pessoas não tão bem informadas, ao receberem fragmentos de informação na mídia, ficaram com a impressão de que a AIDS se tornou uma doença crônica, parecida com o diabetes. As pessoas pensam que você passa o resto da vida tomando o remédio e tudo bem, não vai morrer da doença. Só que em nenhum momento recebe o devido destaque a realidade das infecções oportunistas, dos efeitos colaterais fortíssimos dos medicamentos... Há casos de pessoas que vêm a falecer em função desses efeitos colaterais.

Isso sem mencionar que esses medicamentos têm um limite, porque, como o vírus é mutante, cedo ou tarde eles param de fazer efeito. Essas são informações que não ficam muito bem esclarecidas. Então, logo que começaram a surgir as primeiras notícias divulgando a imagem do Brasil como "país-exemplo" de combate à AIDS, porque oferece medicamentos em larga escala, foi verificado um rápido crescimento dos índices de infecção, principalmente entre os jovens.

Uma pesquisa, que não foi realizada pela ABIA mas está disponível em nossa biblioteca, detectou entre os jovens uma percepção de que "a AIDS não mata mais, virou uma doença crônica, não é preciso se preocupar com isso". De modo que hoje, uma parte da luta contra a epidemia é informar de que a AIDS não é uma doença crônica, não tem cura e que o melhor é não se infectar.

Claro, a situação é melhor hoje. Caso você se infecte, existe tratamento e você tem direito a ele. O tratamento oferece uma boa "sobrevida", as pessoas podem voltar a trabalhar, estudar, viver sua vida com qualidade. Aqui mesmo a gente tem colegas soropositivos há 10, 15 anos, sem apresentar problemas sérios de saúde com grande freqüência.

Ou seja, a doença hoje não tem mais aquela cara pavorosa do tempo do Cazuza, que ainda apresenta na África e em alguns países da América Latina em que não há acesso a medicamentos.

Alexei: Considerando então os efeitos colaterais do tratamento e as próprias limitações dos medicamentos, você acha que o foco das mensagens educativas com relação à AIDS deve continuar sendo o de que "o melhor tratamento é a prevenção"?

Cláudio: Sem dúvida. Essa é a nossa posição - e não só nossa, também a do governo - de que a prevenção é o melhor remédio contra a AIDS, mas deixando claro que, se por algum motivo, você não se preveniu e contraiu a doença, então vamos tentar fazê-lo ter a melhor qualidade de vida possível. Essa é a idéia.

Alexei: No discurso do Betinho, publicado no site, ele menciona um aspecto que parece fazer parte fundamental da filosofia da ABIA, que é a questão do preconceito contra o soropositivo. Como ele esclarece com muita propriedade nesse discurso, inclusive citando fatores históricos e sociológicos, a AIDS conecta-se a sangue, sexo, drogas, enfim a fatores sobre os quais já pairavam fortes preconceitos sociais antes mesmo que a doença surgisse. A palestra foi proferida em 1987, já há quase vinte anos, portanto. Você poderia fazer um balanço dos resultados da luta contra preconceito ao soropositivo, considerando a atuação da ABIA e de outras ONGS desde esse discurso até hoje?

Cláudio: Nas grandes cidades já diminuiu bastante. Mas quando a gente vai para o interior, é muito comum ver pessoas serem demitidas porque são soropositivas. Às vezes o próprio médico, ao comentar com outra pessoa que "fulano está com AIDS", por se tratar de uma cidade pequena, faz com que a informação chegue aos ouvidos do patrão, que demite a pessoa, às vezes até sem que ela saiba porque foi demitida. É importante ressaltar que é ilegal demitir uma pessoa porque é portadora do HIV.

Também vemos muita incompreensão dentro da família do soropositivo. Quanto menor o nível educacional e de informação sobre a doença, pior. Às vezes, quanto mais religiosa for a família, mais difícil é a situação do doente. Porque as igrejas têm uma visão "piedosa" do doente: ele é retratado como um "coitadinho" que teve uma "vida maldita" e "nós vamos ajudá-lo porque Cristo pregou a solidariedade para todos". Mas, quando se trata do estilo de vida, as igrejas condenam plenamente.

