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| Edição 90 |
Sexualidade e Corporalidade
- Seguindo os passos de Reich: O reflexo do orgasmo e a técnica
da vegetoterapia de analise do caráter

Circus por Erin Prucha Géssica
Hellmann
(Sugira um tema
para esta revista)
Wilhelm Reich, durante seu trabalho
sobre análise do caráter, tentou, de maneira
sistemática, isolar e desmascarar as atitudes de caráter,
sempre com o objetivo de liberar as emoções reprimidas.
Todas as dissoluções bem-sucedidas da couraça
muscular liberavam emoções de cólera ou
e angústia. O tratamento das emoções liberadas tornava
possível a restauração da motilidade sexual.
Reich descobriu que, se aliasse o tratamento de caráter ao tratamento
da couraça muscular, os resultados se tornavam muito mais eficazes.
Reich tinha a opinião de que a "rigidez
somática" representava a parte mais essencial do
processo de repressão. (Reich, 1991).
Segundo o autor, na infância é que se cria o encouraçamento
muscular, seja prendendo a respiração ou aumentando os músculos
abdominais. As crianças, muitas vezes, são levadas a reprimir
o choro, anular seus impulsos de ódio, angústia ou, até,
de amor. Até então, a psicologia analítica
havia se dedicado somente aos sentimentos que a criança anularia
e aos motivos que a levariam a fazer isso, deixando de lado o "modo"
pelo qual as crianças lutariam contra os impulsos, ou seja, o processo
fisiológico da repressão.
"A estrutura psíquica é ao mesmo tempo uma estrutura
biofísica que representa um estado especifico indicativo da intervenção
das forças vegetativas de uma pessoa" (Reich, 1991, 256).
Segundo o autor, aliar a terapia de análise do caráter
às atitudes musculares possibilita evitar o complicado rodeio pela
estrutura psíquica, ao atingir-se diretamente os afetos a partir
da atitude somática.
A atitude muscular não é nada além
que do que aquilo que chamamos de "expressão corporal"
ou "corporalidade".
"Reich achava que a couraça muscular está organizada
em sete principais segmentos de armadura, que são compostos de
músculos e órgãos com funções expressivas
relacionadas. Estes segmentos formam uma série de sete anéis
mais ou menos horizontais, em ângulos retos com a espinha e o torso.
Os principais segmentos da couraça estão centrados nos olhos,
boca, pescoço, tórax, diafragma, abdome e pelve" (Reich
2, 2007).
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O autor afirma
que, para a dissolução da couraça, são
importantes três instrumentos:
- Armazenamento de energia no corpo
por meio de respiração profunda;
- Ataque direto aos músculos cronicamente tensos
(por meio de pressão) a fim de soltá-los;
- Manutenção da cooperação do paciente,
lidando abertamente com quaisquer resistências
ou restrições que possam emergir.
A vegetoterapia tem por objetivo
dissolver os bloqueios musculares dos sete segmentos citados acima.
A energia liberada se expressaria através de ondas
de excitação, liberando os afetos e gerando
uma elaboração dos conteúdos reprimidos.
As couraças podem estar representadas em qualquer um destes
segmentos e seu desbloqueio deve ser no sentido céfalo-caudal,
iniciando pelo primeiro (ocular) e seguindo em direção
ao sétimo nível (pélvico) (Rodrigues, 2007).
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Reich descreve as características e os mecanismos
de várias atitudes musculares típicas. Dentre elas, a região
da cabeça e do pescoço. Dor de cabeça
forte é um sintoma comum em muitos pacientes, afirma o autor. Localiza-se
freqüentemente acima do pescoço, sobre os olhos ou na testa.
(Reich, 1991)
Segundo o autor, quando as pessoas mantém o pescoço tenso
por muito tempo, sentirão logo uma dor na parte posterior da cabeça.
Já uma dor de cabeça supra-orbital (como uma faixa apertando
a cabeça), é geralmente causada pelo hábito de uma
elevação crônica das sobrancelhas, causando uma tensão
em toda a musculatura do crânio e uma contínua expectativa
com relação aos olhos. Outro exemplo citado pelo autor são
os espasmos da boca, do queixo e da garganta. Estes pacientes
sofrem freqüentemente de náuseas, sua voz
é habitualmente baixa, monótona. A mesma reação
têm as crianças quando prendem o choro, provocando a tensão
no assoalho da boca. Reich afirma que a face como um todo deve ter uma
atenção especial, porque ela revela muito do paciente.
Segmento ocular:
A couraça dos olhos é expressa por uma
imobilidade da testa e uma expressão vazia
dos olhos. A couraça pode ser desfeita fazendo com que os pacientes
abram bem seus olhos como se estivessem com medo, forçando uma
expressão emocional e encorajando o movimento livre dos olhos.
Segundo Santos (2007) "Como doenças degenerativas do sistema
nervoso podemos encontrar o mal de Parkinson, mal de Wilson, Esclerose
em placa, biopatias neuromusculares como distrofia muscular progressiva,
miotroia de Thomsen, etc. Como biopatias da pele podemos citar o eczema,
urticária, psoríase, miotrofia de herpes, alopecia, etc.
Nos olhos encontramos os erros de refração da visão
tais como miopia, astigmatismo, hipermetropia e presbiopia, além
de dores de cabeça, enxaqueca, etc. No nariz e ouvido temos a rinite,
otites, etc. No âmbito emocional, irá resultar em uma dificuldade
de contato com outras pessoas, confusão de pensamentos e idéias,
falta de ponto, de foco (objetivos), etc. (NAVARRO, 1995)".
Segmento oral:
Este segmento inclui os músculos do queixo, garganta e parte de
trás da cabeça. A "retenção do choro"
ou de expressões emocionais como morder com raiva, gritar e fazer
caretas são inibidas no segmento oral. O encouraçamento
pode ser desfeito estimulando-se o choro e com exercícios com os
lábios para trabalhar os músculos tencionados.
"Como biopatias mais comuns encontramos os problemas
ortodônticos, bruxismo, bulimia, inapetência, boca seca, náuseas,
sensação de "bolo" na garganta, etc"(Santos,
2007).
Segmento cervical:
Este segmento inclui músculos profundos do pescoço,
da língua, do esternocleidomastoídeo e a glândula
tireóide. O encouraçamento acontece principalmente ao reprimir
o choro ou a raiva. Para desencouraçar estes músculos, os
exercícios de gritar, cantar e vomitar podem liberar a energia
tencionada.
