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Homofobia|Arte e Educação| >> |
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| Edição 50 | Arte x reeducação socialGéssica Hellmann Começo este artigo indagando: "É possível a reeducação social através da arte"? Atrevo-me ainda mais: "É possível utilizar a arte como ferramenta de inclusão e de combate ao preconceito"? "Qual a função cultural que a arte pode ter em uma sociedade"? Vivemos numa sociedade com grandes diferenças sociais, culturais, uma sociedade que, apesar de se dizer contra injustiças, muitas vezes é a primeira a apontar o outro por ser diferente de si. Em entrevista com a atriz e produtora de teatro Rocca Stockler ela afirmou que, "A arte em si é o melhor meio de cura que existe para um humano. Brinco que o artista usa os dotes para evitar futuro câncer. Digo isso por, antes de qualquer coisa, escrever. A escrita entrou na minha vida como forma de exorcizar meus próprios demônios, conflitos, situações sem resolução imediata. Não sei a importância disso no contexto íntegro de uma reabilitação social, no entanto sei ser fundamental o uso da arte como forma de extravasar os sentimentos sem compreensão até atingirmos um equilíbrio saudável para nossa mente e corpo. Estando neste equilíbrio... preconceitos ficam automaticamente fora de foco. Pessoas em harmonia não nutrem essas pequenezas." É possível utilizar a arte no combate ao preconceito. Alguns grupos de teatro utilizam a arte para formar um pensamento crítico sobre o combate ao preconceito. Um exemplo é o grupo teatral "Os Inclusos e os Sisos", que une teatro e comédia para sensibilizar públicos diversos sobre a importância de pensar uma sociedade inclusiva. Loureiro (2002), em um de seus artigos, afirma que "É indiscutível a relação entre a emoção estética e a solidariedade". O autor cita Maffesoli: "nossas faculdades simpáticas e ativas são estreitamente ligadas e que é esta relação mesma que especifica a vitalidade de uma época dada, e serve de fundamento a toda forma da sociedade". O estético terá, portanto, a capacidade de fazer emergir "formas de simpatia" acentuando seu papel de ligação e religação social. É como se ocorresse a formulação de um sistema de conhecimento humano a partir da sensibilidade. Sempre acreditei ser possível sensibilizar os corações humanos através da arte e suas manifestações. Como artista plástica procuro através da pintura expressar a beleza do corpo humano. Como editora de uma revista de arte e sexualidade, tenho como missão fazer com que a arte provoque repercussões na maneira como o visitante encara a sua própria sexualidade e aprenda a aceitar as diferenças do outro como algo natural, quebrando tabus e idéias preconceituosas. A arte pode ser uma forma de inclusão social, como prova o projeto de Educação Sexualizada e Jovens com Deficiência Mental, projeto que tinha o objetivo de verificar se a expressão corporal promove o conhecimento do corpo. Maria da Conceição Melo da Cunha (2002) conclui em sua pesquisa que a expressão corporal é um meio que promove o conhecimento do corpo, capacitando os indivíduos com deficiência mental para um melhor conhecimento de si, possibilitando uma vivência mais eficaz da sua sexualidade. Maria afirma ainda que "Educar a sexualidade não é dar uma aula, ou uma boa explicação. Não chega informar, nem sequer promover uma dinâmica de grupo. É proporcionar experiências, onde as pessoas possam desenvolver facetas da personalidade que lhe permitam vivenciar a sua sexualidade de uma forma adequada. Estas passam por uma série de estratégias, como a psicomotricidade, a dança, o teatro, a pintura, os ateliers de imagem, tudo isto são peças importantes que proporcionam experiência e conseqüentemente aprendizagem de uma forma lúdica e envolvente. A sexualidade constitui uma força viva no indivíduo, é um meio de expressão dos afetos, é a forma de cada pessoa se descobrir e descobrir os outros." Como afirmei inicialmente, nos dizemos cidadãos contra as injustiças sociais. Mas será que realmente agimos dessa forma? Fomos educados desde sempre a esconder nossos sentimentos, a sermos racionais, a controlarmos nossas expressões corporais. "A função principal de nossa educação é restringir movimentos", diria José Angelo Gaiarsa, o "pai" da psicoterapia corporal no Brasil. A cada cem movimentos que uma criança poderia estar fazendo, faz somente cinco. E, de repente, estamos adultos (isto é, atingimos a idade cronológica adulta), e alguém nos pergunta: "o que você está sentindo?" - e não é de estranhar que fiquemos perdidos, assustados até, com a pergunta, que, provavelmente, passará pelo crivo do "deixe-me pensar" para responder. Então, bem treinados, continuamos a pensar que pensamos, e respondemos - quando respondemos - um tímido e/ou enorme "não sei", ou mentimos: "Tô legal. Tá tudo bem!" Além de pensar que pensamos, pensamos que sentimos. A anestesia fará efeito, caso não haja uma guinada comportamental, até o último suspiro. (Martins, 2002) O autor afirma ainda que "Este é o mundo normal,