Por exemplo, a Igreja Católica que quer proibir os países, até hoje, de sequer mencionar a palavra "preservativo" como estratégia de prevenção, preconizando somente a monogamia ou a castidade, como se fosse possível ou viável que essa idéia fosse aceita na prática por bilhões de pessoas.

Alexei: Há, realmente, um abismo entre a ideologia e o que acontece na vida real. Sobre esse assunto, há um tema delicado que é o do uso de drogas injetáveis. Considerando a paranóia social - e até jurídica - com relação ao conceito de "apologia às drogas", como estabelecer estratégias de prevenção junto a esses grupos sem resvalar para a ilegalidade?

Cláudio: Não temos muitas ilusões com relação a esse problema. Por mais que você identifique a ação educativa, por exemplo, o ensino da assepsia de agulhas e seringas como estratégia de redução de danos, sempre haverá aqueles que vão enxergar nisso uma "apologia ao uso de drogas", inclusive a nossa governadora (Rosinha Matheus, governadora do Estado do Rio de Janeiro), que proibiu que qualquer ONG fizesse trabalho de prevenção de AIDS com usuários de drogas. Muitas ONG's tinham kits que forneciam aos usuários de drogas, incluindo seringas, água sanitária, cartilhas, mas esse trabalho teve que ser interrompido na gestão da Rosinha. Eu sei que algumas ONG's - cujos nomes não vou citar - continuam fazendo esse trabalho clandestinamente, em pontos onde é comum o uso de drogas injetáveis, fornecendo kits e realizando ações educativas.

Nesse ponto, cada estado é autônomo para decidir. Por exemplo, não há problema algum em realizar esse tipo de trabalho no Rio Grande do Sul, Paraná, São Paulo. Já aqui no Rio e no Espírito Santo, é proibido.

Mas a gente não entra no mérito de defender a legalização ou não das drogas, nossa preocupação é com a redução de danos e controle da epidemia. Nós partimos do princípio de que há pessoas que usam drogas injetáveis e, se essas pessoas não tiverem acesso à informação, elas vão transmitir a doença, pois muitas são casadas, fazem sexo e, portanto, podem criar uma bolha de infecção que, se explodir, não haverá como controlar.

Porque aí não é nem o caso de se falar em preservativo. Numa roda de uso de drogas injetáveis com 10 pessoas, basta que uma pessoa esteja infectada para que todas se infectem pois, pelo contato sangüíneo direto a probabilidade de contágio é muito maior do que pela relação sexual.

Aqui no Grande Rio, o problema não é tão grave, porque o consumo de drogas injetáveis não é muito comum. Mas sabemos que em Petrópolis, por exemplo, o consumo de drogas é proporcionalmente muito maior do que em todo o Estado do Rio, tendo o maior número de pessoas infectadas por meio de drogas injetáveis. Aliás, em todas as cidades universitárias do interior o índice é maior do que no Rio, como em Valença, por exemplo.

A ABIA não faz esse tipo de trabalho com usuários de drogas injetáveis, mas há ONG's que visitam as cidades universitárias, visitam os pontos de consumo de drogas, distribuem cartilhas e procuram conscientizar os usuários. Muitas vezes, os agentes multiplicadores são ex-usuários de drogas, alguns deles que se tornaram soropositivos, o que é muito importante, pois há um lado antropológico nesse tipo de ação: eles sabem quais são os locais de consumo, qual a linguagem usada pelos usuários e que tipo de argumento pode ser mais eficiente na redução de danos.

Alexei: Falando então sobre os projetos da ABIA propriamente dita. Você poderia ressaltar aqueles que podem ser considerados mais importantes?

