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Edição 90

Sexualidade e Corporalidade - Seguindo os passos de Reich: O reflexo do orgasmo e a técnica da vegetoterapia de analise do caráter

Erin Prucha - Circus
Circus por Erin Prucha

Géssica Hellmann

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Wilhelm Reich, durante seu trabalho sobre análise do caráter, tentou, de maneira sistemática, isolar e desmascarar as atitudes de caráter, sempre com o objetivo de liberar as emoções reprimidas. Todas as dissoluções bem-sucedidas da couraça muscular liberavam emoções de cólera ou e angústia. O tratamento das emoções liberadas tornava possível a restauração da motilidade sexual. Reich descobriu que, se aliasse o tratamento de caráter ao tratamento da couraça muscular, os resultados se tornavam muito mais eficazes.

Reich tinha a opinião de que a "rigidez somática" representava a parte mais essencial do processo de repressão. (Reich, 1991).

Segundo o autor, na infância é que se cria o encouraçamento muscular, seja prendendo a respiração ou aumentando os músculos abdominais. As crianças, muitas vezes, são levadas a reprimir o choro, anular seus impulsos de ódio, angústia ou, até, de amor. Até então, a psicologia analítica havia se dedicado somente aos sentimentos que a criança anularia e aos motivos que a levariam a fazer isso, deixando de lado o "modo" pelo qual as crianças lutariam contra os impulsos, ou seja, o processo fisiológico da repressão.

"A estrutura psíquica é ao mesmo tempo uma estrutura biofísica que representa um estado especifico indicativo da intervenção das forças vegetativas de uma pessoa" (Reich, 1991, 256).

Segundo o autor, aliar a terapia de análise do caráter às atitudes musculares possibilita evitar o complicado rodeio pela estrutura psíquica, ao atingir-se diretamente os afetos a partir da atitude somática.

A atitude muscular não é nada além que do que aquilo que chamamos de "expressão corporal" ou "corporalidade".

"Reich achava que a couraça muscular está organizada em sete principais segmentos de armadura, que são compostos de músculos e órgãos com funções expressivas relacionadas. Estes segmentos formam uma série de sete anéis mais ou menos horizontais, em ângulos retos com a espinha e o torso. Os principais segmentos da couraça estão centrados nos olhos, boca, pescoço, tórax, diafragma, abdome e pelve" (Reich 2, 2007).

O autor afirma que, para a dissolução da couraça, são importantes três instrumentos:

- Armazenamento de energia no corpo por meio de respiração profunda;
- Ataque direto aos músculos cronicamente tensos (por meio de pressão) a fim de soltá-los;
- Manutenção da cooperação do paciente, lidando abertamente com quaisquer resistências ou restrições que possam emergir.

A vegetoterapia tem por objetivo dissolver os bloqueios musculares dos sete segmentos citados acima. A energia liberada se expressaria através de ondas de excitação, liberando os afetos e gerando uma elaboração dos conteúdos reprimidos. As couraças podem estar representadas em qualquer um destes segmentos e seu desbloqueio deve ser no sentido céfalo-caudal, iniciando pelo primeiro (ocular) e seguindo em direção ao sétimo nível (pélvico) (Rodrigues, 2007).


Reich descreve as características e os mecanismos de várias atitudes musculares típicas. Dentre elas, a região da cabeça e do pescoço. Dor de cabeça forte é um sintoma comum em muitos pacientes, afirma o autor. Localiza-se freqüentemente acima do pescoço, sobre os olhos ou na testa. (Reich, 1991)

Segundo o autor, quando as pessoas mantém o pescoço tenso por muito tempo, sentirão logo uma dor na parte posterior da cabeça. Já uma dor de cabeça supra-orbital (como uma faixa apertando a cabeça), é geralmente causada pelo hábito de uma elevação crônica das sobrancelhas, causando uma tensão em toda a musculatura do crânio e uma contínua expectativa com relação aos olhos. Outro exemplo citado pelo autor são os espasmos da boca, do queixo e da garganta. Estes pacientes sofrem freqüentemente de náuseas, sua voz é habitualmente baixa, monótona. A mesma reação têm as crianças quando prendem o choro, provocando a tensão no assoalho da boca. Reich afirma que a face como um todo deve ter uma atenção especial, porque ela revela muito do paciente.

Segmento ocular:
A couraça dos olhos é expressa por uma imobilidade da testa e uma expressão vazia dos olhos. A couraça pode ser desfeita fazendo com que os pacientes abram bem seus olhos como se estivessem com medo, forçando uma expressão emocional e encorajando o movimento livre dos olhos.

Segundo Santos (2007) "Como doenças degenerativas do sistema nervoso podemos encontrar o mal de Parkinson, mal de Wilson, Esclerose em placa, biopatias neuromusculares como distrofia muscular progressiva, miotroia de Thomsen, etc. Como biopatias da pele podemos citar o eczema, urticária, psoríase, miotrofia de herpes, alopecia, etc. Nos olhos encontramos os erros de refração da visão tais como miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia, além de dores de cabeça, enxaqueca, etc. No nariz e ouvido temos a rinite, otites, etc. No âmbito emocional, irá resultar em uma dificuldade de contato com outras pessoas, confusão de pensamentos e idéias, falta de ponto, de foco (objetivos), etc. (NAVARRO, 1995)".


Segmento oral:
Este segmento inclui os músculos do queixo, garganta e parte de trás da cabeça. A "retenção do choro" ou de expressões emocionais como morder com raiva, gritar e fazer caretas são inibidas no segmento oral. O encouraçamento pode ser desfeito estimulando-se o choro e com exercícios com os lábios para trabalhar os músculos tencionados.

"Como biopatias mais comuns encontramos os problemas ortodônticos, bruxismo, bulimia, inapetência, boca seca, náuseas, sensação de "bolo" na garganta, etc"(Santos, 2007).

Segmento cervical:
Este segmento inclui músculos profundos do pescoço, da língua, do esternocleidomastoídeo e a glândula tireóide. O encouraçamento acontece principalmente ao reprimir o choro ou a raiva. Para desencouraçar estes músculos, os exercícios de gritar, cantar e vomitar podem liberar a energia tencionada.