Segundo Santos (2007), "As biopatias mais comuns são
o torcicolo, tensão ou dor muscular na região dos ombros
e pescoço, reumatismo muscular, artrose cervical, hiper ou hipotiroidismo,
entre outras".
Segmento torácico:
Neste segmento encontram-se o tórax, incluindo o coração,
o pulmão, timo e os membros superiores. Ele serve como inibidor
do riso, da raiva, da tristeza, do desejo, do amor e do ódio. A
inibição da respiração, que
é um meio importante de suprimir toda emoção, ocorre
geralmente no tórax. O exercício respiratório completo
é essencial para liberar as energias reprimidas neste segmento.
"As biopatias recorrentes dos bloqueios deste nível são
a asma brônquica, aumento da frequência cardíaca, palpitações,
dores no peito e nas costas, aterosclerose, arteriosclerose, hipertensão,
enfisema pulmonar, tremores ou sensação de fraqueza, sudorese,
mãos frias e úmidas, etc" (Santos, 2007).
Segmento diafragmático:
Neste segmento inclui-se o diafragma, o plexo solar, o estômago
e outros órgãos internos, além dos músculos
das vértebras torácicas baixas. Este encouraçamento
inibe a raiva extremada.
"O bloqueio diafragmático traz uma ansiedade de espera da
punição ocasionando biopatias como ansiedade, inquietação,
falta de ar, fadiga, dores na região lombar, problemas no estômago
(úlcera, gastrite), fígado, baço, diabete, etc"
(Santos, 2007)
Segmento abdominal:
Neste segmento incluem-se os músculos abdominais longos e os músculos
das costas. É importante lembrar que os segmentos devem ser liberados
de primeiro ao sétimo, nesta ordem.
"As biopatias apresentadas neste nível ocasionam problemas
intestinais, renais, etc" (Santos, 2007).
Segmento pélvico:
Este segmento inclui os músculos da pelve, dos membros inferiores,
e os órgãos internos (ovários, útero, bexiga,
genitais). Portanto este encouraçamento inibe a ansiedade, a raiva
e o prazer. A inibição da ansiedade e a raiva resulta na
inibição do prazer sexual.
"As biopatias deste segmento são problemas sexuais como frigidez,
impotência, ejaculação precoce, varizes, etc"
(Santos, 2007).
Reich afirma que a inibição respiratória
e a fixação do diafragma são os principais atos da
supressão das sensações de prazer no abdômen
(Reich, 1991).
Segundo o autor, desde crianças somos levados a
reter (controlar) nossas emoções; somos tão reprimidos
que esquecemos como respirávamos quando éramos bebês
e começamos a fazer uma respiração incompleta.
Com este mapeamento do corpo humano sugerido por Reich,
torna-se possível e viável a técnica da vegetoterapia.
Um ser humano com suas couraças liberadas está aberto a
novas descobertas, e principalmente a uma nova maneira de olhar o mundo
e a sociedade ao seu redor; está aberto a se conhecer, se amar
e amar ao próximo com a mesma intensidade.
Como mãe, pesa a responsabilidade de uma boa educação
para meu filho. Lembrar-nos constantemente da importância de como
nos relacionamos com eles ainda pequenos. Frases como "não
chore", "fale baixo", ou outras intimidações
verbais, será que são necessárias? O quanto
elas podem se transformar em couraças? Como incentivar meu filho
a expressar seus sentimentos - e, conseqüentemente, sua corporalidade
e sexualidade - de uma forma sadia?
Bibliografia
Reich, Wilhelm. A função do orgasmo
- Problemas econômico-sexuais da energia biológica.
São Paulo: Círculo do Livro, 1991.
Rodrigues, Henrique J. Leal F. Da Vegetoterapia
à Orgonomia: uma mudança de paradigma. Disponível
em: < http://www.reich.psc.br/pdf/Da%20Vegetoterapia%20a%20Orgonomia%20uma%20mudan%E7a%20de%20paradigma.pdf>.
Acessado em 18/04/2006.
Santos, C. N. Mapeamento emocional do corpo
humano. In: CONVENÇÃO BRASIL LATINO AMÉRICA,
CONGRESSO BRASILEIRO E ENCONTRO PARANAENSE DE PSICOTERAPIAS CORPORAIS.
1., 4., 9., Foz do Iguaçu. Anais... Centro Reichiano, 2004. CD-ROM.
[ISBN - 85-87691-12-0]
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| Edição 89 |
Maternidade e Paternidade
uma missão de amor

Martin adormecido por Géssica Hellmann
Géssica Hellmann e Alexis Kauffmann
(Sugira um tema
para esta revista)
Como dizia Wilhelm Reich, a procriação
não é finalidade da sexualidade, como muitos
afirmavam na época, mas faz parte dela. Hoje falaremos sobre maternidade
e paternidade. Um texto escrito a quatro mãos
e três corações.
Junho de 2005 foi quando decidimos que queríamos
ter um filho. Corre-corre atrás de plano de saúde, de informações
sobre pré-parto, ginecologista-obstetra. Um sentimento
crescente de amor dentro do peito.
Meses se passaram, e já no final de agosto, sabendo
que minhas regras estavam com uma semana atraso, eu e meu marido fomos
fazer um passeio no shopping aqui perto de casa. Lá ele entra por
impulso em uma farmácia e compra um kit de teste de gravidez.
Lá fui eu ao banheiro do shopping para fazer o teste.
O nervosismo e a ansiedade eram tão grandes que não consegui
fazer o teste. Senti algumas gotas de sangue saindo de mim. Abalada, com
lágrimas nos olhos e o coração apertado corri para
os braços de meu marido. Sentia-me frustrada. Ele carinhosamente
me aninhou e me levou pra casa.
Após algumas horas, já mais calma, ele me
pede para fazer o teste, mesmo que minha menstruação aparentemente
tivesse descido, "para saber como é que se faz". Fiz
o teste e não acreditava no resultado que aparecia no visor. Chorei,
ri, vibrei e senti algo muito maior dentro de mim. Positivo era o resultado.
Sim eu estava esperando um filho, o fruto de nosso amor.
Como pais de primeira viagem, surgiram as primeiras dúvidas,
será que seriamos bons pais? Trazer uma criança à
vida ao mundo atual é certamente uma grande responsabilidade. Um
fato era certo: ele havia sido planejado, esperado e amado mesmo antes
de ser feito. O amor superava todos os receios.
