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| Edição 40 |
por Ariadna Garibaldi
O individuo afirma em seu site que gosta menininhas e trás
em seu álbum várias fotos de meninas de 04 a 06 anos em
poses obscenas e em práticas sexuais com adultos. Ora, de fato, não há, no código penal
pátrio a palavra "pedofilia" como crime, mas há,
isto sim, o estupro e o atentado violento ao pudor que abrangem por definição,
também, os tipos de prática inerentes à pedofilia;
Além do mais, o ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente,
assim estabelece: Das chamadas parafilias, a pedofilia é a mais cruel das práticas, pois suas vítimas são crianças inocentes e indefesas, desprovidas de discernimento e abusadas sob os mais diversos tipos de atos violentos, incluindo-se aí a violência mental. O criminoso obtém o "favor" mediante ameaças explícitas ou tácitas, ou falsas promessas, valendo-se da inocência da criança ou de sua extrema necessidade. Ele é geralmente alguém acima de qualquer suspeita, conhecido da vítima e de sua família e inspira confiança. Um parente, um vizinho, um professor, até mesmo um clérigo ou um médico, como naquele rumoroso caso em Brasília. . Há quem diga que é preciso distinguir o pedófilo que pratica o ato sexual ou libidinoso daquele individuo que no recôndito do seu quarto, diante da tela do computador se excita e se masturba com as imagens eróticas das crianças. Isso é uma afirmação no mínimo inocente. Como tais imagens chegaram até ele? Em que condições? E essas crianças que foram abusadas e terão para sempre a sua imagem veiculando na Net, onde eternamente aparecerão como crianças sendo violentadas? Pergunto a quem defende isso: Deixaria o seu filho ou filha de 04 anos sozinha em uma casa com alguém assim? Não? Não deixaria? Ora, mas ele não é um criminoso, ele apenas se excita olhando criancinhas sendo abusadas... Todo crime nasce antes na consciência, no desejo alimentado. Entre devanear o ato e praticá-lo é uma questão de tempo. É preciso combater a divulgação das imagens, cortar o seu caminho e punir quem as divulgam e quem delas faz uso. Comparar a pedofilia ao homossexualismo é preconceituoso e denota uma total falta de conhecimento sobre o assunto. Pedofilia não é opção sexual, como estupro não é. Homossexualismo é prática sexual consentida entre pessoas do mesmo sexo, que já têm o discernimento e a capacidade de escolha. Relação entre pessoas do mesmo sexo ou não, sendo uma delas um adulto e a outra uma criança é crime e tem que ser combatido e punido. Não interessa que em culturas do passado isso tenha sido aceito. Somos responsáveis pelo nosso tempo, não por erros do passado. Em Esparta, as crianças que nasciam com qualquer defeito eram imediatamente assassinadas. A nossa sociedade não apenas protege o deficiente físico como instrui e fomenta o emprego para eles. Não vejo ninguém defendendo que se mate um bebê deficiente só porque em Esparta se praticava isso. Portanto, esse argumento é ridículo em se tratando da prática da pedofilia. O pedófilo, para dar vazão à sua tara não mede limites ou conseqüências. Mata a infância, assassina a inocência, destrói os sonhos e gera uma ferida que jamais será de todo cicatrizada. Sustentar a tese da não punição alegando que o pedófilo de hoje foi a vítima do passado e que por isso tornou-se assim, também é um argumento muito frágil. O fato de alguém ter sido abusado na infância não o torna um pedófilo; O mais provável é que se torne um adulto marcado pela violência e que com certeza terá muitas dificuldades em lidar com as seqüelas de tamanha brutalidade. Portanto, o criminoso ter sido vítima um dia, não serve como atenuante e nem como justificativa. Continua... Dica de Leitura - Análise da Violência Contra a Criança e o Adolescente - HELENA OLIVEIRA DA SILVA JAILSON DE SOUZA E SILVA "A violência que atinge crianças e adolescentes
ainda se faz presente nesse início de século XXI. Se, há
duas décadas, era possível localizar minimamente um tipo
de violência cometida com a criança e denunciá-la
- elevando-se a denúncia a um patamar de consolidação
jurídico e político - na atualidade, esta mesma violência
- variando nos seus graus de opressão e submissão do outro
- apresenta-se cada vez mais "refinada", diluída no contexto
das violências estruturais da sociedade.