Segundo Santos (2007), "As biopatias mais comuns são o torcicolo, tensão ou dor muscular na região dos ombros e pescoço, reumatismo muscular, artrose cervical, hiper ou hipotiroidismo, entre outras".

Segmento torácico:

Neste segmento encontram-se o tórax, incluindo o coração, o pulmão, timo e os membros superiores. Ele serve como inibidor do riso, da raiva, da tristeza, do desejo, do amor e do ódio. A inibição da respiração, que é um meio importante de suprimir toda emoção, ocorre geralmente no tórax. O exercício respiratório completo é essencial para liberar as energias reprimidas neste segmento.

"As biopatias recorrentes dos bloqueios deste nível são a asma brônquica, aumento da frequência cardíaca, palpitações, dores no peito e nas costas, aterosclerose, arteriosclerose, hipertensão, enfisema pulmonar, tremores ou sensação de fraqueza, sudorese, mãos frias e úmidas, etc" (Santos, 2007).

Segmento diafragmático:
Neste segmento inclui-se o diafragma, o plexo solar, o estômago e outros órgãos internos, além dos músculos das vértebras torácicas baixas. Este encouraçamento inibe a raiva extremada.

"O bloqueio diafragmático traz uma ansiedade de espera da punição ocasionando biopatias como ansiedade, inquietação, falta de ar, fadiga, dores na região lombar, problemas no estômago (úlcera, gastrite), fígado, baço, diabete, etc" (Santos, 2007)

Segmento abdominal:
Neste segmento incluem-se os músculos abdominais longos e os músculos das costas. É importante lembrar que os segmentos devem ser liberados de primeiro ao sétimo, nesta ordem.

"As biopatias apresentadas neste nível ocasionam problemas intestinais, renais, etc" (Santos, 2007).

Segmento pélvico:
Este segmento inclui os músculos da pelve, dos membros inferiores, e os órgãos internos (ovários, útero, bexiga, genitais). Portanto este encouraçamento inibe a ansiedade, a raiva e o prazer. A inibição da ansiedade e a raiva resulta na inibição do prazer sexual.

"As biopatias deste segmento são problemas sexuais como frigidez, impotência, ejaculação precoce, varizes, etc" (Santos, 2007).

Reich afirma que a inibição respiratória e a fixação do diafragma são os principais atos da supressão das sensações de prazer no abdômen (Reich, 1991).

Segundo o autor, desde crianças somos levados a reter (controlar) nossas emoções; somos tão reprimidos que esquecemos como respirávamos quando éramos bebês e começamos a fazer uma respiração incompleta.

Com este mapeamento do corpo humano sugerido por Reich, torna-se possível e viável a técnica da vegetoterapia. Um ser humano com suas couraças liberadas está aberto a novas descobertas, e principalmente a uma nova maneira de olhar o mundo e a sociedade ao seu redor; está aberto a se conhecer, se amar e amar ao próximo com a mesma intensidade.

Como mãe, pesa a responsabilidade de uma boa educação para meu filho. Lembrar-nos constantemente da importância de como nos relacionamos com eles ainda pequenos. Frases como "não chore", "fale baixo", ou outras intimidações verbais, será que são necessárias? O quanto elas podem se transformar em couraças? Como incentivar meu filho a expressar seus sentimentos - e, conseqüentemente, sua corporalidade e sexualidade - de uma forma sadia?


Bibliografia

Reich, Wilhelm. A função do orgasmo - Problemas econômico-sexuais da energia biológica. São Paulo: Círculo do Livro, 1991.

Rodrigues, Henrique J. Leal F. Da Vegetoterapia à Orgonomia: uma mudança de paradigma. Disponível em: < http://www.reich.psc.br/pdf/Da%20Vegetoterapia%20a%20Orgonomia%20uma%20mudan%E7a%20de%20paradigma.pdf>. Acessado em 18/04/2006.

Santos, C. N. Mapeamento emocional do corpo humano. In: CONVENÇÃO BRASIL LATINO AMÉRICA, CONGRESSO BRASILEIRO E ENCONTRO PARANAENSE DE PSICOTERAPIAS CORPORAIS. 1., 4., 9., Foz do Iguaçu. Anais... Centro Reichiano, 2004. CD-ROM. [ISBN - 85-87691-12-0]

 
Edição 89

Maternidade e Paternidade uma missão de amor


Géssica Hellmann - Martin adormecido
Martin adormecido por Géssica Hellmann


Géssica Hellmann e Alexis Kauffmann

(Sugira um tema para esta revista)

Como dizia Wilhelm Reich, a procriação não é finalidade da sexualidade, como muitos afirmavam na época, mas faz parte dela. Hoje falaremos sobre maternidade e paternidade. Um texto escrito a quatro mãos e três corações.

Junho de 2005 foi quando decidimos que queríamos ter um filho. Corre-corre atrás de plano de saúde, de informações sobre pré-parto, ginecologista-obstetra. Um sentimento crescente de amor dentro do peito.

Meses se passaram, e já no final de agosto, sabendo que minhas regras estavam com uma semana atraso, eu e meu marido fomos fazer um passeio no shopping aqui perto de casa. Lá ele entra por impulso em uma farmácia e compra um kit de teste de gravidez.

Lá fui eu ao banheiro do shopping para fazer o teste. O nervosismo e a ansiedade eram tão grandes que não consegui fazer o teste. Senti algumas gotas de sangue saindo de mim. Abalada, com lágrimas nos olhos e o coração apertado corri para os braços de meu marido. Sentia-me frustrada. Ele carinhosamente me aninhou e me levou pra casa.

Após algumas horas, já mais calma, ele me pede para fazer o teste, mesmo que minha menstruação aparentemente tivesse descido, "para saber como é que se faz". Fiz o teste e não acreditava no resultado que aparecia no visor. Chorei, ri, vibrei e senti algo muito maior dentro de mim. Positivo era o resultado. Sim eu estava esperando um filho, o fruto de nosso amor.

Como pais de primeira viagem, surgiram as primeiras dúvidas, será que seriamos bons pais? Trazer uma criança à vida ao mundo atual é certamente uma grande responsabilidade. Um fato era certo: ele havia sido planejado, esperado e amado mesmo antes de ser feito. O amor superava todos os receios.