Cláudio: A luta mais importante e atual é a campanha aberta em prol do "licenciamento compulsório". Porque, nos anos 1990, o trabalho de distribuição de medicamentos era mais eficiente, porque o Brasil produzia os medicamentos genéricos a preços até 20 vezes inferiores aos praticados pela indústria. Só que, em 1996, o então presidente Fernando Henrique Cardoso assinou um acordo no âmbito da OMC, que ele não era obrigado a assinar naquele momento - os países em desenvolvimento tinham um prazo até 2006 para assiná-lo.

O problema é que os medicamentos que chamamos de "primeira linha" muitas vezes não fazem mais efeito em pessoas que os estão consumindo há muito tempo. Essas pessoas precisam de um tipo de medicamento mais avançado, que chamamos de "segunda linha" e, por causa desse acordo, o Brasil não tem permissão de produzi-los, apesar de possuirmos a tecnologia para sua produção.

O que está acontecendo? O programa está ruindo aos poucos, porque cresce assustadoramente o número de pessoas que precisam desses medicamentos "de marca", o país não pode fabricá-los e o governo não tem dinheiro para comprá-los.
Por causa disso, já há dois anos estamos enfrentando desabastecimento no SUS. Então, a ABIA engajou-se numa luta internacional, junto a organizações como os Médicos Sem Fronteiras, entre outras ONG's internacionais, para derrubar esse acordo, principalmente no que se refere a medicamentos, pois o acordo deixa tudo dentro do mesmo barco: tênis, aparelhos de TV, automóveis e medicamentos essenciais. O que desejamos é atingir um consenso sobre a necessidade de haver um mínimo de humanidade.

Porque, veja, só ano passado, mais de 3 milhões de pessoas morreram de AIDS na África. O que acontece é uma situação de genocídio, porque, se as pessoas tivessem acesso à medicação, não enfrentaríamos situações como a de Angola, em que a expectativa de vida foi reduzida a 36 anos. Isso afeta diretamente o desenvolvimento dos países, pois não há tempo de sequer formar um profissional.

Nossa grande luta, portanto, é mudar esse acordo, inclusive temos uma advogada especializada em propriedade intelectual trabalhando nesse assunto. Porque nossa previsão é que em no máximo 3 ou 4 anos, caso não haja mudanças, o país não terá mais condições de prosseguir com a distribuição de medicamentos eficazes contra a AIDS.

Alexei: Então, toda aquela propaganda sobre as conquistas do Brasil na OMC com relação à flexibilização de patentes para AIDS...

Cláudio: Foi tudo balela. Falavam, ameaçavam, parecia que ia avançar, mas na última hora, eles davam pra trás. Acontece que há uma cláusula chamada "licença compulsória", que permite aos países em situação de emergência produzir os medicamentos pagando royalties aos detentores da patente, de modo que eles seriam remunerados, mas em quantia viável ao país, bem menor do que o preço comercial. Mas, até hoje, a gente ainda não teve um governo com coragem para colocá-la em prática, inclusive porque há ameaças de retaliações, em sua maioria vindas dos Estados Unidos, que atingiriam nossas exportações de produtos agrícolas.

Alexei: Com relação à epidemia no Brasil: está sob controle?

Cláudio: Está estável. Em determinados estados ela diminuiu, mas cresceu no Nordeste e entre a população negra. Caiu entre os homossexuais e usuários drogas. Talvez até pela intensidade dos trabalhos que foram realizados junto a esses segmentos, eles estejam mais conscientes do que o restante da sociedade. As mulheres, hoje em dia, são muito atingidas, a maioria pelos maridos. Apesar da visão preconceituosa com relação às prostitutas como um "grupo de risco", existem muito menos prostitutas infectadas com o HIV do que donas-de-casa. Normalmente, as mulheres casadas só descobrem que estão infectadas quando o marido fica doente.

Alexei: E com relação à "transmissão vertical" - de mãe para filho, ainda durante a gestação - como é a situação hoje?

