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Edição 40

Pedofilia

por Ariadna Garibaldi
(Advogada e escritora)

[De ped(o)- + -filia.]
S. f. Psiq.
1. Parafilia representada por desejo forte e repetido de práticas sexuais e de fantasias sexuais com crianças pré-púberes.

Pedofilia erótica. Psiq.
1. Perversão sexual que visa a criança.


Essa semana fomos atingidos pela descoberta de mais um pedófilo na rede "Orkut".

denunciar pedofilia e crimes na internet - sexualidade;
Ajude a combater a pedofilia! Denuncie!
DIGI-DENÚNCIAS

http://www.prsp.mpf.gov.br/denuncia.htm
CENTRAL DE DENÚNCIAS CONTRA PEDOFILIA
e-mail -
antipedofilia@uol.com.br
POLÍCIA FEDERAL
ddh.cqdi@dpf.gov.br
MINISTÉRIO PÚBLICO
dcs@dpf.gov.br

O individuo afirma em seu site que gosta menininhas e trás em seu álbum várias fotos de meninas de 04 a 06 anos em poses obscenas e em práticas sexuais com adultos.

Acaloradas discussões se formaram por toda a net e duas correntes parecem se destacar:
1- A dos que abominam essa prática e defendem a punição dos seus adeptos por serem criminosos e,
2 - A dos que defendem que devem ser tratados como doentes, sendo a pedofilia apenas um desvio de conduta, comparada ao homossexualismo ou ao voyeurismo. Do lado destes, alguns "defensores dos direitos humanos" sustentam a tese de que o nosso código não define a pedofilia como crime e por isso tais pessoas não deveriam ser punidas, mas submetidas a tratamentos.

Ora, de fato, não há, no código penal pátrio a palavra "pedofilia" como crime, mas há, isto sim, o estupro e o atentado violento ao pudor que abrangem por definição, também, os tipos de prática inerentes à pedofilia; Além do mais, o ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente, assim estabelece:
"Art. 241. Apresentar, produzir, vender, fornecer, divulgar ou publicar, por qualquer meio de comunicação, inclusive rede mundial de computadores ou internet, fotografias ou imagens com pornografia ou cenas de sexo explícito envolvendo criança ou adolescente:
Pena - reclusão de 2 (dois) a 6 (seis) anos, e multa."

Das chamadas parafilias, a pedofilia é a mais cruel das práticas, pois suas vítimas são crianças inocentes e indefesas, desprovidas de discernimento e abusadas sob os mais diversos tipos de atos violentos, incluindo-se aí a violência mental. O criminoso obtém o "favor" mediante ameaças explícitas ou tácitas, ou falsas promessas, valendo-se da inocência da criança ou de sua extrema necessidade. Ele é geralmente alguém acima de qualquer suspeita, conhecido da vítima e de sua família e inspira confiança. Um parente, um vizinho, um professor, até mesmo um clérigo ou um médico, como naquele rumoroso caso em Brasília.

. Há quem diga que é preciso distinguir o pedófilo que pratica o ato sexual ou libidinoso daquele individuo que no recôndito do seu quarto, diante da tela do computador se excita e se masturba com as imagens eróticas das crianças. Isso é uma afirmação no mínimo inocente. Como tais imagens chegaram até ele? Em que condições? E essas crianças que foram abusadas e terão para sempre a sua imagem veiculando na Net, onde eternamente aparecerão como crianças sendo violentadas? Pergunto a quem defende isso: Deixaria o seu filho ou filha de 04 anos sozinha em uma casa com alguém assim? Não? Não deixaria? Ora, mas ele não é um criminoso, ele apenas se excita olhando criancinhas sendo abusadas... Todo crime nasce antes na consciência, no desejo alimentado. Entre devanear o ato e praticá-lo é uma questão de tempo. É preciso combater a divulgação das imagens, cortar o seu caminho e punir quem as divulgam e quem delas faz uso.