Sentia uma energia nova, uma vida nova se formava em meu ser. Já não era somente eu, éramos dois e três ao mesmo tempo.

Mesmo após o resultado positivo obtido pelo teste adquirido na farmácia, continuava um pequeno corrimento de sangue, que nos preocupava. Saímos a procura de obstetras para acompanhar o pré-natal. A primeira médica que fomos solicitou vários exames e me receitou um medicamento de uso ginecológico. Mal olhou na minha cara e disse que não acreditava em testes de farmácia.

Anjos da guarda existem! Meu marido comprou o remédio prescrito e me entregou, pouco antes de usa-lo resolvi fazer algo que não é de meu costume: ler bula de remédio. E lá dizia "Não deve ser utilizado durante a gravidez e a amamentação. Informe seu médico se ocorrer gravidez ou iniciar amamentação durante o uso deste medicamento".

Guardo o remédio até hoje, não sei exatamente o motivo, talvez para lembrar-me sempre destes anjos que nos acompanham. Fomos a outros médicos, até encontrar um em quem sentimos confiança.

O teste de laboratório confirmou a gravidez. Um novo ser crescia dentro de mim. No primeiro mês meu filho escolheu seu nome. Sim é dele o mérito. Seria Martin. Como já sabia que era um menino? Impossível explicar, mas já o sabíamos. Nosso lado racional nos pedia para escolher um nome feminino, o fizemos, mas sem muita convicção.

A maternidade é maravilhosa, só o sabem que é mãe. Os preparativos dos meses a seguir, roupinhas, comprar o berço, a expectativa e, a cada dia, uma nova descoberta, uma nova sensação.

Senti-lo desenvolver-se dentro de mim foi fantástico. Cada ultra-sonografia uma emoção, um sentimento de incredulidade misturado com esperança. O pai emocionado brinca com palavras e rimas para expressar seu sentimento:

Amor de pai

"Tuas mamas amnióticas
Ferem as trompas de Eustáquio
Do teu homem mais neurótico
Reduzido a batráquio
Ciúme sente psicótico
Como o empalador Valáquio
Um desejo estrambótico
Por teu útero terráqueo
Isto não é um soneto
Ângulo de hipotenusa
Vértice ou longitude:
Um amor que amiúde
Envaidece minha Musa
Sete notas de um cateto!"

Minha gravidez foi tranqüila, inicialmente com um pouco de anemia e um pequeno corrimento, que cessou após tratamento correto. Enjôo, só com creme dental. O pai cantava e tocava sua velha guitarra para nós. A mãe pintava seus quadros em meio a cores e emoções. Os meses se passaram, já estávamos na reta final... Ou inicial? Quase nada podia usar de meu guarda-roupa, a barriga imensa e imponente. A avó materna do Martin, chega ao Rio semanas antes do seu nascimento para acompanhar os pais de primeira viagem.

Sempre quis parto normal, mas minha médica argumentava falando sobre a dificuldade de encontrar leitos em boas maternidades (pelo menos, nas que meu plano de saúde cobria), e que, se fosse o parto fosse à noite ela não poderia realiza-lo. É a realidade aqui no Rio de Janeiro: violência, medo de assaltos e o que eu costumo chamar de "parto industrializado".

Sim é verdade que os obstetras ganham mais em cesáreas, e também é verdade que são muito mais práticos para a maternidade aqueles que são realizados com hora marcada. A livre escolha da mãe é, muitas vezes, comprometida por essas inseguranças e por esta realidade.

Dia 18 de abril véspera do dia tão esperado. Quem conseguia dormir? Mala preparada, primeira roupinha que meu amor usaria quando viesse ao mundo. Vovó, mamãe e papai ansiosos pelo dia amanhecer. Jejum desde as 20:00 do dia 18, parto marcado para as 10:00 horas da manhã do dia 19 de abril.

Dores do pós-operatório não se comparavam a emoção de ter meu filho nos braços, meu guerreiro iluminado. Ser mãe vale a pena!

Curtir cada dia sua evolução, suas descobertas, seu olhar carinhoso com um sorriso maroto. Primeiros gestos expressivos, sua sinceridade em avaliar as pessoas. Um ser iluminado. Mesmo quando os pais sentiam-se cheios de dúvidas, sofrendo pressões no dia-a-dia, lá estava ele, sempre pronto para nos doar carinho e coragem para seguir em frente.

Nos questionamos sempre sobre sua educação para que tenha uma vida saudável, nesta sociedade com tantos preconceitos e tabus, com tantas neuroses enraizadas. Como pesquisadora em corporalidade e sexualidade, procuramos educar nosso filho para o amor ao próximo, para aprender a respeitar a diferenças, para uma sexualidade sadia e natural. Rezamos e agradecemos a Deus a cada dia pela oportunidade ser pais de um menino tão amado.

Aos três meses, já queria "andar" e percorreu sua primeira "maratona de um metro". Filmamos, fizemos festa. Sim ele só tinha três meses, não era idade nem para engatinhar e já queria andar.

No aniversário do pai, em janeiro deste ano, ele o presenteou aprendendo a engatinhar e a percorrer toda a casa com uma rapidez incrível. No aniversário da mãe em março ele me acorda batendo palmas. Alegria única. Chama mamãe de "Mã" e papai de "Tdê". Hoje, em seu primeiro aniversário, presenteou a avó e as tias que moram longe com um espetáculo de beijos pela webcam.

Ele é assim, nossa vida, nosso amor, nossa razão de ser e existir. Esta edição é dedicada ao Martin, nosso filho e amigo que completa hoje um ano de existência.

 

Edição 88

Sexualidade e Corporalidade - Seguindo os passos de Reich: A irrupção no campo biológico III


Erin Prucha
por Erin Prucha


Géssica Hellmann

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Em 1933, os entendimentos do campo psíquico e somático mostravam para Reich que os impulsos e sensações não eram produzidos pelos nervos, mas apenas transmitidos por eles. "Todos os impulsos biológicos e sensações biológicas do organismo podem ser reduzidos à expansão (alongamento, dilatação) e contração (encolhimento, constrição)".