inclusivo e exclusivo de gente. E é nesse mundo que não
sabemos - não sabemos mesmo! - lidar com a palavra "inclusão",
porque, mesmo incluídos, nos sentimos como não. Tudo porque
estamos excluídos de nós mesmos!" Referências Bibliográficas: CUNHA,Maria da Conceição Melo da. A importância dentro de mim - Educação sexualizada e jovens com deficiência mental. In Caderno de Textos : Educação, Arte, Inclusão / organização André Andries. Vol. 1, n. 1 (1. quandrim. 2002) - Rio de Janeiro : Funarte, 2002. LOUREIRO, João de Jesus Paes. A estética de uma ética sem barreiras. In Caderno de Textos : Educação, Arte, Inclusão / organização André Andries. Vol. 1, n. 1 (1. quandrim. 2002) - Rio de Janeiro : Funarte, 2002. MARTINS, Ademir. Expressão corporal é pleonasmo. In Caderno de Textos : Educação, Arte, Inclusão / organização André Andries. Vol. 1, n. 1 (1. quandrim. 2002) - Rio de Janeiro : Funarte, 2002
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| Edição 49 | Preconceito e HomofobiaGéssica Hellmann
[De pre- + conceito.] [De hom(o)- + -fobia.]
Segundo Warken (2006) "Homofobia equivale a medo de homossexuais e, este leva ao desprezo e violências de várias formas contra pessoas que gostam ou sentem atração por pessoas do mesmo sexo". O autor afirma ainda que já existe, em alguns campos, um encaminhamento para a desconstrução do preconceito. Inicialmente, através de políticas de ensino voltadas para implementação dos Parâmetros Curriculares Nacionais. Os parâmetros existem, mas nenhuma obrigatoriedade de que as escolas preparem o corpo docente para a Educação Sexual de forma "transversalizada", ou seja, tratada em todas as disciplinas do currículo escolar. No máximo, o que se tem conseguido é que uma educadora ou educador especialista conceda palestras meramente informativas, que não fornecem apoio necessário à criança e ao adolescente enquanto ela galga os níveis escolares. O preconceito é algo inaceitável. Muitos são os crimes provocados contra os homossexuais segundo pesquisas de universidades. Segundo o Conselho Nacional de Combate à Discriminação (2006),
A violência também inclui muitos casos de assassinatos contra homossexuais, principalmente contra travestis e transgêneros. Tal violência tem sido denunciada com bastante veemência pelo Movimento GLBT, por pesquisadores de diferentes universidades brasileiras e pelas organizações da sociedade civil, que têm procurado produzir dados de qualidade sobre essa situação. Luiz Mott, doutor em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo e mestre pela Universidade de Paris, atualmente Professor de Antropologia na Universidade Federal da Bahia e presidente do GGB - Grupo Gay da Bahia, afirma que
O Brasil, segundo Mott (2006), é o campeão mundial de assassinato de homossexuais e, provavelmente, um dos países do mundo onde ocorrem mais atos discriminatórios diários contra gays, lésbicas e travestis. Em Curitiba, vários casos foram registrados de espancamento de homossexuais nas madrugadas, próximos às saídas dos clubes. "Já recebemos diversas denúncias deste grupo que ataca os homossexuais. Um dos rapazes está com o rosto desfigurado e foi atacado com tesouradas. Até mesmo meninas lésbicas estão sendo atacadas", diz Igo Martini, da Ong Diversidade de Curitiba. (Tosi, 2006) Outro caso aconteceu em final de 2004, no banco Bradesco, com o funcionário Antônio Ferreira, vítima de preconceito por ser homossexual. Com 21 anos de banco, Ferreira, 44, foi um servidor destacado, chegando a ocupar postos importantes como o de gerente, obtendo vários troféus pelas suas vitoriosas ações no cumprimentos de metas. Demitido em fevereiro de 2004 por "Justa Causa", não explicada, por um chefe que rotineiramente o execrava em público, xingando-o em público de "boiola", "viado", "bicha", entre outras expressões, Antõnio reagiu e resolveu buscar os seus direitos junto à Delegacia do Trabalho na capital baiana. (Bragg 2006) Em entrevista com Marcellus Bragg, Ferreira conta que entrou
com um processo na justiça baiana por danos morais e venceu na
primeira instância. A Juíza do Tribunal Regional do Trabalho,
Dra. Margareth Costa, determinou que o Bradesco o indenizasse em quase
um milhão de reais em razão de ter provado nos autos que
foi humilhado e perseguido no banco em razão da sua homossexualidade.