Cláudio: Caiu muito, desde que o governo, de uns três anos para cá, passou a exigir o exame de HIV durante o pré-natal. Um problema é que muitas mulheres não chegam a fazer um pré-natal sequer. Mas 99% dos filhos de mulheres que fazem pré-natal e descobrem que estão infectadas não desenvolvem a doença. Porque se ela tomar o AZT durante a gestação e a fase de amamentação, a criança nascerá com o HIV mas, antes de completar um ano de idade ela não apresentará mais o vírus, principalmente se a mãe não amamentar.

Alexei: O HIV também pode ser transmitido pelo leite materno?

Cláudio: Sim. Então, nos casos em que há um pré-natal e tratamento adequado, a transmissão vertical está controlada. O problema maior é no interior, em locais em que o parto ainda é realizado por parteiras, sem nenhum tipo assistência médica ou hospitalar.

Alexei: Você mencionou várias vezes um divórcio entre o direito, a ideologia e a realidade. Por exemplo, o empregado soropositivo não pode ser demitido por esse motivo, mas há casos em regiões do país em que a lei se torna letra morta. O que fazer nesses casos?

Cláudio: Denunciar. Não só a ABIA como qualquer outra ONG presta assistência jurídica nesses casos, que costumam ser resolvidos com bastante rapidez, pois o Ministério Público já está bastante acostumado a lidar com o assunto. O que costuma acontecer é a reintegração do funcionário. Algumas vezes, a pessoa já está cansada da discriminação e não quer ser reintegrada ao trabalho, pois sabe que vai ter que expor sua condição de soropositivo, encarar o patrão que a demitiu, enfim, enfrentar um clima ruim na empresa. Mas a denúncia funciona e já houve até um caso de um patrão que foi preso por demitir um funcionário soropositivo.

Alexei: Logo no início da epidemia, em 1988, acompanhei de perto o caso de um parente, funcionário de uma grande empresa nacional, que foi diagnosticado como soropositivo. O médico que o atendeu notificou a empresa e o funcionário não foi demitido, mas "aposentado compulsoriamente", perdendo todas as gratificações a que tinha direito quando estava na ativa e inviabilizando na prática o seu acesso a tratamento. Como avaliar este caso?

Cláudio: Mas o médico transmitiu a informação diretamente para empresa?

Alexei: Sim.

Cláudio: Isso jamais poderia ter sido feito! Porque há uma obrigação de sigilo médico. O médico não poderia, em hipótese alguma, comentar o caso nem com a mãe desse paciente. Ele poderia, no máximo, caso ele estivesse gravemente enfermo, dirigir-se apenas à família. Nesse caso, o médico também poderia ter sido punido.

Alexei: Tratando então, de ética médica. Se, digamos, o médico da empresa tiver acesso ao diagnóstico, ele não pode notificar à administração?

Cláudio: Não pode. Aliás, é inclusive proibido por lei exigir exame de HIV no local de trabalho, seja para os funcionários atuais, seja para exames pré-admissionais. Se a empresa pedir, você pode acioná-la judicialmente.

Alexei: Já ouvi casos de exames pré-admissionais até para estagiários em que todos os exames são realizados dentro da própria empresa.

Cláudio: Se esses casos existem mesmo, são completamente ilegais, inclusive porque invadem desnecessariamente a privacidade do funcionário. O que interessa à empresa é se o funcionário tem condições de trabalhar, de desempenhar suas funções.

Alexei: Para encerrar: estamos às vésperas do carnaval, em que há uma forte mercantilização do corpo e sexualidade. Embora campanhas de prevenção à AIDS, de estímulo ao uso de preservativos, corram em paralelo à divulgação do evento, o fato é que em poucos momentos a exibição dos corpos e o apelo sexual é associada à responsabilidade, ao fato de que o sexo inseguro pode trazer conseqüências indesejáveis - inclusive a AIDS. É como se mencionar esse assunto pudesse funcionar como um "desestimulante da libido". Gostaria que você comentasse a eficiência das ações de conscientização para o carnaval, já que o clima de festa e o fato de que as pessoas bebem, ficam eufóricas, pode induzi-las a se descuidar.