O autor afirma que as pesquisas sobre as "inervações vegetativas" dos órgãos mostra que o sistema parassimpático funciona quando há expansão, dilatação, hiperemia, tensão e prazer. Já os nervos simpáticos funcionam quando há contração, quando o sangue foge da periferia e aparecem a palidez, angústia e a dor.

"Na experiência do prazer, os vasos sanguíneos se dilatam na periferia, a pele se torna corada, o prazer é experimentado desde a mais suave das formas até o mais alto grau de êxtase sexual". No prazer, ocorre a dilatação parassimpática, em que o coração se expande. Na angústia, o coração se contrai, aumentando a freqüência cardíaca.

Psiquicamente, a expansão biológica é experimentada como prazer e, a contração, como desprazer. No campo dos fenômenos instintivos, a expansão funciona como excitação sexual e a contração como angústia. Já no nível da fisiologia, a expansão corresponde ao funcionamento parassimpático e, a contração, ao funcionamento simpático.

Reich, pouco a pouco, mapeava o funcionamento das emoções no corpo humano. Aprofundou seus estudos no campo biológico, principalmente no prazer e desprazer (expansão e contração). Concluiu que as emoções (sensações) estavam ligadas a carga e descarga de tensão. Como vimos anteriormente, Reich percebeu que as resistências dos pacientes se manifestavam através do encouraçamento do caráter e também da couraça muscular, ocasionando tensões musculares que impediam o ser humano de manifestar claramente suas emoções.

Reich, então, se questiona: de onde se origina a energia vegetativa? Onde era seu centro? Levando em conta dados conhecidos na época: "Na região abdominal - a chamada sede das emoções - encontramos os geradores da energia biofísica. São os grandes centros como do sistema nervoso autônomo, especialmente o plexo solar, o plexo hipogástrico e o plexo lombo-sagrado".

Reich se perguntava como cada órgão funcionava normalmente no prazer e na angústia. O sistema nervoso parassimpático dilata os vasos sanguíneos, aumentando o fluxo de sangue para a periferia, tornando lenta a ação do coração. Já o sistema simpático contrai os vasos sanguíneos da periferia para o centro, estimulando a ação do coração.

Podemos perceber o funcionamento da função simpática da angústia quando lembramos que o sistema nervoso simpático estimula o músculo que impede a micção, enquanto o sistema nervoso parassimpático tem efeito contrário, relaxando ou inibindo o mesmo músculo. No organismo em geral, é também significativo que, no prazer, as pupilas sejam contraídas pelo sistema parassimpático, aguçando a visão. Na angústia, ou paralisia causada pelo medo, a visão diminui por causa da dilatação das pupilas.

Em 1934, Reich escreve uma pequena monografia sobre seus estudos e tenta participar do XIII congresso psicanalítico, sem sucesso. Ao chegar ao congresso, Reich soube, por meio do secretário da Sociedade Psicanalítica Alemã, da qual havia sido membro, que havia sido expulso da Sociedade, sem prévia justificativa ou notificação, em 1933.

Segundo Reich, a teoria do orgasmo podia orgulhar-se de ter feito importantes contribuições à compreensão da fisiologia do organismo. Cada vez mais desvendava as emoções e seus reflexos corporais, unindo suas descobertas sobre a sexualidade e corporalidade humana.

No próximo artigo, introduziremos as reflexões reichianas sobre o reflexo do orgasmo e a técnica da vegetoterapia de análise do caráter.

Bibliografia

Reich, Wilhelm. A função do orgasmo - Problemas econômico-sexuais da energia biológica. São Paulo: Círculo do Livro, 1991.

 

Edição 87

Sexualidade e Corporalidade - Seguindo os passos de Reich: A irrupção no campo biológico II


Erin Prucha
por Erin Prucha

Géssica Hellmann

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Com vários anos de trabalhos e estudos no campo da sexologia e da psicanálise, uma definição simples e direta para o termo "energia biopsíquica" ainda não havia sido formulada. Retomando o ponto de partida da teoria do orgasmo, "as neuroses e as psicoses funcionais são sustentadas por uma energia sexual excessiva e inadequadamente descarregada". O que se sabia, entretanto, é que elas estavam enraizadas (encouraçadas) no corpo. Reich afirma que, apesar dos avanços de Freud, a ciência oficial não queria saber nem se posicionar a respeito da sexualidade.

Reich tratou de um paciente, em 1933, que apresentava resistência à revelação de suas fantasias homossexuais. Esta resistência era expressa principalmente pela rigidez (encouraçamento) do pescoço. "Durante três dias, foi abalado por aguda manifestações de choque vegetativo". De pálido mudava rapidamente de branco para amarelo ou azulado, a pele ficou manchada de cores diferentes, sentia dores no pescoço e atrás da cabeça, aumento de batimento cardíaco, diarréia. O aparente "pescoço rígido", até então, mantinha presas suas energias vegetativas que se soltavam agora de forma caótica e descontrolada. "A energia da vida sexual pode ser contida por tensões musculares crônicas".

Reich então tinha confirmado algo importante: "se a couraça de caráter podia ser expressa pela couraça muscular, e vice-versa, então a unidade de funcionamento psíquico e somático havia sido entendida de princípio e podia ser influenciada de maneira prática".

A liberação das tensões musculares produzia sensações corporais como tremores, contrações de músculos, impressão de alfinetadas, frio, calor, excitação nervosa, angústia, cólera e prazer.

Reich sentia que algo mais além da corrente sangüínea provocava este "aperto no peito" (angústia). Seguindo estes pensamentos, Reich chegou à noção de "bioeletricidade".

Baseando-se nos experimentos do médico berlinense Krauss, que verificou que o corpo seria governado por processos elétricos, Reich seguia na comprovação de sua fórmula do orgasmo: tensão > carga > descarga > relaxação.

A tensão sexual é sentida no corpo todo, mais fortemente expressa nas regiões do coração e do abdômen. A excitação se concentra gradualmente nos órgãos genitais, que se tornam congestionados com sangue, atingindo com cargas elétricas a superfície dos genitais. Um toque em uma parte do corpo pode excitar outras áreas do corpo. O processo de fricção aumenta a tensão até atingir o orgasmo (descarga elétrica) seguida de relaxação.