Comparar a pedofilia ao homossexualismo é preconceituoso e denota uma total falta de conhecimento sobre o assunto. Pedofilia não é opção sexual, como estupro não é. Homossexualismo é prática sexual consentida entre pessoas do mesmo sexo, que já têm o discernimento e a capacidade de escolha. Relação entre pessoas do mesmo sexo ou não, sendo uma delas um adulto e a outra uma criança é crime e tem que ser combatido e punido. Não interessa que em culturas do passado isso tenha sido aceito. Somos responsáveis pelo nosso tempo, não por erros do passado. Em Esparta, as crianças que nasciam com qualquer defeito eram imediatamente assassinadas. A nossa sociedade não apenas protege o deficiente físico como instrui e fomenta o emprego para eles. Não vejo ninguém defendendo que se mate um bebê deficiente só porque em Esparta se praticava isso. Portanto, esse argumento é ridículo em se tratando da prática da pedofilia.

O pedófilo, para dar vazão à sua tara não mede limites ou conseqüências. Mata a infância, assassina a inocência, destrói os sonhos e gera uma ferida que jamais será de todo cicatrizada. Sustentar a tese da não punição alegando que o pedófilo de hoje foi a vítima do passado e que por isso tornou-se assim, também é um argumento muito frágil. O fato de alguém ter sido abusado na infância não o torna um pedófilo; O mais provável é que se torne um adulto marcado pela violência e que com certeza terá muitas dificuldades em lidar com as seqüelas de tamanha brutalidade. Portanto, o criminoso ter sido vítima um dia, não serve como atenuante e nem como justificativa.

Continua...

Dica de Leitura - Análise da Violência Contra a Criança e o Adolescente - HELENA OLIVEIRA DA SILVA JAILSON DE SOUZA E SILVA

"A violência que atinge crianças e adolescentes ainda se faz presente nesse início de século XXI. Se, há duas décadas, era possível localizar minimamente um tipo de violência cometida com a criança e denunciá-la - elevando-se a denúncia a um patamar de consolidação jurídico e político - na atualidade, esta mesma violência - variando nos seus graus de opressão e submissão do outro - apresenta-se cada vez mais "refinada", diluída no contexto das violências estruturais da sociedade.
As organizações de defesa dos direitos humanos, por sua vez, vêm buscando diversificar e ampliar suas concepções e formas de intervenções de modo a melhor combatê-la.
Nesta perspectiva histórica, o Unicef, que neste processo atuou no desenvolvimento e replicação de metodologias inovadoras e bem-sucedidas de enfrentamento da violência, pretende, com o estudo ora apresentado, recolocar, para seus parceiros e para a sociedade, o debate sobre a violência sofrida no Brasil dentro de uma perspectiva global." - Marie - Pierre Poirier, Representante do Unicef no Brasil.

Violência contra crianças e adolescentes Unicef - sexualidade dica de leitura

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Edição 39

Masturbação

por Tate Fish



Até muito pouco tempo, masturbação, como todo assunto relacionado à sexualidade humana, era um assunto pouco discutido, e as raras referências eram feitas na forma de eufemismos como auto-abuso, vício solitário, autogratificação, etc. Mais grave do que as abordagens sobre o assunto eram as reações para com as crianças flagradas praticando a masturbação.

Dali - Masturbation - arte sexualidade
Masturbation (Salvador Dali)

Considerado um ato perigoso e até mesmo pecaminoso, a prática da masturbação era proibida, causando neuroses diversas naqueles que eram repreendidos simplesmente por tocarem o próprio corpo em busca de prazer.

Dizia-se que a masturbação causava impotência, epilepsia, loucura, espinhas no rosto, e até mesmo, o nascimento de pêlos nas mãos. A atmosfera de "culpa" ou "pecado" envolveu o ato da masturbação durante muito tempo, apesar da história nos falar sobre épocas em que a masturbação era praticada em nível "medicinal", como podemos observar na História do Vibrador Elétrico.

Nos últimos anos os debates sobre assuntos sexuais tornaram-se uma tendência, abrindo espaço para que questões como essa fossem mais bem esclarecidas. O que antes era considerado "vício" passou a ser encarado como "terapia" ou "variação do ato sexual".

As pessoas sempre se masturbaram, mas isso nunca era admitido, muitas vezes nem para si mesmas. É possível que, ainda hoje, existam pessoas que continuam considerando a masturbação e o sexo como algo feio, sujo, imoral e vergonhoso. Em relação às mulheres, por exemplo, ainda existe um preconceito muito grande, visível no comportamento dos pais para com seus filhos e filhas. Os pais tecem comentários orgulhosos sobre seus filhos se masturbando no banheiro, mas sequer tocam no assunto com suas filhas, muito menos admitem que elas façam isso.