Sentia uma energia nova, uma vida nova se formava em meu
ser. Já não era somente eu, éramos dois e três
ao mesmo tempo.
Mesmo após o resultado positivo obtido pelo teste adquirido na
farmácia, continuava um pequeno corrimento de sangue, que nos preocupava.
Saímos a procura de obstetras para acompanhar o pré-natal.
A primeira médica que fomos solicitou vários exames e me
receitou um medicamento de uso ginecológico. Mal olhou na minha
cara e disse que não acreditava em testes de farmácia.
Anjos da guarda existem! Meu marido comprou o remédio prescrito
e me entregou, pouco antes de usa-lo resolvi fazer algo que não
é de meu costume: ler bula de remédio. E lá dizia
"Não deve ser utilizado durante a gravidez e a amamentação.
Informe seu médico se ocorrer gravidez ou iniciar amamentação
durante o uso deste medicamento".
Guardo o remédio até hoje, não sei exatamente o motivo,
talvez para lembrar-me sempre destes anjos que nos acompanham. Fomos a
outros médicos, até encontrar um em quem sentimos confiança.
O teste de laboratório confirmou a gravidez.
Um novo ser crescia dentro de mim. No primeiro mês meu filho escolheu
seu nome. Sim é dele o mérito. Seria Martin. Como já
sabia que era um menino? Impossível explicar, mas já o sabíamos.
Nosso lado racional nos pedia para escolher um nome feminino, o fizemos,
mas sem muita convicção.
A maternidade é maravilhosa, só o sabem que
é mãe. Os preparativos dos meses a seguir, roupinhas, comprar
o berço, a expectativa e, a cada dia, uma nova descoberta, uma
nova sensação.
Senti-lo desenvolver-se dentro de mim foi fantástico.
Cada ultra-sonografia uma emoção, um sentimento
de incredulidade misturado com esperança. O pai emocionado brinca
com palavras e rimas para expressar seu sentimento:
Amor de pai
"Tuas mamas amnióticas
Ferem as trompas de Eustáquio
Do teu homem mais neurótico
Reduzido a batráquio
Ciúme sente psicótico
Como o empalador Valáquio
Um desejo estrambótico
Por teu útero terráqueo
Isto não é um soneto
Ângulo de hipotenusa
Vértice ou longitude:
Um amor que amiúde
Envaidece minha Musa
Sete notas de um cateto!"
Minha gravidez foi tranqüila, inicialmente com um
pouco de anemia e um pequeno corrimento, que cessou após tratamento
correto. Enjôo, só com creme dental. O pai cantava e tocava
sua velha guitarra para nós. A mãe pintava seus quadros
em meio a cores e emoções. Os meses se passaram, já
estávamos na reta final... Ou inicial? Quase nada podia usar de
meu guarda-roupa, a barriga imensa e imponente. A avó materna do
Martin, chega ao Rio semanas antes do seu nascimento para acompanhar os
pais de primeira viagem.
Sempre quis parto
normal, mas minha médica argumentava falando
sobre a dificuldade de encontrar leitos em boas maternidades (pelo menos,
nas que meu plano de saúde cobria), e que, se fosse o parto fosse
à noite ela não poderia realiza-lo. É a realidade
aqui no Rio de Janeiro: violência, medo de assaltos e o que eu costumo
chamar de "parto
industrializado".
Sim é verdade que os obstetras
ganham mais em cesáreas, e também é
verdade que são muito mais práticos para a maternidade aqueles
que são realizados com hora marcada. A livre
escolha da mãe é, muitas vezes,
comprometida por essas inseguranças e por esta realidade.
Dia 18 de abril véspera do dia tão esperado.
Quem conseguia dormir? Mala preparada, primeira roupinha que meu amor
usaria quando viesse ao mundo. Vovó, mamãe e papai ansiosos
pelo dia amanhecer. Jejum desde as 20:00 do dia 18, parto marcado para
as 10:00 horas da manhã do dia 19 de abril.
Dores do pós-operatório
não se comparavam a emoção de ter meu filho nos braços,
meu guerreiro iluminado. Ser mãe vale a pena!
Curtir cada dia sua evolução, suas descobertas,
seu olhar carinhoso com um sorriso maroto. Primeiros gestos expressivos,
sua sinceridade em avaliar as pessoas. Um ser iluminado. Mesmo quando
os pais sentiam-se cheios de dúvidas, sofrendo pressões
no dia-a-dia, lá estava ele, sempre pronto para nos doar carinho
e coragem para seguir em frente.
Nos questionamos sempre sobre sua educação
para que tenha uma vida saudável, nesta sociedade com tantos preconceitos
e tabus, com tantas neuroses enraizadas. Como pesquisadora em corporalidade
e sexualidade, procuramos educar nosso filho para
o amor ao próximo, para aprender a respeitar a diferenças,
para uma sexualidade sadia e natural. Rezamos e agradecemos a Deus a cada
dia pela oportunidade ser pais de um menino tão amado.
Aos três meses, já queria "andar"
e percorreu sua primeira "maratona de um metro". Filmamos, fizemos
festa. Sim ele só tinha três meses, não era idade
nem para engatinhar e já queria andar.
No aniversário do pai, em janeiro deste ano, ele
o presenteou aprendendo a engatinhar e a percorrer toda a casa com uma
rapidez incrível. No aniversário da mãe em março
ele me acorda batendo palmas. Alegria única. Chama mamãe
de "Mã" e papai de "Tdê". Hoje, em seu
primeiro aniversário, presenteou a avó e as tias que moram
longe com um espetáculo de beijos pela webcam.
Ele é assim, nossa vida, nosso amor, nossa razão
de ser e existir. Esta edição é dedicada ao Martin,
nosso filho e amigo que completa hoje um ano de existência.
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| Edição 88 |
Sexualidade e Corporalidade
- Seguindo os passos de Reich: A irrupção no campo biológico
III

por Erin Prucha
Géssica Hellmann
(Sugira um tema
para esta revista)
Em 1933, os entendimentos do campo psíquico
e somático mostravam para Reich
que os impulsos e sensações
não eram produzidos pelos nervos, mas apenas transmitidos por eles.
"Todos os impulsos biológicos e sensações
biológicas do organismo podem ser reduzidos à expansão
(alongamento, dilatação) e contração
(encolhimento, constrição)".