Este conceito leva Reich novamente para a idéia de uma bexiga elástica cheia. A bexiga elástica teria um mecanismo de carga operando automaticamente no centro, seria carregada espontaneamente a partir de seu interior, a carga poderia ser maior em algumas áreas e menor em outras. Dentro da bexiga, as cargas elétricas estariam em constante movimento, mas uma direção prevaleceria do centro para fora. Se a energia interna se torna grande demais, a bexiga poderia, contraindo-se, descarregar a energia para fora.

Fazendo uma comparação da bexiga com o corpo animal, Reich constatou que o corpo animal no mais baixo estágio de desenvolvimento possui um mecanismo que gera eletricidade a partir do centro para a periferia. São os chamados gânglios vegetativos, células nervosas ligadas a todos os órgãos do corpo que se dividem em sistemas "simpático" e "parassimpático".

"Nossa bexiga imaginária pode expandir-se e contrair-se. (...) Se nos esforçássemos realmente por manter uma pressão constante sobre a superfície toda, i.e., impedindo-a de expandir-se apesar da continua produção interior de energia, ficaria em um perpétuo estado de angústia". (Reich, 1991)

A bexiga sentindo-se incapaz de fazer algo por si mesma precisaria da ajuda de outra pessoa para aliviar esta tensão. Por exemplo, através de massagem, ginástica, furando-a se necessário (fantasia de estar sendo aberta em furos), machucando-se (fantasia masoquista) e se nada resolvesse, destruindo-a (morte sacrifical). Reich, ao utilizar este exemplo, fazia a comparação com a neurose da sociedade do século XX.

Segundo Reich, esta bexiga encouraçada teria uma atitude estranha e hostil em relação a ela. Sentiria-se muito especial, uma raça superior pelo simples fato de usar um uniforme e um colarinho. A natureza seria considerada "vil", "impulsiva", "demoníaca". Ao mesmo tempo, a bexiga sentiria em si os vestígios desta natureza: associar a natureza a convulsões do corpo seria blasfêmia. Assim mesmo, criaria industrias de pornografia, sem perceber a contradição.

No campo da fisiologia a idéia de uma bexiga encouraçada se confirmava pelo fato que os músculos se contraem espontaneamente e/ou por estímulos elétricos. Uma observação minuciosa na função cardíaca comprovou também que o processo de "tensão-carga" governa a função cardíaca. O resultado da carga e descarga é o vazamento do sangue através da aorta por causa da contração do coração.

Outro exemplo citado por Reich no campo da biologia é que a bexiga urinária não se contrai a fim de cumprir sua função mictória ou de poderes "divinos" ou sobrenaturais. Contrai-se simplesmente porque seu enchimento mecânico induz uma contração. Esse mesmo princípio pode ser aplicado nos termos das relações sexuais: não temos relações sexuais para gerar filhos, e sim porque uma congestão de fluido carrega bioeletricamente os órgãos genitais e pressiona em direção à descarga. "Assim a sexualidade não está a serviço da procriação; mais propriamente, a procriação é um resultado incidental do processo tensão-carga nos genitais".

A cada novo argumento Reich "destrinchava" a neurose sexual e política vigente, como um grito ao vento de ouvidos surdos à realidade.

Bibliografia

Reich, Wilhelm. A função do orgasmo - Problemas econômico-sexuais da energia biológica. São Paulo: Círculo do Livro, 1991.


Depoimento de um soropositivo

 

  • "Eu me infectei com um namorado, há mais de dez anos. Eu trabalhava em uma clínica e até cheguei a alertá-lo algumas vezes para que usássemos preservativos, tentei conversar sobre o HIV, mas ele não quis saber. Ele, era muito machista, achava que AIDS era doença de homossexuais e que usar camisinha seria como confessar que ele era gay".
  • "Eu comecei a manifestar os sintomas sem saber que estava infectada. Tive várias pneumonias, um resfriado atrás do outro e ninguém me pediu um exame de HIV. Acho muito importante informar que muitos médicos são completamente desinformados sobre AIDS. Por exemplo, já ouvi médicos dizendo que só é possível pegar AIDS quando o homem tem uma ejaculação completa, o que não é verdade: aquela primeira gotinha de líquido seminal já é suficiente para infectar a parceira. Outra balela que já ouvi de médicos é que o coito interrompido seria suficiente para evitar a infecção".
  • "Durante quatro anos, fui 'cobaia' de todos os tipos de antibióticos. Como eu tinha uma gripe ou resfriado sérios praticamente a cada dois meses, com febrão, pneumonia e tudo mais, eu resolvi me tratar diretamente com um pneumologista. Depois de tanto tempo eu comecei a brincar que, se uma pneumonia não me matasse, eu teria câncer pelo efeito da radiação, tantos eram os raios X de pulmão que tive de fazer durante esse período. Também tive vários furúnculos, que tratei com dermatologista. Tudo isso já eram sintomas do HIV e nenhum médico que me tratou pediu um exame de HIV durante todo esse tempo".
  • "Um belo dia, eu fui dormir me sentindo bem e, no dia seguinte, acordei com 40 graus de febre, incapaz de me levantar da cama, mas sem nenhum sintoma de gripe. Pedi à minha irmã que fosse me ajudar e, alarmada, ela entrou em contato com o médico que a atendia. Ele recomendou que eu fosse internada e, no hospital, descobriram que eu estava com pneumonia dupla. Fui para o CTI e sequer conseguia respondia às perguntas do médico. Lá, o médico observou que um dos meus furúnculos não havia se curado completamente e pediu uma biópsia. Foi durante essa biópsia que descobriram que eu estava com infecção por HIV em estágio avançado".
  • "Eu não quis contar à minha família como havia contraído o HIV, eles nunca souberam desse meu relacionamento e não vi motivos para contar quatro anos após o fim do namoro. Então, aproveitei para 'encaixar uma transfusão de sangue' (risos) em uma cirurgia que tive de fazer alguns anos antes para justificar o contágio".
  • "Assim que eu comecei o tratamento no posto-de-saúde, me deram um cartãozinho aqui do IPrA e conheci a Rosa. Fiquei impressionada com sua força e imediatamente senti vontade de trabalhar aqui. Porque eu nunca me senti culpada por estar doente. Quando eu soube que estava infectada, meu maior desejo foi o de conhecer outras pessoas com o mesmo problema".
Edição 86