No entanto, o desejo sexual da menina, a partir da puberdade, é tão intenso quanto o do menino, só que ela deve esconder isso de todos. Esconder de todos é possível, mas de si mesma é impossível. Portanto, ela fantasia, se masturba e se sente culpada, porque acha que fez algo de errado, que não deveria fazer. É lamentável que tantos pais ainda ajam de maneira tão repressora e ao mesmo tempo omissa, com relação aos próprios filhos. Digo omissa porque é fingir não saber da existência de algo que faz parte da natureza humana, e que eles próprios vivenciaram na adolescência.

Felizmente, as coisas estão mudando, e o ato da masturbação começa a ser visto como um meio saudável de autoconhecimento. Durante a infância, a criança brinca com seu corpo, sem relacionar esta atividade ao ato sexual, porém, descobrindo formas de prazer. Na fase adolescente, essa prática funciona como importante meio de conhecer o próprio corpo. É nessa fase que aprendemos muitas maneiras de alcançar o prazer sendo, portanto, fundamental que os jovens sejam esclarecidos e orientados sobre o assunto a fim de agirem com naturalidade e aproveitarem melhor o exercício da autodescoberta.

Na idade adulta, a prática da masturbação está longe de ser descartada da vida sexual. Ao contrário do que muitos ainda pensam, a masturbação é um exercício saudável e proveitoso em qualquer idade, mesmo para aqueles que têm parceiros fixos. Como dizer ao parceiro(a) a melhor forma dele(a) lhe tocar se você mesmo(a) nunca o fez? Além disso, a satisfação sexual conduz à satisfação pessoal. Por isso, reprimir os impulsos sexuais pode nos levar a sérias dificuldades psicológicas. A masturbação ajuda você a se sentir bem com o seu próprio corpo, e permite que você aprenda outros caminhos para alcançar o orgasmo.

Dica de Leitura - Elogio da Masturbação PHILIPPE BRENOT

Brenot, psiquiatra, antropologo e professor de Sexologia, descortina aqui o tabu implicito da masturbacao, reabilitando o mais natural, o mais normal, o mais necessario e o menos compreendido e estudado tema de nossa sexualidade.

Elogio da Masturbação - sexualidade dica de leitura
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Edição 38

A mulher, o Outro e a piada suja

por Alexei Gonçalves

 

Em artigo publicado na seção "Foro Íntimo" de outra edição, lemos o depoimento de uma mulher, cuja indignação, embora oscilante entre o riso de ridículo e a fúria quase desenfreada, não deixa, sempre, de constituir uma indignação diante algo que ela identifica como uma agressão, tão ou mais dolorida quanto uma agressão física, uma agressão que até efeitos físicos provoca: uma agressão da palavra, que não é exatamente aquilo que chamamos de uma "agressão verbal".

Ana Maria Baralt - woman's face - arte sexualidade
Woman's face por Ana Maria Baralt

Não, o homem que usa a palavra como um alfinete para espetá-la, não a agride por algo que ela tenha feito que o indigne, não se trata de um verdadeiro ataque contra um inimigo hostil, como fica claro quando o homem foge, se encolhe, se envergonha diante da reação irada da mulher. Porque há, nas palavras que lhe dirige, um humor sutil, que ela compreende no seu ridículo, e às vezes ri. Também há, nessas palavras, uma espécie elogio implícito, um elogio grosseiro, sem dúvida, o qual ela não compreende: "como pode um homem elogiar-me, elogiar minha beleza e meus encantos, se me encontro no momento próprio da agressão, despida dos meus aparatos de sedução - cabelos, roupas, maquiagem" - ela se indaga, sem encontrar resposta.

Estamos falando, é claro, da "piadinha suja" que um homem dirige a uma mulher estranha na rua - no texto de Miller, chamado de "piropo".

Neste breve artigo, seguiremos os passos de Jacques Alain-Miller em uma conferência sobre psicanálise e linguagem (1) para explicar à mulher o que subjaz à "piadinha suja", não para absolvê-la, não para justificar o seu perpetrador, mas para compreender a amplitude e os limites do ato em si.

A indagação inicial, perturbadora para a mulher, é saber qual é o gozo que um homem encontra em dirigir uma mensagem erótica a uma mulher desconhecida, com quem sequer pretende ou aspira a conquistar? O erotismo da mensagem contrasta com a intenção real, um "corte entre o dizer e o fazer", expressa ao mesmo tempo um desinteresse profundo pela sua destinatária que, no limite, o transformaria em uma atividade estética.