Cláudio: Nesse sentido, temos os pés no chão. Sabemos que nem todo mundo vai se cuidar, usar preservativos mas, ainda assim, achamos que as campanhas têm que ser feitas, tem que haver distribuição gratuita de preservativos, sempre dentro da lógica de redução de danos. Mas o ideal seria que essas campanhas acontecessem durante o ano inteiro. Porque há dois momentos em que a campanha de prevenção pública é mais intensa nos meios de comunicação: no dia primeiro de dezembro, que é o Dia Mundial de Luta Contra a AIDS e o outro é o carnaval. Fora isso, a gente quase não vê nada.

Um avanço importante é que, recentemente, as emissoras de TV abriram um espaço: sempre que há tempo comercial ocioso, não vendido a empresas, elas se dispõem a veicular gratuitamente campanhas educativas de ONG's. Com isso, nós já temos garantida a permanência no ar pelo menos até pelo menos o meio do ano, dessa campanha mais recente com o Dado Dolabella.

 

Cartilha da Gestante:

O Direito ao Pré-Natal
Se você desconfia que está grávida, procure a unidade de saúde mais próxima para confirmar a gravidez e iniciar o seu acompanhamento de saúde.
O pré-natal pode lhe assegurar uma gestação saudável e um parto seguro.

" Você tem direito a fazer pelo menos seis consultas durante toda a gravidez;
" Caso deseje ou precise, você pode solicitar ao serviço de saúde a presença de uma pessoa de sua confiança nas consultas do pré-natal.

Você tem direito ao CARTÃO DA GESTANTE
Esse cartão deve conter todas as anotações sobre seu estado de saúde, sobre o desenvolvimento de sua gestação e os resultados dos exames que você fez. Leve esse cartão a todas as consultas e verifique se ele está sendo preenchido. Não esqueça de apresentá-lo aos profissionais de saúde na hora do parto.

FIQUE DE OLHO
Em todas as consultas de pré-natal, a equipe de saúde deverá medir sua pressão arterial, verificar seu peso, medir sua barriga e escutar o coração do bebê.

EXAMES DO PRÉ-NATAL
Fique atenta e veja o que é considerado o mínimo de exames a serem feitos:
1. Exames de Sangue: para descobrir diabetes, sífilis e anemia e classificar o seu tipo de sangue.
2. Exames de Urina: podem descobrir infecções e presença de proteína na urina.
3. Preventivo de Câncer de Colo do Útero (Papanicolau): esse exame informa sobre a existência de problemas que podem levar ao câncer de colo do útero, permitindo o tratamento imediato. Este exame deve ser realizado a cada três anos. Caso você não tenha feito neste período, deve fazer no pré-natal.

Teste anti-HIV (para identificar o vírus da AIDS): Caso você queira, você pode fazer esse exame durante o pré-natal. Ele é uma proteção para a mulher e para a criança. Uma mulher portadora do HIV pode começar o tratamento durante a gravidez, evitando que o vírus passe para o bebê durante a gestação e o parto.

Fonte: Site do Ministério da Saúde - www.saude.gov.br

Dica de Leitura - Quebrando o Silêncio: Mulheres e AIDS no Brasil
JANE GALVAO e RICHARD PARKER

Esta Coletânea de Artigos Analisa a Dramática Escalada da Aids Entre as Mulheres Brasileiras.

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Edição 31

Entrevista - Aluízio Derizans

por Géssica Hellmann

Meu primeiro contato com Aluizio Derizans foi através de seu site, admirando sua magnífica produção fotográfica, que inclui um pouco de tudo, mas em que se destacam suas imagens flores, vestidas e despidas: de orquídeas a lindas mulheres. Um perfeito cavalheiro, homem de papo sempre interessante, agradável e bem-informado, Aluizio Derizans merece ser ouvido atentamente por quem ama a fotografia em geral - e as imagens de belas flores em especial.

Aluizio Derizans
Aluízio Derizans por Ivan de Almeida

Géh: Quem é Aluízio Derizans? Há quanto tempo está no ramo da fotografia?
Derizans: Carioca, de 72 anos, liberal, mangueirense e, atualmente, desocupado.
Há cinco anos não tenho feito outra coisa exceto fotografar e estudar fotografia.