A sentença favorável é inédita, pelo menos
em nível de divulgação e a notícia mais recente
é a de que o Bradesco recorreu da sentença.
Este é uma parte do panorama da homofobia no país. Esperamos que estes projetos de campanha nacional, quando colocados em prática, reflitam na diminuição destes crimes. A bandeira que já há muito tempo empunhamos é a do combate contra todo o tipo de preconceito, principalmente o de gênero e sexuais. Que a arte e suas manifestações sejam um caminho a percorrermos diariamente com o objetivo de sensibilizar corações endurecidos.
Referências Bibliográficas: Bragg, Marcellus. Na Bahia o Bradesco é
acionado por homofobia. Disponível em <http://www.gaybrasil.com.br/bradesco-ba.asp?Categoria=Entrevista&Codigo=2436>
. Acessado em: 21/06/2006. |
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| Edição 48 | Assédio SexualAriadna Garibaldi Todos nós sabemos que houve uma verdadeira revolução de costumes nos últimos tempos e que as mulheres galgaram posições antes jamais sonhadas pela maioria.
No passado, raras heroínas destacaram-se em funções eminentemente masculinas e o fim de algumas foi a morte. Mas, no mundo ocidental, a mulher conquistou, no último século, espaços inimagináveis por suas avós. Hoje, termos como feminismo, por exemplo, já começam a parecer antiquados, e a mulher já não ocupa o mercado de trabalho por opção, mas por necessidade mesmo. Mudou a mulher, mudou a família e o mundo está mudando. Todo esse discurso politicamente correto já é conhecido de todos nós, então, deixando de lado o blá blá blá desnecessário, vamos direto ao ponto: Assédio Sexual, um dos crimes contra os costumes. Art. 216-A. Constranger alguém com o intuito de obter
vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição
de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício
de emprego, cargo ou função.
Não podemos nos esquecer e nem negar que há
mulheres que usam da sedução para fazer carreira. Esse tipo
de comportamento ajuda a alimentar a cultura machista que nivela
todas as mulheres sempre por baixo. O medo de represálias, do rebaixamento de função,
até de ficar mal vista na empresa e dificultar futuras contratações
em outras firmas, faz com que muitas mulheres silenciem diante do assédio
e isso precisa acabar. Só com a conscientização e
a união das mulheres isso pode ter um fim. Volto a dizer que o
assédio sexual não é exclusivo contra mulheres e
pode ser cometido contra pessoas do mesmo sexo, mas só é
considerado assédio sexual, se o autor for superior hierárquico
da vítima e o fizer em razão do cargo que ocupa ou valendo-se
disso para forçar a vítima a ceder "favores" sexuais
a ele ou mesmo a terceiros. Dica de Leitura Crime de Assédio Sexual RUBIA MARA
OLIVEIRA CASTRO GIRAO
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| Edição 47 | Aqui não tem receita de Tesão de Vaca!Géssica Hellmann
Assunto esse sempre circulando entre jovens mancebos, principalmente em cidades do interior, como se fosse a grande descoberta da humanidade. Como conseguir transar com aquela garota que não te dá mole? Em uma das mesas-redondas lideradas pela co-editora Lívia Santana, um dos participantes fez a seguinte indagação:"Vocês conhecem "tesão de vaca"? Tesão de vaca é um produto afrodisíaco lendário, que é vendido no mercado negro dos Sex Shops... Tira as meninas do sério. É o que esses "garotões" usam pra dopar as garotas. O problema é que tem efeitos colaterais: náusea, dores de cabeça, desorientação etc." (veja aqui). Curiosamente, a expressão "Tesão de Vaca" tem liderado nos últimos meses, segundo nossos relatórios de audiência, as palavras-chaves em sites de busca que conduzem ao nosso site. Pessoas procurando saber onde comprar o produto e quanto diluir nas bebidas das mulheres... Isso não é um verdadeiro absurdo? Quem ainda acredita nesta lenda? Além de um grande absurdo, é uma grande irresponsabilidade. Primeiro: aos desavisados, a libido humana, segundo a ginecologista Dra. Kátia Davy Bello, é provocada, em sua maior parte pelo emocional e uma pequena porcentagem pelo fator hormonal. Ou seja, se o emocional não estiver bem, não existe remédio que aumente a libido e o apetite sexual. A Dra. Kátia afirma que, quando é procurada por pacientes procurando soluções para aumentar a libido, não indica remédio algum. Os medicamentos popularmente conhecidos como "Tesão de Vaca" são produtos de uso exclusivamente veterinário, como, por