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| Edição 39 |
por Tate Fish
Considerado um ato perigoso e até mesmo pecaminoso, a prática da masturbação era proibida, causando neuroses diversas naqueles que eram repreendidos simplesmente por tocarem o próprio corpo em busca de prazer. Dizia-se que a masturbação causava impotência, epilepsia, loucura, espinhas no rosto, e até mesmo, o nascimento de pêlos nas mãos. A atmosfera de "culpa" ou "pecado" envolveu o ato da masturbação durante muito tempo, apesar da história nos falar sobre épocas em que a masturbação era praticada em nível "medicinal", como podemos observar na História do Vibrador Elétrico. Nos últimos anos os debates sobre assuntos sexuais tornaram-se uma tendência, abrindo espaço para que questões como essa fossem mais bem esclarecidas. O que antes era considerado "vício" passou a ser encarado como "terapia" ou "variação do ato sexual". As pessoas sempre se masturbaram, mas isso nunca era admitido, muitas vezes nem para si mesmas. É possível que, ainda hoje, existam pessoas que continuam considerando a masturbação e o sexo como algo feio, sujo, imoral e vergonhoso. Em relação às mulheres, por exemplo, ainda existe um preconceito muito grande, visível no comportamento dos pais para com seus filhos e filhas. Os pais tecem comentários orgulhosos sobre seus filhos se masturbando no banheiro, mas sequer tocam no assunto com suas filhas, muito menos admitem que elas façam isso. No entanto, o desejo sexual da menina, a partir da puberdade, é tão intenso quanto o do menino, só que ela deve esconder isso de todos. Esconder de todos é possível, mas de si mesma é impossível. Portanto, ela fantasia, se masturba e se sente culpada, porque acha que fez algo de errado, que não deveria fazer. É lamentável que tantos pais ainda ajam de maneira tão repressora e ao mesmo tempo omissa, com relação aos próprios filhos. Digo omissa porque é fingir não saber da existência de algo que faz parte da natureza humana, e que eles próprios vivenciaram na adolescência. Felizmente, as coisas estão mudando, e o ato da masturbação começa a ser visto como um meio saudável de autoconhecimento. Durante a infância, a criança brinca com seu corpo, sem relacionar esta atividade ao ato sexual, porém, descobrindo formas de prazer. Na fase adolescente, essa prática funciona como importante meio de conhecer o próprio corpo. É nessa fase que aprendemos muitas maneiras de alcançar o prazer sendo, portanto, fundamental que os jovens sejam esclarecidos e orientados sobre o assunto a fim de agirem com naturalidade e aproveitarem melhor o exercício da autodescoberta. Na idade adulta, a prática da masturbação está longe de ser descartada da vida sexual. Ao contrário do que muitos ainda pensam, a masturbação é um exercício saudável e proveitoso em qualquer idade, mesmo para aqueles que têm parceiros fixos. Como dizer ao parceiro(a) a melhor forma dele(a) lhe tocar se você mesmo(a) nunca o fez? Além disso, a satisfação sexual conduz à satisfação pessoal. Por isso, reprimir os impulsos sexuais pode nos levar a sérias dificuldades psicológicas. A masturbação ajuda você a se sentir bem com o seu próprio corpo, e permite que você aprenda outros caminhos para alcançar o orgasmo. Dica de Leitura - Elogio da Masturbação PHILIPPE BRENOT Brenot, psiquiatra, antropologo e professor de Sexologia, descortina aqui o tabu implicito da masturbacao, reabilitando o mais natural, o mais normal, o mais necessario e o menos compreendido e estudado tema de nossa sexualidade.
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| Edição 38 | A mulher, o Outro e a piada suja por Alexei Gonçalves
Em artigo publicado na seção "Foro Íntimo" de outra edição, lemos o depoimento de uma mulher, cuja indignação, embora oscilante entre o riso de ridículo e a fúria quase desenfreada, não deixa, sempre, de constituir uma indignação diante algo que ela identifica como uma agressão, tão ou mais dolorida quanto uma agressão física, uma agressão que até efeitos físicos provoca: uma agressão da palavra, que não é exatamente aquilo que chamamos de uma "agressão verbal".