Géh: Numa profissão apaixonante como a da fotografia, quais são as barreiras mais difíceis?
Derizans: No início, uma forte autocrítica e, depois, a aceitação de suas próprias limitações. Por exemplo, gosto de imaginar como um determinado objetivo poderia ser visto por outros olhos. Mais ou menos como se, em vez de fotógrafo, eu fosse um pintor. Alguns de meus últimos trabalhos estão se situando nesta linha.
Sobre esse tema, vale acrescentar que eu só me permiti tais exercícios após a entrada das câmeras digitais de captura de imagens, que todos chamamos simplesmente de digitais. Defendo que a fotografia tradicional, isto é, aquela que usa o filme ou o cromo, é "imexível". Creio no conceito de "escrita com a luz" - quando a luz através da objetiva impregna ou emulsiona o filme absolutamente. Uma única via. Com as digitais, a história é outra: a mesma luz passa por um sensor subordinado a um software ou um firmware que impõe condições (que variam de digital, fabricante, modelo, etc.) não mais tão naturais quanto o método tradicional. Assim, se é algo que não foi a luz quem escreveu, que não é realmente o que foi capturado, por que não usar os mesmos sistemas e criar uma outra imagem mais ao meu gosto, ou talvez, como eu gostaria de vê-la? Esta minha argumentação, com certeza, não será aceita pelos "capturadores" de imagens digitais mas, que fazer? Não existe mais Inquisição!

Géh: Quando você tomou contato com a fotografia do nu artístico, e o que ela representa para você?
Derizans: Visitando a Feira do Palácio do Catete fui apresentado ao Góes, que expõe lá seus trabalhos em P&B. Ele faz uma fotografia muito realista e, mesmo quando usa artifícios de iluminação, por exemplo, a liberdade da modelo não é tolhida. Como não gosto de estúdio, que é o campo mais usado por ele, propus que ele viesse à minha casa para analisarmos um workshop de fotografia de nus ao ar livre. A conseqüência foi que, até agora, fizemos três. Fotografar o nu feminino, para mim, é a possibilidade de conseguir fotografar o perfeito. As curvas, as sombras, os poros, a cor da pele, a vida que se sente dentro do corpo da modelo, tudo isso forma o perfeito. Mas o nu não é perfeito em função da juventude, beleza ou sensualidade que a modelo mostra. É perfeito para mim o que se consegue ver no rosto de uma modelo menos jovem, menos escultural, menos plástica. O perfeito é aquilo que eu vou conseguir alcançar quando a fotografia estiver pronta e aquelas coisas que chamam, geralmente, a atenção de quem olha para um nu deixarem de ser importantes. O que passou a ser importante é o contexto da obra em sua essência mais ampla. É única. É perfeita.

Géh: Como é o preparo de uma produção fotográfica de nu?
Derizans: Basicamente, é necessária uma interação completa de modelo e fotógrafo. Caso a comunicação entre os dois não seja a mais absoluta, não adianta nem tentar. Para mim o estúdio é cerceante. O modelo fica sujeito aos efeitos artificiais da iluminação e então a realidade fica descaracterizada. A luz ambiente, digamos assim, se integra ao modelo. A sombra do redor se mescla com as sombras das curvas do corpo e tudo fica mais suave, mais natural, mais autêntico. Em um estúdio é possível "mascarar" a realidade. Então, se a modelo não for uma pin-up, com uma luz aqui, outra ali, uma curva da anca mais ou menos acentuada, um seio meio que escondido, etc, eis aqui a imagem de uma mulher dentro dos padrões de beleza. Já ao ar livre, o bicho pega!

Géh: O que você faz para que uma fotografia de nu não se torne vulgar?
Derizans: Conseguir essa interação. E, quando o trabalho, ao término, conduzir o espectador à admiração do trabalho como um todo.