O autor afirma que as pesquisas sobre as "inervações
vegetativas" dos órgãos mostra que o sistema
parassimpático funciona quando há expansão,
dilatação, hiperemia, tensão e prazer. Já
os nervos simpáticos funcionam quando há
contração, quando o sangue foge da periferia e aparecem
a palidez, angústia e a dor.
"Na experiência do prazer,
os vasos sanguíneos se dilatam na periferia, a pele se torna corada,
o prazer é experimentado desde a mais suave das formas até
o mais alto grau de êxtase sexual". No prazer,
ocorre a dilatação parassimpática, em
que o coração se expande. Na angústia, o coração
se contrai, aumentando a freqüência cardíaca.
Psiquicamente, a expansão biológica
é experimentada como prazer e, a contração,
como desprazer. No campo dos fenômenos
instintivos, a expansão funciona como excitação
sexual e a contração como angústia.
Já no nível da fisiologia, a expansão corresponde
ao funcionamento parassimpático e, a contração, ao
funcionamento simpático.
Reich, pouco a pouco, mapeava o funcionamento das
emoções no corpo humano. Aprofundou seus estudos
no campo biológico, principalmente no prazer e desprazer (expansão
e contração). Concluiu que as emoções (sensações)
estavam ligadas a carga e descarga de tensão.
Como vimos anteriormente, Reich percebeu que as resistências
dos pacientes se manifestavam através do encouraçamento
do caráter e também da couraça muscular,
ocasionando tensões musculares que impediam o
ser humano de manifestar claramente suas emoções.
Reich, então, se questiona: de onde se origina a
energia vegetativa? Onde era seu centro? Levando em conta
dados conhecidos na época: "Na região abdominal - a
chamada sede das emoções - encontramos os geradores da energia
biofísica. São os grandes centros como do sistema nervoso
autônomo, especialmente o plexo solar, o plexo hipogástrico
e o plexo lombo-sagrado".
Reich se perguntava como cada órgão funcionava
normalmente no prazer e na angústia. O sistema nervoso parassimpático
dilata os vasos sanguíneos, aumentando o fluxo de sangue para a
periferia, tornando lenta a ação do coração.
Já o sistema simpático contrai os vasos sanguíneos
da periferia para o centro, estimulando a ação do coração.
Podemos perceber o funcionamento da função
simpática da angústia quando lembramos que o sistema
nervoso simpático estimula o músculo que impede a micção,
enquanto o sistema nervoso parassimpático tem efeito contrário,
relaxando ou inibindo o mesmo músculo. No organismo em geral, é
também significativo que, no prazer, as pupilas sejam contraídas
pelo sistema parassimpático, aguçando a visão. Na
angústia, ou paralisia causada pelo medo, a visão
diminui por causa da dilatação das pupilas.
Em 1934, Reich escreve uma pequena monografia sobre seus estudos e tenta
participar do XIII congresso psicanalítico, sem sucesso. Ao chegar
ao congresso, Reich soube, por meio do secretário da Sociedade
Psicanalítica Alemã, da qual havia sido membro, que havia
sido expulso da Sociedade, sem prévia justificativa ou notificação,
em 1933.
Segundo Reich, a teoria do orgasmo podia orgulhar-se de
ter feito importantes contribuições à compreensão
da fisiologia do organismo. Cada vez mais desvendava as emoções
e seus reflexos corporais, unindo suas descobertas sobre a sexualidade
e corporalidade humana.
No próximo artigo, introduziremos as reflexões
reichianas sobre o reflexo do orgasmo e a técnica
da vegetoterapia de análise do caráter.
Bibliografia
Reich, Wilhelm. A função do
orgasmo - Problemas econômico-sexuais da energia biológica.
São Paulo: Círculo do Livro, 1991.
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| Edição
87 |
Sexualidade e Corporalidade
- Seguindo os passos de Reich: A irrupção no campo biológico
II

por Erin Prucha
Géssica Hellmann
(Sugira um tema
para esta revista)
Com vários anos de trabalhos e estudos no campo da sexologia
e da psicanálise, uma definição
simples e direta para o termo "energia biopsíquica"
ainda não havia sido formulada. Retomando o ponto de partida da
teoria do orgasmo, "as neuroses e as psicoses funcionais
são sustentadas por uma energia sexual excessiva
e inadequadamente descarregada". O que se sabia, entretanto, é
que elas estavam enraizadas (encouraçadas) no corpo. Reich afirma
que, apesar dos avanços de Freud, a ciência oficial não
queria saber nem se posicionar a respeito da sexualidade.
Reich tratou de um paciente, em 1933, que apresentava resistência
à revelação de suas fantasias homossexuais.
Esta resistência era expressa principalmente pela rigidez (encouraçamento)
do pescoço. "Durante três dias, foi abalado por aguda
manifestações de choque vegetativo".
De pálido mudava rapidamente de branco para amarelo ou azulado,
a pele ficou manchada de cores diferentes, sentia dores no pescoço
e atrás da cabeça, aumento de batimento cardíaco,
diarréia. O aparente "pescoço rígido",
até então, mantinha presas suas energias vegetativas que
se soltavam agora de forma caótica e descontrolada. "A energia
da vida sexual pode ser contida por tensões
musculares crônicas".
Reich então tinha confirmado algo importante: "se
a couraça de caráter podia ser expressa
pela couraça muscular, e vice-versa, então
a unidade de funcionamento psíquico e somático havia sido
entendida de princípio e podia ser influenciada de maneira prática".
A liberação das tensões musculares
produzia sensações corporais como tremores,
contrações de músculos, impressão de alfinetadas,
frio, calor, excitação nervosa, angústia, cólera
e prazer.
Reich sentia que algo mais além
da corrente sangüínea provocava este "aperto
no peito" (angústia). Seguindo estes
pensamentos, Reich chegou à noção de "bioeletricidade".
Baseando-se nos experimentos do médico berlinense
Krauss, que verificou que o corpo seria governado por
processos elétricos, Reich seguia na comprovação
de sua fórmula do orgasmo: tensão > carga >
descarga > relaxação.
A tensão sexual é sentida
no corpo todo, mais fortemente expressa nas regiões do coração
e do abdômen. A excitação se concentra
gradualmente nos órgãos genitais, que se
tornam congestionados com sangue, atingindo com cargas elétricas
a superfície dos genitais. Um toque em uma parte do corpo pode
excitar outras áreas do corpo. O processo de fricção
aumenta a tensão até atingir o orgasmo (descarga
elétrica) seguida de relaxação.
 |
Este conceito leva Reich
novamente para a idéia de uma bexiga elástica cheia.