Artists International Direct Support (A.I.D.S)


Géssica Hellmann - Amar o próximo
Amar o próximo por Géssica Hellmann

Leigh-Anne Tyson

(versão em português)

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In 2006, the population of Canada was just over 32 million people, and the total number of people globally affected by HIV/AIDS last year alone was 39.5 million. According to the "Annual AIDS Epidemic Update" report published by UNAids and WHO, almost two thirds (63%) of all persons, including children, infected with HIV are living in sub-Saharan Africa. Over 24.7 million adults and children lived with HIV in 2006, 2.8 million people became newly infected and 2.1 million adults and children died of AIDS in sub-Saharan Africa alone. These deaths represent 72% of global AIDS deaths. The impact of HIV/AIDS on women and children is staggering. Women are more likely to become infected with HIV, and most often carry the burden of caring for people infected with HIV. It is for this reason that Artists International Direct Support (A.I.D.S) has worked to create more awareness in Canada, and internationally about the HIV/AIDS epidemic and its impact on women and children in sub-Saharan Africa. Over the past 3 years, Artists International Direct Support has raised over a half million dollars for NGO organizations and projects who directly help women and children affected by HIV/ AIDS.

The funds raised through various twinning portfolios and matching projects has allowed Artists International Direct Support to distribute money to projects on the ground in Africa, including Topsy Foundation, Cotland's Baby Sanctuary, Nkosi's Haven and Nelson Mandela Children's Fund. These projects all help women and children affected by the HIV/AIDS epidemic in Zimbabwe, South Africa, Malawi and Zambia. The projects that Artists International Direct Support chooses, fall into the following categories:

1. Orphanages, Granny projects, AIDS day cares;

2. Food, shelter and clothing for women and children affected by HIV/AIDS or

3. Sustainability projects that move people towards self-sufficiency (Soul of Africa, KwaZulu-Natal).

Artists International Direct Support does not give towards capital funding or infrastructure, and goes to sanctioned NGO's, recommended by Stephen Lewis or Nelson Mandela. Artists International Direct Support works closely with the Rotary Club, who helps to ensure that the projects that are supported, are made accountable.


About Kids for Kids/ Art for Aids Twinning Projects:


Artists International Direct Support has developed Twinning projects with public school boards, and private schools in Ontario, Canada and South Africa, pairing each project with a corporate sponsor. Each project develops a portfolio of student artwork (collage) through art workshops that is then reproduced and made available for sale. The Kids for Kids projects present the creative works of youth between the ages of 13 - 17, as well as portfolios done with various universities and colleges across Canada, the United States, and South Africa. During HIV/AIDS awareness workshops, students are asked to create a collage, working with artist Hendrikus Bervoets, which thematically reflects various aspects of the Pandemic. In turn, these images are printed in limited editions of original hand signed giclee prints. These prints are exhibited and sold with all the funds being redirected to projects benefiting women and children affected by HIV/AIDS in sub Saharan Africa. To date over twenty portfolios have been completed and are for sale thanks to the cooperation of more than one hundred schools who have participated in these workshops. The total sponsorship of a twinning project is $22, 000, which includes 500 signed and numbered prints, a student exchange program, school workshops and printing of artwork. 1, 500 prints are also made available for sale with the potential to raise an additional $37,500 each portfolio. A number of corporations have partnered with schools, as illustrated below. The twinning projects have allowed the fundraising efforts of Artists International Direct Support to be propelled forward.


HIV/AIDS Projects Supported by Artists International Direct Support:


Nelson Mandela Children's Fund

The Nelson Mandela Children's Fun strives to change the way society treats its children and youth. Their mission statement is " In the pursuit of its vision, and in order to ensure that the legacy of its founder, Nelson Mandela, is secured in perpetuity, the Nelson Mandela Children's Fund will:

o Develop partnership and initiate programs witch empower and improved the well being of children and youth
o Promote the rights of children and youth through the influence of public policy and social awareness
o Sustain these initiatives through the development of sound financial and knowledge support base


The guiding values and principles of the Nelson Mandela Children's Fund are:

o Position the ultimate goal as poverty eradication and not just the amelioration of the difficult circumstances that the targeted beneficiaries (children and youth from birth to 22 years) find themselves in
o Possess holistic and integrated approaches to the challenges confronting children. These strategies should recognize that children are an integral part of families and communities. The well-being of children cannot be isolated from that of their environment
o Facilitate the participation of the Nelson Mandela Children's Fund's target group in the planning and implementation of projects and programs. These means finding cost effective methods of involving children, youth and their communities in decision making. Empowering such communities to take responsibility for their decisions should be a primary requisite.
o Facilitate change through the work of societal norms and practices that force children to focus only on their basic needs. The absence of hunger, abuse, exploitation and homelessness are basic conditions that all children should enjoy. The programs of the Nelson Mandela Children's fund's partners should enhance the rights of children to reach their full potential; and promote best practice, encourage professionalism and be oriented towards achieving measurable results.


Cotlands Baby Sanctuary

Cotlands is one of South Africa's biggest independent, non-profit organizations caring for abandoned and abused children, and one of a few organizations caring for children from birth to age six infected with HIV/AIDS. Cotlands facilitates the operation of two pediatric hospice for children with HIV/AIDS, as well as delivering basic needs, food and formula to malnourished infants and children, various programs including counseling projects and community outreach initiatives to HIV positive children and their mothers/ primary caregivers, mass training to health workers, schools, and people within communities and organizations. Cotlands has worked very hard to bring social awareness about the HIV/AIDS epidemic as well as providing necessary resources to help relieve the pain and suffering of children with HIV/AIDS.