Géh: Como você propõe o projeto para a modelo? Já aconteceram recusas? Como quebrar o gelo inicial?
Derizans: São duas situações distintas: a modelo profissional e aquela mulher que quer ser fotografada, geralmente, para guardar uma lembrança, presentear o companheiro, se auto-afirmar. Nunca tive recusas. No segundo caso sou procurado por pessoas que já tomaram uma decisão. Sempre dou um documento que garante sigilo e compromisso de não divulgar o resultado a ninguém sob qualquer pretexto. Fotografo por partes. Primeiro vestida e, depois, como se fosse uma sessão de strip.

Géh: Você pode desenvolver um pouco mais suas idéias sobre a relação modelo-fotógrafo?
Derizans: Não pode deixar de ser de absoluta e total confiança. Seja uma profissional ou uma mulher que quer se ver fotografada. Nunca parto para uma sessão de fotos com uma não-profissional sem primeiro me encontrar com a modelo pelo menos duas vezes. É das conversas que mantivermos que vou saber como começar o trabalho. Uma senhora de meia-idade, mais do que disposta a ser fotografada precisou de três sessões vestida e meio vestida para poder tomar coragem. Com outra mais jovem, foi diferente. Não houve jeito. Esteve aqui por duas vezes e não conseguiu se despir. Nem quando veio com o marido. De qualquer forma, a confiança mútua é definitiva como caminho para uma sessão de fotos com sucesso.

Géh: Quanto tempo uma sessão fotográfica dura em média?
Derizans: Uma manhã ou uma tarde. Depende, pois como só faço ao ar livre, existe o problema da luz, sombras, etc.

Géh: Podemos afirmar que na mídia, em relação à imagem do corpo feminino, o que mais se vende é a da "mulher-objeto". Na sua opinião porque esta "fome" deste tipo de representação?
Derizans: Pobreza. De certas mídias e de seus leitores.

Géh: Os fotógrafos iniciantes sempre querem saber dos profissionais qual é a dica mais essencial para um amador. Que conselhos você daria aos leitores que desejam iniciar na fotografia do nu?
Derizans: Procurem um bom professor e deixem a libido em casa quando forem fotografar.

Géh: Para conhecer melhor o seu trabalho, como o interessado pode se comunicar?
Derizans: aluizio.derizans@terra.com.br - 55 21 33225277 99755192

 

Cartilha da Gestante:

Toda mulher tem direito a uma gravidez saudável e a um parto seguro. Embora a saúde seja um direito de todos, conforme diz a Constituição Federal, muitas vezes esse direito é desrespeitado e o acesso ao atendimento é dificultado. Às vezes isso acontece porque as pessoas desconhecem seus direitos. Sabemos que, se a população tiver informações a respeito das leis, do funcionamento dos serviços e sobre os atos dos profissionais de saúde, isso poderá ajudá-la a exigir o tratamento digno a que todo cidadão tem direito. Quando você está grávida tem direitos que devem ser respeitados para que sua gravidez seja saudável e seu parto seguro.


DIREITOS SOCIAIS
" Em várias instituições públicas e privadas existem guichês e caixas especiais ou prioridade nas filas para atendimento a gestantes. Procure informações no próprio estabelecimento;
" Não aceite agressões físicas ou morais por parte de estranhos, do seu companheiro ou de familiares. Caso isso aconteça, procure uma delegacia, preferencialmente a delegacia da mulher do seu município, para prestar queixa.