exemplo, compostos de cloprostenol, um indutor de cio. Débora Poplawski, coordenadora de atendimento técnico e farmacovigilância do laboratório Schering-Plough, disse que "Conhecendo as fases do ciclo estral de uma fêmea, é possível se programar para reduzir o período de tempo em que o animal levaria para entrar em cio novamente, portanto o produto "não dá tesão" e sim, apenas antecipa uma fase do ciclo estral." A Dra. Poplawski alerta ainda que o produto é absorvido através da pele. Portanto não se recomenda que mulheres grávidas, pessoas asmáticas e pessoas com problemas bronquiais ou qualquer outro tipo de problema respiratório manipulem este produto. Quando acidentalmente ocorrer a exposição ao produto ou contato com a pele, deverá lavar imediatamente o local com abundante água e sabão. Em caso de broncoespasmo, deverá se administrar imediatamente um broncodilatador de ação rápida como a Isoprenalina o salbutamol por inalação. Existem outros medicamentos indutores de cio bovino compostos principalmente por prostaglandina (PGF2µ) e progesterona (P4), associados ou não. Segundo o Dr. Amaury Mendes Júnior, sexólogo, "em minha clínica de sexualidade, ou nas aulas que ministro, ainda não atendi ninguém que tivesse usado tais substâncias para estimulo sexual, o que na verdade causaria dor uterina pela ação da prostaglandina, inchação e retenção liquida pela ação do progesterona, podendo até alterar o fluxo menstrual. Acredito que, pela dosagem usada nos animais, se forem as mesmas usadas pelas pessoas desinformadas, as reações colaterais possam ser inúmeras, além das citadas: náuseas, desconforto gástrico, ansiedade, inchação das mamas e dor muita dor, podendo até provocar aborto em caso de gravidez pelas contrações excessivas." Segundo o psiquiatra Dr. Luiz Alberto Py, a analogia que podemos fazer com pessoas que administram uma substância sem o consentimento da vítima com a finalidade de forçá-la a fazer sexo, seria com o crime de estupro. Lenda ou não, o fato de existir tanta demanda por esse "produto milagroso" abre as portas para o risco de que se estabeleça um mercado negro para tráfico deste tipo de produto. Segundo a médica veterinária Dra. Tatiana Pinheiro França, um outro caso de administração de medicamentos de uso veterinário irresponsavelmente em seres humanos é o "Boa Noite Cinderela (BNC)". Como os remédios indutores de sono e sedativos de uso humano são de mais difícil acesso, os criminosos costumam apelar para os de uso veterinário. Na experiência do Dr. Luiz Alberto Py, porém, o uso de BNC's está mais ligado a crimes de assalto e seqüestro do que de estupros, rejeitando, por esse motivo, a analogia com o "tesão de vaca". O que me impressiona na verdade é a intenção de crime e a total falta de moralidade. Caso o remédio fizesse o efeito desejado, o fato de supostamente a vítima sentir a urgência de fazer sexo isentaria o indivíduo de culpa? Sabendo que os efeitos colaterais são extremamente perigosos e pondo em risco a própria vida da vítima, a advogada Dra. Ariadna Garibaldi avalia que "dependendo das provas que se tenha em mãos, ainda é tentativa de estupro,confome o Código que define o crime de estupro no art. 213 ("Constranger mulher à conjunção carnal, mediante violência ou grave ameaça: Pena – reclusão, de 6 a 10 anos"), denominado de estupro simples. No art. 223 ("Se da violência resulta lesão corporal de natureza grave: Pena – reclusão, de 8 a 12 anos) e no parágrafo único, do mesmo artigo ("Se do fato resulta morte: Pena – reclusão, de 12 a 25 anos), estão previstos os estupros qualificados. Por fim, existe ainda o estupro presumido, previsto no art. 224 ("Presume-se a violência, se a vítima: a) - não é maior de 14 anos; b) - é alienada ou débil mental, e o agente conhecia esta circunstância; c) - não pode, por qualquer outra causa, oferecer resistência"). Faço agora outra pergunta ao sexo masculino: como está a auto-estima de vocês? Anda tão baixa assim que precisa de um estimulo desse tipo? Faço minhas as palavras ditas pela Dra. Kátia Davy Bello: "Precisar recorrer a esse tipo de expediente para transar com uma mulher é o cúmulo da incopetência". Brincadeiras à parte, repito o que disse no título: aqui não tem receita de tesão de vaca! Mas para não desanimar aos que vieram em busca desta informação, abaixo vai uma outra receita de Vaca que é um verdadeiro tesão e sua namorada vai adorar: Vaca Preta