Para Miller, essa incongruência, o gozo, se dá no nível da infração ao código da decência. A mensagem vale por sua diferença com o código, mas a infração do código não é suficiente. É necessária a "sanção do Outro", no caso, a raiva ou o riso da mulher desconhecida. A mulher - no caso, qualquer mulher - encarna para o autor da "piada suja", o Outro sexo, incompreensível, inalcançável. É a esperança o motor da piada, a esperança de que essa mulher, ou qualquer outra mulher, possa ser dele. "É sempre por abuso que se imagina que uma mulher é sua. Os homens inventaram o casamento para poder imaginá-lo", pontua Miller.

O aspecto principal da falta de sentido do ato é que ele atrai significações, cria sentidos para além dos sentidos normais. Ele se dirige, segundo Miller, ao grande Outro da Lei, da decência entendida como conjunto de inibições e proibições. O autor da piada, "esse homem infeliz que sempre vê passar diante dele a mulher desconhecida", deseja apenas atrair a atenção da mulher o suficiente para que ela admita sua existência. Portanto, ele se torna homem na medida em que persiste em se fazer ouvir "pelo Outro encarnado na mulher".

O aspecto trágico da piada é que ele pode, em seu limite, reduzir-se a uma interpelação do Outro, a essa mulher qualquer, representante de todas as mulheres, da Mulher em sentido absoluto; uma tentativa desesperada de estabelecer contato com o próprio objeto do desejo.

O autor conclui que a mulher a quem se dirige a mensagem é, portanto, uma ficção, pois representa todas as mulheres em uma só. "Todos os homens em um só, isso pode existir... Mas, todas as mulheres, é esse sonho fundamental, só existe como ficção". Por carregar o emblema da própria castração, a piada que se dirige à mulher-fictícia encarnada na mulher real, aquela que passa, é também uma agressão. Daí a piada situar-se em uma "zona indecisa" entre o elogio e a ofensa, especialmente quando se fixa na desintegração do corpo feminino, no elogio fetichista a partes da anatomia.

(1) MILLER, Jacques-Alain. Percurso de Lacan: uma introdução. Rio de Janeiro: Zahar, 1988, 2ª ed.

 

Dica de Leitura - Percurso de Lacan: uma Introdução JACQUES-ALAIN MILLER

Reuniao de Nove Conferencias do Autor. as Cinco Primeiras, Conhecidas Internacionalmente Como "conferencias Caraquenhas", Realizadas em 1979, e as Quatro Ultimas, Unidas Pelo Titulo "duas Dimensoes Clinicas: Sintoma e Fantasia", Realizadas em 1983.

 

Percurso de Lacan - Jacques Alain Miller - dica de leitura psicanálise sexualidade

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Edição 37

SEXO: QUALIDADE X QUANTIDADE
por Tate Fish

Muita gente ainda acha que é preciso transar todo dia para ter uma vida sexual feliz. Mas, cá entre nós, com o corre-corre, o dia-a-dia estressante que a maioria das pessoas vive, torna-se um tanto difícil a realização de tal façanha. Será que todo mundo anda mesmo fazendo sexo diariamente?

Andrei Protsouk - Fever - arte sexualidade
Fever por Andrei Protsouk

Segundo pesquisas realizadas por especialistas de diversos países, apresentadas freqüentemente em revistas femininas de grande circulação (Nova, Cláudia), e outras publicações de temática variada (Superinteressante, Isto É, Veja, Galileu, etc.), a maioria, entre homens e mulheres, afirma fazer sexo uma ou duas vezes por semana. Boa parte, diz praticar de 15 em 15 dias. Você considera isso um problema? Se sua resposta for sim, que tal rever os seus conceitos?

Para começo de conversa, não há necessidade de se estabelecer dia e hora para o sexo. A prática da atividade sexual deve ser prazerosa, e por isso mesmo, espontânea. De nada adianta ir para a cama com o(a) parceiro(a) sem tesão, só para "bater o ponto", pois ambos sairão perdendo com isso. Sexo prazeroso requer entrega, confiança, calma, tempo, desejo, tesão! Sem esses ingredientes, o resultado é um bolo solado porque você esqueceu a farinha ou o açúcar! Uma transa semanal de boa qualidade traz muito mais saúde à relação do casal do que sexo diário sem prazer, sem descobertas.