A bexiga elástica teria um mecanismo de carga operando automaticamente
no centro, seria carregada espontaneamente a partir de seu interior,
a carga poderia ser maior em algumas áreas e menor em outras.
Dentro da bexiga, as cargas elétricas estariam em constante
movimento, mas uma direção prevaleceria do centro para
fora. Se a energia interna se torna grande demais, a bexiga poderia,
contraindo-se, descarregar a energia para fora.
Fazendo uma comparação da bexiga com o corpo animal,
Reich constatou que o corpo animal no mais baixo estágio de
desenvolvimento possui um mecanismo que gera eletricidade a partir
do centro para a periferia. São os chamados gânglios
vegetativos, células nervosas ligadas a todos os órgãos
do corpo que se dividem em sistemas "simpático"
e "parassimpático". |
"Nossa bexiga imaginária pode expandir-se e
contrair-se. (...) Se nos esforçássemos realmente por manter
uma pressão constante sobre a superfície toda, i.e., impedindo-a
de expandir-se apesar da continua produção interior de energia,
ficaria em um perpétuo estado de angústia". (Reich,
1991)
A bexiga sentindo-se incapaz de fazer algo por si mesma
precisaria da ajuda de outra pessoa para aliviar esta tensão. Por
exemplo, através de massagem, ginástica, furando-a se necessário
(fantasia de estar sendo aberta em furos), machucando-se (fantasia masoquista)
e se nada resolvesse, destruindo-a (morte sacrifical). Reich, ao utilizar
este exemplo, fazia a comparação com a neurose da sociedade
do século XX.
Segundo Reich, esta bexiga encouraçada teria uma
atitude estranha e hostil em relação a ela. Sentiria-se
muito especial, uma raça superior pelo simples fato de usar um
uniforme e um colarinho. A natureza seria considerada "vil",
"impulsiva", "demoníaca". Ao mesmo tempo, a
bexiga sentiria em si os vestígios desta natureza: associar a natureza
a convulsões do corpo seria blasfêmia. Assim mesmo, criaria
industrias de pornografia, sem perceber a contradição.
No campo da fisiologia a idéia de uma bexiga encouraçada
se confirmava pelo fato que os músculos se contraem espontaneamente
e/ou por estímulos elétricos. Uma observação
minuciosa na função cardíaca comprovou também
que o processo de "tensão-carga" governa a função
cardíaca. O resultado da carga e descarga é o vazamento
do sangue através da aorta por causa da contração
do coração.
Outro exemplo citado por Reich no campo da biologia é
que a bexiga urinária não se contrai a fim de cumprir sua
função mictória ou de poderes "divinos"
ou sobrenaturais. Contrai-se simplesmente porque seu enchimento mecânico
induz uma contração. Esse mesmo princípio pode ser
aplicado nos termos das relações sexuais: não temos
relações sexuais para gerar filhos,
e sim porque uma congestão de fluido carrega bioeletricamente
os órgãos genitais e pressiona em direção
à descarga. "Assim a sexualidade não
está a serviço da procriação;
mais propriamente, a procriação é um resultado incidental
do processo tensão-carga nos genitais".
A cada novo argumento Reich "destrinchava"
a neurose sexual e política vigente, como um grito
ao vento de ouvidos surdos à realidade.
Bibliografia
Reich, Wilhelm. A função do
orgasmo - Problemas econômico-sexuais da energia biológica.
São Paulo: Círculo do Livro, 1991.
Depoimento de um soropositivo
- "Eu me infectei com um namorado, há
mais de dez anos. Eu trabalhava em uma clínica e até cheguei
a alertá-lo algumas vezes para que usássemos preservativos,
tentei conversar sobre o HIV, mas ele não quis
saber. Ele, era muito machista, achava que AIDS era
doença de homossexuais e que usar camisinha seria como confessar
que ele era gay".
- "Eu comecei a manifestar os sintomas sem saber
que estava infectada. Tive várias pneumonias, um resfriado atrás
do outro e ninguém me pediu um exame de HIV. Acho muito importante
informar que muitos médicos são completamente desinformados
sobre AIDS. Por exemplo, já ouvi médicos
dizendo que só é possível pegar AIDS quando o homem
tem uma ejaculação completa, o que não é
verdade: aquela primeira gotinha de líquido seminal já
é suficiente para infectar a parceira. Outra balela que já
ouvi de médicos é que o coito interrompido seria suficiente
para evitar a infecção".
- "Durante quatro anos, fui 'cobaia' de todos os
tipos de antibióticos. Como eu tinha uma gripe ou resfriado sérios
praticamente a cada dois meses, com febrão, pneumonia e tudo
mais, eu resolvi me tratar diretamente com um pneumologista. Depois
de tanto tempo eu comecei a brincar que, se uma pneumonia não
me matasse, eu teria câncer pelo efeito da radiação,
tantos eram os raios X de pulmão que tive de fazer durante esse
período. Também tive vários furúnculos,
que tratei com dermatologista. Tudo isso já eram sintomas do
HIV e nenhum médico que me tratou pediu um exame de HIV durante
todo esse tempo".
- "Um belo dia, eu fui dormir me sentindo
bem e, no dia seguinte, acordei com 40 graus de febre, incapaz de me
levantar da cama, mas sem nenhum sintoma de gripe. Pedi à minha
irmã que fosse me ajudar e, alarmada, ela entrou em contato com
o médico que a atendia. Ele recomendou que eu fosse internada
e, no hospital, descobriram que eu estava com pneumonia dupla. Fui para
o CTI e sequer conseguia respondia às perguntas do médico.
Lá, o médico observou que um dos meus furúnculos
não havia se curado completamente e pediu uma biópsia.
Foi durante essa biópsia que descobriram que eu estava com infecção
por HIV em estágio avançado".
- "Eu não quis contar à minha família
como havia contraído o HIV, eles nunca souberam desse meu relacionamento
e não vi motivos para contar quatro anos após o fim do
namoro. Então, aproveitei para 'encaixar uma transfusão
de sangue' (risos) em uma cirurgia que tive de fazer alguns anos antes
para justificar o contágio".