Não, o homem que usa a palavra como um alfinete para espetá-la, não a agride por algo que ela tenha feito que o indigne, não se trata de um verdadeiro ataque contra um inimigo hostil, como fica claro quando o homem foge, se encolhe, se envergonha diante da reação irada da mulher. Porque há, nas palavras que lhe dirige, um humor sutil, que ela compreende no seu ridículo, e às vezes ri. Também há, nessas palavras, uma espécie elogio implícito, um elogio grosseiro, sem dúvida, o qual ela não compreende: "como pode um homem elogiar-me, elogiar minha beleza e meus encantos, se me encontro no momento próprio da agressão, despida dos meus aparatos de sedução - cabelos, roupas, maquiagem" - ela se indaga, sem encontrar resposta. Estamos falando, é claro, da "piadinha suja" que um homem dirige a uma mulher estranha na rua - no texto de Miller, chamado de "piropo". Neste breve artigo, seguiremos os passos de Jacques Alain-Miller em uma conferência sobre psicanálise e linguagem (1) para explicar à mulher o que subjaz à "piadinha suja", não para absolvê-la, não para justificar o seu perpetrador, mas para compreender a amplitude e os limites do ato em si. A indagação inicial, perturbadora para a mulher, é saber qual é o gozo que um homem encontra em dirigir uma mensagem erótica a uma mulher desconhecida, com quem sequer pretende ou aspira a conquistar? O erotismo da mensagem contrasta com a intenção real, um "corte entre o dizer e o fazer", expressa ao mesmo tempo um desinteresse profundo pela sua destinatária que, no limite, o transformaria em uma atividade estética. Para Miller, essa incongruência, o gozo, se dá no nível da infração ao código da decência. A mensagem vale por sua diferença com o código, mas a infração do código não é suficiente. É necessária a "sanção do Outro", no caso, a raiva ou o riso da mulher desconhecida. A mulher - no caso, qualquer mulher - encarna para o autor da "piada suja", o Outro sexo, incompreensível, inalcançável. É a esperança o motor da piada, a esperança de que essa mulher, ou qualquer outra mulher, possa ser dele. "É sempre por abuso que se imagina que uma mulher é sua. Os homens inventaram o casamento para poder imaginá-lo", pontua Miller. O aspecto principal da falta de sentido do ato é que ele atrai significações, cria sentidos para além dos sentidos normais. Ele se dirige, segundo Miller, ao grande Outro da Lei, da decência entendida como conjunto de inibições e proibições. O autor da piada, "esse homem infeliz que sempre vê passar diante dele a mulher desconhecida", deseja apenas atrair a atenção da mulher o suficiente para que ela admita sua existência. Portanto, ele se torna homem na medida em que persiste em se fazer ouvir "pelo Outro encarnado na mulher". O aspecto trágico da piada é que ele pode, em seu limite, reduzir-se a uma interpelação do Outro, a essa mulher qualquer, representante de todas as mulheres, da Mulher em sentido absoluto; uma tentativa desesperada de estabelecer contato com o próprio objeto do desejo. O autor conclui que a mulher a quem se dirige a mensagem é, portanto, uma ficção, pois representa todas as mulheres em uma só. "Todos os homens em um só, isso pode existir... Mas, todas as mulheres, é esse sonho fundamental, só existe como ficção". Por carregar o emblema da própria castração, a piada que se dirige à mulher-fictícia encarnada na mulher real, aquela que passa, é também uma agressão. Daí a piada situar-se em uma "zona indecisa" entre o elogio e a ofensa, especialmente quando se fixa na desintegração do corpo feminino, no elogio fetichista a partes da anatomia. (1) MILLER, Jacques-Alain. Percurso de Lacan: uma introdução. Rio de Janeiro: Zahar, 1988, 2ª ed.
Dica de Leitura - Percurso de Lacan: uma Introdução JACQUES-ALAIN MILLER Reuniao de Nove Conferencias do Autor. as Cinco Primeiras, Conhecidas Internacionalmente Como "conferencias Caraquenhas", Realizadas em 1979, e as Quatro Ultimas, Unidas Pelo Titulo "duas Dimensoes Clinicas: Sintoma e Fantasia", Realizadas em 1983.