Descoberta! A chave do sucesso está na capacidade de surpreender o outro. Para isso, não é preciso exageros ou nada que fuja ao seu gosto pessoal, ao contrário, a autenticidade é imprescindível. Enriquecer a vida sexual não significa apenas adquirir apetrechos numa sex shop, vestir-se de bombeiro ou chapeuzinho vermelho. Embora estas sejam boas sugestões, existem muitas outras alternativas, desde o resgate dos prazeres do namoro (passear de mãos dadas, sair para dançar, tomar sorvete, ir ao cinema, curtir carícias no carro, nas escadas do prédio), até mesmo inventar uma fantasia muito sexy! Tudo só depende do seu gosto pessoal, do seu jeito de ser e do(a) parceiro(a). Para melhorar a qualidade da sua vida sexual, basta que você se dedique a ela usando o diálogo franco, a criatividade, o erotismo, a fantasia, pois isso abre espaço para o desejo. É claro que não estamos levando em consideração os relacionamentos falidos, seja qual for o motivo, onde não há mais possibilidade de recuperação. Nesses casos, o melhor é que cada um procure refazer o seu caminho, sempre buscando ser feliz.

É importante lembrar que o sexo, quando bem feito, pode trazer inúmeros benefícios à nossa saúde física e mental. Nos dias atuais, a maioria das pessoas vive sobrecarregada de tensões e responsabilidades, o que resulta numa grande carga de estresse gerando, assim, vários danos à saúde. São muitos os paliativos indicados para aliviar o estresse: massagens, esporte, meditação, caminhada, viagens, etc. Contudo, segundo especialistas, entre todas essas atividades, a que melhor funciona, a que tem efeito mais rápido é o sexo de boa qualidade. O sexo nos deixa leve de corpo e alma, nos transporta, nos tira de órbita. Envolvidos com as carícias, nos afastamos dos problemas, e por isso ressaltamos ser fundamental a entrega total, o relaxamento, que, quanto maior for, mais rápido entramos no clima. Quanto mais tempo durar a troca de carícias, maiores as chances de descobertas e de prazer. Quando o orgasmo se aproxima, nada mais existe, é como se o mundo parasse. É um momento muito especial de satisfação, ficamos deliciosamente exaustos, relaxados. Depois de uma sessão "terapêutica" dessas, estamos em forma novamente para enfrentar o dia-a-dia acelerado!

Conclusão: sexo não combina com pressa ou obrigação e sim com entrega e desejo.

 

ABIA - AIDS

“AIDS em Saúde Mental: um outro PRISSMA” - I Conferência de Disseminação
5 de maio de 2006 - Othon Hotel – Copacabana – Rio de Janeiro

O Projeto Interdisciplinar em Sexualidade, Saúde Mental e AIDS (PRISSMA) promoverá a I Conferência de Disseminação da pesquisa de criação de uma iniciativa brasileira para a prevenção do HIV em Saúde Mental, “AIDS em Saúde Mental: um outro PRISSMA”. Patrocinado pelo National Institute of Mental Health, este estudo multidisciplinar contou com a participação de pesquisadores da Universidade de Columbia, do Instituto de Psiquiatria da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPUB/UFRJ) e da Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS (ABIA). Ao final de seus 4 anos de duração, compartilharemos com profissionais e pesquisadores do campo da Saúde Mental e AIDS os resultados deste estudo de viabilidade visando à criação de um espaço de interlocução e de divulgação desta intervenção pioneira na área.

Fonte: ABIA

Dica de Leitura - Manual de Orientação Sexual MARCIO RUIZ SCHIAVO

Um manual informativo de fácil consulta, linguagem acessível e leitura agradável, que responde a questões formuladas por adolescentes sobre sexualidade. Serve de instrumento aos educadores, adolescentes, pais, profissionais da saúde e aos interessados no desenvolvimento e exercício de uma sexualidade responsável, saudável, prazerosa e ética.

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Edição 36

Arte, corporalidade e sexualidade

por Géssica Hellmann

Gèssica Hellmann - mãos - arte sexualidade
Mãos por Géssica Hellmann

Este artigo é um momento reflexivo sobre o trabalho desenvolvido e apresentado nestas 36 edições. Primeiramente gostaria de abordar um tema que tem sido focalizado nas últimas edições: Arte, Corporalidade e Sexualidade. Em seguida, enfocarei o valor social e cultural das manifestações artísticas, principalmente no que se refere às expressões do "olhar" no contexto das obras aqui apresentadas.