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| Edição 46 | PRECONCEITO (parte 2): no Brasil, existe ou não?Ariadna Garibaldi
Somos um país formado por imigrantes de vários continentes e raças e por índios; não há outro país no mundo onde as raças tenham se misturado tanto. Tal miscigenação nos dá características bem singulares, na cultura e no comportamento, nos tornando um povo alegre, ordeiro, pacífico. Em que outra metrópole do mundo convivem tão pacificamente judeus, mulçumanos, católicos, protestantes, animistas e etc como em São Paulo? Em que outro país do mundo há maior liberdade religiosa? Tal liberdade só encontra parâmetro nos EUA, e olhe lá... Um amigo, certa vez me falou uma frase que ficou ressoando em minha mente como um sininho a balouçar; ele disse: "O preconceito no Brasil não é racial, nem sexual, nem religioso. O preconceito no Brasil é social. Se você tiver dinheiro, você pode tudo, se você não tiver, você não pode nada, mesmo que seja branco e católico (religião oficial da maioria)" Com efeito; o índio que foi assassinado em Brasília, cuja morte chocou o país, não foi executado por ser índio, mas por ser confundido com um mendigo pelo fato de estar dormindo na rua. Outro exemplo claro são as filas nos postos de serviços públicos, onde são encontradas pessoas de todas as raças e credos, enfrentando as mesmas dificuldades, não em razão de sua raça ou religião, mas por serem pobres. Você pode ser negro, índio, gay, umbandista, kardecista; Não importa a raça, a opção sexual nem a religião que professa, se você tiver dinheiro terá portas abertas onde quer que vá. Não digo que não há preconceito racial, no Brasil, mas também não podemos dizer que vivemos num apartheid como alguns grupos, utilizando-se da mídia querem nos fazer crer. No nosso país, anualmente, reúnem-se, só em São Paulo, mais de 2 milhões de pessoas, manifestando e defendendo livremente suas opções sexuais. Se formos examinar a fundo, talvez cheguemos à conclusão que mesmo nesse caso o preconceito social é muito maior que o sexual. Tem gerado uma grande polêmica a Lei que determina as cotas para negros nas universidades. Muitos acham que deveriam ser estabelecidas cotas para alunos pobres da rede pública de ensino, independente de sua raça, valorizando assim, o esforço de cada um e não privilegiando alguns, em detrimento de outros, o que nos leva a pensar que está nascendo aí um novo tipo de preconceito; Ou a nossa Constituição Federal não nos garante oportunidades iguais para todos, independente de sua raça, sexo ou credo religioso? O aluno branco pobre vê agora suas chances de ingressar numa Universidade pública diminuídas, pois, além de disputar com os alunos ricos, que têm acesso às melhores escolas, vêem agora o seu direito ser barrado diante das cotas destinadas a alunos que em muitos casos têm médias inferiores às suas, só por serem negros. É justo que a cadeira que deveria ser ocupada como recompensa do esforço de cada um seja dada graciosamente a alguém em razão da sua cor, sem levar-se em conta a sua média, que é o fator de acesso determinante em uma Universidade? Preconceito reverso? Direito ou privilégio? Precisamos estar atentos; lutar por seus direitos é um dever de todo cidadão, mas defender privilégios pode gerar reações contrárias fazendo surgir disputas étnicas verdadeiras jamais vistas no Brasil. Não podemos, por medo de parecer preconceituosos, aceitar sem questionar a tudo que nos é imposto, sob pena de sermos hipócritas. Preconceitos existem e devem ser combatidos onde quer que se manifestem e a forma é ressalvar os direitos do cidadão seja qual for a sua raça, credo, opção sexual ou condição social, e não privilegiar alguns pelas mesmas razões.
Dica de Leitura 12 Faces do Preconceito JAIME PINSKYH"Doze autores discutem diferentes formas de preconceito em nossa sociedade. Experiências pessoais de extrema sensibilidade e a experiência profissional de cada autor permitem um quadro amplo e acessível do problema no país. Várias facetas do preconceito se manifestam na escola e com mais freqüência do que gostaríamos de admitir. Além disso, a escola é um lugar privilegiado para discutir a questão do preconceito e até para iniciar um trabalho com vistas a atenuar sua força. Com o objetivo de fornecer material para alunos e professores discutirem o assunto em sala de aula (e até fora dela) é que concebemos este pequeno livro". |
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