Nkosi's Haven


Nkosi's Haven was first opened in 1999, founded by Gail Johnson in honour of her 12 year old foster son who was born with HIV, and in memory of his biological mother who was also HIV positive, and unable to look after Nkosi. Nkosi's Haven and the Nkosi Johnson Foundation works to increase social awareness and help erase the stigma around HIV/AIDS in South Africa, as well as provide women and children with HIV/AIDS with shelter and care. The Foundation seeks to raise funds for establishing, maintaining and sustaining communal environments for women and their children affected by HIV/AIDS, supporting beneficiary organizations such as Nkosi's Haven care centers, establishing educational and training trusts, raising awareness and de-stigmatizing HIV/AIDS in South Africa.


Topsy Foundation

The Tospy Foundation partners with rural communities, to bring about change to the consequences of HIV/AIDS through a multi-faceted approach. The Sanctuary, located an hour outside of Johannesburg, South Africa, is the base for community-outreach programs, in-house care programs, AIDS daycares, Hospice Care, Orphan Care, Antiretroviral Community programs, and other self-sufficient programs, such as the Vegetable Gardening project. These projects are directed mainly towards rural families, particularly women and children affected by HIV/AIDS, to increase awareness and education about HIV/AIDS as well as providing necessary programs to care for children who are affected by HIV/AIDS.

 

Artists International Direct Support (A.I.D.S) - Artistas em Apoio Internacional Direto

(Versão não-oficial em português por Alexis Kauffmann / Unofficial Portuguese Version by Alexis Kauffmann)

Em 2006, a população do Canadá era de pouco mais de 32 milhões de pessoas, enquanto o número total de pessoas afetadas pelo HIV/AIDS em todo o mundo no ano passado chegava a 39,5 milhões. De acordo o "Relatório Anual de Atualização sobre a Epidemia de AIDS" publicado pela UNAIDS e pela OMS, quase dois terços (63%) de todas as pessoas, inclusive crianças, infectadas pelo HIV, vivem na África Subsaariana. Mais de 24,7 milhões de adultos e crianças viviam com o HIV em 2006, 2,8 milhões de pessoas infectaram-se e 2,1 milhões de adultos e crianças morreram de AIDS somente nessa região. Essas mortes representam 72% das mortes por AIDS em todo o planeta. O impacto do HIV/AIDS sobre mulheres e crianças é estonteante. Mulheres têm maior probabilidade de se infectar com o HIV e, muitas vezes, carregam o fardo de cuidar de pessoas infectadas. É por esses motivos que a Artists International Direct Support (A.I.D.S) trabalha para aumentar a conscientização, tanto no Canadá quanto em nível internacional, sobre a epidemia de HIV/AIDS e seu impacto sobre as mulheres e crianças na África Subsaariana. Nos últimos 3 anos, a Artists International Direct Support (A.I.D.S) levantou mais de meio milhão de dólares canadenses para ONG's e projetos que ajudam diretamente mulheres e crianças afetadas pelo HIV/AIDS.

Os recursos levantados a partir de portfolios gêmeos e projetos casados permitiram à Artists International Direct Support (A.I.D.S) distribuir dinheiro para projetos que agem diretamente na África, incluindo a
Fundação Topsy, a Cotland's Baby Sanctuary, o Abrigo Nkosi e o Fundo Nelson Mandela para a Infância. Todos esses projetos ajudam a mulheres e crianças afetadas pela epidemia do HIV/AIDS no Zimbábue, África do Sul, Malawi e Zâmbia. Os projetos que recebem o apoio da Artists International Direct Support recaem em uma das seguintes categorias:

1 - Orfanatos, creches, internatos,
2 - Alimentação, abrigo e vestuário para mulheres e crianças afetadas pelo HIV/AIDS ou
3 - Projetos de sustentabilidade que conduzam as pessoas à auto-suficiência (Soul of Africa, KwaZulu-Natal)

A Artists International Direct Support não faz investimentos em fundos financeiros ou em infra-estrutura e destina seus recursos somente para ONG's oficializadas e recomendadas pela Fundação Stephen Lewis ou pela Fundação Nelson Mandela. A Artists International Direct Support trabalha em estreita colaboração com o Rotary Club, que ajuda a assegurar que os projetos financiados realmente façam diferença.

Sobre os Projetos Gêmeos "Crianças para Crianças"/"Arte pela Aids":

A Artists International Direct Support desenvolveu projetos gêmeos com diretorias de escolas públicas e particulares em Ontario, no Canadá, e na África do Sul, mantendo cada projeto em igualdade de condições por meio de patrocinadores corporativos. Cada projeto desenvolve um portfolio de arte criada por estudantes (colagens), que então é reproduzido e colocado à venda. O "Projeto Crianças para Crianças" apresentam os trabalhos criativos de crianças e jovens entre 13 e 17 anos, bem como portfolios realizados em diversas universidades e faculdades do Canadá, Estados Unidos e África do Sul. Durante as oficinas de conscientização para o HIV/AIDS, pede-se aos estudantes que criem uma colagem, sob orientação do artista Hendrikus Bervoets, que reflita tematicamente os diversos aspectos da pandemia. Em retribuição, essas imagens são impressas em tiragens limitadas e assinadas a mão. Esses impressos são expostos e vendidos, com todos os fundos sendo revertidos para projetos que beneficiam mulheres e crianças afetadas pelo HIV/AIDS na África Subsaariana.

Até esta data, vinte portfolios foram criados e postos à venda graças à cooperação de mais de 100 escolas que participaram dessas oficinas. O valor total do patrocínio de um projeto-gêmeo soma 22 mil dólares canadenses, o que inclui 500 impressos assinados e numerados, um programa de intercâmbio estudantil, realização de oficinas nas escolas e impressão do trabalho artístico. Mil e quinhentos impressos adicionais também são postos à venda, com potencial para levantar 37.500 dólares canadenses adicionais para cada portfolio. Um grande número de empresas fez parcerias com escolas Os projetos-gêmeos ajudaram a impulsionar os esforços de levantamento de recursos pela Artists International Direct Support.