- "Assim que eu comecei o tratamento no posto-de-saúde,
me deram um cartãozinho aqui do IPrA
e conheci a Rosa. Fiquei impressionada com sua força
e imediatamente senti vontade de trabalhar aqui. Porque eu nunca
me senti culpada por estar doente. Quando eu soube que estava
infectada, meu maior desejo foi o de conhecer outras pessoas com o mesmo
problema".
|
| Edição 86 |
Artists International
Direct Support (A.I.D.S)

Amar o próximo por Géssica
Hellmann
Leigh-Anne
Tyson
(versão
em português)
(Sugira um tema
para esta revista)
In 2006, the population of Canada was just over 32 million people, and
the total number of people globally affected by HIV/AIDS
last year alone was 39.5 million. According to the "Annual
AIDS Epidemic Update" report published by UNAids
and WHO, almost two thirds (63%) of all persons, including
children, infected with HIV are living
in sub-Saharan Africa. Over 24.7 million adults and children
lived with HIV in 2006, 2.8 million people became newly infected and 2.1
million adults and children died of AIDS in sub-Saharan Africa alone.
These deaths represent 72% of global AIDS deaths. The impact of
HIV/AIDS on women and children is staggering. Women are more
likely to become infected with HIV, and most often carry the burden of
caring for people infected with HIV. It is for this reason that Artists
International Direct Support (A.I.D.S) has worked to create more
awareness in Canada, and internationally about the HIV/AIDS epidemic
and its impact on women and children in sub-Saharan Africa. Over the past
3 years, Artists International Direct Support has raised over a half million
dollars for NGO organizations and projects who directly help women and
children affected by HIV/ AIDS.
The funds raised through various twinning portfolios and matching projects
has allowed Artists International Direct Support to distribute money to
projects on the ground in Africa, including Topsy Foundation, Cotland's
Baby Sanctuary, Nkosi's Haven and Nelson Mandela Children's Fund. These
projects all help women and children affected by the HIV/AIDS epidemic
in Zimbabwe, South Africa, Malawi and Zambia. The projects that Artists
International Direct Support chooses, fall into the following categories:
1. Orphanages, Granny projects, AIDS day cares;
2. Food, shelter and clothing for women and children affected by HIV/AIDS
or
3. Sustainability projects that move people towards self-sufficiency (Soul
of Africa, KwaZulu-Natal).
Artists International Direct Support does not give towards capital funding
or infrastructure, and goes to sanctioned NGO's, recommended by Stephen
Lewis or Nelson Mandela. Artists International Direct Support works closely
with the Rotary Club, who helps to ensure that the projects that are supported,
are made accountable.
About Kids for Kids/ Art for Aids Twinning Projects:
Artists International Direct Support has developed Twinning projects with
public school boards, and private schools in Ontario, Canada and South
Africa, pairing each project with a corporate sponsor. Each project develops
a portfolio of student artwork (collage) through art workshops that is
then reproduced and made available for sale. The Kids for Kids projects
present the creative works of youth between the ages of 13 - 17, as well
as portfolios done with various universities and colleges across Canada,
the United States, and South Africa. During HIV/AIDS awareness workshops,
students are asked to create a collage, working with artist Hendrikus
Bervoets, which thematically reflects various aspects of the Pandemic.
In turn, these images are printed in limited editions of original hand
signed giclee prints. These prints are exhibited and sold with all the
funds being redirected to projects benefiting women and children affected
by HIV/AIDS in sub Saharan Africa. To date over twenty portfolios have
been completed and are for sale thanks to the cooperation of more than
one hundred schools who have participated in these workshops. The total
sponsorship of a twinning project is $22, 000, which includes 500 signed
and numbered prints, a student exchange program, school workshops and
printing of artwork. 1, 500 prints are also made available for sale with
the potential to raise an additional $37,500 each portfolio. A number
of corporations have partnered with schools, as illustrated below. The
twinning projects have allowed the fundraising efforts of Artists International
Direct Support to be propelled forward.
HIV/AIDS Projects Supported by Artists International Direct Support:
Nelson Mandela Children's Fund
The Nelson Mandela Children's Fun strives to change the way society treats
its children and youth. Their mission statement is " In the pursuit
of its vision, and in order to ensure that the legacy of its founder,
Nelson Mandela, is secured in perpetuity, the Nelson Mandela Children's
Fund will:
o Develop partnership and initiate programs witch empower and improved
the well being of children and youth
o Promote the rights of children and youth through the influence of public
policy and social awareness
o Sustain these initiatives through the development of sound financial
and knowledge support base
The guiding values and principles of the Nelson Mandela Children's Fund
are:
o Position the ultimate goal as poverty eradication and not just the amelioration
of the difficult circumstances that the targeted beneficiaries (children
and youth from birth to 22 years) find themselves in
o Possess holistic and integrated approaches to the challenges confronting
children. These strategies should recognize that children are an integral
part of families and communities. The well-being of children cannot be
isolated from that of their environment
o Facilitate the participation of the Nelson Mandela Children's Fund's
target group in the planning and implementation of projects and programs.
These means finding cost effective methods of involving children, youth
and their communities in decision making. Empowering such communities
to take responsibility for their decisions should be a primary requisite.
o Facilitate change through the work of societal norms and practices that
force children to focus only on their basic needs. The absence of hunger,
abuse, exploitation and homelessness are basic conditions that all children
should enjoy. The programs of the Nelson Mandela Children's fund's partners
should enhance the rights of children to reach their full potential; and
promote best practice, encourage professionalism and be oriented towards
achieving measurable results.
Cotlands Baby Sanctuary
Cotlands is one of South Africa's biggest independent, non-profit organizations
caring for abandoned and abused children, and one of a few organizations
caring for children from birth to age six infected with HIV/AIDS. Cotlands
facilitates the operation of two pediatric hospice for children with HIV/AIDS,
as well as delivering basic needs, food and formula to malnourished infants
and children, various programs including counseling projects and community
outreach initiatives to HIV positive children and their mothers/ primary
caregivers, mass training to health workers, schools, and people within
communities and organizations. Cotlands has worked very hard to bring
social awareness about the HIV/AIDS epidemic as well as providing necessary
resources to help relieve the pain and suffering of children with HIV/AIDS.
Nkosi's Haven
Nkosi's Haven was first opened in 1999, founded by Gail Johnson in honour
of her 12 year old foster son who was born with HIV, and in memory of
his biological mother who was also HIV positive, and unable to look after
Nkosi. Nkosi's Haven and the Nkosi Johnson Foundation works to increase
social awareness and help erase the stigma around HIV/AIDS in South Africa,
as well as provide women and children with HIV/AIDS with shelter and care.