DIREITOS NO TRABALHO (Garantidos pelas leis trabalhistas - CLT)
" Sempre que você for às consultas de pré-natal ou fizer algum exame necessário ao acompanhamento de sua gravidez, solicite ao serviço de saúde uma DECLARAÇÃO DE COMPARECIMENTO. Apresentando esta declaração à sua chefia você terá sua falta justificada no trabalho;
" Você tem o direito de mudar de função ou setor no seu trabalho, caso o mesmo possa provocar problemas para a sua saúde ou do bebê. Para isso, apresente à gerência um atestado médico comprovando que você precisa mudar de função;
" Enquanto estiver grávida, e até cinco meses após o parto, você tem estabilidade no emprego e não pode ser demitida, a não ser por "justa causa", isto é, nos casos previstos pela legislação trabalhista (se cometer algum crime, como roubo ou homicídio, por exemplo);
" Você tem direito a uma licença-maternidade de 120 dias - recebendo salário integral e benefícios legais - a partir do oitavo mês de gestação;
" Até o bebê completar seis meses, você tem direito de ser dispensada do seu trabalho todos os dias, por dois períodos de trinta minutos, para amamentar;
" O seu companheiro tem direito a uma licença-paternidade de cinco dias, logo após o nascimento do bebê.

Conhecendo os seus direitos, você pode exigi-los e fazer com que sejam cumpridos. Mas, caso estes direitos não sejam respeitados, procure os sindicatos ou associações de sua categoria profissional, para encontrar uma solução. Se a sua categoria profissional não tiver sindicato ou associação, você pode buscar ajuda diretamente na Justiça do Trabalho ou no Ministério Público.

DIREITOS NOS SERVIÇOS DE SAÚDE:
" Ser atendida com respeito e dignidade pela equipe de saúde, sem discriminação de cor, raça, orientação sexual, religião, idade ou condição social;
" Aguardar o atendimento em lugar arejado e limpo, tendo à sua disposição água potável e sanitário limpo;
" Um serviço de saúde de qualidade deve atender a gestante chamando-a pelo seu próprio nome, criar alternativas para evitar longas esperas e procurar lhe dar prioridade nas filas. ISTO TAMBÉM É QUALIDADE DE ATENÇÃO À SAÚDE. ISTO TAMBÉM É RECONHECER OS DIREITOS DE CIDADANIA.

Fonte: Site do Ministério da Saúde - www.saude.gov.br

Calendário Obstétrico: Procure nas datas em "preto" a data do início da sua última menstruação, e a seguir procure nas "datas em vermelho" logo abaixo a data prevista para o parto. Por exemplo: se sua última menstruação foi dia 10 de janeiro, a data prevista do parto será dia 17 de outubro do mesmo ano. Acrescente uma margem de erro de 20 dias, sendo 10 dias antes da data prevista e 10 depois. Ou seja, se a data prevista é 17 de outubro, há boas chances de que o parto ocorra entre 07 e 27 de outubro.

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Fevereiro 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28
Nov/Dez 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 01 02 03 04 05
Março 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31
Dez/Jan 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 01 02 03 04 05
Abril 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
Jan/Fev 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 01 02 03 04
Maio 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31
Fev/Mar 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 01 02 03 04 05 06 07
Junho 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
Mar/Abr 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 01 02 03 04 05 06
Julho 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31
Abr/Maio 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 01 02 03 04 05 06 07
Agosto 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31
Maio/Jun 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31 01 02 03 04 05 06 07
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Jun/Jul 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 01 02 03 04 05 06 07
Outubro 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30 31
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Novembro 01 02 03 04 05 06 07 08 09 10 11 12 13 14 15 16 17 18 19 20 21 22 23 24 25 26 27 28 29 30
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Dica de Leitura - O Guia da Nudez do DVD Nacional
SIMONE SARTORI SPECIAN

Produtores, roteiristas e diretores sabem que uma cena de nudez feita por um astro ou por uma estrela famosos levam público ao cinema, ajudam a alavancar os negócios nas locadoras e garantem audiência na TV. Todos os meses, filmes recentes e antigos pousam no mercado. E seus recursos, como slow motion e zoom, também facilitaram a vida dos voyeurs cinematográficos. É assim que nasce O Guia da Nudez do DVD Nacional, apresentando os momentos sensuais de 58 atores e 81 atrizes em 63 filmes e minisséries, todos lançados em DVD e disponíveis nas locadoras. O guia traz todos os detalhes de cada cena e o momento exato de acionar o pause! Assim, você não perde tempo e se delicia com momentos bem quentes de muita sensualidade explícita.

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