Projetos de HIV/AIDS que recebem apoio da Artists International Direct Support:

Fundo Nelson Mandela para a Infância

O Fundo Nelson Mandela para a Infância luta para mudar a maneira como a sociedade trata suas crianças e sua juventude. Sua declaração de missão é: "Com o objetivo de realizar esta visão e com o intuito de assegurar que o legado de seu fundador, Nelson Mandela, seja conservado perpetuamente, o Fundo Nelson Mandela para a infância:

o Desenvolverá parcerias e iniciará programas que estimulem e melhorem o bem-estar das crianças e jovens;
o Promoverá os direitos das crianças e jovens através da influência de políticas públicas e conscientização social;
o Sustentará essas iniciativas através do desenvolvimento de uma sólida base financeira e de conhecimento.

São seguintes os valores e princípios que norteiam o Fundo Nelson Mandela para a Infância:

o Posicionar como objetivo último a erradicação da pobreza e não apenas a amenizar as circunstâncias difíceis em que se encontram os beneficiários-alvos (crianças e jovens desde o nascimento até os 22 anos).
o Adotar abordagens holísticas e integradas aos desafios com que se defrontam as crianças. Essas estratégias devem considerar as crianças como parte integrante de suas famílias e comunidades. O bem-estar das crianças não deve ser isolado do seu ambiente.
o Facilitar a participação dos grupos-alvos do Fundo Nelson Mandela para a Infância no planejamento e implementação de projetos e programas. Isto significa encontrar métodos custo-eficientes de envolver crianças, jovens e suas comunidades no processo decisório. A transferência de poder decisório para que as comunidades assumam a responsibilidade por suas decisões é um pré-requisito essencial.
o Facilitar a mudança através do trabalho de normais e práticas societais que forcem as crianças a focalizar somente suas necessidades básicas. A ausência de fome, abuso, exploração e desabrigo são condições básicas de que toda criança deveria desfrutar. Os programas dos parceiros do Fundo Nelson Mandela para a Infância devem reforçar os direitos das crianças até atingir seu pleno potencial e promover as melhores práticas, encorajar o profissionalismo e orientar-se para a obtenção de resultados mensuráveis.


Cotlands Baby Sanctuary


A Cotlands é uma das maiores ONG's independentes da África do Sul dedicadas a cuidar de crianças abandonadas ou que sofreram abusos, e também uma das poucas organizações que atendem a crianças de zero a seis anos infectadas com HIV/AIDS. A Cotlands auxilia as operações de dois hospitais pediátricos para crianças com HIV/AIDS, bem como provê as necessidades de alimentação e medicamentos de bebês e crianças com desnutrição; implementa vários programas, que incluem projetos de aconselhamento e multiplicadores comunitários para crianças HIV positivas e suas mães ou responsáveis primários, treinamento em massa para profissionais de saúde, educadores e indivíduos atuantes em comunidades e organizações. Cotlands esforça-se ao máximo para promover conscientização social sobre a epidemia de HIV/AIDS bem como para prover os recursos necessários para aliviar a dor e o sofrimento das crianças com HIV/AIDS.

Abrigo Nkosi

O Abrigo Nkosi foi inaugurado em 1999 por
Gail Johnson em honra a seu filho adotivo de 12 anos que nasceu com HIV, e em memória de sua mãe biológica, que também era HIV positiva e incapacitada de cuidar de Nkosi. O Abrigo Nkosi e a Fundação Nkosi Johnson trabalham para incentivar a conscientização social e ajudar a limpar o estigma que paira em torno do HIV/AIDS na África do Sul, bem como provê abrigo e cuidados para mulheres e crianças com HIV/AIDS. A Fundação busca levantar recursos para estabelecer, manter e sustentar ambientes comunitários para mulheres soropositivas e seus filhos, apoiar organizações beneficiárias como os Centros de Assistência Nkosi, estabelecer cooperativas educacionais, de formação profissional, conscientização e desestigmatização do HIV/AIDS na África do Sul.

Fundação Topsy


A Fundação Topsy forma parcerias em comunidades rurais com o objetivo de promover mudanças nas conseqüências do HIV/AIDS através de uma abordagem multifacetada. O Santuário, localizado a apenas uma hora de Johannesburgo, África do Sul, é a base para os programas de desenvolvimento comunitário, atendimento individual, creches, hospitais, orfanatos, distribuição comunitária de medicamentos antiretrovirais entre outros programas auto-sustentáveis. Esses projetos são principalmente direcionados para famílias rurais, particularmente mulheres e crianças afetadas pelo HIV/AIDS para aumentar a conscientização e educação sobre HIV/AIDS bem como oferecer programas de assistência a crianças infectadas com o HIV/AIDS.

Um ato de amor e solidariedade (IPrA Instituto de Prevenção à Aids)

Géssica Hellmann

Primeiramente quero agradecer a todos os amigos que colaboraram com sua generosidade, divulgando o trabalho realizado pelo IPrA ao adicionar um link em seus sites pessoais. Um gesto tão simples e de extrema importância para esta instituição que faz seu trabalho por amor ao próximo.

Sim, AMOR AO PRÓXIMO. O IPrA é uma instituição sem fins lucrativos, "considerado pelos governos federal, estadual e municipal, como centro de reconhecida Utilidade Pública. Sobrevive com ajuda de donativos de voluntários e com o que consegue com eventos culturais e confraternizações que promove".

Por isso afirmo que é por amor, fé e através da generosidade que eles continuam sua luta na prevenção à Aids. É preciso aprender a conviver com as diferenças, amar a si mesmo e ao próximo com a mesma proporção. Quem não tem amor, quem não sabe amar, não consegue amar ao próximo.

Ontem participei pela primeira vez da reunião de grupo que acontece em toda última quarta-feira do mês e é aberta ao público em geral. A energia de amor e solidariedade que senti ao ser recebida com tanto carinho me deixou emocionada.

Fui convidada a fazer uma oficina de expressão artística e todos participaram com entusiasmo. Foi uma troca de energia, de idéias, de formas diferentes de se ver o mundo.

Ao oferecer voluntariamente esta oficina recebi em troca uma certeza no fundo de meu coração de estar no caminho certo, a alegria de poder proporcionar solidariedade através da arte. Pois sabemos que a Arte e suas Manifestações Artísticas promovem a solidariedade, a fraternidade.

Agradeço também a todos os que participaram por terem me recebido de forma tão carinhosa e calorosa, senti-me em casa, entre amigos queridos.

A todos, meu muito obrigada!

 
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