Podemos afirmar que a corporalidade e a sexualidade são fatores decisivos na construção da identidade pessoal, e de certa forma, do equilíbrio emocional. O corpo sente, pensa e expressa.

O ser humano manifesta o que sente através da sua corporalidade. Seja através, do olhar, da forma de ouvir, do falar, enfim em todos os gestos exprimimos os nossos sentimentos, isto é, são expressões corporais do nosso estado de espírito.

A sexualidade também é uma forma de expressão corporal, afetando o ser humano intimamente, de forma tanto positiva como negativa. É altamente dependente de crenças e valores inseridos pela sociedade em que vivemos. Precisamos educar nossa capacidade de expressão corporal e nosso modo de pensar para aprendermos a amar e nos entregar por inteiro. Enfim, o que vimos fazendo é estudar o papel da corporeidade na estruturação dos processos mentais, refletidas nas diversas expressões artísticas, seja na literatura, música ou artes plásticas.

É com o objetivo de manifestar as diversas formas de expressão sexual e combater todos os preconceitos, que desde as primeiras edições procuro dar liberdade à diversidade de idéias, preferências e reflexões neste espaço virtual, oferecendo uma tribuna a autores diversos, principalmente aos que ainda não atingiram voz "na grande mídia".

Cito agora a idéia de arte e corporalidade na visão de Aguinaldo de Souza (2006): "Estrategicamente, parte-se da percepção do uso funcional que as artes, com suas especificidades, fazem do corpo humano, distinguindo tal uso de duas formas: primeiramente, as que partem da corporeidade, tendo o corpo como imagem, referência ou inspiração, denotado em processos descritivos ou modalidades plásticas que recuperam a imagem do corpo humano, quer figurativamente, quer de modo a diluir, em maior ou menor grau, as referências corporais; e, em segundo lugar, as que assumem um processo de corporificação, buscando a presença física do corpo, a exemplo das artes cênicas (dança, teatro, ópera, circo, musical) e demais modalidades de intervenção em que o corpo do artista é presente cenicamente."

Ao pensar em arte, podemos afirmar que existem várias definições citadas por vários conhecedores e pensadores da arte. Mas não consigo me ater a uma como única definição; seguindo os passos de Delfin Sardo: "A arte não tem que ser conceptual" pois, quando a conceituamos, lhe damos limites, fronteiras. A arte é o próprio atrevimento, é um pensar além. A arte cria um impacto, no próprio artista, na obra em si e no espectador.

O acervo da seção "eroarte" e da "galeria géh", assim como as diversas obras que ilustram nossas seções, têm o objetivo de representar a corporalidade humana, além de mostrar as diversas expressões da sexualidade na arte.

Desde o início, sabemos ser esta uma linha tênue. Para tanto tivemos sempre o cuidado de pensar no limite entre arte e pornografia. Mas qual seria este limite? "Arte na minha opinião é uma forma de expressão cultural da beleza. O que inclui o corpo e o ato sexual em si. Já a pornografia, reduz o corpo e o ato sexual a um simples objeto com a única finalidade de masturbação." (Hellmann, 2006).

Seria ilusão dizer que não existe preconceito quanto à expressão visual do corpo humano, especialmente quando sexualizada. Reconhecemos que muitos podem até olhar os trabalhos aqui apresentados como "pornográficos". Mas, quem adota essa visão estreita, põe em xeque o trabalho de artistas renomados, com produção extensa e valor social, histórica e até economicamente reconhecidos. Reafirmo a idéia de que é preciso reaprender a "olhar" sem os vieses impostos pelos tabus e preconceitos socialmente impostos. Refletir a beleza do corpo na arte é fundamental para o combate aos preconceitos quanto à sexualidade humana.

Mas neste momento, volto a me perguntar: os meus trabalhos apresentados na galeria podem ser considerados obras de arte? Têm valor artístico? Que valor podem ser atribuídos a eles? Não tenho esta resposta, sei que muito tenho a aprender. Mas não posso deixar de colocar a minha intenção, como autora e pintora, durante esta jornada. A intenção foi refletir meus sentimentos e transmitir um olhar pessoal sobre o corpo humano, principalmente o corpo feminino. Corpo, expressões e gestos, assim como
este que ilustra o plano de fundo desta edição. Demonstrar através das "mãos", o gesto que se materializa quando o pintor assume a paleta descrevendo um discurso interior. Mãos que fazem, que sentem, que brincam, que expressam, mãos que emocionam.