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| Edição 37 | SEXO:
QUALIDADE X QUANTIDADE Muita gente ainda acha que é preciso transar todo dia para ter uma vida sexual feliz. Mas, cá entre nós, com o corre-corre, o dia-a-dia estressante que a maioria das pessoas vive, torna-se um tanto difícil a realização de tal façanha. Será que todo mundo anda mesmo fazendo sexo diariamente?
Segundo pesquisas realizadas por especialistas de diversos países, apresentadas freqüentemente em revistas femininas de grande circulação (Nova, Cláudia), e outras publicações de temática variada (Superinteressante, Isto É, Veja, Galileu, etc.), a maioria, entre homens e mulheres, afirma fazer sexo uma ou duas vezes por semana. Boa parte, diz praticar de 15 em 15 dias. Você considera isso um problema? Se sua resposta for sim, que tal rever os seus conceitos? Para começo de conversa, não há necessidade de se estabelecer dia e hora para o sexo. A prática da atividade sexual deve ser prazerosa, e por isso mesmo, espontânea. De nada adianta ir para a cama com o(a) parceiro(a) sem tesão, só para "bater o ponto", pois ambos sairão perdendo com isso. Sexo prazeroso requer entrega, confiança, calma, tempo, desejo, tesão! Sem esses ingredientes, o resultado é um bolo solado porque você esqueceu a farinha ou o açúcar! Uma transa semanal de boa qualidade traz muito mais saúde à relação do casal do que sexo diário sem prazer, sem descobertas.
ABIA - AIDS “AIDS em Saúde Mental: um outro PRISSMA”
- I Conferência de Disseminação O Projeto Interdisciplinar em Sexualidade, Saúde Mental e AIDS (PRISSMA) promoverá a I Conferência de Disseminação da pesquisa de criação de uma iniciativa brasileira para a prevenção do HIV em Saúde Mental, “AIDS em Saúde Mental: um outro PRISSMA”. Patrocinado pelo National Institute of Mental Health, este estudo multidisciplinar contou com a participação de pesquisadores da Universidade de Columbia, do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB/UFRJ) e da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA). Ao final de seus 4 anos de duração, compartilharemos com profissionais e pesquisadores do campo da Saúde Mental e AIDS os resultados deste estudo de viabilidade visando à criação de um espaço de interlocução e de divulgação desta intervenção pioneira na área. Fonte: ABIA Dica de Leitura - Manual de Orientação Sexual MARCIO RUIZ SCHIAVO Um manual informativo de fácil consulta, linguagem acessível e leitura agradável, que responde a questões formuladas por adolescentes sobre sexualidade. Serve de instrumento aos educadores, adolescentes, pais, profissionais da saúde e aos interessados no desenvolvimento e exercício de uma sexualidade responsável, saudável, prazerosa e ética.
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| Edição 36 | Arte, corporalidade e sexualidade por Géssica Hellmann
Este artigo é um momento reflexivo sobre o trabalho desenvolvido e apresentado nestas 36 edições. Primeiramente gostaria de abordar um tema que tem sido focalizado nas últimas edições: Arte, Corporalidade e Sexualidade. Em seguida, enfocarei o valor social e cultural das manifestações artísticas, principalmente no que se refere às expressões do "olhar" no contexto das obras aqui apresentadas. Podemos afirmar que a corporalidade e a sexualidade
são fatores decisivos na construção da identidade
pessoal, e de certa forma, do equilíbrio emocional. O corpo sente,
pensa e expressa. Como presente aos que leram até aqui, deixo estes belos versos do poeta Carlos Drummond de Andrade: "MISSÃO DO CORPO Direitos da Gestante (O.M.S) Confira abaixo os dez Direitos da Gestante, promulgados
pela Organização Mundial de Saúde. Se você
estiver grávida, exerça-os, fazendo assim a sua parte para
ter um parto do jeito que mais desejar! Dica de Leitura - Corpo e Imagem BERNADETTE LYRA WILTON GARCIA Esta coletânea de textos pretende, como objetivos específicos, dialogar com os aparatos tecnológicos atuais em suas relações com o corpo e a imagem, observar e reconsiderar as atividades do corpo em suas múltiplas necessidades, discutir o lugar da corporalidade na cultura contemporânea, localizar os processos socioculturais que englobam e configuram o corpo contemporâneo. Divide-se em quatro partes: Imagens do corpo; Eróticas do corpo; Corporalidades da imagem e Corpos na cultura. |
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