The Foundation seeks to raise funds for establishing, maintaining and
sustaining communal environments for women and their children affected
by HIV/AIDS, supporting beneficiary organizations such as Nkosi's Haven
care centers, establishing educational and training trusts, raising awareness
and de-stigmatizing HIV/AIDS in South Africa.
Topsy Foundation
The Tospy Foundation partners with rural communities, to bring about change
to the consequences of HIV/AIDS through a multi-faceted approach. The
Sanctuary, located an hour outside of Johannesburg, South Africa, is the
base for community-outreach programs, in-house care programs, AIDS daycares,
Hospice Care, Orphan Care, Antiretroviral Community programs, and other
self-sufficient programs, such as the Vegetable Gardening project. These
projects are directed mainly towards rural families, particularly women
and children affected by HIV/AIDS, to increase awareness and education
about HIV/AIDS as well as providing necessary programs to care for children
who are affected by HIV/AIDS.
Artists International Direct
Support (A.I.D.S) - Artistas em Apoio Internacional Direto
(Versão não-oficial em português por Alexis Kauffmann
/ Unofficial Portuguese Version by Alexis Kauffmann)
Em 2006, a população do Canadá
era de pouco mais de 32 milhões de pessoas, enquanto o número
total de pessoas afetadas pelo HIV/AIDS em todo o mundo no ano
passado chegava a 39,5 milhões. De acordo o "Relatório
Anual de Atualização sobre a Epidemia de AIDS"
publicado pela UNAIDS
e pela OMS,
quase dois terços (63%) de todas as pessoas, inclusive crianças,
infectadas pelo HIV, vivem na África Subsaariana. Mais de 24,7
milhões de adultos e crianças viviam com o HIV em 2006,
2,8 milhões de pessoas infectaram-se e 2,1 milhões de adultos
e crianças morreram de AIDS somente nessa região. Essas
mortes representam 72% das mortes por AIDS em todo o
planeta. O impacto do HIV/AIDS sobre mulheres e crianças
é estonteante. Mulheres têm maior probabilidade de
se infectar com o HIV e, muitas vezes, carregam o fardo de cuidar
de pessoas infectadas. É por esses motivos que a Artists International
Direct Support (A.I.D.S) trabalha para aumentar a conscientização,
tanto no Canadá quanto em nível internacional, sobre a epidemia
de HIV/AIDS e seu impacto sobre as mulheres e crianças na África
Subsaariana. Nos últimos 3 anos, a Artists International Direct
Support (A.I.D.S) levantou mais de meio milhão de dólares
canadenses para ONG's e projetos que ajudam diretamente mulheres e crianças
afetadas pelo HIV/AIDS.
Os recursos levantados a partir de portfolios gêmeos
e projetos casados permitiram à Artists International
Direct Support (A.I.D.S) distribuir dinheiro para projetos que agem diretamente
na África, incluindo a Fundação
Topsy, a Cotland's Baby Sanctuary, o Abrigo
Nkosi e o Fundo
Nelson Mandela para a Infância. Todos esses
projetos ajudam a mulheres e crianças afetadas pela epidemia
do HIV/AIDS no Zimbábue, África do Sul, Malawi
e Zâmbia. Os projetos que recebem o apoio da Artists International
Direct Support recaem em uma das seguintes categorias:
1 - Orfanatos, creches, internatos,
2 - Alimentação, abrigo e vestuário para mulheres
e crianças afetadas pelo HIV/AIDS ou
3 - Projetos de sustentabilidade que conduzam as pessoas à auto-suficiência
(Soul of Africa, KwaZulu-Natal)
A Artists International Direct Support não
faz investimentos em fundos financeiros ou em infra-estrutura e destina
seus recursos somente para ONG's oficializadas e recomendadas pela Fundação
Stephen Lewis ou pela Fundação
Nelson Mandela. A Artists International Direct
Support trabalha em estreita colaboração com o Rotary
Club, que ajuda a assegurar que os projetos financiados
realmente façam diferença.
Sobre os Projetos Gêmeos "Crianças
para Crianças"/"Arte pela Aids":
A Artists International Direct Support desenvolveu projetos gêmeos
com diretorias de escolas públicas e particulares em Ontario, no
Canadá, e na África do Sul, mantendo cada projeto em igualdade
de condições por meio de patrocinadores corporativos. Cada
projeto desenvolve um portfolio de arte criada por estudantes
(colagens), que então é reproduzido e colocado à
venda. O "Projeto Crianças para Crianças" apresentam
os trabalhos criativos de crianças e jovens entre 13 e 17 anos,
bem como portfolios realizados em diversas universidades e faculdades
do Canadá, Estados Unidos e África do Sul. Durante as oficinas
de conscientização para o HIV/AIDS, pede-se aos estudantes
que criem uma colagem, sob orientação do artista Hendrikus
Bervoets, que reflita tematicamente os diversos aspectos da pandemia.
Em retribuição, essas imagens são impressas em tiragens
limitadas e assinadas a mão. Esses impressos são expostos
e vendidos, com todos os fundos sendo revertidos para projetos que beneficiam
mulheres e crianças afetadas pelo HIV/AIDS na África Subsaariana.
Até esta data, vinte portfolios foram criados
e postos à venda graças à cooperação
de mais de 100 escolas que participaram dessas oficinas. O valor total
do patrocínio de um projeto-gêmeo soma 22 mil dólares
canadenses, o que inclui 500 impressos assinados e numerados,
um programa de intercâmbio estudantil, realização
de oficinas nas escolas e impressão do trabalho artístico.
Mil e quinhentos impressos adicionais também são postos
à venda, com potencial para levantar 37.500 dólares canadenses
adicionais para cada portfolio. Um grande número de empresas fez
parcerias com escolas Os projetos-gêmeos ajudaram a impulsionar
os esforços de levantamento de recursos pela Artists International
Direct Support.