Como conclusão, assumo minha posição militante de combater a todos os tipos de discriminação de gênero, raça e sexualidade. É preciso crescer, e aprender a olhar, e da mesma forma repassar a nossos filhos e às próximas gerações esse novo modo de olhar, disseminando o amor e o respeito ao próximo.

Como presente aos que leram até aqui, deixo estes belos versos do poeta Carlos Drummond de Andrade:

"MISSÃO DO CORPO

Claro que o corpo não é feito só para sofrer,
mas para sofrer e gozar.
Na inocência do sofrimento
como na inocência do gozo,
o corpo se realiza, vulnerável
e solene.

Salve, meu corpo, minha estrutura de viver
e de cumprir os ritos do existir!
Amo tuas imperfeições e maravilhas,
amo-as com gratidão, pena e raiva intercadentes.
Em ti me sinto dividido, campo de batalha
sem vitória para nenhum lado
e sofro e sou feliz
na medida do que acaso me ofereças.

Será mesmo acaso,
será lei divina ou dragonária
que me parte e reparte em pedacinhos?
Meu corpo, minha dor,
Meu prazer e transcendência,
És afinal meu ser inteiro e único."


Bibliografia:
HELLMANN, Géssica. Pornografia, Erotismo e Arte: onde estão as fronteiras? Disponível em: <www.gehspace.com/arq_ser1a25.htm#22> Acessado em: 24/03/2006.

SARDO, Delfim. Disponível em: <http://www.c-e-m.org/producao/iniciativas/CEMHORAS/delfim_sardo.htm>. Acessado em: <24/03/2006>

SOUZA, Aguinaldo de. TEXTO E CENA: OPERAÇÕES TRADUTÓRIAS DA CORPORALIDADE. Disponível em: <http://www.conexaodanca.art.br/imagens/textos/artigos/Opera%E7%F5es%20tradut%F3rias%20da%20corporalidade.htm> . Acessado em: <24/03/2005>.

Direitos da Gestante (O.M.S)

Confira abaixo os dez Direitos da Gestante, promulgados pela Organização Mundial de Saúde. Se você estiver grávida, exerça-os, fazendo assim a sua parte para ter um parto do jeito que mais desejar!

" Receber informações sobre gravidez e escolher o parto que deseja.

" Conhecer os procedimentos rotineiros do parto.

" Não se submeter a tricotomia (raspagem dos pêlos) e a enema (lavagem intestinal), se não desejar.

" Recusar a indução do parto, feita apenas por conveniência do médico (sem que seja clinicamente necessária).

" Não se submeter à ruptura artificial da bolsa amniótica, procedimento que não se justifica cientificamente, podendo a gestante recusá-lo.

" Escolher a posição que mais lhe convier durante o trabalho de parto.

" Não se submeter à episiotomia (corte do períneo), que também não se justifica cientificamente, podendo a gestante recusá-la.

" Não se submeter a uma Cesárea, a menos que haja riscos para ela ou o bebê (o que pode ocorrer, estatisticamente, em torno de 20% dos casos, embora o índice de Cesáreas na rede hospitalar privada, no Brasil, esteja em torno de 80%).

" Começar a amamentar seu bebê sadio logo após o parto.

" A mãe pode exigir ficar junto com seu bebê recém-nascido sadio.

Observações - Texto em Português correspondente a tradução consagrada em diversas publicações.
Fonte: http://www.aleitamento.org.br/arquivos/direitogestantes.html

Dica de Leitura - Corpo e Imagem

BERNADETTE LYRA WILTON GARCIA

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Esta coletânea de textos pretende, como objetivos específicos, dialogar com os aparatos tecnológicos atuais em suas relações com o corpo e a imagem, observar e reconsiderar as atividades do corpo em suas múltiplas necessidades, discutir o lugar da corporalidade na cultura contemporânea, localizar os processos socioculturais que englobam e configuram o corpo contemporâneo. Divide-se em quatro partes: Imagens do corpo; Eróticas do corpo; Corporalidades da imagem e Corpos na cultura.

 
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