Projetos de HIV/AIDS que recebem apoio da Artists International
Direct Support:
Fundo Nelson Mandela para a Infância
O Fundo Nelson Mandela para a Infância luta para mudar a maneira
como a sociedade trata suas crianças e sua juventude. Sua declaração
de missão é: "Com o objetivo de realizar esta visão
e com o intuito de assegurar que o legado de seu fundador, Nelson Mandela,
seja conservado perpetuamente, o Fundo Nelson Mandela para a infância:
o Desenvolverá parcerias e iniciará programas que estimulem
e melhorem o bem-estar das crianças e jovens;
o Promoverá os direitos das crianças e jovens através
da influência de políticas públicas e conscientização
social;
o Sustentará essas iniciativas através do desenvolvimento
de uma sólida base financeira e de conhecimento.
São seguintes os valores e princípios que norteiam o Fundo
Nelson Mandela para a Infância:
o Posicionar como objetivo último a erradicação da
pobreza e não apenas a amenizar as circunstâncias difíceis
em que se encontram os beneficiários-alvos (crianças e jovens
desde o nascimento até os 22 anos).
o Adotar abordagens holísticas e integradas aos desafios com que
se defrontam as crianças. Essas estratégias devem considerar
as crianças como parte integrante de suas famílias e comunidades.
O bem-estar das crianças não deve ser isolado do seu ambiente.
o Facilitar a participação dos grupos-alvos do Fundo Nelson
Mandela para a Infância no planejamento e implementação
de projetos e programas. Isto significa encontrar métodos custo-eficientes
de envolver crianças, jovens e suas comunidades no processo decisório.
A transferência de poder decisório para que as comunidades
assumam a responsibilidade por suas decisões é um pré-requisito
essencial.
o Facilitar a mudança através do trabalho de normais e práticas
societais que forcem as crianças a focalizar somente suas necessidades
básicas. A ausência de fome, abuso, exploração
e desabrigo são condições básicas de que toda
criança deveria desfrutar. Os programas dos parceiros do Fundo
Nelson Mandela para a Infância devem reforçar os direitos
das crianças até atingir seu pleno potencial e promover
as melhores práticas, encorajar o profissionalismo e orientar-se
para a obtenção de resultados mensuráveis.
Cotlands Baby Sanctuary
A Cotlands é uma das maiores ONG's independentes da África
do Sul dedicadas a cuidar de crianças abandonadas ou que sofreram
abusos, e também uma das poucas organizações que
atendem a crianças de zero a seis anos infectadas com HIV/AIDS.
A Cotlands auxilia as operações de dois hospitais pediátricos
para crianças com HIV/AIDS, bem como provê as necessidades
de alimentação e medicamentos de bebês e crianças
com desnutrição; implementa vários programas, que
incluem projetos de aconselhamento e multiplicadores comunitários
para crianças HIV positivas e suas mães ou responsáveis
primários, treinamento em massa para profissionais de saúde,
educadores e indivíduos atuantes em comunidades e organizações.
Cotlands esforça-se ao máximo para promover conscientização
social sobre a epidemia de HIV/AIDS bem como para prover os recursos necessários
para aliviar a dor e o sofrimento das crianças com HIV/AIDS.
Abrigo Nkosi
O Abrigo Nkosi foi inaugurado em 1999 por Gail
Johnson em honra a seu filho adotivo de 12
anos que nasceu com HIV, e em memória de sua mãe biológica,
que também era HIV positiva e incapacitada de cuidar de Nkosi.
O Abrigo Nkosi e a Fundação Nkosi Johnson trabalham para
incentivar a conscientização social e ajudar a limpar o
estigma que paira em torno do HIV/AIDS na África do Sul, bem como
provê abrigo e cuidados para mulheres e crianças com HIV/AIDS.
A Fundação busca levantar recursos para estabelecer, manter
e sustentar ambientes comunitários para mulheres soropositivas
e seus filhos, apoiar organizações beneficiárias
como os Centros de Assistência Nkosi, estabelecer cooperativas educacionais,
de formação profissional, conscientização
e desestigmatização do HIV/AIDS na África do Sul.
Fundação Topsy
A Fundação Topsy forma parcerias em comunidades rurais com
o objetivo de promover mudanças nas conseqüências do
HIV/AIDS através de uma abordagem multifacetada. O Santuário,
localizado a apenas uma hora de Johannesburgo, África do Sul, é
a base para os programas de desenvolvimento comunitário, atendimento
individual, creches, hospitais, orfanatos, distribuição
comunitária de medicamentos antiretrovirais entre outros programas
auto-sustentáveis. Esses projetos são principalmente direcionados
para famílias rurais, particularmente mulheres e crianças
afetadas pelo HIV/AIDS para aumentar a conscientização e
educação sobre HIV/AIDS bem como oferecer programas de assistência
a crianças infectadas com o HIV/AIDS.
Um ato de amor e solidariedade (IPrA Instituto de Prevenção
à Aids)
Géssica Hellmann
Primeiramente quero agradecer a todos os amigos que
colaboraram com sua generosidade, divulgando o trabalho realizado pelo
IPrA
ao adicionar um link em seus sites pessoais. Um gesto tão simples
e de extrema importância para esta instituição que
faz seu trabalho por amor ao próximo.
Sim, AMOR AO PRÓXIMO. O IPrA é
uma instituição sem fins lucrativos, "considerado pelos
governos federal, estadual e municipal, como centro de reconhecida Utilidade
Pública. Sobrevive com ajuda de donativos de voluntários
e com o que consegue com eventos culturais e confraternizações
que promove".
Por isso afirmo que é por amor, fé e através
da generosidade que eles continuam sua luta na prevenção
à Aids. É preciso aprender a conviver com as diferenças,
amar a si mesmo e ao próximo com a mesma proporção.
Quem não tem amor, quem não sabe amar, não consegue
amar ao próximo.
Ontem participei pela primeira vez da reunião
de grupo que acontece em toda última
quarta-feira do mês e é aberta ao público em geral.
A energia de amor e solidariedade que
senti ao ser recebida com tanto carinho me deixou emocionada.
Fui convidada a fazer uma oficina de expressão
artística e todos participaram com entusiasmo. Foi uma
troca de energia, de idéias, de formas diferentes de se ver o mundo.
Ao oferecer voluntariamente esta oficina
recebi em troca uma certeza no fundo de meu coração de estar
no caminho certo, a alegria de poder proporcionar solidariedade através
da arte. Pois sabemos que a Arte e suas Manifestações
Artísticas promovem a solidariedade,
a fraternidade.
Agradeço também a todos os que participaram
por terem me recebido de forma tão carinhosa e calorosa, senti-me
em casa, entre amigos queridos.
A todos, meu muito obrigada!
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